quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Nº. 408 - Celibato Sacerdotal, II


1. O poder do feiticeiro tribal, dos sacerdotes dos templos faraónicos, dos membros das congregações religiosas - incluindo os da antiga União Soviética e da Coreia do Norte dos nossos dias - é impressionante.

2. A força da religião vem do culto do irracional que oferece a compensação no Além das frustrações do presente; o bem-estar na eternidade que o ser humano, por mais voltas que o Mundo dê, se agarra, como a uma tábua de salvação no alto mar.

3. Esgotadas as hipóteses de sucesso, de bons resultados nas empresas a que alguém se dedicou - incluindo a luta contra uma doença dificilmente debelável - resta a fé em qualquer força superior que possa resolver, in extremis, os problemas decorrentes. Deus ex-machina.

4. Logo, sendo o poder um polo de atracção, será natural que os candidatos a entrar naquela esfera procurem os acessos mais viáveis: na antiguidade (Idade Média) os centros do saber, isto é, as congregações religiosas; no presente, os partidos do arco governamental.

5. Ainda no início do século XIX, as grandes famílias procuravam meter no seio da Igreja os seus varões e, dado que o comportamento de alguns não era o mais respeitável - tanto no coração de Roma, como em Portugal - os Santos Padres já haviam tomado medidas muito severas, acautelando os seus materiais interesses.

6. O celibato sacerdotal era o tranca-portas padrão - até Jesus era suposto ser casto e nunca ter casado! - assim permitindo que o varão das grandes famílias, como herdeiro natural das mesmas, legasse os seus bens à congregação que o recebera de braços abertos.

7. De uma só cajadada, os Santos Padres abriam os tribunais eclisiásticos aos prevaricadores indesejáveis, mantendo um fluxo material para os cofres do Vaticano.

Nau

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