quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Nº. 1105 - Prelo Real


1. A instituição monárquica, consubstanciada num soberano vitalício e hereditário, foi a Lei Fundamental do rectângulo à beira Atlântico plantado, rosto da grande Península Ibérica e terra de muitas e desvairadas gentes.

2. Nada de racional tem a moda, simples fantasia acerca do aspecto do vestuário, da arte, dos móveis, etc. - e até da política! - que recebem, durante algum tempo, a aprovação social, com maiores ou menores exageros, segundo a prática nas diferentes regiões do globo.

3. Portugal, graças à intuição e dinamismo do Infante de Sagres, cedo se voltou para o mar, visto que o envolvimento nas tricas peninsulares eram desgastantes e a disponibilidade de braços para as rotas marítimas esperançosamente profíquas, além de permitirem um equilíbrio demográfico mais estável.

4. Os proventos mercantis resultantes dos empreendimentos marítimos em nada favoreceram o sector industrial, continuando a maioria da população agarrada a uma agricultura de subsistência, tradicionalmente ligada à força braçal, o que justifica a ruralidade do país, com um breve surto industrial nos finais do século XIX.

5. Claro que o "fontismo" foi um arremedo industrial do "que se fazia lá fora" e serviu para aumentar o endividamento externo, bem como satisfazer o basbaque de uma burguesia pachorrenta, cujo filhos (bacharéis, macaqueando os franceses) se lançaram numa imitação grosseira de doutrinas revolucionárias que, pela rama, conheciam.

6. Sem dúvida que os exaltados radicais, alguns - a semelhança de Antero de Quental - estavam honestamente interessados em levar a cabo uma reforma da mentalidade ultramontana daquele tempo.
Porém, os mais afrancesados sonhavam com "tomadas da Bastilha" e organizações secretas para "enforcar o último padre com as tripas do derradeiro frade".

7. Na pele sofremos os desaires da 1ª República, o revanchismo da salazarquia, o caciquismo e corrupção do regime vigente, pelo que já é tempo de, pelas nossas próprias mãos, enfrentar plutocráticos burgueses e videirinhos ronhentos, certos de que Monarquia significa governo de um só, isto é, governo do Povo; logo, a prática cooperativista enrobustecerá o comunalismo que, já advogado por Alexandre Herculano, urge arraigar.

Nau

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