domingo, 25 de dezembro de 2011

Nº. 42 - Conto de Natal

a João Pestana Teixiera

1. É tempo de se presenteaer as criancinhas, contribuindo eu com uma historieta do tempo em que os outros animais falavam.

2. A seca era grande lá na selva e a água escasseava a olhos vistos pelo que os outros animais pediram ao Rei-Leão para convocar uma assembleia magna, a fim de serem estudadas as causas, bem como as eventuais soluções, para fazer face a tão viciosa crise.

3. Apareceram animais de todo mundo, num arremedo de Cimeira da Nato, não faltando os burros de Portugal pois, nestas coisas de botar discurso, ninguém os cala e até pagam para o efeito.

4. A impaciência da pequenada já é grande pelo que abreviarei o relato das intervenções citando apenas as passagens das propostas mais relevantes.

5. A macacada do costume, há muito habituada a sítios privilegiados, sugeriu a proibição do acesso ao aquífero local a todos os outros animais; o mocho alertou, sabiamente, para o facto de pouca água passar pelos bicos das aves, embora estas sejam as mais numerosas em população, pelo que os animais de boca grande deveriam ser eliminados; imediatamente os elefantes, e à laia de compensação, declararam abdicar dos banhos de lama tidos para o tratamento das suas delicadas peles.

6. Após muitas discussões, optou-se pelo que parecia ser mais óbvio, todos os animais de boca grande seriam eliminados, o que deu origem ao comentário de um avantajado hipopótamo que, afunilando a bocarra em geito de beicinho plangoroso, gemeu sofridamente: "coitadinhos dos crocodilozinhos que vão morrer", tudo isto dito com as profusas lágrimas de... crocodilo.

7. Moral da história: há sempre esquemas selectivos para os animais privilegiados se safarem! Porém, se ainda os outros animais falassem como os mais, o que faríamos com os oradores da Assembleia da República?

Nau

NOTA: apontamento editado no 'realistas.org', em 17/XII/2011.

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