terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Nº. 399 - Era uma vez, V


1. A história pátria, à semelhança dos políticos dos nossos dias, teve bons reis, outros menos bons e alguns maus.

2. D. João II foi um bom rei, mas criou tantos inimigos ao seu redor que acabou por ser literalmente envenenado pela mulher que assim o dissuadiu, ab-ausência, da nomeação do filho bastardo como presuntivo herdeiro.

3. Por outro lado, D. Afonso VI foi um mau rei, mas teve um primeiro-ministro à altura - o Conde de Castelo-Melhor - que sucumbiu às intrigas cortesãs empenhadas em colocar no trono o irmão do rei, alegando que o soberano era deficiente físico e mental.

4. Bem se esforçou o então primeiro-ministro em meter nos aposentos reais damas galantes que entravam e saíam com as bolsinhas cheias de moedas sonantes, mas no intervalo nada, pois o soberano entusiasmava-se mais com o trato íntimo de mancebos.

5. D. Pedro V também foi um rei muito popular, embora o seu reinado tenha sido acometido por querelas político-coloniais com a Inglaterra e a França, além de certa instabilidade política protagonizada pelo Duque de Saldanha, diversas vezes ministro, chefe do governo, oposicionista, golpista e diplomata.

6. O neto do Marquês de Pombal, João Carlos de Saldanha de Oliveira e Daun, Duque de Saldanha, apenas como estátua numa praça de Lisboa assumiu a posição correcta na política, voltando as costas à República para apontar para a Liberdade.

7. O bom e o mau antagónicos fazem parte da vida - são uma inevitabilidade. Apenas a cooperação, isto é, o acto de cooperar - concorrência de auxílio, de meios, de esforços, para o bem-estar comum - manifesta a vontade consciente dos deveres e direitos do cidadão.

Nau

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