1. Nos últimos apontamentos, tenho-me debruçado acerca da razão do cooperativismo, salientando que este é o contra-poder de recurso.
2. O movimento cooperativista assume-se como uma das armas eficazes para obstar o tentaculado Poder Económico - liberal ou socialista - representado por uma minoria possidente, fomentadora de soluções oligárquicas.
3. Embora muitos economistas (Karl Marx inclusive) considerem a instância económica como o fundamento nas ciências sociais, o que motiva o homem é o poder e a notoriedade.
4. Todos os outros animais se contentam com a mera existência e a reprodução. Apenas o homem padece de fama imortal e esta motiva o entesouramento como via para esse fim.
5. "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça!". Desejar ardentemente o mando e o renome sobreleva todo o conforto material alcançado. Os trabalhos de Hércules são disso um bom exemplo.
6. Logo, o importante é dominar o arrebatamento subjugador através de uma plataforma onde o diálogo e o consenso possa conduzir à satisfação das necessidades de cada um, de modo cooperativo.
7. Na persecução da doutrina aqui exposta fácil é concluir que os problemas da Comunidade serão resolvidos, democraticamente, dentro das comunidades, dispensando chefes a prazo que apenas servem para apoiar ou contrariar as maiorias apuradas em cada legislatura.
Nau
NOTA: apontamento editado no 'realistas.org' em 11/X/2011.
sábado, 31 de dezembro de 2011
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Nº. 48 - Cooperativismo
1. Terminei o meu último apontamento afirmando que o cooperativismo é a via pragmática para a formação do contra-poder. Afinal o que é o contra-poder?
2. Segundo Bertrand Russel, "o conceito fundamental na ciência social é o Poder, no mesmo sentido em que a Energia é o conceito fundamental na Física". Logo, há enésimas formas de Poder: o poder real, o poder sacerdotal, o poder económico, o poder das massas ignaras, etc..
3. O poder coercivo do Estado, o poder do conquistador militar, o poder do criminoso sobre a vítima, etc., são da mesma natureza e mais ou menos violentos, segundo a óptica do perpretador/executor e do sujeito passível da acção em causa.
4. Nas questões de subsistência, o homem cedo teve que exercer um certo poder sobre a própria natureza, a fim de se apropriar dos frutos desta ou diligenciar para a produção dos mesmos, depois de ter ganho conhecimento das técnicas para esse efeito - o conhecimento é uma outra forma de Poder.
5. Ao fim e ao cabo, o Poder poderá ser uma necessidade, um capricho, mera urgência fisiológica ou pura satisfação pessoal, qualquer deles originados por factores circunstanciais.
6. Para encurtar razões, proponho que nos limitemos ao poder económico pois é este que afecta, em maior grau, o bem-estar da comunidade e que, por norma, se encontra nas mãos de reduzidíssimo número de pessoas, i.e., nas mãos dos Possidentes.
7. Sem dúvida que o Poder Económico é avassalador - abate vontades, alimenta práticas viciosas, decide o bem-estar ou a fome das comunidades, origina guerras, etc., logo, para dirimir os seus efeitos perniciosos, as comunidades cooperativas são o contra-poder adequado.
Nau
NOTA: apontamento editado no 'realistas.org' em 9/X/2011.
2. Segundo Bertrand Russel, "o conceito fundamental na ciência social é o Poder, no mesmo sentido em que a Energia é o conceito fundamental na Física". Logo, há enésimas formas de Poder: o poder real, o poder sacerdotal, o poder económico, o poder das massas ignaras, etc..
3. O poder coercivo do Estado, o poder do conquistador militar, o poder do criminoso sobre a vítima, etc., são da mesma natureza e mais ou menos violentos, segundo a óptica do perpretador/executor e do sujeito passível da acção em causa.
4. Nas questões de subsistência, o homem cedo teve que exercer um certo poder sobre a própria natureza, a fim de se apropriar dos frutos desta ou diligenciar para a produção dos mesmos, depois de ter ganho conhecimento das técnicas para esse efeito - o conhecimento é uma outra forma de Poder.
5. Ao fim e ao cabo, o Poder poderá ser uma necessidade, um capricho, mera urgência fisiológica ou pura satisfação pessoal, qualquer deles originados por factores circunstanciais.
6. Para encurtar razões, proponho que nos limitemos ao poder económico pois é este que afecta, em maior grau, o bem-estar da comunidade e que, por norma, se encontra nas mãos de reduzidíssimo número de pessoas, i.e., nas mãos dos Possidentes.
7. Sem dúvida que o Poder Económico é avassalador - abate vontades, alimenta práticas viciosas, decide o bem-estar ou a fome das comunidades, origina guerras, etc., logo, para dirimir os seus efeitos perniciosos, as comunidades cooperativas são o contra-poder adequado.
Nau
NOTA: apontamento editado no 'realistas.org' em 9/X/2011.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Nº. 47 - Cooperativismo
1. Para algumas pessoas, o cooperativismo é algo estranho, uma espécie de mahjong, jogo que vagamente se conhece mas com o qual não se está familiarizado.
2. O desconhecido provoca um sentimento de curiosidade ou de repulsa, embora a maioria assuma a indiferença para consumo externo, i. e., para salvar as aparências.
3. Segundo parece, o homem tem consciência que a sua integração na comunidade lhe é vantajosa. Porém, ao contrário de outros animais gregários, necessita que o governem.
4. Logo, o governo é uma forma do homem abdicar de uma boa parte do poder de decisão pessoal a favor de terceiros que estabelecem normas de conduta na comunidade.
5. Claro que o indívíduo se poderá eximir ao cumprimento das tais regras comunitárias ficando sujeito à condenação dos seus pares e/ou à força coerciva do Estado.
6. O governo estabelece, definitivamente, a fronteira entre dirigentes e dirigidos, havendo a possibilidade dos primeiros se tornarem opressivos, caso não exista uma cultura judiciosa de contra-poder.
7. O cooperativismo é a via pragmática para a formação do contra-poder.
Nau
NOTA: apontemento editado no 'realistas.org' em 8/X/2011.
2. O desconhecido provoca um sentimento de curiosidade ou de repulsa, embora a maioria assuma a indiferença para consumo externo, i. e., para salvar as aparências.
3. Segundo parece, o homem tem consciência que a sua integração na comunidade lhe é vantajosa. Porém, ao contrário de outros animais gregários, necessita que o governem.
4. Logo, o governo é uma forma do homem abdicar de uma boa parte do poder de decisão pessoal a favor de terceiros que estabelecem normas de conduta na comunidade.
5. Claro que o indívíduo se poderá eximir ao cumprimento das tais regras comunitárias ficando sujeito à condenação dos seus pares e/ou à força coerciva do Estado.
6. O governo estabelece, definitivamente, a fronteira entre dirigentes e dirigidos, havendo a possibilidade dos primeiros se tornarem opressivos, caso não exista uma cultura judiciosa de contra-poder.
7. O cooperativismo é a via pragmática para a formação do contra-poder.
Nau
NOTA: apontemento editado no 'realistas.org' em 8/X/2011.
Nº. 46 - O Diálogo I
1. Dialogar é coisa fácil, basta a existência de um interlocutor, tendo por objectivo a troca de informações, isto é, comunicar.
2. Logo, comunicar é tornar algo comum, quer por via oral, quer por sinais convencionais - representação gráfica (pictográfica, ideográfica, fonética e silábica) - ou mera linguagem gestual em que poderemos incluir o vagido da criança recem-nascida e a voz de outros animais parceiros do homem.
3. O diálogo pressupõe o confronto de ideias, de conceitos, de opiniões, sempre na linha do entendimentoe com vista à solução de problemas, de modo harmonioso como é apanágio do movimento cooperativo.
4. Dialogar, na óptica do cooperativista, jamais significará mera altercação, isto é, briga; polémicas com impugnação de argumentos; levantamento de dúvidas ou simples contestação da matéria acerca da qual se aguardam consensos.
5. Na comunicação doutrinária, os princípios que servem de base para o aliciamento de pessoas através da apresentação de factos e razões que não deixam qualquer espécie de dúvidas resumem-se em poucas palavras, pelo que a verbosidade apenas revela insegrança ou vulgarismo no mau sentido da palavra.
6. Argumentar, aduzindo razões que, através do raciocínio lógico, desembocarão em conclusões sustentáveis, é exercício de fraco recurso nestes espaços internáuticos, onde o insulto e os faits divers são o prato do dia.
7. Ninguém se mostra disponível para debater ideias, procurando apenas subscrever vulgaridades onde o seu nome apareça em letra bem redonda.
Nau
2. Logo, comunicar é tornar algo comum, quer por via oral, quer por sinais convencionais - representação gráfica (pictográfica, ideográfica, fonética e silábica) - ou mera linguagem gestual em que poderemos incluir o vagido da criança recem-nascida e a voz de outros animais parceiros do homem.
3. O diálogo pressupõe o confronto de ideias, de conceitos, de opiniões, sempre na linha do entendimentoe com vista à solução de problemas, de modo harmonioso como é apanágio do movimento cooperativo.
4. Dialogar, na óptica do cooperativista, jamais significará mera altercação, isto é, briga; polémicas com impugnação de argumentos; levantamento de dúvidas ou simples contestação da matéria acerca da qual se aguardam consensos.
5. Na comunicação doutrinária, os princípios que servem de base para o aliciamento de pessoas através da apresentação de factos e razões que não deixam qualquer espécie de dúvidas resumem-se em poucas palavras, pelo que a verbosidade apenas revela insegrança ou vulgarismo no mau sentido da palavra.
6. Argumentar, aduzindo razões que, através do raciocínio lógico, desembocarão em conclusões sustentáveis, é exercício de fraco recurso nestes espaços internáuticos, onde o insulto e os faits divers são o prato do dia.
7. Ninguém se mostra disponível para debater ideias, procurando apenas subscrever vulgaridades onde o seu nome apareça em letra bem redonda.
Nau
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Nº. 45 - As Crises
1. A crise da dívida soberana do Euro está para durar.
2. Pouco resta da supremacia europeia e a bengala estadunidense tem os dias, digo os anos, contados.
3. As potências emergentes - China, Índia, Brasil, África do Sul, etc. - contribuem para a progressiva instabilidade - política e económica.
4. O poder tornar-se-à, cada vez mais, precário e os consensos entre as nações mais difíceis e/ou desequilibrados.
5. Em vez de duas superpotências antagónicas, assistiremos aos continuados rodriguinhos regionais.
6. Coreias do Norte, tráfico de armas, intolerâncias religiosas, escravatura sexual e negócios da droga continuarão a gerar riqueza para um número retrito de pessoas.
7. Bruxelas adverte Portugal para ser dada prioridade a projectos que incidam sobre o crescimento e o emprego, como a reconversão de trabalhadores, a criação de clusters de empresas ou investimentos nas infra-estruturas de transportes, estas, obviamente, com tecnolgia germanica.
Nau
2. Pouco resta da supremacia europeia e a bengala estadunidense tem os dias, digo os anos, contados.
3. As potências emergentes - China, Índia, Brasil, África do Sul, etc. - contribuem para a progressiva instabilidade - política e económica.
4. O poder tornar-se-à, cada vez mais, precário e os consensos entre as nações mais difíceis e/ou desequilibrados.
5. Em vez de duas superpotências antagónicas, assistiremos aos continuados rodriguinhos regionais.
6. Coreias do Norte, tráfico de armas, intolerâncias religiosas, escravatura sexual e negócios da droga continuarão a gerar riqueza para um número retrito de pessoas.
7. Bruxelas adverte Portugal para ser dada prioridade a projectos que incidam sobre o crescimento e o emprego, como a reconversão de trabalhadores, a criação de clusters de empresas ou investimentos nas infra-estruturas de transportes, estas, obviamente, com tecnolgia germanica.
Nau
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Nº. 44 - Cooperativismo
1. Em 2002 algo parece correr mal no sistema económico e financeiro do planeta Terra.
2. Em 2008 a crise do subprime estadunidense dá sinais de se estender pelo resto do mundo.
3. Em 2010 as dívidas soberanas na Europa implodem e o grito é de salve-se quem puder!
4. Como uma desgraça nunca vem só, a catástrofe climática agudiza-se, mas cada um cura apenas do seu umbigo.
5. O conceito de desenvolvimento sustentável é nova bandeira, mas a articulação entre economia e ecologia não é pera doce.
6. Os excessos do socialismo burocratizado e tecnocrático terão que ser, urgentemente, corrigidos e o decrescimento vira a sinónimo de desenvolvimento sustentável.
7. A mobilização dos cidadãos para a denegação do consumismo tarda - o movimento cooperativo perfila-se no horizonte como a alternativa possível
Nau
2. Em 2008 a crise do subprime estadunidense dá sinais de se estender pelo resto do mundo.
3. Em 2010 as dívidas soberanas na Europa implodem e o grito é de salve-se quem puder!
4. Como uma desgraça nunca vem só, a catástrofe climática agudiza-se, mas cada um cura apenas do seu umbigo.
5. O conceito de desenvolvimento sustentável é nova bandeira, mas a articulação entre economia e ecologia não é pera doce.
6. Os excessos do socialismo burocratizado e tecnocrático terão que ser, urgentemente, corrigidos e o decrescimento vira a sinónimo de desenvolvimento sustentável.
7. A mobilização dos cidadãos para a denegação do consumismo tarda - o movimento cooperativo perfila-se no horizonte como a alternativa possível
Nau
Nº. 43 - A Dída Soberana
1. Ler o 'Luta Popular' poderá ser uma heresia para alguns, breviário para outros mas, sem dúvida, um refrigério para os descomprometidos.
2. O "Balanço do 2º dia da Convenção para uma Auditoria Cidadã da Dívida", editado no dia 18 deste mês com base na sessão realizada na 6ª-feira anterior, é boa matéria para reflexão obrigatória.
3. A badalada dívida pública resultou de abstrusos incentivos à desordenada utilização de créditos ao consumo, tendo por base taxas de juro muito baixas que, em termos bancários, apenas se tornavam vantajosos em progressão constante.
4. Claro que a utilização imoderada de tais créditos animaram a construção civil, bem como actividades ligadas ao lazer, criando postos de trabalho para técnicos, operários, artistas, etc., além de empresas ligadas ao sector imobiliário, turístico e, sobretudo, especulativo.
5. Ao fim e ao cabo, parte da dívida pública poderá ser considerada ilegítima, por ter sido realizada com intuitos pouco transparentes, quiçá dolosos, pela motivação da transferência de activos públicos para as mãos de privados.
6. Legítimo será questionar a existência de tantos bônzios na política e, acima de tudo, nas ciências económicas deste país, sem qualquer deles ter alertado os cidadãos para os riscos em causa, limitando-se a maioria a comentar o que já é óbvio.
7. Talvez o cooperativismo...
Nau
2. O "Balanço do 2º dia da Convenção para uma Auditoria Cidadã da Dívida", editado no dia 18 deste mês com base na sessão realizada na 6ª-feira anterior, é boa matéria para reflexão obrigatória.
3. A badalada dívida pública resultou de abstrusos incentivos à desordenada utilização de créditos ao consumo, tendo por base taxas de juro muito baixas que, em termos bancários, apenas se tornavam vantajosos em progressão constante.
4. Claro que a utilização imoderada de tais créditos animaram a construção civil, bem como actividades ligadas ao lazer, criando postos de trabalho para técnicos, operários, artistas, etc., além de empresas ligadas ao sector imobiliário, turístico e, sobretudo, especulativo.
5. Ao fim e ao cabo, parte da dívida pública poderá ser considerada ilegítima, por ter sido realizada com intuitos pouco transparentes, quiçá dolosos, pela motivação da transferência de activos públicos para as mãos de privados.
6. Legítimo será questionar a existência de tantos bônzios na política e, acima de tudo, nas ciências económicas deste país, sem qualquer deles ter alertado os cidadãos para os riscos em causa, limitando-se a maioria a comentar o que já é óbvio.
7. Talvez o cooperativismo...
Nau
domingo, 25 de dezembro de 2011
Nº. 42 - Conto de Natal
a João Pestana Teixiera
1. É tempo de se presenteaer as criancinhas, contribuindo eu com uma historieta do tempo em que os outros animais falavam.
2. A seca era grande lá na selva e a água escasseava a olhos vistos pelo que os outros animais pediram ao Rei-Leão para convocar uma assembleia magna, a fim de serem estudadas as causas, bem como as eventuais soluções, para fazer face a tão viciosa crise.
3. Apareceram animais de todo mundo, num arremedo de Cimeira da Nato, não faltando os burros de Portugal pois, nestas coisas de botar discurso, ninguém os cala e até pagam para o efeito.
4. A impaciência da pequenada já é grande pelo que abreviarei o relato das intervenções citando apenas as passagens das propostas mais relevantes.
5. A macacada do costume, há muito habituada a sítios privilegiados, sugeriu a proibição do acesso ao aquífero local a todos os outros animais; o mocho alertou, sabiamente, para o facto de pouca água passar pelos bicos das aves, embora estas sejam as mais numerosas em população, pelo que os animais de boca grande deveriam ser eliminados; imediatamente os elefantes, e à laia de compensação, declararam abdicar dos banhos de lama tidos para o tratamento das suas delicadas peles.
6. Após muitas discussões, optou-se pelo que parecia ser mais óbvio, todos os animais de boca grande seriam eliminados, o que deu origem ao comentário de um avantajado hipopótamo que, afunilando a bocarra em geito de beicinho plangoroso, gemeu sofridamente: "coitadinhos dos crocodilozinhos que vão morrer", tudo isto dito com as profusas lágrimas de... crocodilo.
7. Moral da história: há sempre esquemas selectivos para os animais privilegiados se safarem! Porém, se ainda os outros animais falassem como os mais, o que faríamos com os oradores da Assembleia da República?
Nau
NOTA: apontamento editado no 'realistas.org', em 17/XII/2011.
1. É tempo de se presenteaer as criancinhas, contribuindo eu com uma historieta do tempo em que os outros animais falavam.
2. A seca era grande lá na selva e a água escasseava a olhos vistos pelo que os outros animais pediram ao Rei-Leão para convocar uma assembleia magna, a fim de serem estudadas as causas, bem como as eventuais soluções, para fazer face a tão viciosa crise.
