sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Nº. 48 - Cooperativismo

1. Terminei o meu último apontamento afirmando que o cooperativismo é a via pragmática para a formação do contra-poder. Afinal o que é o contra-poder?

2. Segundo Bertrand Russel, "o conceito fundamental na ciência social é o Poder, no mesmo sentido em que a Energia é o conceito fundamental na Física". Logo, há enésimas formas de Poder: o poder real, o poder sacerdotal, o poder económico, o poder das massas ignaras, etc..

3. O poder coercivo do Estado, o poder do conquistador militar, o poder do criminoso sobre a vítima, etc., são da mesma natureza e mais ou menos violentos, segundo a óptica do perpretador/executor e do sujeito passível da acção em causa.

4. Nas questões de subsistência, o homem cedo teve que exercer um certo poder sobre a própria natureza, a fim de se apropriar dos frutos desta ou diligenciar para a produção dos mesmos, depois de ter ganho conhecimento das técnicas para esse efeito - o conhecimento é uma outra forma de Poder.

5. Ao fim e ao cabo, o Poder poderá ser uma necessidade, um capricho, mera urgência fisiológica ou pura satisfação pessoal, qualquer deles originados por factores circunstanciais.

6. Para encurtar razões, proponho que nos limitemos ao poder económico pois é este que afecta, em maior grau, o bem-estar da comunidade e que, por norma, se encontra nas mãos de reduzidíssimo número de pessoas, i.e., nas mãos dos Possidentes.

7. Sem dúvida que o Poder Económico é avassalador - abate vontades, alimenta práticas viciosas, decide o bem-estar ou a fome das comunidades, origina guerras, etc., logo, para dirimir os seus efeitos perniciosos, as comunidades cooperativas são o contra-poder adequado.

Nau

NOTA: apontamento editado no 'realistas.org' em 9/X/2011.

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