sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Nº. 388 - Monarquia e Cooperativismo
1. Dos muitos que se dizem monárquicos, poucos há os que se deram ao trabalho de analisar os fundamentos da optada doutrina.
2. Uns dizem ser apenas um sentimento transcendental; outros estão convictos de se tratar de uma mera interpretação da história pátria - ambas as explicações representam um pequeno passo e nada mais.
3. A disposição afectiva em relação à instituição em causa será reminiscência do âmbito familiar ou emoções transmitidas por terceiros, isto é, mera simpatia - fenómeno que, em lato senso, esbate a realidade.
4. O conhecimento da história é importante pelos confrontos de ideias possíveis. Porém, é bom ter presente que a raiz grega "histor" designa tanto o que participa na acção, bem como o testemunho de terceiros que as suas próprias experiências introduzem no relato.
5. A propaganda republicana criou imagens simplistas nas suas insidiosas campanhas anti-monárquicas, mais apaixonadas do que reais, mormente baseadas na igualdade - falácia no confronto em juizo entre o possidente e o que nada tem - que dá azo a supor direitos (apenas direitos) em natureza, em capacidade e em qualidade.
6. Contudo, para o cidadão comum, o importante é o consenso, tal como é praticado no movimento cooperativo, o qual procura sempre motivar o concerto e não a rivalidade ou a feroz competição.
7. A figura do Rei - à semelhança dos magistrados, dos graduados das forças armadas, dos meros serventuários - é diferente do cidadão comum, mas garante que nenhum sectário viciará o jogo democrático, tal como acontece com os chefes a prazo, isto é, o Presidente da República.
Nau
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Nº. 387 - Rui A. Paiva Monteiro recomenda
1. Segundo José Barros, "os nossos governandes acharam por bem começar a ocultar a dívida pública...". Não acredito!
2. O mesmo autor dá a entender existirem "arranjinhos" nos corredores do parlamento - o que acho perfeitamente normal.
3. Claro que os deputados são meros delegados pelos seus eleitores a fim de fiscalizarem os actos do governo. Ora, se o governo oculta, os ditos delegados nada têm para fiscalizar!.
4. De facto, a perda de rentabilidade num negócio deverá ser sempre compensada pelo Estado, caso contrário ficamos sem empresários!.
5. "Maroscas de contabilidade...", será que José Barros quer dizer que 'o Marocas', isto é, Mário Soares, também anda metido nestas embrulhadas?
6. "A solidariedade na decisão é responsabilidade de todos..." - em certos condomínios é bonito; pena não se verificar em todos os casos.
7. Gostei, Caro José Barros. Um forte abraço a Rui A. Paiva Monteiro.
Nau
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Nº. 386 - Democracia e Cooperativismo
1. Toda autoridade emana do povo e manifesta-se na participação deste na gestão administrativa estatal, pelo que nada justifica o alheamento da maioria quanto aos assuntos da comunidade.
2. Somente o apego excessivo ao bem próprio, sem consideração pelos interesses alheios, faz com que se olvide o entendimento da cidadania, exigindo-se mais Estado para satisfação das suas necessidades e menos obrigações para com o mesmo, isto é, sem contrapartidas.
3. Dos manuais vem a definição elementar de Estado como a comunidade de indivíduos com uma tradição comum politicamente organizada, podendo a origem étnica e o idioma falado ser uma das características, particularmente nas comunidades hodiernas.
4. Vezes sem conta tenho insistido nestas definições comezinhas, mas importantes para o entendimento do comunalismo que vem do passado luso, remoçado pela acutilante defesa de Alexandre Herculano; padrão do movimento associatio que pugna pela reforma política, social e económica da comunidade, isto é, o cooperativismo.
5. A República, regime político justificado pelo chefe de Estado a prazo, apenas se insinua como réplica de múltiplos caudilhos - chefe do partido, chefe do governo, chefe da oposição, etc. - que se catapultam para a ribalta política, pressupondo assumir as responsabilidades da comunidade, conquanto tais responsabilidades somente pertençam ao cidadão comum.
6. O cooperativismo, como movimento associativo por excelência, não reivindica uma atitude chefaturicida ou morbidamente anárquica, defendendo a organização de grupos de cooperadores afins para o atendimento das suas necessidades - económicas, sociais e culturais - no confronto com as forças especuladoras e/ou centralizadoras dos nossos tempos.