3. Apareceram animais de todo mundo, num arremedo de Cimeira da Nato, não faltando os burros de Portugal pois, nestas coisas de botar discurso, ninguém os cala e até pagam para o efeito.
4. A impaciência da pequenada já é grande pelo que abreviarei o relato das intervenções citando apenas as passagens das propostas mais relevantes.
5. A macacada do costume, há muito habituada a sítios privilegiados, sugeriu a proibição do acesso ao aquífero local a todos os outros animais; o mocho alertou, sabiamente, para o facto de pouca água passar pelos bicos das aves, embora estas sejam as mais numerosas em população, pelo que os animais de boca grande deveriam ser eliminados; imediatamente os elefantes, e à laia de compensação, declararam abdicar dos banhos de lama tidos para o tratamento das suas delicadas peles.
6. Após muitas discussões, optou-se pelo que parecia ser mais óbvio, todos os animais de boca grande seriam eliminados, o que deu origem ao comentário de um avantajado hipopótamo que, afunilando a bocarra em geito de beicinho plangoroso, gemeu sofridamente: "coitadinhos dos crocodilozinhos que vão morrer", tudo isto dito com as profusas lágrimas de... crocodilo.
7. Moral da história: há sempre esquemas selectivos para os animais privilegiados se safarem! Porém, se ainda os outros animais falassem como os mais, o que faríamos com os oradores da Assembleia da República?
Nau
NOTA: apontamento editado no 'realistas.org', em 17/XII/2011.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Nº. 41 - Democracia
1. Terminei a deambulação pelos mestres clássicos que versaram o tema Democracia, com chave de ouro - Proudhon.
2. Procurei as raízes daquilo que ficou na memória sem curar o aprofundamento da matéria que - assim o espero - cabe ao eventual visitante deste espaço.
3. O meu objectivo é motivar uma reflexão acerca de um tema que será óbvio para todo o mundo, mas de leituras variadas.
4. Estando na moda o egocentrismo exarcebado na Internet, mais por necessidades narcisitas do que por preocupações intelectuais, o silêncio continua sepulcral.
5. Fácil é subscrever tudo que é anódino e/ou reflexo de meras paixões - sentimentos excessivos de amor/ódio - tal como se verifica nas disputas verbais futebolísticas em que os protagonistas nada protagonizam.
6. Embora remando contra a maré, tentarei relembrar os mestres dos nossos dias, particularmente aqueles que mais têm contribuido para a nossa maturação no tema versado.
7. Quem não tenha preconceitos e queira botar palavra que avance.
Nau
NOTA: apontamento editado no 'realistas org' em 30/9/2011.
2. Procurei as raízes daquilo que ficou na memória sem curar o aprofundamento da matéria que - assim o espero - cabe ao eventual visitante deste espaço.
3. O meu objectivo é motivar uma reflexão acerca de um tema que será óbvio para todo o mundo, mas de leituras variadas.
4. Estando na moda o egocentrismo exarcebado na Internet, mais por necessidades narcisitas do que por preocupações intelectuais, o silêncio continua sepulcral.
5. Fácil é subscrever tudo que é anódino e/ou reflexo de meras paixões - sentimentos excessivos de amor/ódio - tal como se verifica nas disputas verbais futebolísticas em que os protagonistas nada protagonizam.
6. Embora remando contra a maré, tentarei relembrar os mestres dos nossos dias, particularmente aqueles que mais têm contribuido para a nossa maturação no tema versado.
7. Quem não tenha preconceitos e queira botar palavra que avance.
Nau
NOTA: apontamento editado no 'realistas org' em 30/9/2011.
Nº. 40 - Democracia
1. Dos reformadores sociais, de Marx a Lenine, incluido o próprio Saint-Simon, Proudhon é o único que se poderá afirmar como proveniente da classe operária.
2. O federalismo autogestionário sugerido por Proudhon assenta em três premissas: o trabalho pragmático; a solidariedade ideo-realista; o federalismo propriamente dito.
3. O trabalho - actividade física ou intelectual orientado à produção - é o gerador da economia e o sedimento da comunidade. A racionalização deste contra a manipulação oportunista e o entesouramento dos possidentes endémicos é o leitmotiv da revolução permanente.
4. "Toute idée naît de l'action e doit retourner à l'action, sous peine de déchéance pour l'agent". Logo, a capacidade dialogante motiva a transmissão de experiências e concerta a acção produtiva em si.
5. A conjugação da democracia económica mutualista e da democracia política federalista é o fundamento destas, possível a partir das associações autónomas de agricultores, consumidores, industriais, etc., em unidades cooperativas.
6. Sem dúvida que democracia significa governo do povo e tal não se limita à mera delegação em grupos oligárquicos e/ou à ingerência de tecnocratas ao serviço de demagogos.
7. "La souveraineté de la volonté cède devant la souveraineté de la raison, et finira par s'anéantir dans un socialisme scientifique" que, ao fim e ao cabo, é a revolução permanente.
Nau
NOTA: apontamento editado no 'realistas.org', em 29/9/2011.
2. O federalismo autogestionário sugerido por Proudhon assenta em três premissas: o trabalho pragmático; a solidariedade ideo-realista; o federalismo propriamente dito.
3. O trabalho - actividade física ou intelectual orientado à produção - é o gerador da economia e o sedimento da comunidade. A racionalização deste contra a manipulação oportunista e o entesouramento dos possidentes endémicos é o leitmotiv da revolução permanente.
4. "Toute idée naît de l'action e doit retourner à l'action, sous peine de déchéance pour l'agent". Logo, a capacidade dialogante motiva a transmissão de experiências e concerta a acção produtiva em si.
5. A conjugação da democracia económica mutualista e da democracia política federalista é o fundamento destas, possível a partir das associações autónomas de agricultores, consumidores, industriais, etc., em unidades cooperativas.
6. Sem dúvida que democracia significa governo do povo e tal não se limita à mera delegação em grupos oligárquicos e/ou à ingerência de tecnocratas ao serviço de demagogos.
7. "La souveraineté de la volonté cède devant la souveraineté de la raison, et finira par s'anéantir dans un socialisme scientifique" que, ao fim e ao cabo, é a revolução permanente.
Nau
NOTA: apontamento editado no 'realistas.org', em 29/9/2011.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Nº. 39 - Democracia VI
1. A democracia parlamentar era o sistema político do agrado de Stuart Mill, a par de um socialismo utópico possível (segundo ele) quando um escol de homens superiores finalmente superasse a brutalidade e ignorância das massas.
2. O equilíbrio entre a liberdade desejável e a opressão do poder sobre o indivíduo, tendo por catalisador a intervenção popular, dimiria as paixões desta. Logo, a solução governativa seria a de uma democracia autenticamente representativa, não só das forças maioritárias, mas também de outras correntes de interesses
3. As correntes de interesses, forçosamente minoritárias, impor-se-iam através de amplas discussões e propostas inteligentes, tornando viável a almejada igualdade e imparcialidade, isto é, um governo de todos para todos que justificaria o epíteto democrático, com base no paradoxo de que o povo que exerce o poder não ser o mesmo povo que o governa.
4. O socialismo utópico de Stuart Mill por herança paterna caracteriza-se pela necessidade de restrições serem impostas à propriedade privada, pois a única razão que autoriza os homens, individualmente ou colectivamente, a perturbarem a liberdade de acção de outrém é a protecção efectiva dos mesmos na base utilitária.
5. A liberdade económica e política justificam-se em estreita parçaria, sendo ambas factores de desenvolvimento e progresso, tanto da comunidade, como do indivíduo, e única via para atenuar a tendência da população em exaurir, irresponsavelmente e sem visão futura, os recursos materiais disponíveis.
6. Será igualmente importante fazer uma distinção entre as leis da produção e os da repartição, porquanto as primeiras existem por razões óbvias e necessárias por curar da sustentabilidade comunitária, enquanto que as segundas apenas se justificam pelo seu caracter legislativo, ambas possibilitando um equilíbrio periclitante, superável através de uma educação cívica progressiva.
7. As simpatias liberais e intervencionistas, bem como as tendências individualistas e socializantes de Stuart Mill justificam-se por este recusar a possibilidade de uma explicação mecânica para a comunidade, quando esta apenas carece do bem-estar.
Nau
NOTA: texto editado em 'realistas.org', 11/9/2011.
2. O equilíbrio entre a liberdade desejável e a opressão do poder sobre o indivíduo, tendo por catalisador a intervenção popular, dimiria as paixões desta. Logo, a solução governativa seria a de uma democracia autenticamente representativa, não só das forças maioritárias, mas também de outras correntes de interesses
3. As correntes de interesses, forçosamente minoritárias, impor-se-iam através de amplas discussões e propostas inteligentes, tornando viável a almejada igualdade e imparcialidade, isto é, um governo de todos para todos que justificaria o epíteto democrático, com base no paradoxo de que o povo que exerce o poder não ser o mesmo povo que o governa.
4. O socialismo utópico de Stuart Mill por herança paterna caracteriza-se pela necessidade de restrições serem impostas à propriedade privada, pois a única razão que autoriza os homens, individualmente ou colectivamente, a perturbarem a liberdade de acção de outrém é a protecção efectiva dos mesmos na base utilitária.
5. A liberdade económica e política justificam-se em estreita parçaria, sendo ambas factores de desenvolvimento e progresso, tanto da comunidade, como do indivíduo, e única via para atenuar a tendência da população em exaurir, irresponsavelmente e sem visão futura, os recursos materiais disponíveis.
6. Será igualmente importante fazer uma distinção entre as leis da produção e os da repartição, porquanto as primeiras existem por razões óbvias e necessárias por curar da sustentabilidade comunitária, enquanto que as segundas apenas se justificam pelo seu caracter legislativo, ambas possibilitando um equilíbrio periclitante, superável através de uma educação cívica progressiva.
7. As simpatias liberais e intervencionistas, bem como as tendências individualistas e socializantes de Stuart Mill justificam-se por este recusar a possibilidade de uma explicação mecânica para a comunidade, quando esta apenas carece do bem-estar.
Nau
NOTA: texto editado em 'realistas.org', 11/9/2011.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Nº. 38 - Democracia V
1. Para Spinoza, não é a cronologia do mundo que, em termos filosóficos, se deverá ponderar; o homem é um ser unitário e consciente - pensa, quer, deseja.
2. A liberdade não será a contenção do desejo mas a sua transmutação reflexionante - a inconsciência sobreleva o apetite ao desejo - libertando o homem da morte e de angústias metafísicas.
3. Pensar, querer, desejar - vizinhas da perfeição - são factores de alegria, de bem-estar, que se opõem às correntes trágicas que vão de Heráclito a Heidegger.
4. Sendo o poder, a realidade e a perfeição coisas idênticas, apenas esta última poderá conduzir ao sublime e, consequentemente, à excelência, i.e., à liberdade.
5. A liberdade está na natureza propriamente dita e no homem que decidirá o caminho a percorrer, superando a frustração do amanhã contingencial através da realização do necessário possível.
6. Só o conhecimento poderá conduzir o desejo à dignidade real e à sublime perfeição, pois apenas este definirá a utilidade comunitária - acquiescientia in se ipso.
7. Democracia poderá vir a ser o governo consciente do povo.
Nau
NOTA: Texto editado no 'realistas.org' em 8/9/2011.
2. A liberdade não será a contenção do desejo mas a sua transmutação reflexionante - a inconsciência sobreleva o apetite ao desejo - libertando o homem da morte e de angústias metafísicas.
3. Pensar, querer, desejar - vizinhas da perfeição - são factores de alegria, de bem-estar, que se opõem às correntes trágicas que vão de Heráclito a Heidegger.
4. Sendo o poder, a realidade e a perfeição coisas idênticas, apenas esta última poderá conduzir ao sublime e, consequentemente, à excelência, i.e., à liberdade.
5. A liberdade está na natureza propriamente dita e no homem que decidirá o caminho a percorrer, superando a frustração do amanhã contingencial através da realização do necessário possível.
6. Só o conhecimento poderá conduzir o desejo à dignidade real e à sublime perfeição, pois apenas este definirá a utilidade comunitária - acquiescientia in se ipso.
7. Democracia poderá vir a ser o governo consciente do povo.
Nau
NOTA: Texto editado no 'realistas.org' em 8/9/2011.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Nº. 37 - Democracia IV
1. Para Aristóteles, a política era uma ciência sublime e o homem um animal comunitário graças à capacidade de dialogar.
2. A entreajuda reforça os laços comunitários e estes procuram satisfazer as necessidades individuais, isto é, melhor segurança, conforto e felicidade comunal l.
3. O direito que, por mais elementar que seja, não passa de um conjunto de regras moralmente justas e imparciais, peca pela mera despersonalização.
4. Logo, segundo Aristóteles, o melhor governo seria aquele proporcionado pelo rei o qual, com base nas regras estabelecidas, usaria a prudência na aplicação das mesmas.
5. Porém, a autoridade do monarca poderia tornar-se arbitrária - por simpatias ou desafectos pessoais - provocando uma eventual degradação da capacidade governativa, que nem rei, nem lei evitariam.
6. A democracia é a forma de governo menos boa e, simultaneamente, menos má como o próprio Platão já tinha reconhecido e Aristóteles subscrevera, embora ambos se preocupassem com o facto da maioria ser inferior em qualidade à minoria competente.
7. Talvez um equilíbrio fosse possível através da educação sistemática, abjurando o estado polícia, por natureza corruptível.
Nau
NOTA: texto apresentado no 'realistas.org' em 29/8/2011.
2. A entreajuda reforça os laços comunitários e estes procuram satisfazer as necessidades individuais, isto é, melhor segurança, conforto e felicidade comunal l.
3. O direito que, por mais elementar que seja, não passa de um conjunto de regras moralmente justas e imparciais, peca pela mera despersonalização.
4. Logo, segundo Aristóteles, o melhor governo seria aquele proporcionado pelo rei o qual, com base nas regras estabelecidas, usaria a prudência na aplicação das mesmas.
5. Porém, a autoridade do monarca poderia tornar-se arbitrária - por simpatias ou desafectos pessoais - provocando uma eventual degradação da capacidade governativa, que nem rei, nem lei evitariam.
6. A democracia é a forma de governo menos boa e, simultaneamente, menos má como o próprio Platão já tinha reconhecido e Aristóteles subscrevera, embora ambos se preocupassem com o facto da maioria ser inferior em qualidade à minoria competente.
7. Talvez um equilíbrio fosse possível através da educação sistemática, abjurando o estado polícia, por natureza corruptível.
Nau
NOTA: texto apresentado no 'realistas.org' em 29/8/2011.
Nº. 36 - Democracia III
1. Ortega y Gasset afirmava, na introdução ao seu livro "La Rebelion de las Masas", que os homens, quando não sabem o que dizer, falam da humanidade.
2. Talvez isso fosse possível no início do século passado, mas hoje o género humano democratizou-se e todo o mundo só pensa na democracia, em ser democrata, em democratizar o planeta.
3. A humanidade, significando um ser colectivo ou sentimento de benevolência, está tão arredada do espírito dos homens em geral que apenas há lugar para os interesses particulares.
4. Entende-se democracia como delegação de decisões o que agrada à maioria da população, contentando-se, uma pequena parte desta, a meter o voto na urna - último acto de esperança e/ou de revolta, dado que os governantes são meros camalões.
5. A cor muda, apenas a motivação do oligarca varia de acordo com o interesse dos possidentes, dos oportunistas, dos músculos do bravata...
6. Nos dias de hoje onde há petróleo a revolução é um facto; noutros termos apenas a rebelião é possível caso esta sirva os interesses de minorias locais e/ou internacionais, num jogo de xadrez pouco convencional.
7. Como a Victor Hugo ocorre-me: "Ah, l'Humanité, l'Humanité!", quero dizer: Ai, a Democracia, a Democracia! - Mas afinal o que é a Democracia?
Nau
NOTA: texto publicado no 'realistas.org' em 28/8/2011.
2. Talvez isso fosse possível no início do século passado, mas hoje o género humano democratizou-se e todo o mundo só pensa na democracia, em ser democrata, em democratizar o planeta.
3. A humanidade, significando um ser colectivo ou sentimento de benevolência, está tão arredada do espírito dos homens em geral que apenas há lugar para os interesses particulares.
4. Entende-se democracia como delegação de decisões o que agrada à maioria da população, contentando-se, uma pequena parte desta, a meter o voto na urna - último acto de esperança e/ou de revolta, dado que os governantes são meros camalões.
5. A cor muda, apenas a motivação do oligarca varia de acordo com o interesse dos possidentes, dos oportunistas, dos músculos do bravata...
6. Nos dias de hoje onde há petróleo a revolução é um facto; noutros termos apenas a rebelião é possível caso esta sirva os interesses de minorias locais e/ou internacionais, num jogo de xadrez pouco convencional.
7. Como a Victor Hugo ocorre-me: "Ah, l'Humanité, l'Humanité!", quero dizer: Ai, a Democracia, a Democracia! - Mas afinal o que é a Democracia?
Nau
NOTA: texto publicado no 'realistas.org' em 28/8/2011.
sábado, 17 de dezembro de 2011
Nº. 36 - Democracia II
1. Excepto nos casos de malformações congénitas, os homens vêem, ouvem, saboreiam e cheiram de modo idêntico, logo são todos iguais.
2. Abro aqui um parêntesis para salientar que a diferença entre o homem e a mulher não é de espécie, mas de sexo, entrando este para a função reprodutiva e não só.
3. Porém, a igualdade - abstraindo-nos dos elementos hereditários, ambientais e educacionais - é suposta verificar-se apenas perante a lei que, na realidade, é contingencial.
4. A democracia abarca tudo e todos por ser mais simpática do que a caluniada tirania, não esquecendo que esta, na Grécia Antiga, era o recurso a prazo para a ineficiência democrática que, na altura, apenas motivava (entenda-se, a democracia que não a ineficiência) 20% da população, não dispensando a democracia da força do trabalho escravo.
5. Os oligarcas adoram, literalmente, a democracia porquanto é esta que lhes assegura o acesso às cadeiras do poder, embora o respaldo nas almejadas cadeiras dependa da aquiescência dos possidentes.
6. Segundo Leopardi, a raça humana está dividida em duas partes desiguais: a minoria utiliza o poder opressivo; a maioria submete-se aos efeitos desse poder, i.e., uns procuram dominar por todos os meios, enquanto outros se deixam conduzir à laia de carneirada.
