1. Com certa incredibilidade, ouvimos o comentário de que o regimen desposto na primeira década do século passado não tinha o apoio dos monárquicos.
2. De facto, não temos qualquer dúvida que o aparente radicalismo dos coriféus de então era apenas romanesco, tomando o artífice (sapateiro, funileiro, alfaiate...), bem como estivadores e outros que tais - arrancados do mundo rural, então predominante - como operários de Liverpool ou do Havre, no meio de uma burguesia sustentada por um comércio remeloso e por funcionários vinculados à administração pública.
3. Os ditos revolucionários - manipulados por uma maçonaria impante que, entretanto, já resfolegava nas cadeiras do poder - instigavam os seus peões de brega que, nas ruas, faziam as várias sortes - latrocínios, espancamentos, assassinatos, etc. - tudo a título de uma liberdade que já era conhecida em Portugal desde a Revolução de 1820.
4. Sem dúvida que o ultramontanismo tinha larga audiência na sociedade portuguesa de então; sem dúvida por resquícios dos excessos cometidos nos anos 30. Por outro lado, o peso operário era pouco relevante, e o comentimento geral soava revanchista e anárquico, como mais tarde o encontrou Álvaro Cunhal, apelidando-o de anarco-carneiradas inconsequentes, i.e., explosões de maus humores sem objectivos definidos ou estruturados.
5. Uma monarquia sem monárquicos considero natural porquanto não era o regimen que devia ser posto em causa, mas sim as adiadas medidas governativas que urgia serem aplicadas para debelar a crise económica-financeira que então se verificava, tal como nos nossos dias.
6. A propaganda republicana do bacalhau a pataco, em vez de pertinentes soluções pragmáticas, atiçava os mais vis sentimentos de uns contra outros na sociedade portugues de então, dado que é mais fácil destruir do que criar um projecto realmente inovador que pudesse corresponder aos legítimos desejos de bem-estar da comunidade.
7. O preconceito republicano na sociedade portuguesa perdura. Os monárquicos revêm-se melhor nas lides do Facebook do que no esforço para compreender a doutrina cooperativista aventada neste espaço.
Nau
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