sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Nº. 1100 - Carta aberta a Sérgio Sodré, VI


1. Vislumbro uma certa impaciência da sua parte ao deparar-se com novos parágrafos desta tão longa carta.

2. O interesse manifestado pela genealogia não é crime - mera curiosidade; apetência inquisitória - mas levar com os fundamentos monárquicos e a doutrina cooperativista é pesada pena expiatória.

3. Porém, o que motiva o interesse pela genealogia é diferente da paixão pela numismática, ambos com o traço comum da história, mas justificações subliminares diferentes.

4. Os homens notáveis, ao longo dos tempos, vão sofrendo um normal processo de santificação, muito semelhante àquele atribuído a defuntos de recente data: no fundo, não era má pessoa.

5. A história é mera interpretação do presente, pelo que a referência a homens ilustres do passado vai no sentido destes, caso ressuscitassem, terem receitas e soluções adequadas aos nossos problemas.

6. Caro Sérgio Sodré, os problemas com que nos confrontamos apenas por nós poderão ser resolvidos; logo, aristocratas, super-homens, extraterrestres, deuses do Olimpo, tecnocratas, etc., são meros frutos da nossa irresolução.

7. Faltam-me qualidades de pitonisa, mas vislumbro, perante a passividade da maioria, tempos muito cruéis em que, em vez de se apelar pelo regresso do Rei, se tecem loas a ditadores de pacotilha.

Nau

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