7. No entanto, uns e outros não prescindem do epíteto democrático por este ser apenas uma referência lisongeira, aliás, uma moda, entrando-se no desaforo pleonástico de democracia popular.
Nau
NOTA: texto apresentado no 'realistas.org' em 27/8/2011.
2. Abro aqui um parêntesis para salientar que a diferença entre o homem e a mulher não é de espécie, mas de sexo, entrando este para a função reprodutiva e não só.
3. Porém, a igualdade - abstraindo-nos dos elementos hereditários, ambientais e educacionais - é suposta verificar-se apenas perante a lei que, na realidade, é contingencial.
4. A democracia abarca tudo e todos por ser mais simpática do que a caluniada tirania, não esquecendo que esta, na Grécia Antiga, era o recurso a prazo para a ineficiência democrática que, na altura, apenas motivava (entenda-se, a democracia que não a ineficiência) 20% da população, não dispensando a democracia da força do trabalho escravo.
5. Os oligarcas adoram, literalmente, a democracia porquanto é esta que lhes assegura o acesso às cadeiras do poder, embora o respaldo nas almejadas cadeiras dependa da aquiescência dos possidentes.
6. Segundo Leopardi, a raça humana está dividida em duas partes desiguais: a minoria utiliza o poder opressivo; a maioria submete-se aos efeitos desse poder, i.e., uns procuram dominar por todos os meios, enquanto outros se deixam conduzir à laia de carneirada.
7. No entanto, uns e outros não prescindem do epíteto democrático por este ser apenas uma referência lisongeira, aliás, uma moda, entrando-se no desaforo pleonástico de democracia popular.
Nau
NOTA: texto apresentado no 'realistas.org' em 27/8/2011.
Nº.34 - Democracia I
MONITA PUBLICA: por erro dos escribas de serviço,
foi omitido um parágrafo no último
apontamento de Nau ao qual, publicamente,
apresentamos as nossas desculpas,
transcrevendo na íntegra o referido
apontamento.
AA/MM
1. Ao contrário do futebol, a governação propriamente dita apenas interessa a uma minoria mas, à semelhança do futebol, todos têm opiniões e remoques acerca do governo.
2. Sem dúvida que a maioria das pessoas está somente preocupada com aquilo que afecta as suas vidas quotidianas, não mostrando grande interesse (compreensão?)pela política nacional e/ou internacional.
3. Para a maioria da população a feitura das leis pouco importa; a percentagem de votantes em cada acto eleitoral atinge percentagens tão insignificantes que apenas passam despercebidas pela engenharia do escrutínio.
4. Votar é uma chatice. Porém, quando o governo afecta opressivamente os interesses do indivíduo, aumenta impostos, corta benefícios, arruina o padrão de bem-estar (fictício ou real) a que o cidadão comum está habituado, o rastilho precisa apenas de uma hipótese de pólvora.
5. A democracia não significa melhor qualidade de vida, sendo até possível
que uma oligarquia bem organizada atenda mais eficiente e rapidamente as necessidades da população. O defeito do poder oligárquico reside na infantilização popular.
6. De facto, a democracia torna-se ineficaz: quando permite o acesso ao poder de políticos pouco qualificados que, geralmente, fomentam a corrupção; quando vacilam na tomada de decisões; quando se fragmentam em questões de técnicas meramente parlamentares.
7. A corrupção na democracia é pior que nos regimenes tendencialmente oligárquicos, porquanto nestes o espólio é compartilhado por uma minoria, particularmente quando essa minoria tem à cabeça um demagogo encartado.
Nau
NoTA: texto apresentado no 'realistas.org' em 26/8/2011.
foi omitido um parágrafo no último
apontamento de Nau ao qual, publicamente,
apresentamos as nossas desculpas,
transcrevendo na íntegra o referido
apontamento.
AA/MM
1. Ao contrário do futebol, a governação propriamente dita apenas interessa a uma minoria mas, à semelhança do futebol, todos têm opiniões e remoques acerca do governo.
2. Sem dúvida que a maioria das pessoas está somente preocupada com aquilo que afecta as suas vidas quotidianas, não mostrando grande interesse (compreensão?)pela política nacional e/ou internacional.
3. Para a maioria da população a feitura das leis pouco importa; a percentagem de votantes em cada acto eleitoral atinge percentagens tão insignificantes que apenas passam despercebidas pela engenharia do escrutínio.
4. Votar é uma chatice. Porém, quando o governo afecta opressivamente os interesses do indivíduo, aumenta impostos, corta benefícios, arruina o padrão de bem-estar (fictício ou real) a que o cidadão comum está habituado, o rastilho precisa apenas de uma hipótese de pólvora.
5. A democracia não significa melhor qualidade de vida, sendo até possível
que uma oligarquia bem organizada atenda mais eficiente e rapidamente as necessidades da população. O defeito do poder oligárquico reside na infantilização popular.
6. De facto, a democracia torna-se ineficaz: quando permite o acesso ao poder de políticos pouco qualificados que, geralmente, fomentam a corrupção; quando vacilam na tomada de decisões; quando se fragmentam em questões de técnicas meramente parlamentares.
7. A corrupção na democracia é pior que nos regimenes tendencialmente oligárquicos, porquanto nestes o espólio é compartilhado por uma minoria, particularmente quando essa minoria tem à cabeça um demagogo encartado.
Nau
NoTA: texto apresentado no 'realistas.org' em 26/8/2011.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Nº. 34 - Democracia I
1. Ao contrário do futebol, a governação propriamente dita apenas interessa a uma minoria mas, à semelhança do futebol, todos têm opiniões e remoques acerca do governo.
2. Sem dúvida que a maioria das pessoas está somente preocupada com aquilo que afecta as suas vidas quotidianas, não mostrando grande interesse (compreensão?) pela política nacional e/ou internacional.
3. Para a maioria da população a feitura das leis pouco importa; a percentagem de votantes em cada acto eleitoral atinge percentagens tão insignificantes que apenas passam despercebidas pela engenharia do escrutínio.
4. Votar é uma chatice. Porém, quando o governo afecta opressivamente os interesses do indivíduo, aumenta impostos, corta benefícios, arruina o padrão de bem-estar (fictício ou real) a que o cidadão comum está habituado, o rastilho precisa apenas de uma hipótese de pólvora.
5. A democracia não significa melhor qualidade de vida, sendo até possível que uma oligarquia bem organizada atenda mais eficiente e rapidamente as necessidades da população. O defeito do poder oligárquico reside na infantilização popular.
6. A corrupção na democracia é pior do que nos regimenes tendencialmente oligárquicos, porquanto nestes o espólio é compartilhado por uma minoria, particularmente quando essa minoria tem à cabeça um demagogo encartado.
Nau
Nota: texto apresentado no 'realistas.org' em 26/8/2011.
2. Sem dúvida que a maioria das pessoas está somente preocupada com aquilo que afecta as suas vidas quotidianas, não mostrando grande interesse (compreensão?) pela política nacional e/ou internacional.
3. Para a maioria da população a feitura das leis pouco importa; a percentagem de votantes em cada acto eleitoral atinge percentagens tão insignificantes que apenas passam despercebidas pela engenharia do escrutínio.
4. Votar é uma chatice. Porém, quando o governo afecta opressivamente os interesses do indivíduo, aumenta impostos, corta benefícios, arruina o padrão de bem-estar (fictício ou real) a que o cidadão comum está habituado, o rastilho precisa apenas de uma hipótese de pólvora.
5. A democracia não significa melhor qualidade de vida, sendo até possível que uma oligarquia bem organizada atenda mais eficiente e rapidamente as necessidades da população. O defeito do poder oligárquico reside na infantilização popular.
6. A corrupção na democracia é pior do que nos regimenes tendencialmente oligárquicos, porquanto nestes o espólio é compartilhado por uma minoria, particularmente quando essa minoria tem à cabeça um demagogo encartado.
Nau
Nota: texto apresentado no 'realistas.org' em 26/8/2011.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Nº. 33 - Democracia e Cooperativismo
1. Democracia significa governo do povo, mas a maioria não sabe governar (sobretudo a vida privada) e grande parte governa-se - mormente os governamentais...
2. Governar por delegação é outra loiça, porquanto os delegados são, teoricamente, imputáveis, mas beneficiando sempre, à semelhança dos possidentes, da lei de conveniência, i.e., aquela que lhe é mais favorável.
3. A delegação poderá verificar-se por sufrágio universal ou por votação seccionada e em pirâmide, tendo por base agrupamentos profissionais, trabalhadores de unidades fabris, cidadãos vinculados a actividades económicas, etc..
4. O sistema de votação por assembleias múltiplas, pleonasticamente denominado por democracia popular, consiste na eleição de delegados para amplas assembleias das quais sairão outros delegados, apurados entre si, para assembleias cada vez mais restritas, até ao cume, onde têm lugar os tecnocratas do costume.
5. Provavelmente, o futuro disponibilizará esquemas para o controlo democrático mais eficiente do que a mera delegação como, por exemplo, o voto por sistemas unipessoais electrónicos, para uma intervenção pontual eleitor/governantes.
6. Claro que tal hipótese não obviará a viciação sectária - quer por excesso de informação, quer por outros tipos de pressão manipulatória, i.e., pão e circo - receita infalível vinda lá dos tempos da Antiga Roma.
7. O cooperativismo procura atenuar os efeitos partidorites promovendo comunidades mais solidárias e de gestão democrática dentro da grande comunidade a que pertencemos.
Nau
2. Governar por delegação é outra loiça, porquanto os delegados são, teoricamente, imputáveis, mas beneficiando sempre, à semelhança dos possidentes, da lei de conveniência, i.e., aquela que lhe é mais favorável.
3. A delegação poderá verificar-se por sufrágio universal ou por votação seccionada e em pirâmide, tendo por base agrupamentos profissionais, trabalhadores de unidades fabris, cidadãos vinculados a actividades económicas, etc..
4. O sistema de votação por assembleias múltiplas, pleonasticamente denominado por democracia popular, consiste na eleição de delegados para amplas assembleias das quais sairão outros delegados, apurados entre si, para assembleias cada vez mais restritas, até ao cume, onde têm lugar os tecnocratas do costume.
5. Provavelmente, o futuro disponibilizará esquemas para o controlo democrático mais eficiente do que a mera delegação como, por exemplo, o voto por sistemas unipessoais electrónicos, para uma intervenção pontual eleitor/governantes.
6. Claro que tal hipótese não obviará a viciação sectária - quer por excesso de informação, quer por outros tipos de pressão manipulatória, i.e., pão e circo - receita infalível vinda lá dos tempos da Antiga Roma.
7. O cooperativismo procura atenuar os efeitos partidorites promovendo comunidades mais solidárias e de gestão democrática dentro da grande comunidade a que pertencemos.
Nau
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Nº. 32 - Cooperativismo
1. Segundo parece, a ordem destes apontamentos foi, acidentalmente, alterada, tendo o Nº. 30 sido editado antes do Nº. 29.
2. Embora tal engano não faça perder o fio ao assunto, recomendo que seja respeitada a sequência numérica natural e, se possível, um comentário acerca dos problemas em questão.
3. O cooperativismo, à semelhança de qualquer outra doutrina, tem os seus quês, mas o mais importante é salientar o espírito associativo empenhado na satisfação das necessidades económicas, sociais e culturais dos seus cooperadores.
4. A conversar é que a gente se entende e esta verdade tão comezinha foi a razão do sucesso civilizacional do género humano.
5. Para lá de quaisquer actividades que se desempenhe - académicas, profissionais, desportivas, etc. - bom será tentar a criação de grupos destinados à implementação de projectos de interesse comum.
6. Aqui foi sugerida a criação de cooperativas de consumo - além de editoras, postos de radiodifusão, empresas de serviços, etc. - não só para satisfazer as necessidades pessoais/familiares, bem como a racionalização das mesmas.
7. Oportunamente (monarquicos.com) indicámos os passos necessários para a fundação de uma cooperativa e, embora as regras portuguesas sejam alteradas de hora a hora, servirão como referência para o efeito, basta haver determinação da vossa parte.
Nau
2. Embora tal engano não faça perder o fio ao assunto, recomendo que seja respeitada a sequência numérica natural e, se possível, um comentário acerca dos problemas em questão.
3. O cooperativismo, à semelhança de qualquer outra doutrina, tem os seus quês, mas o mais importante é salientar o espírito associativo empenhado na satisfação das necessidades económicas, sociais e culturais dos seus cooperadores.
4. A conversar é que a gente se entende e esta verdade tão comezinha foi a razão do sucesso civilizacional do género humano.
5. Para lá de quaisquer actividades que se desempenhe - académicas, profissionais, desportivas, etc. - bom será tentar a criação de grupos destinados à implementação de projectos de interesse comum.
6. Aqui foi sugerida a criação de cooperativas de consumo - além de editoras, postos de radiodifusão, empresas de serviços, etc. - não só para satisfazer as necessidades pessoais/familiares, bem como a racionalização das mesmas.
7. Oportunamente (monarquicos.com) indicámos os passos necessários para a fundação de uma cooperativa e, embora as regras portuguesas sejam alteradas de hora a hora, servirão como referência para o efeito, basta haver determinação da vossa parte.
Nau
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Nº. 31 - Cooperativismo
1. Algumas pessoas não participam neste espaço dedicado ao movimento cooperativo por considerarem o mesmo obviamente partidarizado.
2. Uma vez mais sou forçado a esclarecer que este espaço não está comprometido com qualquer facção política do especto partidário existente.
3. Sem dúvida que é um espaço duplamente realista por se prender, de maneira prática e objectiva, com o que é real, verdadeiro, pragmático, e por se considerar súbdito da Coroa Portuguesa.
4. De facto, o movimento cooperativo proclama de raíz a sua total independência a qualquer orientação partidária, embora manifeste tendências nesse sentido, até nas denominações: Cooperativa 25 de Abril, etc..
5. Por outro lado, bom é ter presente que o espírito burguês (sobretudo o espírito burguês possidente) está vinculado às instituições republicanas por estas lhe permitirem a nomeação do Chefe de Estado quando o controlo parlamentar não lhe é possível.
6. Talvez não seja displiscente sublinhar que o apego da dita burguesia ao Estado de Direito - ao qual frequentemente se exime através da força timocrática - reside no facto deste garantir o seu património, apenas o debicando por força da opinião pública.
7. Assim, tal como ontem, lembrarei que o espirito cooperativo aumentará o número de cidadãos criteriosos, estes logicamente monárquicos.
Nau
2. Uma vez mais sou forçado a esclarecer que este espaço não está comprometido com qualquer facção política do especto partidário existente.
3. Sem dúvida que é um espaço duplamente realista por se prender, de maneira prática e objectiva, com o que é real, verdadeiro, pragmático, e por se considerar súbdito da Coroa Portuguesa.
4. De facto, o movimento cooperativo proclama de raíz a sua total independência a qualquer orientação partidária, embora manifeste tendências nesse sentido, até nas denominações: Cooperativa 25 de Abril, etc..
5. Por outro lado, bom é ter presente que o espírito burguês (sobretudo o espírito burguês possidente) está vinculado às instituições republicanas por estas lhe permitirem a nomeação do Chefe de Estado quando o controlo parlamentar não lhe é possível.
6. Talvez não seja displiscente sublinhar que o apego da dita burguesia ao Estado de Direito - ao qual frequentemente se exime através da força timocrática - reside no facto deste garantir o seu património, apenas o debicando por força da opinião pública.
7. Assim, tal como ontem, lembrarei que o espirito cooperativo aumentará o número de cidadãos criteriosos, estes logicamente monárquicos.
Nau
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Nº. 29 - Cooperativismo
1. O exemplo ontem apresentado levanta várias questões.
2. Embora todos os associados possam usufruir dos baixos preços apurados em relação aos praticados no mercado, a diferente contribuição de cada um dos cooperadores é significativa.
3. Logo, no compromisso por todos inicialmente assumido poderão ser avançados vários esquemas, alguns dos quais passo aqui e agora a exemplificar.
4. O método mais simples será a fixação de preço/cópia único, sendo os valores finais (realizado/custos deduzidos) proporcionalmente distribuidos pelo cooperadores em benefícios.
5. Da proporcionalidade atrás mencionada se infere que - tanto o cooperador B (que facultou o espaço), como o cooperador C (que dispensou o equipamento ou os fundos para aquisição do mesmo) - serão ressarcidos das contribuições prestadas.
6. Claro que o valor atribuível ao espaço facultado por B perdurará, enquanto o projecto se mativer no local facultado, ao contrário da contribuição realizada por C; mas como quantificar a ideia de A? Não estará o dito valor na mesma linha dos que contribuem para a funcionalidade do projecto (colocar papel na máquina, substituir tinteiros, manutenção do equipanmento, etc.)?.
7. O importante é, cada um dos associados, ter presente os benefícios alcançados e a prática cooperativa.
Nau
2. Embora todos os associados possam usufruir dos baixos preços apurados em relação aos praticados no mercado, a diferente contribuição de cada um dos cooperadores é significativa.
3. Logo, no compromisso por todos inicialmente assumido poderão ser avançados vários esquemas, alguns dos quais passo aqui e agora a exemplificar.
4. O método mais simples será a fixação de preço/cópia único, sendo os valores finais (realizado/custos deduzidos) proporcionalmente distribuidos pelo cooperadores em benefícios.
5. Da proporcionalidade atrás mencionada se infere que - tanto o cooperador B (que facultou o espaço), como o cooperador C (que dispensou o equipamento ou os fundos para aquisição do mesmo) - serão ressarcidos das contribuições prestadas.
6. Claro que o valor atribuível ao espaço facultado por B perdurará, enquanto o projecto se mativer no local facultado, ao contrário da contribuição realizada por C; mas como quantificar a ideia de A? Não estará o dito valor na mesma linha dos que contribuem para a funcionalidade do projecto (colocar papel na máquina, substituir tinteiros, manutenção do equipanmento, etc.)?.
7. O importante é, cada um dos associados, ter presente os benefícios alcançados e a prática cooperativa.
Nau
domingo, 11 de dezembro de 2011
Nº. 30 - Cooperativismo
1. Na leitura dos últimos apontamentos, aqueles que se deram ao incómodo de os ler poderão questionar - porquê a distribuição de eventuais resultados líquidos?
