segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Nº. 412 - Era uma vez, VI
1. No tempo em que todos os animais falavam, o mundo era mais pacífico, pois sempre que alguém botava palavra a maioria, cordatamente, se dispunha escutar.
2. Se uma dúvida ocorresse aos dialogantes de então quanto às palavras proferidas pelo falante, explicações eram solicitadas e, de imediato, o assunto se esclarecia - na hora, in loco.
3. O linguajar corrente era o portugalês que entretanto minguou - teve a síncope do 'lê' (que muitos afrancesados pronunciam 'éle') - passando a ser utilizado por uma minoria.
4. Essa minoria, quando fala, faz-se desentendida acerca daquilo que ouve, mais preocupada em pôr-se nas suas tamanquinhas apenas para dar nas vistas, completamente absorvida consigo própria.
5. Uns dizem-se monárquicos e advogam a eleição periódica do rei; outros, nitidamente adeptos de chefes de Estado a prazo, pretendem candidatos apenas do partido da sua afeição.
6. Há ainda aqueles que compram coroas em saldo e mesmo assim arranjam apaniguados que, por falta de raciocíno coerente, se limitam a insultar o herdeiro da Coroa portuguesa em bacoradas de três em pipa de aguardente.
7. Claro que tais cavalheiros sofrem um trauma compreensível. Os putativos pais disseram-lhes: "não me herdas!" e os coitados lá andam por aí fazendo fretes a italianos, bem como insistindo nas reviravoltas do corridinho algarvio.
Nau
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