7. Logo, o espírito cooperativo assenta basicamente no consenso, tomando a figura régia como garantia de que nenhum chefe sectário ascenderá à posição soberana que apenas ao Rei pertence, como referência para toda a comunidade.
Nau
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Nº. 386 - Rui A. Paiva Monteiro recomenda
1. Amavelmente, Rui A. Paiva Monteiro tem chamado a atenção para alguns apontamentos editados no "Monárquicos Portugueses Unidos" que, na realidade, vale a pena ler.
2. "Tempos sinistros: Algumas notícias colhidas 'ao calhas' no 'Jornal Sol' de 16 de Novembro":'Paulo Macedo vai nos próximos dias iniciar processo de negociação com o consórcio que irá construir em PPP o novo hospital de Lisboa".
3. Dentro em breve haverá em Portugal dois movimentos distintos: um para acabar com as PPP e outro para fomentar novas PPP, destarte permitindo o negócio e bom emprego aos camaradas do costume.
4. "O deputado do Partido Socialista (PS) Eduardo Cabrita afirmou hoje que as mudanças no IRS inscritas no orçamento demonstram que o CDS-PP 'é um partido inútil', que só consegue uma redução de 0,5% pontos percentuais da sobretaxa"
5. Não nos move qualquer tipo de simpatia ou antipatia quer pelo PS, quer pelo CDS-PP, mas ocorre-me perguntar a Eduardo Cabrita: qual foi a redução percentual obtida pelo PS?. Teremos um ou dois partidos inúteis?. Claro que há muitos mais!.
6. "É bem provável que a redução no investimento por parte dos privados durante o próximo ano assim como outras componentes da despesa agregada anexadas à flutuação das taxas de juro - consequência directa da dívida pública se situar na casa dos 120% - conduzam ao tsunami que advém do 'credit crunch' - o 'crowding out'.
7. como é possível haver gente tão pessimista! Claro que a situação será muito pior.
Nau
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Nº. 385 - Democracia
1. No penúltimo apontamento afirmei que o chefe de Estado a prazo apenas representa os cidadãos que nele votaram.
2. Com a máxima cortesia e estranheza autêntica, alguém perguntou se um governo de maioria socialista - logo eleito por apaniguados e simpatizantes - era suposto governar apenas para os seus partidários.
3. Claro que não. A legitimidade adquirida no sufrágio que resultou um voto maioritário no partido socialista
apenas indicia que este tem o consenso da população para implementar medidas socialistas e/ou socializantes.
4. A legitimidade política do dirigente tem por fundamento o consenso dos dirigidos, apoiada na tradição, na força carismática do chefe ou na ordem pública, isto é, situação de normalidade num Estado, sem conflitos ou distúrbios que perturbem a convivência entre os mais.
5. Insistia o nosso pouco convencido interpelador que também os magistrados são promovidos em função de carreira ou nomeação de alguém de direito para exercer uma magistradura global, isto é, contemplando a comunidade sem particularizações.
6. Certamente que as funções meramente administrativas se fazem por carreira ou por nomeação de superiores de consenso indiscutível, não carecendo de sufrágios para o efeito, enquanto que os sistemas governativos, isto é, os programas de governo devem ser referendados.
7. Em qualquer dos casos, a figura do Rei é ímpar pois reina mas não governa; todos representa, porquanto está inibido de assumir qualquer posição partidária, ao contrário do governante que procura executar o seu sufragado programa.
Nau
domingo, 25 de novembro de 2012
Nº. 384 - Luta Popular
1. Uma importante carta foi enviada por Garcia Pereira ao director nacional da PSP acerca dos acontecimentos ocorridos no passado dia 14 junto ao parlamento.
2. Naquele documento, com data de 23 do corrente, Garcia Pereira apresenta uma série de interrogações ao referido director às quais são aguardadas respostas claras, com a brevidade que o melindroso assunto impõe.
3. Sem dúvida que a actuação dos elementos do Corpo de Intervenção da polícia é condenável dado que permite que pseudos manifestantes lhes atirem pedras da calçada a esmo, sem tomar as medidas adequadas, reagindo, tarde de mais, com cargas desmedidas e prolongadas a zonas da cidade bem longe do dito parlamento.