2. Tal prática (a distribuição de dividendos) não será um tanto ou quanto capitalista ao estabelecer a quantia que recebe cada sócio da empresa, da sociedade anónima, da sociedade colectiva, etc., na divisão de lucros?
3. De facto, na prática cooperativa a satisfação das necessidades dos cooperadores é o fundamento da sua existência, abjurando da persecução do lucro apenas justificado na realização de negócios.
4. Porém, na gerência de qualquer actividade económica é curial manter fundos de reserva (até porque alguns destes estão previstos no Código Cooperativo) e há sempre a possibilidade de se verificarem imprevisíveis excedentes.
5. Logo, cabe aos membros da cooperativa decidir se o valor excedentário deverá ser incorporado no fundo de reserva para reforço deste, investido noutras actividades ou meramente distribuido.
6. Para além do objectivo de libertar os seus associados dos encargos respeitantes a lucros de intermediários, o cooperativismo igualmente se preocupa com a formação dos cooperadores, apostando na elevação do nível cultural dos mesmos.
7. Sem dúvida que a disseminação do espírito cooperativo aumentará o número dos cidadãos criteriosos, estes logicamente monárquicos.
Nau
2. Tal prática (a distribuição de dividendos) não será um tanto ou quanto capitalista ao estabelecer a quantia que recebe cada sócio da empresa, da sociedade anónima, da sociedade colectiva, etc., na divisão de lucros?
3. De facto, na prática cooperativa a satisfação das necessidades dos cooperadores é o fundamento da sua existência, abjurando da persecução do lucro apenas justificado na realização de negócios.
4. Porém, na gerência de qualquer actividade económica é curial manter fundos de reserva (até porque alguns destes estão previstos no Código Cooperativo) e há sempre a possibilidade de se verificarem imprevisíveis excedentes.
5. Logo, cabe aos membros da cooperativa decidir se o valor excedentário deverá ser incorporado no fundo de reserva para reforço deste, investido noutras actividades ou meramente distribuido.
6. Para além do objectivo de libertar os seus associados dos encargos respeitantes a lucros de intermediários, o cooperativismo igualmente se preocupa com a formação dos cooperadores, apostando na elevação do nível cultural dos mesmos.
7. Sem dúvida que a disseminação do espírito cooperativo aumentará o número dos cidadãos criteriosos, estes logicamente monárquicos.
Nau
sábado, 10 de dezembro de 2011
Nº. 28 - Cooperativismo
1. O princípio cooperativo de concertação de várias pessoas para trabalho de interesse comum nem sempre é bem compreendido.
2. Vejamos: o A tem uma ideia, o B disponibiliza o espaço para o desenvolvimento da mesma e o C o equipamento necessário para o fim em causa.
3. Claro que ao trio mencionado no parágrafo anterior poderemos acrescentar ene pessoas e o efeito será o mesmo: diálogo, consenso eventual, concerto do empreendimento.
4. Exemplifiquemos: a frequente necessidade de fotocópias, um local acessível e uma disponibilizada máquina resolverá, a preços moderados, as necessidades dos aliciados cooperadores.
5. Bom é ter presente que na cooperação de cinco pessoas há seis identidades: os cooperadores propriamente ditos e o projecto concertado entre eles. Logo, projecto extinto, nada há para distribuir pelos associados, porquanto os benefícios de/para cada um foram, a seu tempo, criteriosamente determinados.
6. O exemplo trazido à colação poderá parecer um tanto ou quanto rebuscado, pois o equipamento seria facilmente reduzido a patacos e o montante apurado distribuido pelos cooperadores... e a ideia avançada por A? e o espaço cedido por B? e a energia de alguns para que o projecto funcionasse? como calcular as mais valias?
7. Logo, extinta a sexta identidade, nada haverá para distribuir pelos cinco cooperadores, devendo o rescaldo ser religiosamente cedido a terceiros.
Nau
2. Vejamos: o A tem uma ideia, o B disponibiliza o espaço para o desenvolvimento da mesma e o C o equipamento necessário para o fim em causa.
3. Claro que ao trio mencionado no parágrafo anterior poderemos acrescentar ene pessoas e o efeito será o mesmo: diálogo, consenso eventual, concerto do empreendimento.
4. Exemplifiquemos: a frequente necessidade de fotocópias, um local acessível e uma disponibilizada máquina resolverá, a preços moderados, as necessidades dos aliciados cooperadores.
5. Bom é ter presente que na cooperação de cinco pessoas há seis identidades: os cooperadores propriamente ditos e o projecto concertado entre eles. Logo, projecto extinto, nada há para distribuir pelos associados, porquanto os benefícios de/para cada um foram, a seu tempo, criteriosamente determinados.
6. O exemplo trazido à colação poderá parecer um tanto ou quanto rebuscado, pois o equipamento seria facilmente reduzido a patacos e o montante apurado distribuido pelos cooperadores... e a ideia avançada por A? e o espaço cedido por B? e a energia de alguns para que o projecto funcionasse? como calcular as mais valias?
7. Logo, extinta a sexta identidade, nada haverá para distribuir pelos cinco cooperadores, devendo o rescaldo ser religiosamente cedido a terceiros.
Nau
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Nº. 27 - Cooperativismo
1. Sempre que se faz uma surtida pelo princípio cooperativo, logo vem à baila a história dos pioneiros de Rochdale.
2. Aos neófitos entusiastas por estas minudências, recomendo uma peregrinação ao condado de Lancashire, Inglaterra, para um revivalismo extemporâneo.
3. Claro que o associativismo é um impulso natural na espécie humana - tem barbas! - e não foram as sequelas da Revolução Industrial que o condicionaram.
4. Em terras lusas, as vetustas bolsas marítmas do Porto e de Lisboa; o entendimento entre agricultores para regadio das suas courelas; até mesmo a Casa dos Vinte e Quatro são indícios de união de pessoas com fins e interesses comuns.
5. Porém, é essa mesma costela lusa - já denunciada por romanos devido ao descomedimento anárquico - que muito opina e pouco maquina.
6. Embora indisciplinado por natureza, facilmente vai em cantigas pela aversão em assumir compromissos ou meras responsabilidades.
7. O princípio cooperativo pressupõe o concerto de várias pessoas em determinado trabalho de interesse comum, sem predestinados mandantes ou atávicos executantes.
Nau
2. Aos neófitos entusiastas por estas minudências, recomendo uma peregrinação ao condado de Lancashire, Inglaterra, para um revivalismo extemporâneo.
3. Claro que o associativismo é um impulso natural na espécie humana - tem barbas! - e não foram as sequelas da Revolução Industrial que o condicionaram.
4. Em terras lusas, as vetustas bolsas marítmas do Porto e de Lisboa; o entendimento entre agricultores para regadio das suas courelas; até mesmo a Casa dos Vinte e Quatro são indícios de união de pessoas com fins e interesses comuns.
5. Porém, é essa mesma costela lusa - já denunciada por romanos devido ao descomedimento anárquico - que muito opina e pouco maquina.
6. Embora indisciplinado por natureza, facilmente vai em cantigas pela aversão em assumir compromissos ou meras responsabilidades.
7. O princípio cooperativo pressupõe o concerto de várias pessoas em determinado trabalho de interesse comum, sem predestinados mandantes ou atávicos executantes.
Nau
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Nº. 26 - Burguesia & Tal
1. Com o estertor da Idade Média e o esbatimento da respectiva classe castrense à qual, segundo as leis consuetudinárias ou escritas de então, se reconheciam certas prerrogativas transmissíveis por herança, a burguesia cresceu, em número e força política.
2. Este fenómeno burguês deveu-se ao alargamento das rotas de comércio; à maior segurança nas estradas e, sobretudo, ao espírito aventureiro e empreendedor de homens que, regularmente, carreavam os produtos do local da produção para os grandes centros de consumo.
3. Vezes sem conta tenho chamado a atenção para este quadro porquanto foi do mesmo que fermentou o espírito de usura de uns (os prestamistas) e o de entesouramento de outros (os burgueses) que cedo procuraram conquistar o poder político, já na Idade Média.
4. Os primeiros também eram conhecidos por usurários devido ao capital que disponibilizavam... com juro excessivo; os segundos eram tidos como possidentes, pelas garantias materiais que eram obrigados a sofrear para o acesso aos empréstimos adequados às suas actividades.
5. Os banqueiros (na linha dos usurários) e os burgueses - não confundir burgueses possidentes (aqueles que disfrutam de largos cabedais) com burgueses serventuários que apenas dependem dos ditos possidentes - formam o núcleo duro do capital e, para defesa dos seus interesses, manipulam os atrás mencionados serventuários.
6. A classe média - na expectativa da promoção ou despromoção - meramente serventuária, por vezes, ascende aos quadros administrativos (empresas e/ou função pública) e até aos governamentais, embora sofra os condicionamentos impostos pelo capital. Restam os desprovidos que, na luta pela sobrevivência, apenas sonham com pão e circo.
7. Durante largo tempo os possidentes foram tidos como a classe dinâmica e produtora de riqueza que esportulava parte dos seus bens em benefícios dos serventuários, bem como dos desprotegidos. Porém, a fome de poder é tanta que os grandes se comem uns aos outros e quem se lixa...
Nau
Nota: texto apresentado no 'realistas.org' em 15/X/2011.
2. Este fenómeno burguês deveu-se ao alargamento das rotas de comércio; à maior segurança nas estradas e, sobretudo, ao espírito aventureiro e empreendedor de homens que, regularmente, carreavam os produtos do local da produção para os grandes centros de consumo.
3. Vezes sem conta tenho chamado a atenção para este quadro porquanto foi do mesmo que fermentou o espírito de usura de uns (os prestamistas) e o de entesouramento de outros (os burgueses) que cedo procuraram conquistar o poder político, já na Idade Média.
4. Os primeiros também eram conhecidos por usurários devido ao capital que disponibilizavam... com juro excessivo; os segundos eram tidos como possidentes, pelas garantias materiais que eram obrigados a sofrear para o acesso aos empréstimos adequados às suas actividades.
5. Os banqueiros (na linha dos usurários) e os burgueses - não confundir burgueses possidentes (aqueles que disfrutam de largos cabedais) com burgueses serventuários que apenas dependem dos ditos possidentes - formam o núcleo duro do capital e, para defesa dos seus interesses, manipulam os atrás mencionados serventuários.
6. A classe média - na expectativa da promoção ou despromoção - meramente serventuária, por vezes, ascende aos quadros administrativos (empresas e/ou função pública) e até aos governamentais, embora sofra os condicionamentos impostos pelo capital. Restam os desprovidos que, na luta pela sobrevivência, apenas sonham com pão e circo.
7. Durante largo tempo os possidentes foram tidos como a classe dinâmica e produtora de riqueza que esportulava parte dos seus bens em benefícios dos serventuários, bem como dos desprotegidos. Porém, a fome de poder é tanta que os grandes se comem uns aos outros e quem se lixa...
Nau
Nota: texto apresentado no 'realistas.org' em 15/X/2011.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Nº. 25 - Cooperativismo vs competitividade
1. A crise económica dos anos 20 do século passado - que foi tema do último apontamento - inscreve-se no ciclo de fluxo e refluxo da macroeconomia.
2. Porém, séculos de monoteísmo na Europa e a consciência de que a nova crença (comunismo) não é suficiente justificação racional para a governação de reformuladas minorias - tese constatada por intelectuais descomprometidos - deu azo a um sentimento de vazio.
3. Tal sentimento foi a mola para a emergência dos fascismos/nazismos que impunham a autoridade perdida com a decapitação de Luis XVI de França, inventando padrastos tenebrosos que varreram a Europa com fétidos ventos apocalípticos.
4. A emancipação do homem comum através da morte do rei apenas sortiu novas formas de escravatura, assentes na acumulação de riqueza por minorias e/ou a alienação total aos problemas sociais e políticos por mediação tecnocrática.
5. Resistente ao abandono de uma fé que justificava a sua existência, Emmanuel Mounier - a quem o mundo hedonista burguês repugnava pelo esbulho da riqueza comum - fraco aprazimento sentia pelas tentações socialistas que, prometendo um paraíso terrestre, apenas condicionavam o cidadão a meras estatísticas e viciados esquemas alienatórios.
6. Na senda de uma Nova Renascença e esforçados a fazer uma revisão radical de valores e princípios, começam os 'novos renancentistas' inspirados por Mounier por compreender que opressão não é apenas um facto económico e/ou político, sendo curial buscar a essência reformista no coração.
7. A doutrina cooperativista opõe a cooperação e o apoio mútuo à competitividade entre as pessoas.
Nau
2. Porém, séculos de monoteísmo na Europa e a consciência de que a nova crença (comunismo) não é suficiente justificação racional para a governação de reformuladas minorias - tese constatada por intelectuais descomprometidos - deu azo a um sentimento de vazio.
3. Tal sentimento foi a mola para a emergência dos fascismos/nazismos que impunham a autoridade perdida com a decapitação de Luis XVI de França, inventando padrastos tenebrosos que varreram a Europa com fétidos ventos apocalípticos.
4. A emancipação do homem comum através da morte do rei apenas sortiu novas formas de escravatura, assentes na acumulação de riqueza por minorias e/ou a alienação total aos problemas sociais e políticos por mediação tecnocrática.
5. Resistente ao abandono de uma fé que justificava a sua existência, Emmanuel Mounier - a quem o mundo hedonista burguês repugnava pelo esbulho da riqueza comum - fraco aprazimento sentia pelas tentações socialistas que, prometendo um paraíso terrestre, apenas condicionavam o cidadão a meras estatísticas e viciados esquemas alienatórios.
6. Na senda de uma Nova Renascença e esforçados a fazer uma revisão radical de valores e princípios, começam os 'novos renancentistas' inspirados por Mounier por compreender que opressão não é apenas um facto económico e/ou político, sendo curial buscar a essência reformista no coração.
7. A doutrina cooperativista opõe a cooperação e o apoio mútuo à competitividade entre as pessoas.
Nau
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Nº. 24 - Crise económica
1. A uma crise financeira dos anos 20 do século passado que provocou a falência de muitos bancos comerciais, seguiu-se o pânico entre accionistas de várias empresas que acorreram às bolsas de valores para a venda dos seus activos, tendo o excesso de oferta provocado a queda de preços, bem como a ruina de muitos deles.
2. O epicentro deste cataclismo teve lugar na Wall Street e as ondas sísmicas caíram, com fragor, no outro lado do Atlântico, mergulhando a Europa - ainda combalida da carnificina de 1914|18 - numa série de conflitos sociais propícios à consolidação do fascismo em Itália e à ascenção ao poder do nazismo na Alemanha.
3. As loucuras do charleston, do jazz e das divas do cinema mudo que esbatiam e distanciavam as lutas pelo poder na Santa Rússia - tidas a ocidente como novos episódios da Revolução Francesa 'à la mode des Urales' - afogadas em muito champanhe e num esbanjar de dinheiro que, aparentemente, anunciava uma nova era de prosperidade e de bem-estar.
4. Vários são os centros de decisão económica, formados por unidade complexas de produção e de distribuição de bens e serviços, estas articuladas para a satisfação das necessidades do homem, objecto de aturados estudos, i.e., meras interpretações das necessidades económicas, através da indução e o raciocínio dedutivo.
5. A ciência não passa de um conjunto de conhecimentos acerca de um determinado domínio de fenómenos susceptíveis de interpretação que, posteriormente, servirão para avisos à navegação, avisos esses que, no campo das ciências empíricas em que a economia está incluida, são, sistematicamente, ignorados.
6. Apesar da contenção de despesas que a presente crise económica impõe, as empresas financeiras continuam a estimular o consumo, dado que é este a razão da sua existência, aumentando as taxas do prémio a pagar pela cedência do capital aprazado, por risco de incumprimento da parte do tomador.
7. O cooperativismo, na via mutualista, procura dispensar este tipo de intermediários.
Nau
2. O epicentro deste cataclismo teve lugar na Wall Street e as ondas sísmicas caíram, com fragor, no outro lado do Atlântico, mergulhando a Europa - ainda combalida da carnificina de 1914|18 - numa série de conflitos sociais propícios à consolidação do fascismo em Itália e à ascenção ao poder do nazismo na Alemanha.
3. As loucuras do charleston, do jazz e das divas do cinema mudo que esbatiam e distanciavam as lutas pelo poder na Santa Rússia - tidas a ocidente como novos episódios da Revolução Francesa 'à la mode des Urales' - afogadas em muito champanhe e num esbanjar de dinheiro que, aparentemente, anunciava uma nova era de prosperidade e de bem-estar.
4. Vários são os centros de decisão económica, formados por unidade complexas de produção e de distribuição de bens e serviços, estas articuladas para a satisfação das necessidades do homem, objecto de aturados estudos, i.e., meras interpretações das necessidades económicas, através da indução e o raciocínio dedutivo.
5. A ciência não passa de um conjunto de conhecimentos acerca de um determinado domínio de fenómenos susceptíveis de interpretação que, posteriormente, servirão para avisos à navegação, avisos esses que, no campo das ciências empíricas em que a economia está incluida, são, sistematicamente, ignorados.
6. Apesar da contenção de despesas que a presente crise económica impõe, as empresas financeiras continuam a estimular o consumo, dado que é este a razão da sua existência, aumentando as taxas do prémio a pagar pela cedência do capital aprazado, por risco de incumprimento da parte do tomador.
7. O cooperativismo, na via mutualista, procura dispensar este tipo de intermediários.
Nau
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Nº. 23 - Corrupção
1. Às tantas, na intervenção anterior, toquei no âmago do problema que se verifica em qualquer tipo de governo - a corrupção.
2. O sentimento instintivo de cada um leva-o a procurar o que é necessário, útil ou agradável para si, motivando-o, por vezes, a actuar de forma lesiva aos interesses de outrém.
3. Pequenos atropelos, favorecimentos de pouca monta, simples fechar de olhos criam uma reciprocidade de dependências que poderão ganhar proporções criminosas.
4. A corrupção no seio político é um facto, apenas escandaloso quando cai no domínio público, sendo então utilizado para favorecer os interesses dos contrários.
5. Nenhuma forma de governo se encontra imune a tais procedimentos, seja este conduzido por tiranos, demagogos ou meros tecnocratas aprazados.
