sábado, 8 de novembro de 2014

Nº. 1087 - Psyche


1. Os tempos que decorrem são de cariz pós-industrial, em que as formas de poder, as lutas e o ambiente cultural conduzem a um mero consumismo.

2. O proletariado mantém-se apenas como figura retórica e as contestações políticas verificam-se pela insatisfação popular e falta de respostas dos quadros que, a passagem da sociedade pós-agrícola à sociedade pós-industrial compreendem, mas nada sabem acerca do presente.

3. Apenas os responsáveis pelas grandes negociatas económicas, os plutocratas, continuam enredados na produção e comércio de novos produtos, impondo as regras inflexíveis do capital que consistem na geração e acumulação de lucros para as multinacionais que sustentam minorias, limitando-se estas a desfrutar do trabalho alheio.

4. Os problemas de hoje são estudados em termos de sistemas, tanto no que respeita à demografia, à produção/consumo, aos recursos naturais e à poluição, alegadamente caminhando para uma economia ao serviço da sociedade, embora esta continue enfeudada a minorias e seus inexpugnáveis redutos.

5. Quanto mais se fala em Democracia mais esta se esvai nos chamados Estados fortes que planificam com o recurso de estatísticas, suportadas, quer através do voto irresponsável do maralhal, quer do voto estruturado na pirâmide em que os votantes da base, por questões de boa saúde, se encontram em consonância com o vértice.

6. Dado que a droga e os equipamentos militares proporcionam vastos lucros, as disputas religiosas, os nacionalismos extemporâneos, as hegemonias regionais e a insegurança nas ruas da aldeia, da vila, da cidade, etc., aumentarão e cedo se apelará para a protecção dos senhores da guerra, estritamente pela via democrática.

7. O homem, com a sua complexidade - tanto física como espiritual - ruma deliberadamente para o admirável mundo novo.

Nau

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