quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Nº. 393 - O Congresso
1. Já num dos primeiros congressos organizados por Gonçalo Ribeiro Telles, Rolão Preto, Henrique Barrilaro Ruas, Camossa Saldanha, João Pestana Teixeira e outros, em Ribamar (?), se verificou o pendor desestruturante dos monárquicos.
2. As ditas tendências - mais anarquizantes do que determinadas em manter entre si uma relação de dependência e solidariedade - são a prova cabal da incapacidade dos monárquicos agirem numa linha de pensamento esclarecido, tendo por objectivo uma ordem social e política coerente.
3. A febre do protagonismo que, atabalhoadamente, obriga a deitar a mão a tudo para manter na ribalta os presumíveis monárquicos, explora conceitos fideístas, ultramontanistas e marialvistas, sem aprofundar os mesmos, nem tão pouco entendê-los e/ou reformá-los, tornando-os matéria para confronto com os anti-monárquicos.
4. Com leviandade ou antes imaturidade, defendem cruzadas os angélicos talassas contra os infiéis, os estrangeiros, os altos, os baixos, em suma, contra tudo que não faça parte do seu limitado horizonte de mero folclore.
5. Outros afirmam-se democráticos embora dessa doutrina apenas tenham um conceito meramente burguês, presumidamente serem eles a minoria esclarecida (obviamente possidentária) que conduzirá o povo ignaro ao bem-estar por todos almejados e, como bons "democratas", reservando para si as mais confortáveis cadeiras do Poder.
6. Bom é ter presente que, além do pioneirismo cooperativista encabeçado por António Sérgio, ainda existem os liberais de "menos Estado" mas sacrossanta propriedade privada; bem como os socialistas defensores da propriedade colectiva dos meios de produção, da supressão das classes sociais e de uma distribuição mais igualitária das riquezas.
7. Todos eles monárquicos - por defenderem a figura do rei como garante da democracia devido à sua génese apartidária - de certo que exigirão que as suas doutrinas díspares sejam contempladas no resumo dos trabalhos do eventual congresso pelo que este, se fosse tido como matéria para acção conjunta, seria apenas bloqueante e confrangedor.
Nau
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