6. Logo, quando mais transparente for a governação da comunidade, menores serão os casos de corrupção, normalmente cultivados nas burocracias e meios partidários.
7. O cooperativismo é uma via para atenuar, até mesmo dissuadir, práticas corruptíveis.
Nau
2. O sentimento instintivo de cada um leva-o a procurar o que é necessário, útil ou agradável para si, motivando-o, por vezes, a actuar de forma lesiva aos interesses de outrém.
3. Pequenos atropelos, favorecimentos de pouca monta, simples fechar de olhos criam uma reciprocidade de dependências que poderão ganhar proporções criminosas.
4. A corrupção no seio político é um facto, apenas escandaloso quando cai no domínio público, sendo então utilizado para favorecer os interesses dos contrários.
5. Nenhuma forma de governo se encontra imune a tais procedimentos, seja este conduzido por tiranos, demagogos ou meros tecnocratas aprazados.
6. Logo, quando mais transparente for a governação da comunidade, menores serão os casos de corrupção, normalmente cultivados nas burocracias e meios partidários.
7. O cooperativismo é uma via para atenuar, até mesmo dissuadir, práticas corruptíveis.
Nau
domingo, 4 de dezembro de 2011
Nº. 22 - Democracia
1. Na última resenha do 'Luta Popular' deparamo-nos com uma questão, 'Que Democracia?', deixando esta pressupor a existência de várias.
2. A 26 de Agosto último iniciei uma série de apontamentos no 'realista.org' acerca de tal matéria, os quais foram interrompidos pela caterva de hackers que tornaram impossível qualquer participação racional.
3. Nas considerações preliminares aos referidos apontamentos salientei que, embora se fale muito de democracia, i.e., governo do povo, este mostra grande despreendimento por tudo aquilo que não afecta as suas vidas diárias.
4. O próprio acto eleitoral é-lhe indiferente, votando apenas uma minoria de partidários, de meros simpatizantes ou de nefelibatas disponíveis que a engenharia do escrutínio ajuda harmonizar.
5. Por vezes os Estados têm à cabeça figuras meramente decorativas como, por exemplo, a Salazarquia (Presidente Carmona) em Portugal e o Franquismo (Caudilho Franco) em Espanha, ficando a corrupção limitada ao núcleo duro.
6. As democracias parlamentares, frequentemente, pecam pela falta de cariz dos políticos envolvidos, fortemente permeávis a pressões de interesses particulares, motivadores de subornos através dos quais alguns conseguem algo oposto à justiça, à moral ou ao dever.
7. Tentarei catrapiscar os anteriores apontamentos, mas seria ouro sobre azul se o diálogo se estabelecesse neste espaço.
Nau
2. A 26 de Agosto último iniciei uma série de apontamentos no 'realista.org' acerca de tal matéria, os quais foram interrompidos pela caterva de hackers que tornaram impossível qualquer participação racional.
3. Nas considerações preliminares aos referidos apontamentos salientei que, embora se fale muito de democracia, i.e., governo do povo, este mostra grande despreendimento por tudo aquilo que não afecta as suas vidas diárias.
4. O próprio acto eleitoral é-lhe indiferente, votando apenas uma minoria de partidários, de meros simpatizantes ou de nefelibatas disponíveis que a engenharia do escrutínio ajuda harmonizar.
5. Por vezes os Estados têm à cabeça figuras meramente decorativas como, por exemplo, a Salazarquia (Presidente Carmona) em Portugal e o Franquismo (Caudilho Franco) em Espanha, ficando a corrupção limitada ao núcleo duro.
6. As democracias parlamentares, frequentemente, pecam pela falta de cariz dos políticos envolvidos, fortemente permeávis a pressões de interesses particulares, motivadores de subornos através dos quais alguns conseguem algo oposto à justiça, à moral ou ao dever.
7. Tentarei catrapiscar os anteriores apontamentos, mas seria ouro sobre azul se o diálogo se estabelecesse neste espaço.
Nau
sábado, 3 de dezembro de 2011
Nº. 21 - Luta Popular
1. Na despedida do mês de Novembro, o "Luta Popular" comenta o "Manifesto da Treta", pelo punho de Soares Lobo, o qual(a não perder!)termina com o oportuno provérbio açoreano: "se queres falar comigo, está calado".
2. O orçamento de Estado para 2012 aprovado na Assembleia da República na mesma data da publicação do "Manifesto da Treta" é o bombo da festa . Termina o comentário com a frase: "Lutar é a única alternativa", mas a maioria está tão entretida com os jogos de futebol...
3. Com o título d'"Os provocadores infiltrados", o "Luta Popular" apresenta fotografias onde, distintamente, se reconhecem os manifestantes exaltados durante a greve geral de 24 de Novembro, que - por incrível que pareça! - já envergam a farda da polícia quando efectuam as detenções.
4. Num outro video, muito interessante, Garcia Pereira comenta a greve geral de 24 de Novembro, com a sua verve e lógica proverbial. Poderá não se estar de acordo com as propostas avançadas, mas vale a pena todo o mundo debruçar-se acerca das mesmas.
5. Cavaco Sila, depois da "campanha do mar" - assim começa o apontamento do "Luta Popular" de 30 de Novembro - volta à terra (digo eu) promulgando a lei que permite a cobrança de portagens nas SCUT... não há pachorra!
6. Sem dúvida que as susgestões do "Luta Popular" são muito oportunas, particularmente aquelas relativas ao Bloco de Esquerda que, pelas trapalhices de Louçã, deverá rever a designação para "Bloco Especial", na tentativa de que seja implementado "um capitalismo mais simpático e risonho".
7. Vale a pena ler e aprofundar o apontamento do "Luta Popular" do dia 28 de Novembro acerca da democracia sob o título 'Que Democracia?'. É um texto doutrinador e, como tal, deverá ser lido por apoiantes e não apoiantes do PCTP/MRPP, mas sobretudo analizado sem paixões e/ou facciosismos.
Nau
2. O orçamento de Estado para 2012 aprovado na Assembleia da República na mesma data da publicação do "Manifesto da Treta" é o bombo da festa . Termina o comentário com a frase: "Lutar é a única alternativa", mas a maioria está tão entretida com os jogos de futebol...
3. Com o título d'"Os provocadores infiltrados", o "Luta Popular" apresenta fotografias onde, distintamente, se reconhecem os manifestantes exaltados durante a greve geral de 24 de Novembro, que - por incrível que pareça! - já envergam a farda da polícia quando efectuam as detenções.
4. Num outro video, muito interessante, Garcia Pereira comenta a greve geral de 24 de Novembro, com a sua verve e lógica proverbial. Poderá não se estar de acordo com as propostas avançadas, mas vale a pena todo o mundo debruçar-se acerca das mesmas.
5. Cavaco Sila, depois da "campanha do mar" - assim começa o apontamento do "Luta Popular" de 30 de Novembro - volta à terra (digo eu) promulgando a lei que permite a cobrança de portagens nas SCUT... não há pachorra!
6. Sem dúvida que as susgestões do "Luta Popular" são muito oportunas, particularmente aquelas relativas ao Bloco de Esquerda que, pelas trapalhices de Louçã, deverá rever a designação para "Bloco Especial", na tentativa de que seja implementado "um capitalismo mais simpático e risonho".
7. Vale a pena ler e aprofundar o apontamento do "Luta Popular" do dia 28 de Novembro acerca da democracia sob o título 'Que Democracia?'. É um texto doutrinador e, como tal, deverá ser lido por apoiantes e não apoiantes do PCTP/MRPP, mas sobretudo analizado sem paixões e/ou facciosismos.
Nau
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Nº. 20 - Cooperativismo, Plutocracia e Estatismo
1. Quando a massa ignara, com um escasso nível de coesão, sobreleva o espírito comunitário, o Estado identifica-se com a sociedade e a política subordina-se à economia.
2. Abro aqui um parêntesis para salientar que a sociedade é um agrupamento de pessoas reunidas pela natureza e pelas leis, enquanto que na comunidade prevalece aquilo que é comum, que a todos pertence.
3. Logo, a lei na sociedade é a norma jurídica ditada pelo poder legislativo que protege os interesses da classe dominante, enquanto na comunidade a regra é pragmática por corresponder ao necessário para o bem comum.
4. Poderá parecer um jogo de palavras dado que lei e regra são do mesmo valimento. Porém, o importante é fazer a destrinça do objectivo que na sociedade será a minoria e na comunidade o todo.
5. Daqui se infere que a política do legislador na sociedade será a acumulação do capital em minorias, enquanto na comunidade aquele que faz as leis terá que atender ao crescente espírito cooperativo.
6. Como o sistema monopolista do Estado tende a um controlo integral dos sectores produtivo e distribuitivo já salientado no apontamento de ontem, lógico será os cooperadores manterem uma atitude de independência em relação a este.
7. Na prática, a doutrina cooperativa é a protecção possível no confronto com plutocratas e o predomínio do Estado (estatismo) em todos os campos.
Nau
2. Abro aqui um parêntesis para salientar que a sociedade é um agrupamento de pessoas reunidas pela natureza e pelas leis, enquanto que na comunidade prevalece aquilo que é comum, que a todos pertence.
3. Logo, a lei na sociedade é a norma jurídica ditada pelo poder legislativo que protege os interesses da classe dominante, enquanto na comunidade a regra é pragmática por corresponder ao necessário para o bem comum.
4. Poderá parecer um jogo de palavras dado que lei e regra são do mesmo valimento. Porém, o importante é fazer a destrinça do objectivo que na sociedade será a minoria e na comunidade o todo.
5. Daqui se infere que a política do legislador na sociedade será a acumulação do capital em minorias, enquanto na comunidade aquele que faz as leis terá que atender ao crescente espírito cooperativo.
6. Como o sistema monopolista do Estado tende a um controlo integral dos sectores produtivo e distribuitivo já salientado no apontamento de ontem, lógico será os cooperadores manterem uma atitude de independência em relação a este.
7. Na prática, a doutrina cooperativa é a protecção possível no confronto com plutocratas e o predomínio do Estado (estatismo) em todos os campos.
Nau
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Nº. 19 - CECIM...
1. O mutualismo é um sistema de solidariedade social que permite aos seus associados efectuarem actividades produtivas e de consumo, sem o recurso a créditos de intermediários.
2. A mutualidade não se limita a dar ou tomar de empréstimo bens fungíveis, conforme salientado no parágrafo anterior; não tem accionistas - os seus membros agem, simultaneamente, como proprietários e gestores; não tem capital fixo pois este depende das operações efectuadas pelos seus associados.
3. Difere o espírito da actividade coperadora da capitalista por esta última procurar obter o máximo lucro através de cálculos sobre ganhos e custos; na transformação da força laboral em simples mercadoria; na acumulação do capital em minorias dominantes.
4. Estas minorias dominantes, a fim de evitarem concorrências desgastantes, bem como a apertada vigilância fiscal, procuram organizar-se em sociedades por acções, além de outras formas jurídicas que favorecem a acumulação de capital, coarctando a actividade de pequenos empresários.
5. Por outro lado, o próprio Estado também adopta o sistema económico monopolista quando, burocratizado por tecnocratas, assume o controlo integral do sector produtivo e distributivo da comunidade.
6. Proudhon foi o paladino do federalismo autogestionário por via de uma democracia económica mutualista que muito influenciou Marx e Engels, chegando este último a reconhecer o peso do doutrinador francês no seio do operariado no prefácio do "Manifesto do Partido Comunista" de 1890.
7. Em suma: CECIM, revolução. E porque não?
2. A mutualidade não se limita a dar ou tomar de empréstimo bens fungíveis, conforme salientado no parágrafo anterior; não tem accionistas - os seus membros agem, simultaneamente, como proprietários e gestores; não tem capital fixo pois este depende das operações efectuadas pelos seus associados.
3. Difere o espírito da actividade coperadora da capitalista por esta última procurar obter o máximo lucro através de cálculos sobre ganhos e custos; na transformação da força laboral em simples mercadoria; na acumulação do capital em minorias dominantes.
4. Estas minorias dominantes, a fim de evitarem concorrências desgastantes, bem como a apertada vigilância fiscal, procuram organizar-se em sociedades por acções, além de outras formas jurídicas que favorecem a acumulação de capital, coarctando a actividade de pequenos empresários.
5. Por outro lado, o próprio Estado também adopta o sistema económico monopolista quando, burocratizado por tecnocratas, assume o controlo integral do sector produtivo e distributivo da comunidade.
6. Proudhon foi o paladino do federalismo autogestionário por via de uma democracia económica mutualista que muito influenciou Marx e Engels, chegando este último a reconhecer o peso do doutrinador francês no seio do operariado no prefácio do "Manifesto do Partido Comunista" de 1890.
7. Em suma: CECIM, revolução. E porque não?
Nº. 18 - Revolução
1. Toda a revolução pressupõe uma mudança substantiva na constituição política ou na opinião pública de um Estado.
2. Essa transformação - geralmente rápida e significativa - poderá ocorrer com séria perturbação da ordem pública (indignação popular, golpe castrense, agitação de mercados, etc.) ou através de processos mais ou menos pacíficos devido à adopção de políticas, de esquemas ou de equipamentos adequados como, por exemplo, a introdução dos sistemas mecânicos, fautores da Revolução Industrial nos finais do século XVIII.
3. A Revolução Russa do século XX, na sequência da Guerra Mundial (1914-1918) foi assaz violenta e caracterizou-se pela liquidação do Antigo Regimen através de uma sanguinolenta guerra civil. Já a anterior revolução (1905) teve um caracter reformista-liberal e foi provocada pelo desaire havido no confronto de uma armada russa obsoleta com uma moderna esquadra japonesa.
4. No início do século passado, Gramsci argumentava: se o socialismo é uma visão integral da vida, é urgente uma acção educativa junto da classe operária, extensiva aos intelectuais que serão, simultaneamente, mestres e discípulos.
5. Sem dúvida que, empolgado pela Revolução Russa (1917) e pela verve dos seus frescos anos, Gramsci foi um espectador atento ao que se passava no Kremlin, sofrendo com as distorções e desaires havidos, estes atribuíveis à impreparação do povo em geral, bem como aos teóricos anarquistas, entre eles Kropotkin, embora este, apesar de muitos excessos, apresentasse algumas ideias promissoras, expl.: "Ajuda Mútua - Um Factor de Evolução" (1902).
6. Na senda da ajuda mútua, procura-se, neste espaço, disseminar a prática cooperativa, através de unidades de produção e/ou de consumo que satisfaçam as necessidades dos associados, unidades estabelecidas sob os princípios APC (amizade, proximidade, capacidade) que, como escola reformista da vida social, incentivarão a maioria a clamar pelo regresso do Rei.
7. O compromisso da Casa de Bragança para com o Povo é, tradicionalmente, renovado nesta data, 1 de Dezembro. Falta os cooperativistas, pragmaticamente, assumirem os seus compromissos.
Nau
2. Essa transformação - geralmente rápida e significativa - poderá ocorrer com séria perturbação da ordem pública (indignação popular, golpe castrense, agitação de mercados, etc.) ou através de processos mais ou menos pacíficos devido à adopção de políticas, de esquemas ou de equipamentos adequados como, por exemplo, a introdução dos sistemas mecânicos, fautores da Revolução Industrial nos finais do século XVIII.
3. A Revolução Russa do século XX, na sequência da Guerra Mundial (1914-1918) foi assaz violenta e caracterizou-se pela liquidação do Antigo Regimen através de uma sanguinolenta guerra civil. Já a anterior revolução (1905) teve um caracter reformista-liberal e foi provocada pelo desaire havido no confronto de uma armada russa obsoleta com uma moderna esquadra japonesa.
4. No início do século passado, Gramsci argumentava: se o socialismo é uma visão integral da vida, é urgente uma acção educativa junto da classe operária, extensiva aos intelectuais que serão, simultaneamente, mestres e discípulos.
5. Sem dúvida que, empolgado pela Revolução Russa (1917) e pela verve dos seus frescos anos, Gramsci foi um espectador atento ao que se passava no Kremlin, sofrendo com as distorções e desaires havidos, estes atribuíveis à impreparação do povo em geral, bem como aos teóricos anarquistas, entre eles Kropotkin, embora este, apesar de muitos excessos, apresentasse algumas ideias promissoras, expl.: "Ajuda Mútua - Um Factor de Evolução" (1902).
6. Na senda da ajuda mútua, procura-se, neste espaço, disseminar a prática cooperativa, através de unidades de produção e/ou de consumo que satisfaçam as necessidades dos associados, unidades estabelecidas sob os princípios APC (amizade, proximidade, capacidade) que, como escola reformista da vida social, incentivarão a maioria a clamar pelo regresso do Rei.
7. O compromisso da Casa de Bragança para com o Povo é, tradicionalmente, renovado nesta data, 1 de Dezembro. Falta os cooperativistas, pragmaticamente, assumirem os seus compromissos.
Nau
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Nº. 17 - Constatações
1. A maioria da população portuguesa quando inquirida acerca do regimen político da sua preferência - Monarquia ou República - normalmente opta pela segunda hipótese.
2. Numa aproximação descomprometida ao assunto, muitos confessam nunca terem tido a oportunidade de se debruçarem sobre o mesmo.
3. Os mais levianos ou meramente opinativos afirmam considerar a monarquia como relíquia do passado e, metendo os pés pelas mãos, falam da Liberdade e da Igualdade, acabando com a frase sacramental: o país não é quinta de ninguém|
4. Agarram-se, os mais ponderados, ao Estado de Direito, afirmando ser este, na versão moderna, uma conquista da civilização europeia: todos são iguais perante a Lei e, segundo esta, eleitores/elegíveis.
5. Para outros, sendo o voto maioritário apurado em sufrágio universal a expressão da vontade democrática, a república satisfaz plenamente tal preceito, embora este seja dispensado na nomeação de magistrados, de chefes militares, de altos quadros administrativos, etc..
6. Há ainda quem afirme que na monarquia a influência de cortesãos é nefasta, esquecendo que esta também se verifica na república, transmitida e multiplicada durante a vigência do sucessor.
7. Raros são os que reconhecem serem as disputas partidárias no topo da instituição - de facto, anti-democráticas - um vício da república, obviamente evitadas na monarquia.
Nau
2. Numa aproximação descomprometida ao assunto, muitos confessam nunca terem tido a oportunidade de se debruçarem sobre o mesmo.
3. Os mais levianos ou meramente opinativos afirmam considerar a monarquia como relíquia do passado e, metendo os pés pelas mãos, falam da Liberdade e da Igualdade, acabando com a frase sacramental: o país não é quinta de ninguém|
4. Agarram-se, os mais ponderados, ao Estado de Direito, afirmando ser este, na versão moderna, uma conquista da civilização europeia: todos são iguais perante a Lei e, segundo esta, eleitores/elegíveis.
5. Para outros, sendo o voto maioritário apurado em sufrágio universal a expressão da vontade democrática, a república satisfaz plenamente tal preceito, embora este seja dispensado na nomeação de magistrados, de chefes militares, de altos quadros administrativos, etc..
6. Há ainda quem afirme que na monarquia a influência de cortesãos é nefasta, esquecendo que esta também se verifica na república, transmitida e multiplicada durante a vigência do sucessor.
7. Raros são os que reconhecem serem as disputas partidárias no topo da instituição - de facto, anti-democráticas - um vício da república, obviamente evitadas na monarquia.
Nau
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Nº. 16 - e tudo o mais renova; isto é sem cura
1. Com certa incredibilidade, ouvimos o comentário de que o regimen desposto na primeira década do século passado não tinha o apoio dos monárquicos.
2. De facto, não temos qualquer dúvida que o aparente radicalismo dos coriféus de então era apenas romanesco, tomando o artífice (sapateiro, funileiro, alfaiate...), bem como estivadores e outros que tais - arrancados do mundo rural, então predominante - como operários de Liverpool ou do Havre, no meio de uma burguesia sustentada por um comércio remeloso e por funcionários vinculados à administração pública.
3. Os ditos revolucionários - manipulados por uma maçonaria impante que, entretanto, já resfolegava nas cadeiras do poder - instigavam os seus peões de brega que, nas ruas, faziam as várias sortes - latrocínios, espancamentos, assassinatos, etc. - tudo a título de uma liberdade que já era conhecida em Portugal desde a Revolução de 1820.
4. Sem dúvida que o ultramontanismo tinha larga audiência na sociedade portuguesa de então; sem dúvida por resquícios dos excessos cometidos nos anos 30. Por outro lado, o peso operário era pouco relevante, e o comentimento geral soava revanchista e anárquico, como mais tarde o encontrou Álvaro Cunhal, apelidando-o de anarco-carneiradas inconsequentes, i.e., explosões de maus humores sem objectivos definidos ou estruturados.
5. Uma monarquia sem monárquicos considero natural porquanto não era o regimen que devia ser posto em causa, mas sim as adiadas medidas governativas que urgia serem aplicadas para debelar a crise económica-financeira que então se verificava, tal como nos nossos dias.
6. A propaganda republicana do bacalhau a pataco, em vez de pertinentes soluções pragmáticas, atiçava os mais vis sentimentos de uns contra outros na sociedade portugues de então, dado que é mais fácil destruir do que criar um projecto realmente inovador que pudesse corresponder aos legítimos desejos de bem-estar da comunidade.
7. O preconceito republicano na sociedade portuguesa perdura. Os monárquicos revêm-se melhor nas lides do Facebook do que no esforço para compreender a doutrina cooperativista aventada neste espaço.
Nau
2. De facto, não temos qualquer dúvida que o aparente radicalismo dos coriféus de então era apenas romanesco, tomando o artífice (sapateiro, funileiro, alfaiate...), bem como estivadores e outros que tais - arrancados do mundo rural, então predominante - como operários de Liverpool ou do Havre, no meio de uma burguesia sustentada por um comércio remeloso e por funcionários vinculados à administração pública.
3. Os ditos revolucionários - manipulados por uma maçonaria impante que, entretanto, já resfolegava nas cadeiras do poder - instigavam os seus peões de brega que, nas ruas, faziam as várias sortes - latrocínios, espancamentos, assassinatos, etc. - tudo a título de uma liberdade que já era conhecida em Portugal desde a Revolução de 1820.
4. Sem dúvida que o ultramontanismo tinha larga audiência na sociedade portuguesa de então; sem dúvida por resquícios dos excessos cometidos nos anos 30. Por outro lado, o peso operário era pouco relevante, e o comentimento geral soava revanchista e anárquico, como mais tarde o encontrou Álvaro Cunhal, apelidando-o de anarco-carneiradas inconsequentes, i.e., explosões de maus humores sem objectivos definidos ou estruturados.
5. Uma monarquia sem monárquicos considero natural porquanto não era o regimen que devia ser posto em causa, mas sim as adiadas medidas governativas que urgia serem aplicadas para debelar a crise económica-financeira que então se verificava, tal como nos nossos dias.
6. A propaganda republicana do bacalhau a pataco, em vez de pertinentes soluções pragmáticas, atiçava os mais vis sentimentos de uns contra outros na sociedade portugues de então, dado que é mais fácil destruir do que criar um projecto realmente inovador que pudesse corresponder aos legítimos desejos de bem-estar da comunidade.
7. O preconceito republicano na sociedade portuguesa perdura. Os monárquicos revêm-se melhor nas lides do Facebook do que no esforço para compreender a doutrina cooperativista aventada neste espaço.
Nau
domingo, 27 de novembro de 2011
Nº. 15 - Corporativismo, Integralismo e Cooperativismo
1. Volta e meia, dou de caras com mais um corporativista que me saúda por fazer a defesa da doutrina cooperativa.
2. Os neófitos integralistas comungam no mesmo erro, mas a esses recomendo uma leitura mais cuidada do breviário dos "MIL" (Movimento Integralista Lusitano) embora suspeite não serem tantos os que por lá andam.
3. Para já, o corporativismo foi uma doutrina política do século XIX que defendia a constituição de organismos onde trabalhadores e empresários da mesma actividade económica concertavam a produção capitalista e resolviam eventuais diferendos entre si.
4. Na realidade, a fronteira entre o corporativismo e o integralismo é muito ténua, salientando-se esta última pela ênfase que dava ao poder local, ao proteccionismo económico e à definição da família como base da unidade pátria, esta personificada na Família Real.
5. Traço comum entre o corporativismo e o integralismo foi o impulso que estas doutrinas sociopolíticas deram ao catolicismo social, ambas estimuladas pelas encíclicas "Rerum Novarum" (1891) e "Quadragesimo Anno" (1931), estropiadas pela Salazarquia em Portugal e pelo fascismo em Itália.
6. Logo, o cooperativismo baseia-se na associação de produtores ou de consumidoreses, em unidades independentes que, no apoio mútuo e cooperação pragmática, evitam os encargos respeitantes a lucros de intermediários.
7. Repito: o cooperativismo não é uma doutrina totalitária, apenas um sistema associativo que permite colmatar os excessos dos capitalismos - Liberal (mercados desregulados) e Estatal (mercados burocratizados).
Nau
2. Os neófitos integralistas comungam no mesmo erro, mas a esses recomendo uma leitura mais cuidada do breviário dos "MIL" (Movimento Integralista Lusitano) embora suspeite não serem tantos os que por lá andam.
3. Para já, o corporativismo foi uma doutrina política do século XIX que defendia a constituição de organismos onde trabalhadores e empresários da mesma actividade económica concertavam a produção capitalista e resolviam eventuais diferendos entre si.
4. Na realidade, a fronteira entre o corporativismo e o integralismo é muito ténua, salientando-se esta última pela ênfase que dava ao poder local, ao proteccionismo económico e à definição da família como base da unidade pátria, esta personificada na Família Real.
5. Traço comum entre o corporativismo e o integralismo foi o impulso que estas doutrinas sociopolíticas deram ao catolicismo social, ambas estimuladas pelas encíclicas "Rerum Novarum" (1891) e "Quadragesimo Anno" (1931), estropiadas pela Salazarquia em Portugal e pelo fascismo em Itália.
6. Logo, o cooperativismo baseia-se na associação de produtores ou de consumidoreses, em unidades independentes que, no apoio mútuo e cooperação pragmática, evitam os encargos respeitantes a lucros de intermediários.
7. Repito: o cooperativismo não é uma doutrina totalitária, apenas um sistema associativo que permite colmatar os excessos dos capitalismos - Liberal (mercados desregulados) e Estatal (mercados burocratizados).
Nau
Nº. 14 - O homem novo
1. Todas as doutrinas revolucionárias pressupõem o aparecimento do homem novo.
2. Sem dúvida que a estratificação geracional tem vantagens por criar preceitos que garantem estabilidade no dia a dia comunitário.
3. Porém, a persistência de alguns desses hábitos redundam em formalismos que apenas agradam a minorias e coarctam o progresso social.
4. Na civilização europeia, as grandes religiões monoteístas foram criativas na sua génese, mas acabaram por sossobrar sob o peso do espírito de classe dirigente e/ou possessora.
5. O movimento socialista, aparentemente radical no início do século transacto, igualmente tem defraudado as espectativas, quer na versão soviética, quer na interpretação maoísta.
6. De facto, os mercados desregulados são campo fértil para oportunistas e especuladores. Por outro lado, os mercados burocratizados pendem para a centralização da autoridade.
7. O sistema associativo aqui proposto tem por base o conceito social de cooperação que, obviando os encargos respeitantes a lucros de intermediários, adestra o homem novo para o trabalho comum.
Nau
2. Sem dúvida que a estratificação geracional tem vantagens por criar preceitos que garantem estabilidade no dia a dia comunitário.
3. Porém, a persistência de alguns desses hábitos redundam em formalismos que apenas agradam a minorias e coarctam o progresso social.
4. Na civilização europeia, as grandes religiões monoteístas foram criativas na sua génese, mas acabaram por sossobrar sob o peso do espírito de classe dirigente e/ou possessora.
5. O movimento socialista, aparentemente radical no início do século transacto, igualmente tem defraudado as espectativas, quer na versão soviética, quer na interpretação maoísta.
6. De facto, os mercados desregulados são campo fértil para oportunistas e especuladores. Por outro lado, os mercados burocratizados pendem para a centralização da autoridade.
7. O sistema associativo aqui proposto tem por base o conceito social de cooperação que, obviando os encargos respeitantes a lucros de intermediários, adestra o homem novo para o trabalho comum.
Nau
sábado, 26 de novembro de 2011
Nº. 13 - Greve Geral
1. Não é através da cessação colectiva e voluntária de quaisquer actividades por um dia que as aflições dos trabalhadores serão atendidas.
2. Não é parando literalmente o país que se vislumbrará uma saída airosa para a difícil situação económica em que nos encontramos.
3. Não é desorganizando a estrutura administrativa que se reformará a comunidade.
4. A revitalização económica do país só poderá ser realizada com o esforço de toda a população.
5. A crise económica mundial não é propícia a rodriguinhos nacionalistas, continentais ou doutrinários.
6. A insensibilidade dos possidentes, bem como a gula dos especuladores, deverá ser ponderada e corrigida.
7. Sejamos pragmáticos. O cooperativismo não é uma doutrina totalitária, mas um bom passo para a defesa dos interesses das comunidades.
Nau
2. Não é parando literalmente o país que se vislumbrará uma saída airosa para a difícil situação económica em que nos encontramos.
3. Não é desorganizando a estrutura administrativa que se reformará a comunidade.
4. A revitalização económica do país só poderá ser realizada com o esforço de toda a população.
5. A crise económica mundial não é propícia a rodriguinhos nacionalistas, continentais ou doutrinários.
6. A insensibilidade dos possidentes, bem como a gula dos especuladores, deverá ser ponderada e corrigida.
7. Sejamos pragmáticos. O cooperativismo não é uma doutrina totalitária, mas um bom passo para a defesa dos interesses das comunidades.
Nau
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Nº. 12 - Diogo Ventura
1. Acabei de tomar conhecimento que o Amigo Diogo Ventura já não está entre nós, segundo parece, devido a uma doença súbita.
2. Não o conheci pessoalmente, mas a simplicidade das suas mensagens, o entusiasmo que punha nos combates em que voluntariosamente participava - "Olivença" será um bom exemplo - torna a sua perda ainda mais sentida.
3. Comungavamos no amor pelas coisas alentejanas, particularmente por Beja; pelas tertúlias cultivadas no Luis Rocha daquela cidade; pela boa qualidade da confeitaria deste café. Cultivando amizades sem esforço deliberado, procurando estender a rede dos seus contactos a todos os campos - música, desporto espectáculo tauromáquico, etc. - e a todos recomendava novos amigos e novos blogs, sempre fiel aos seus princípios.
4. Diogo Ventura foi um dos primeiros a reconhecer a importância da doutrina cooperativa - que alguns pretendem abafar - na arregimentação de pessoas para a formação do homem novo que irá trazer de volta el-Rei de Portugal.
5. Sendo há muito tempo membro de uma cooperativa, conforme lembrou neste espaço, Diogo Ventura não tinha qualquer dúvida que a falta do verdadeiro espírito cooperativa transforma as unidades que indevidamente ostentam esse nome em corporações ou meras repartições administrativas - existem mas não funcionam.
6. Ao contrário de muitos daqueles que navegam no facebook com intervenções anémicas - "gostei muito", "apoio integralmente", "adorei", etc. - apenas para subscrever e imortalizar o nome do interveniente, Diogo Ventura salientava factos, veiculava ideias.
7. Lutando contra infortúnios e desvarios dos tempos, Diogo Ventura permanece como um bom exemplo de luta para todos nós. Obrigado por ter existido Diogo Ventura.
Nau
2. Não o conheci pessoalmente, mas a simplicidade das suas mensagens, o entusiasmo que punha nos combates em que voluntariosamente participava - "Olivença" será um bom exemplo - torna a sua perda ainda mais sentida.
3. Comungavamos no amor pelas coisas alentejanas, particularmente por Beja; pelas tertúlias cultivadas no Luis Rocha daquela cidade; pela boa qualidade da confeitaria deste café. Cultivando amizades sem esforço deliberado, procurando estender a rede dos seus contactos a todos os campos - música, desporto espectáculo tauromáquico, etc. - e a todos recomendava novos amigos e novos blogs, sempre fiel aos seus princípios.
4. Diogo Ventura foi um dos primeiros a reconhecer a importância da doutrina cooperativa - que alguns pretendem abafar - na arregimentação de pessoas para a formação do homem novo que irá trazer de volta el-Rei de Portugal.
5. Sendo há muito tempo membro de uma cooperativa, conforme lembrou neste espaço, Diogo Ventura não tinha qualquer dúvida que a falta do verdadeiro espírito cooperativa transforma as unidades que indevidamente ostentam esse nome em corporações ou meras repartições administrativas - existem mas não funcionam.
6. Ao contrário de muitos daqueles que navegam no facebook com intervenções anémicas - "gostei muito", "apoio integralmente", "adorei", etc. - apenas para subscrever e imortalizar o nome do interveniente, Diogo Ventura salientava factos, veiculava ideias.
7. Lutando contra infortúnios e desvarios dos tempos, Diogo Ventura permanece como um bom exemplo de luta para todos nós. Obrigado por ter existido Diogo Ventura.
Nau
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Nº. 11 - Greve Geral
1. Abismado na sua jardinagem, levou tempo a aperceber-se que um certo espectador admirava o seu trabalho.
2. O trabalhador em questão, apresso-me a esclarecer, não é, de modo algum, um fura-greves; apenas um jardineiro a exercer o seu honrado ofício num jardim público, em dia normal da semana.
3. Curioso será saber a razão pela qual o jovem - bem parecido e na força da vida - se mostrava assaz quebrantado. Mas todo o mundo já deu conta da situação: este jardineiro é mais um elemento da juventude portuguesa consciente de que lhe é negado um futuro digno.
4. Num dia tão deprimente como o de hoje, hesito em prosseguir no relato desta história mas, pelo menos, omitirei a conexão miserabilista com a presente jornada de protesto laboral.
5. O espectador referido no início deste apontamento procurava apenas as boas graças do moço jardineiro que, ao aperceber-se das intenções, procurou trocar as voltas ao impertenente admirador deslocando-se para outras zonas do jardim
6. Tendo a persistência do enamorado espectador sobejamente irritado o jardineiro, este, hesitando em malhar com o cabo da enxada ou pregar um bofetão no provocador, moderou os ímpetos ameaçando "sai daqui ou ainda te enfio o cabo da enxada no trazeiro!" a que o outro respondeu, suspirando, "promessas!".
7. O dia de hoje tem parecenças com esta história. O governo pretende enfiar o pacote - vazio de interesses - no povo mas aqui é o trabalhador não vai em promessas.
Nau
2. O trabalhador em questão, apresso-me a esclarecer, não é, de modo algum, um fura-greves; apenas um jardineiro a exercer o seu honrado ofício num jardim público, em dia normal da semana.
3. Curioso será saber a razão pela qual o jovem - bem parecido e na força da vida - se mostrava assaz quebrantado. Mas todo o mundo já deu conta da situação: este jardineiro é mais um elemento da juventude portuguesa consciente de que lhe é negado um futuro digno.
4. Num dia tão deprimente como o de hoje, hesito em prosseguir no relato desta história mas, pelo menos, omitirei a conexão miserabilista com a presente jornada de protesto laboral.
5. O espectador referido no início deste apontamento procurava apenas as boas graças do moço jardineiro que, ao aperceber-se das intenções, procurou trocar as voltas ao impertenente admirador deslocando-se para outras zonas do jardim
6. Tendo a persistência do enamorado espectador sobejamente irritado o jardineiro, este, hesitando em malhar com o cabo da enxada ou pregar um bofetão no provocador, moderou os ímpetos ameaçando "sai daqui ou ainda te enfio o cabo da enxada no trazeiro!" a que o outro respondeu, suspirando, "promessas!".
7. O dia de hoje tem parecenças com esta história. O governo pretende enfiar o pacote - vazio de interesses - no povo mas aqui é o trabalhador não vai em promessas.
Nau
Nº. 10 - Necessidades
1. Tudo o que é imprescindível para um certo fim será tido como uma necessidade.
2. Porém há necessidades absolutas (alimentos vitais), necessidades supérfluoas (joias, adornos) e necessidades ocasionais.
3. As fronteiras entre as diferentes necessidades não são lineares, sendo discutível estabelecer prioridade entre o frigorífico e a máquina de lavar roupa.
4. Também não são displiscentes as necessidades espirituais, culturais e as de lazer que poderão ser apodadas de clássicas por transversais à existência da comunidade.
5. Finalmente temos as necessidades "civilizacionais" resultantes da multiplicação de artigos que estão disponíveis no mercado com grande alarde e estímulo ao consumo.
6. As necessidades viciantes são criadas no seio de uma comunidade onde os desafios de cariz introspectivo ganham foros de emulação generalizada.
7. Logo, as necessidades poderão ser racionalmente escalonadas e a prática cooperativa será uma boa acha para o efeito.
Nau
2. Porém há necessidades absolutas (alimentos vitais), necessidades supérfluoas (joias, adornos) e necessidades ocasionais.
3. As fronteiras entre as diferentes necessidades não são lineares, sendo discutível estabelecer prioridade entre o frigorífico e a máquina de lavar roupa.
4. Também não são displiscentes as necessidades espirituais, culturais e as de lazer que poderão ser apodadas de clássicas por transversais à existência da comunidade.
5. Finalmente temos as necessidades "civilizacionais" resultantes da multiplicação de artigos que estão disponíveis no mercado com grande alarde e estímulo ao consumo.
6. As necessidades viciantes são criadas no seio de uma comunidade onde os desafios de cariz introspectivo ganham foros de emulação generalizada.
7. Logo, as necessidades poderão ser racionalmente escalonadas e a prática cooperativa será uma boa acha para o efeito.
Nau
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Nº. 9 - Greve Geral
1. A greve geral anunciada para o próximo dia 24 é o grito de revolta contra o empobrecimento e a exploração desefreada da força laboral; a exigência de uma política de governo tendente a criar riqueza, garantindo a soberania dentro de uma comunidade franco-alemã para a qual fomos empurrados com falaciosas promessas.
2. O apelo à greve não é endereçado a uma classe profissional em particular, mas a toda a população, sem conotações partidárias porquanto também estas contribuiram para o descalabro económico e financeiro em que nos encontramos - os representantes do povo no parlamento tinham a obrigação de fiscalizar os actos do governo e denunciar as medidas perniciosas para o interesse público.
3. Tudo falhou, e ainda hoje empresas financeiras, candidamente, oferecem os seus préstimos na esperança de que o virus, ainda latente do consumismo, seja ronhosa e viciosamente alimentado, mediante o programa de "compre hoje e pague mais tarde".
4. Sem dúvida que o objectivo da greve geral será parar literalmente o país, desorganizando a estrutura administrativa; avisando os possidentes que chegou a hora de pôr as cartas na mesa. Os responsáveis pela situação de quase falência do país que sejam denunciados e julgados. Os compadrios, denunciados e os prevaricadores afastados da área do poder. O esforço para a recuperação económica do país equitativamente partilhado por toda a população.
5. A organização do PCTP/MRPP na Região Autónoma dos Açores fez um fundamentado apelo à greve geral do próximo dia 24 que é digno de ser divulgado mas que, pela sua bem articulada extensão, sugiro que todos o leiam, ponderando criteriosamente os argumentos apresentados, bastando para isso a consulta ao "Luta Popular Online" do último Sábado, dia 19.
6. Sem dúvida que todo aquele que pede dinheiro emprestado assume o compromisso de honrar a boa resolução do mesmo; os oportunistas espreitam a todas as esquinas a possibilidade de nos esmifrarem mais umas moeditas; de facto o país, sem o rcurso externo, pouco dinheiro terá para manter a máquina admnistrativa em funcionamento; a importação de bens essenciais irá definhando até à exaustão insuportável...
7. Não resisto ao impulso de reler o apelo à greve geral feita na Região Autónoma dos Açores pelo PCTP/MRPP. Qualquer comentário acerca deste assunto será bem-vindo.
Nau
2. O apelo à greve não é endereçado a uma classe profissional em particular, mas a toda a população, sem conotações partidárias porquanto também estas contribuiram para o descalabro económico e financeiro em que nos encontramos - os representantes do povo no parlamento tinham a obrigação de fiscalizar os actos do governo e denunciar as medidas perniciosas para o interesse público.
3. Tudo falhou, e ainda hoje empresas financeiras, candidamente, oferecem os seus préstimos na esperança de que o virus, ainda latente do consumismo, seja ronhosa e viciosamente alimentado, mediante o programa de "compre hoje e pague mais tarde".
4. Sem dúvida que o objectivo da greve geral será parar literalmente o país, desorganizando a estrutura administrativa; avisando os possidentes que chegou a hora de pôr as cartas na mesa. Os responsáveis pela situação de quase falência do país que sejam denunciados e julgados. Os compadrios, denunciados e os prevaricadores afastados da área do poder. O esforço para a recuperação económica do país equitativamente partilhado por toda a população.
5. A organização do PCTP/MRPP na Região Autónoma dos Açores fez um fundamentado apelo à greve geral do próximo dia 24 que é digno de ser divulgado mas que, pela sua bem articulada extensão, sugiro que todos o leiam, ponderando criteriosamente os argumentos apresentados, bastando para isso a consulta ao "Luta Popular Online" do último Sábado, dia 19.
6. Sem dúvida que todo aquele que pede dinheiro emprestado assume o compromisso de honrar a boa resolução do mesmo; os oportunistas espreitam a todas as esquinas a possibilidade de nos esmifrarem mais umas moeditas; de facto o país, sem o rcurso externo, pouco dinheiro terá para manter a máquina admnistrativa em funcionamento; a importação de bens essenciais irá definhando até à exaustão insuportável...
7. Não resisto ao impulso de reler o apelo à greve geral feita na Região Autónoma dos Açores pelo PCTP/MRPP. Qualquer comentário acerca deste assunto será bem-vindo.
Nau
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Nº. 8 - Cidadania
1. O tio de um amigo meu, de visita à Capital, ficou chocado com os atropelos que se verificam na conduta dos peões - e não só.
2. A turba movimenta-se numa aparente azáfama, ora guinando à direita, ora à esquerda, procurando sempre ultrapassar alguém ao balcão dos cafés, às mesas dos restaurantes, à entrada nos transportes públicos.
3. Com a memória selectiva dos idosos, recordava o familiar daquele amigo meu que, no seu tempo, a prioridade no acesso a serviços públicos, tansporte e lugares sentados, etc., era dada a senhoras e crianças, numa atitude paternalista e, sobretudo, de formalismo característico da burguesia.
4. Conta-se que numa certa altura, duas varinas aguentavam-se de pé num transporte público enquanto os cavalheiros cediam os seus lugares a senhoras enchapeladas, dando origem ao mordaz comentário de uma das ditas varins: para nós só a gaita se põe de pé.
5. Retomando o fio à meada, o idoso tio do meu amigo, apanhado num aperto à entrada de um autocarro verberou os oportunistas pela falta de civismo, mera carência de cidadania, porquanto os recem-chegados, atropelavam aqueles que, há muito tempo, aguardavam a sua vez.
6. Um dos vizados, chegando à fala com o protestante de ocasião, afirmava não ser objectivo seu ultrapassar quem quer que fosse, ou disputar qualquer lugar sentado; apenas procurava adquirir o título de transporte, por não ter cartão avençado. Além disso, era professor universitário, consciente das suas obrigações e direitos como qualquer lisboeta.
7. Apaziguados os ânimos, o tio do meu amigo não se coibiu de comentar: a formação académica não é fundamento para uma boa cidadania dado que a instrução é facultada em estabelecimentos próprios; a educação cultiva-se no seio da família; a auto-disciplina para uma saudável cidadania adquire-se nas continuadas boas práticas.
Nau
2. A turba movimenta-se numa aparente azáfama, ora guinando à direita, ora à esquerda, procurando sempre ultrapassar alguém ao balcão dos cafés, às mesas dos restaurantes, à entrada nos transportes públicos.
3. Com a memória selectiva dos idosos, recordava o familiar daquele amigo meu que, no seu tempo, a prioridade no acesso a serviços públicos, tansporte e lugares sentados, etc., era dada a senhoras e crianças, numa atitude paternalista e, sobretudo, de formalismo característico da burguesia.
4. Conta-se que numa certa altura, duas varinas aguentavam-se de pé num transporte público enquanto os cavalheiros cediam os seus lugares a senhoras enchapeladas, dando origem ao mordaz comentário de uma das ditas varins: para nós só a gaita se põe de pé.
5. Retomando o fio à meada, o idoso tio do meu amigo, apanhado num aperto à entrada de um autocarro verberou os oportunistas pela falta de civismo, mera carência de cidadania, porquanto os recem-chegados, atropelavam aqueles que, há muito tempo, aguardavam a sua vez.
6. Um dos vizados, chegando à fala com o protestante de ocasião, afirmava não ser objectivo seu ultrapassar quem quer que fosse, ou disputar qualquer lugar sentado; apenas procurava adquirir o título de transporte, por não ter cartão avençado. Além disso, era professor universitário, consciente das suas obrigações e direitos como qualquer lisboeta.
7. Apaziguados os ânimos, o tio do meu amigo não se coibiu de comentar: a formação académica não é fundamento para uma boa cidadania dado que a instrução é facultada em estabelecimentos próprios; a educação cultiva-se no seio da família; a auto-disciplina para uma saudável cidadania adquire-se nas continuadas boas práticas.
Nau
domingo, 20 de novembro de 2011
Nº. 7 - Maçonaria
1. Segundo parece, a rapaziada do costume está a preparar um programa de homenagem ao primeiro Presidente da República, Manuel Arriaga, um dos muitos homens do avental que impuseram o regimen republicano neste país.
2. Por feliz coincidência, recentemente foi dada à estampa um livro encomiástico tendo por tema as Lojas Maçónicas, historiando fabulosas raízes, desvendando um naipe de próceres ilustres, mas omitindo, por falsa pudicícia, os nomes dos peões de brega que levaram a cabo as diversas sortes no início do século passado - assassinatos, espancamentos, perseguições e outras coisas mais.
3. Certo é que os homens ligados à grande construção de pontes, catedrais, palácios, etc., conhecidos por pedreiros ou mações (de maçon, i.e., martelos grandes também usados por carpinteiros, canteiros, escultores...) sigilosamente guardavam os segredos da sua profissão, como era prática na Idade Média em todas as artes e ofícios.
4. As profissões atrás mencionadas (pedreiros, carpinteiros, escultores, etc.) exigiam conhecimentos básicos de geometria e cálculo numérico, bem como a manipulação de esquadros, réguas e compassos, estes mais tarde utilizados como emblemas nas sociedades secretas do século XVIII.
5. Claro que as referidas sociedades secretas já nada tinham a ver com as artes da construção propriamente dita, sendo apenas um estratagema usado para fugir às perseguições politico-religiosas sob a capa de organizações filantrópicas.
6. Sempre o movimento maçónico esteve ligado aos interesses da burguesia, tendo tido grande relevo, como organizações secretas, na independência estadunidense, na Revolução Francesa, bem como na independência hispano-americana, cujos líderes principais - San Martin, Bolivar, Miranda, etc. - eram mações.
7. Fazendo jus ao seu cariz burguês, os mações lusitanos dos nossos dias excedem-se em compadrios como organizações anti-democráticas - que na realidade são - ronhosamente dando a entender abarcar o escol da sociedade, mas em Lojas de índole mera e convenientemente partidária, tal como no início do século passado.
Nau
2. Por feliz coincidência, recentemente foi dada à estampa um livro encomiástico tendo por tema as Lojas Maçónicas, historiando fabulosas raízes, desvendando um naipe de próceres ilustres, mas omitindo, por falsa pudicícia, os nomes dos peões de brega que levaram a cabo as diversas sortes no início do século passado - assassinatos, espancamentos, perseguições e outras coisas mais.
3. Certo é que os homens ligados à grande construção de pontes, catedrais, palácios, etc., conhecidos por pedreiros ou mações (de maçon, i.e., martelos grandes também usados por carpinteiros, canteiros, escultores...) sigilosamente guardavam os segredos da sua profissão, como era prática na Idade Média em todas as artes e ofícios.
4. As profissões atrás mencionadas (pedreiros, carpinteiros, escultores, etc.) exigiam conhecimentos básicos de geometria e cálculo numérico, bem como a manipulação de esquadros, réguas e compassos, estes mais tarde utilizados como emblemas nas sociedades secretas do século XVIII.
5. Claro que as referidas sociedades secretas já nada tinham a ver com as artes da construção propriamente dita, sendo apenas um estratagema usado para fugir às perseguições politico-religiosas sob a capa de organizações filantrópicas.
6. Sempre o movimento maçónico esteve ligado aos interesses da burguesia, tendo tido grande relevo, como organizações secretas, na independência estadunidense, na Revolução Francesa, bem como na independência hispano-americana, cujos líderes principais - San Martin, Bolivar, Miranda, etc. - eram mações.
7. Fazendo jus ao seu cariz burguês, os mações lusitanos dos nossos dias excedem-se em compadrios como organizações anti-democráticas - que na realidade são - ronhosamente dando a entender abarcar o escol da sociedade, mas em Lojas de índole mera e convenientemente partidária, tal como no início do século passado.
Nau
sábado, 19 de novembro de 2011
Nº. - Valores
1. Numa sociedade tão formalista como a portuguesa, apegada a coisas e fenómenos superficiais esquecendo o conteúdo, os valores assumem uma importância vital.
2. Sempre que se pretende impressionar alguém ou reforçar uma "asserção" de conveniência lá se invocam os valores, embora sem fundamentar a pertinente correlação.
3. Valor é tudo aquilo que se estima útil para a comunidade podendo, por extensão e continuada observância, ser caracerística da mesma.
4. Logo, os valores portugueses, não fugindo à regra, são património comum de monárquicos e de republicanos, apenas verificando-se a diferença na Chefia do Estado que para uns é hereditária e vitalícia, para outros é arbitrária e a prazo.
5. Claro que existem princípios - meras referências - que é conveniente observar, tais como o APC (Amizade, Proximidade, Capacidade) nas diligências para a formação de uma cooperativa.
6. O antagonismo entre potenciais membros de um projecto comum; a distância geográfica entre estes e a disposição (voluntariedade) em cooperar são características ou valores imprescindíveis quando se avança para a fundação de uma cooperativa.
7. "Ser homem é ser livre. Tornarmo-nos verdadeiros homens, esse o sentido da história", afirmou Karl Jaspers, sendo igualmente um dos alvos do movimento cooperativo.
Nau
2. Sempre que se pretende impressionar alguém ou reforçar uma "asserção" de conveniência lá se invocam os valores, embora sem fundamentar a pertinente correlação.
3. Valor é tudo aquilo que se estima útil para a comunidade podendo, por extensão e continuada observância, ser caracerística da mesma.
4. Logo, os valores portugueses, não fugindo à regra, são património comum de monárquicos e de republicanos, apenas verificando-se a diferença na Chefia do Estado que para uns é hereditária e vitalícia, para outros é arbitrária e a prazo.
5. Claro que existem princípios - meras referências - que é conveniente observar, tais como o APC (Amizade, Proximidade, Capacidade) nas diligências para a formação de uma cooperativa.
6. O antagonismo entre potenciais membros de um projecto comum; a distância geográfica entre estes e a disposição (voluntariedade) em cooperar são características ou valores imprescindíveis quando se avança para a fundação de uma cooperativa.
7. "Ser homem é ser livre. Tornarmo-nos verdadeiros homens, esse o sentido da história", afirmou Karl Jaspers, sendo igualmente um dos alvos do movimento cooperativo.
Nau
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Nº.5 - Cooperativismo e Monarquia
1. Para a maioria das pessoas, a defesa e divulgação da doutrina cooperativa é compreensível, por esta se apresentar como uma alternativa válida quer às soluções liberais (mercados desregulados), quer às propostas socialistas (mercados burocratizados).
2. Contudo, a associação do cooperativismo à vetusta doutrina monárquica - mesmo atendendo ao aggiornamento desta - já não é tão óbvia em virtude da primeira ter uma orientação económica e a segunda uma base meramente política.
3. Ora o sistema republicano é de igual natureza do monárquico pelo que a valência cooperativa tanto florescerá num regimen como no outro, aparentemente não se justificando a colagem de monárquicos a tal orientação económica.
4. Porém, a prática democrática do cooperativismo - regida por largos consensos (Equidade), preocupações sociais (Solidariedade) e total independência em relação à administração pública e ao controlo dos possidentes (Liberdade) - é uma escola pragmática de formação integral.
5. Tendo presente que o défice democrático que se verifica nas comunidades dos nossos dias é cada vez maior por carência de uma cidadania medularmente criteriosa, a prática cooperativa, de certo modo, irá colmatar essa latente inanidade.
6. Uma vez compreendido e consolidado o espírito democrático, naturalmente a questão do regimen ocorrerá a uma maioria esclarecida: a figura do rei é, de facto, imprescindível por obviar disputas partidárias no topo da comunidade.
7. Indisciplinados por lassitude ou falta de determinação, os neófitos cooperativistas cedo aprenderão a pugnar pelos seus interesses, aptos a enfrentar as viciosas manobras dos possidentes, bem como os esquemas dos tecnocratas àvidos do poder.
Nau
2. Contudo, a associação do cooperativismo à vetusta doutrina monárquica - mesmo atendendo ao aggiornamento desta - já não é tão óbvia em virtude da primeira ter uma orientação económica e a segunda uma base meramente política.
3. Ora o sistema republicano é de igual natureza do monárquico pelo que a valência cooperativa tanto florescerá num regimen como no outro, aparentemente não se justificando a colagem de monárquicos a tal orientação económica.
4. Porém, a prática democrática do cooperativismo - regida por largos consensos (Equidade), preocupações sociais (Solidariedade) e total independência em relação à administração pública e ao controlo dos possidentes (Liberdade) - é uma escola pragmática de formação integral.
5. Tendo presente que o défice democrático que se verifica nas comunidades dos nossos dias é cada vez maior por carência de uma cidadania medularmente criteriosa, a prática cooperativa, de certo modo, irá colmatar essa latente inanidade.
6. Uma vez compreendido e consolidado o espírito democrático, naturalmente a questão do regimen ocorrerá a uma maioria esclarecida: a figura do rei é, de facto, imprescindível por obviar disputas partidárias no topo da comunidade.
7. Indisciplinados por lassitude ou falta de determinação, os neófitos cooperativistas cedo aprenderão a pugnar pelos seus interesses, aptos a enfrentar as viciosas manobras dos possidentes, bem como os esquemas dos tecnocratas àvidos do poder.
Nau
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Nº. 4 - Cooperativismo
1. A cooperativa é uma associação de pessoas que se unem, voluntariamente, para satisfazer as suas aspirações económicas, sociais e culturais comuns, por via de uma empresa de propriedade colectiva e democraticamente gerida (Congresso Internaciona Cooperativo, 1995).
2. Segundo António Sérgio, [o cooperativismo] pretende abolir o antagonismo de interesses; tornar possível as relações amigáveis em todas as circunstâncias do nosso viver comum; assentar a sociedade sobre o auxílio mútuo; suprimir as barreiras profissionais e de classe".
3. Conforme salientei no apontamento anterior dedicado a este tema, o cooperativismo nada tem a ver com o colectivismo, nem tão pouco com o corporativismo, sendo um tipo de associação baseado na liberdade de adesão, controlo democrático pelos sócios, cultivado por uma independência e autonomia nas decisões em relação ao poder estatal
4. Repetir, repetir definições nunca é demais, porquanto há sempre alguém que associa o espírito cooperativo a movimentos partidários - quer de Esquerda, quer de Direita - apontando uma ou outra associação que, do cooperativismo, apenas ostenta o nome que não a prática.
5. Em vários apontamentos tenho chamado a atenção para o facto das deslocações peregrinativas aos grandes centros comerciais (particularmente aos fins de semana)resultarem na aquisição de artigos supérfluos, podendo tal ser evitado mediante a elaboração de listas de compras conjuntas, destinadas a satisfazer as necessidades de várias famílias.
6. A negociação com empresas de vendas por grosso de um largo volume de compras permitirá a obtenção de preços mais vantajosos, mesmo que, para o efeito, seja prudente aliciar o pequeno comerciante de bairro que, por falta de clientes, definha a olhos vistos.
7.Pequenos passos poderão resultar enormes avanços no bem-estar de muitas famílias, racionalizando e moderando as respectivas listas de compras; revitalizando o comércio de bairro que, pela proximidade, evitará perdas de tempo e/ou gastos de combustíveis a cada um dos agregados familiares envolvido.
Nau
2. Segundo António Sérgio, [o cooperativismo] pretende abolir o antagonismo de interesses; tornar possível as relações amigáveis em todas as circunstâncias do nosso viver comum; assentar a sociedade sobre o auxílio mútuo; suprimir as barreiras profissionais e de classe".
3. Conforme salientei no apontamento anterior dedicado a este tema, o cooperativismo nada tem a ver com o colectivismo, nem tão pouco com o corporativismo, sendo um tipo de associação baseado na liberdade de adesão, controlo democrático pelos sócios, cultivado por uma independência e autonomia nas decisões em relação ao poder estatal
4. Repetir, repetir definições nunca é demais, porquanto há sempre alguém que associa o espírito cooperativo a movimentos partidários - quer de Esquerda, quer de Direita - apontando uma ou outra associação que, do cooperativismo, apenas ostenta o nome que não a prática.
5. Em vários apontamentos tenho chamado a atenção para o facto das deslocações peregrinativas aos grandes centros comerciais (particularmente aos fins de semana)resultarem na aquisição de artigos supérfluos, podendo tal ser evitado mediante a elaboração de listas de compras conjuntas, destinadas a satisfazer as necessidades de várias famílias.
6. A negociação com empresas de vendas por grosso de um largo volume de compras permitirá a obtenção de preços mais vantajosos, mesmo que, para o efeito, seja prudente aliciar o pequeno comerciante de bairro que, por falta de clientes, definha a olhos vistos.
7.Pequenos passos poderão resultar enormes avanços no bem-estar de muitas famílias, racionalizando e moderando as respectivas listas de compras; revitalizando o comércio de bairro que, pela proximidade, evitará perdas de tempo e/ou gastos de combustíveis a cada um dos agregados familiares envolvido.
Nau
Nº. 4 - Cooperativismo
1. A cooperativa é uma associação de pessoas que se unem, voluntariamente, para satisfazer as suas aspirações económicas, sociais e culturais comuns, por via de uma empresa de propriedade colectiva e democraticamente gerida (Congresso Internacional Cooperativo, 1995).
2. Segundo António Sérgio, "[o cooperativismo] pretende abolir o antagonismo de interesses; tornar possível as relações amigáveis em todas as circunstâncias do nosso viver comum; assentar a sociedade sobre o auxílio mútuo; suprimir as barrreiras profissionais e de classe".
3. Conforme salientei no apontamento anterior dedicado a este tema, o cooperativismo nada tem a ver com o colectivismo, nem tão pouco com o corporativismo, sendo um tipo de associação baseado na liberdade de adesão, controlo democrático pelos sócios, cultivado por uma independência e autonomia nas decisões em relação ao poder estatal.
4. Repetir, repetir definições nunca é demais, porquanto há sempre alguém que associa o espírito cooperativo a movimentos partidários - quer de Esquerda, quer de Direita - apontando uma ou outra associação que, do cooperativismo, apenas ostenta o nome que não a prática.
5. Em vários apontamentos tenho chamado a atenção para o facto das deslocações aos grandes centros comerciais resultarem na aquisição de artigos supérfluos, podendo tal ser evitado mediante a elaboração de listas de compras conjuntas, destinadas a satisfazer as necessidades de várias famílias.
6. A negociação com empresas de vendas por grosso de um largo volume de compras permitirá a obtenção de preços mais vantajosos, mesmo que, para o efeito, seja prudente aliciar o pequeno comerciante de bairro que, por falta de clientes, definha a olhos vistos.
7. Pequenos passos poderão resultar grandes avanços no bem-estar de muitas famílias, racionlizando e moderando as respectivas listas de compras; revitalizando o comércio de bairro que, pela proximidade, evitará perdas de tempo e/ou gastos de combustíveis a cada um dos agregados familiares envolvidos.
Nau
2. Segundo António Sérgio, "[o cooperativismo] pretende abolir o antagonismo de interesses; tornar possível as relações amigáveis em todas as circunstâncias do nosso viver comum; assentar a sociedade sobre o auxílio mútuo; suprimir as barrreiras profissionais e de classe".
3. Conforme salientei no apontamento anterior dedicado a este tema, o cooperativismo nada tem a ver com o colectivismo, nem tão pouco com o corporativismo, sendo um tipo de associação baseado na liberdade de adesão, controlo democrático pelos sócios, cultivado por uma independência e autonomia nas decisões em relação ao poder estatal.
4. Repetir, repetir definições nunca é demais, porquanto há sempre alguém que associa o espírito cooperativo a movimentos partidários - quer de Esquerda, quer de Direita - apontando uma ou outra associação que, do cooperativismo, apenas ostenta o nome que não a prática.
5. Em vários apontamentos tenho chamado a atenção para o facto das deslocações aos grandes centros comerciais resultarem na aquisição de artigos supérfluos, podendo tal ser evitado mediante a elaboração de listas de compras conjuntas, destinadas a satisfazer as necessidades de várias famílias.
6. A negociação com empresas de vendas por grosso de um largo volume de compras permitirá a obtenção de preços mais vantajosos, mesmo que, para o efeito, seja prudente aliciar o pequeno comerciante de bairro que, por falta de clientes, definha a olhos vistos.
7. Pequenos passos poderão resultar grandes avanços no bem-estar de muitas famílias, racionlizando e moderando as respectivas listas de compras; revitalizando o comércio de bairro que, pela proximidade, evitará perdas de tempo e/ou gastos de combustíveis a cada um dos agregados familiares envolvidos.
Nau
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
O amigo Zé
Nº. 3
1. Confidenciou o amigo Zé que as coisas neste país vão de mal a pior.
2. A maioria da população, à semelhança da máquina administrativa do Estado, mandou as poupanças às malvas e passou a viver (pelo menos alguns) à tripa forra.
3. Com o arrendamento de habitação praticamente congelado e o investimento no sector pouco atractivo, a construção civil definharia se a política do condomínio não tivesse sido implementada.
4. O crédito à habitação própria subiu em flecha e todos aplaudiram quando a administração pública, totalmente apadrinhada e conluiada, se lançou à compita com obras de fachada.
5. Foram estradas, foram equipamentos sociais de grande vista, foram estádios de futebol, etc., e toda a gente se embasbacou - estamos na comunidade europeia e comportamo-nos como se pertencessemos ao clube dos ricos.
6. Por outro lado, os artigos importados a preço da uva mijona do terceiro mundo (a quem previamente se forneceu a tecnologia contra o pagamento a prazo de royalties) vai evitando lutas laborais na comunidade... até quando?.
7. Hoje, em Portugal, aumenta-se o preço dos passes sociais nos transportes públicos - penalizando idosos, estudantes e a classe média - a fim de fomentar a circulação dos veículos particulares dado que é nos escandalosos impostos sobre os combustíveis que o governo espera obter mais recursos para o regabofe do costume.
Nau
1. Confidenciou o amigo Zé que as coisas neste país vão de mal a pior.
2. A maioria da população, à semelhança da máquina administrativa do Estado, mandou as poupanças às malvas e passou a viver (pelo menos alguns) à tripa forra.
3. Com o arrendamento de habitação praticamente congelado e o investimento no sector pouco atractivo, a construção civil definharia se a política do condomínio não tivesse sido implementada.
4. O crédito à habitação própria subiu em flecha e todos aplaudiram quando a administração pública, totalmente apadrinhada e conluiada, se lançou à compita com obras de fachada.
5. Foram estradas, foram equipamentos sociais de grande vista, foram estádios de futebol, etc., e toda a gente se embasbacou - estamos na comunidade europeia e comportamo-nos como se pertencessemos ao clube dos ricos.
6. Por outro lado, os artigos importados a preço da uva mijona do terceiro mundo (a quem previamente se forneceu a tecnologia contra o pagamento a prazo de royalties) vai evitando lutas laborais na comunidade... até quando?.
7. Hoje, em Portugal, aumenta-se o preço dos passes sociais nos transportes públicos - penalizando idosos, estudantes e a classe média - a fim de fomentar a circulação dos veículos particulares dado que é nos escandalosos impostos sobre os combustíveis que o governo espera obter mais recursos para o regabofe do costume.
Nau
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Nº. 2 - Cooperativismo
1. Embora para alguns seja coisa sabida, outros nunca tiveram a oportunidade de se debruçar sobre o assunto.
2. Ainda há aqueles que, por acidente ou decisões menos cuidadadas, tropeçaram em arremedos de cooperativas, ficando com ideias erradas acerca destas.
3. Também é vulgar a confusão (por vezes inocente) entre o cooperativismo e o corporativismo ou a badalada doutrina colectivista.
4. Posto que o colectivismo seguido pelos socialistas, com as variantes democráticas - por etapas (PS) ou por sistemas redistribuitivos da riqueza (PSD) - e as estatais (PCP), andem na berra, será de senso comum não confundir com o cooperativismo.
5. Os exemplos apresentados no parágrafo anterior (PS, PSD e PCP) são meros contributos para o esclarecimento do rumo socialista, embora estes, na prática, sejam apenas movimentos burocratizantes, mesmo quando anunciam o abandono da "ditadura do proletariado" (PCP).
6. O movimento liberal (ou neo-liberal como gostam de propalar) é defendido pelos partidos de Direita (Expl.: CDS/PP) que acreditam ser a livre iniciativa o impulsionador da economia, nada tendo que ver com o corporativismo que segue a versão burocrática, mas com sinal contrário.
7. Claro que o cooperativismo é a resposta adequada à pressão burocratizante (socialismo, colectivismo e corporativismo), bem como às debilidades dos mercados desregulados (liberalismo ou neo-liberalismo), como será exposto nos próximos apontamentos.
Nau
2. Ainda há aqueles que, por acidente ou decisões menos cuidadadas, tropeçaram em arremedos de cooperativas, ficando com ideias erradas acerca destas.
3. Também é vulgar a confusão (por vezes inocente) entre o cooperativismo e o corporativismo ou a badalada doutrina colectivista.
4. Posto que o colectivismo seguido pelos socialistas, com as variantes democráticas - por etapas (PS) ou por sistemas redistribuitivos da riqueza (PSD) - e as estatais (PCP), andem na berra, será de senso comum não confundir com o cooperativismo.
5. Os exemplos apresentados no parágrafo anterior (PS, PSD e PCP) são meros contributos para o esclarecimento do rumo socialista, embora estes, na prática, sejam apenas movimentos burocratizantes, mesmo quando anunciam o abandono da "ditadura do proletariado" (PCP).
6. O movimento liberal (ou neo-liberal como gostam de propalar) é defendido pelos partidos de Direita (Expl.: CDS/PP) que acreditam ser a livre iniciativa o impulsionador da economia, nada tendo que ver com o corporativismo que segue a versão burocrática, mas com sinal contrário.
7. Claro que o cooperativismo é a resposta adequada à pressão burocratizante (socialismo, colectivismo e corporativismo), bem como às debilidades dos mercados desregulados (liberalismo ou neo-liberalismo), como será exposto nos próximos apontamentos.
Nau
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Nº. 1 - Propósitos
1. Em sete apontamentos expus, há já algum tempo, o que entendo por doutrina monárquica, no "monarquicos.com".
2. Recentemente, num igual número de intervenções, alonguei-me no "realistas.org" acerca da Democracia, evocando os mestres do passado.
3. Antes de me ser vedado o acesso ao blog mencionado no parágrafo anterior, manifestei o propósito ,de trazer à colação os mestres do presente.
4. Entretanto, fui-me espraiando por outros temas, consoante as disponibilidades do momento e o tempo necessário para diferentes lucubrações.
5. Com a abertura deste espaço, talvez seja oportuno retomar o fio à meada, voltando a inserir alguns daqueles textos, sem o risco destes serem eliminados por sensabilidades pouco realistas.
6. Sem dúvida que alguns temas, catrapiscados no "Luta Popular" do PCTP/MRPP, serão, de igual modo, aqui inseridos e, quem se sentir incomodado, que faça o favor de expor as suas razões.
7. Em suma: pretendo que este espaço seja um forum aberto a largas cavaqueiras. Cá vos espero.
Nau
2. Recentemente, num igual número de intervenções, alonguei-me no "realistas.org" acerca da Democracia, evocando os mestres do passado.
3. Antes de me ser vedado o acesso ao blog mencionado no parágrafo anterior, manifestei o propósito ,de trazer à colação os mestres do presente.
4. Entretanto, fui-me espraiando por outros temas, consoante as disponibilidades do momento e o tempo necessário para diferentes lucubrações.
5. Com a abertura deste espaço, talvez seja oportuno retomar o fio à meada, voltando a inserir alguns daqueles textos, sem o risco destes serem eliminados por sensabilidades pouco realistas.
6. Sem dúvida que alguns temas, catrapiscados no "Luta Popular" do PCTP/MRPP, serão, de igual modo, aqui inseridos e, quem se sentir incomodado, que faça o favor de expor as suas razões.
7. Em suma: pretendo que este espaço seja um forum aberto a largas cavaqueiras. Cá vos espero.
Nau
domingo, 13 de novembro de 2011
CECIM - porque não?
1. Cooperativismo monárquico, trocado por miúdos, significa um associativismo de cariz cooperativo de inspiração realista.
2. Para os mais variados fins, existem muitos tipos de associações de pessoas ( sociedades, facções políticas, seitas religiosas, comunidades, etc.) todas com características próprias, salientando-se as do cooperativismo pela sua democraticidade e transversalidades sociais.
3. A função pedagógica das cooperativas é relevante visto que, graças ao seu espírito associativo, os seus membros exercitam-se nas tomadas de decisão por consensos alargados e na orientação pragmática das suas actividades.
4. Na articulação natural com outras unidades similares - mantendo a sua independência matriz - a cooperativa transforma-se numa frente para combater quer o capitalismo dos possidentes (mercados desregulados), quer o capitalismo do Estado (mercados burocratizados).
5. O cariz democrático do cooperativismo é reforçado pela opção realista na dupla acepção pragmática e campeadora da figura do rei, por esta obviar lutas partidárias no topo da comunidade, concentrando as mesmas em forum próprio, isto é, na Casa da Democracia.
6. Nesta, encontram-se reunidos os delegados eleitos por sufrágio universal realizado em cada legislatura, sendo ainda possível o alargamento daquele órgão, em sessões aleatórias, com a inclusão dos bastonários das Ordens dos Médicos, Engenheiros, Advogados, etc., bem como de outras profissões e actividades culturais - as genuinas Cortes dos nossos dias.
7. Há cerca de quatro anos, para dinamizar um eventual diálogo a respeito desta matéria procurou-se estabelecer um Centro de Estudos Cooperativos de Inspiração Monárquica, tout court, CECIM, mantendo-se o questionar no presente - e porque não?
Nau
2. Para os mais variados fins, existem muitos tipos de associações de pessoas ( sociedades, facções políticas, seitas religiosas, comunidades, etc.) todas com características próprias, salientando-se as do cooperativismo pela sua democraticidade e transversalidades sociais.
3. A função pedagógica das cooperativas é relevante visto que, graças ao seu espírito associativo, os seus membros exercitam-se nas tomadas de decisão por consensos alargados e na orientação pragmática das suas actividades.
4. Na articulação natural com outras unidades similares - mantendo a sua independência matriz - a cooperativa transforma-se numa frente para combater quer o capitalismo dos possidentes (mercados desregulados), quer o capitalismo do Estado (mercados burocratizados).
5. O cariz democrático do cooperativismo é reforçado pela opção realista na dupla acepção pragmática e campeadora da figura do rei, por esta obviar lutas partidárias no topo da comunidade, concentrando as mesmas em forum próprio, isto é, na Casa da Democracia.
6. Nesta, encontram-se reunidos os delegados eleitos por sufrágio universal realizado em cada legislatura, sendo ainda possível o alargamento daquele órgão, em sessões aleatórias, com a inclusão dos bastonários das Ordens dos Médicos, Engenheiros, Advogados, etc., bem como de outras profissões e actividades culturais - as genuinas Cortes dos nossos dias.
7. Há cerca de quatro anos, para dinamizar um eventual diálogo a respeito desta matéria procurou-se estabelecer um Centro de Estudos Cooperativos de Inspiração Monárquica, tout court, CECIM, mantendo-se o questionar no presente - e porque não?
Nau
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