4. A actuação de díscolos neste tipo de manifestações deixa sempre uma dúvida acerca dos dois campos em confronto - serão meros energúmenos ou elementos da força de segurança à paisana que executam o papel de "agents provocateurs"?.
5. Por outro lado, as detenções irregularmente efectuadas - com os detidos forçados a despir-se para inquéritos pidescos, estupidamente morosos e incoerentes - assemelham-se àqueles efectuados no
Terceiro Mundo.
6. O impedimento da assistência de advogados aos cidadãos caprichosamente detidos é falta grave pelo deverá dar lugar a inquéritos rigorosos e punição dos infractores, bem como à imediata suspensão de funções do respectivo director nacional da PSP.
7. Todos os cidadãos deverão estar atentos a tão graves atentados aos seus direitos. Entretanto, bom é manter estreito contacto com o 'Luta Popular On-Line"
Nau
sábado, 24 de novembro de 2012
Nº. 383 - Democracia
1. Todo o mundo está familiarizado com a democracia - aliás, sói dizer-se, Tia Democracia - mas poucos a entendem ou agem de acordo com os princípios que a fundamentam.
2. Democracia é o sistema político que assenta no princípio de que toda a autoridade emana da comunidade e se materializa na participação dos cidadãos desta na administração do Estado.
3. Sem dúvida que a Tia Democracia é a expressão da pluralidade social, devendo garantir as liberdades de associação, reunião e todo o acto de exprirmir, por meio de gestos ou palavras, escritas ou faladas.
4. Quer a democracia directa - os cidadãos são pontualmente auscultados acerca dos assuntos do Estado - quer a democracia indirecta - delegados eleitos pelos cidadãos actuam em nome destes - apresentam facetas sui generis.
5. Recentemente, um chefe de Estado eleito num país do norte de África afirmou ter sido escolhido por Deus para aquele cargo, pelo que suspendia a Constituição do país na defesa dos direitos dos cidadãos!.
6. Como é sabido, o chefe de Estado a prazo apenas representa os cidadãos que nele votaram e somente a figura do Rei, como herdeiro da Coroa que a comunidade das comunidade cobre em qualquer parte do mundo, é o soberano por excelência.
7. Democratas são os políticos da teocrática República do Irão, os dirigentes da República Popular da Coreia do Norte, o demagogo e republicano Chaves da Venezuela, Mohamed Mosri do Egipto, assumido Presidente da República por graça divina.
Nau
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Nº. 382 - Mea Culpa
1. Dizer que a culpa morreu solteira é um erro crasso porquanto, à semelhança da Tia Miséria - protagonista de um interessante conto tradicional editado no 'Movimento de Unidade Monárquica' - a Tia Culpa está viva e recomenda-se.
2. Também no espaço internautico do referido 'Movimento de Unidade Monárquica', acabei de ler um apontamento de Abel Guedes Ferreira no qual este lamenta a inércia que tolhe uma racional actividade instaurativa, atribuindo a culpa a timoneiros de qualidade duvidosa.
3. Sempre assim foi. A defunta Causa Monárquica, no seu tempo, era conhecida pela 'causa sem efeito', sendo as culpas então atribuidas ao 'botas' que se limitava a fazer tagatés a certas aves galiformes da família das Fasianídeas que continuam, plumejadamente, a marcar presença nas missas e jantaradas.
4. Atribuir culpas a Dom Duarte Pio por intervenções circunstanciais é pouco razoável, até porque, como é evidente, existe um bloqueio nos órgãos de comunicação social que apenas com muito esforço e alguma simpatia é ultrapassado, justificando-se o silêncio pela figura em questão não ser notícia, i.e, matéria-prima para o jornalista - sensacionalismo, grande impacto social, recorte futebolístico e outras coisas mais.
5.Por outro lado, é bom ter presente que Dom Duarte Pio não é pretendente ao trono de Portugal, mas sim o herdeiro da Coroa portuguesa e não tem culpa de que videirinhos, de pouca inteligência monárquica, se pavoneiem por aí, rivalizando com muitos napoleões, salvadores de pátrias, gurus profissionais, etc., que apenas carecem de tratamento adequado.
6. Se a instituição republicana parece uma inevitabilidade, não há dúvida nenhuma, pelo menos enquanto os monárquicos não se assumirem verticalmente como tal, expondo, com a máxima clareza, as razões das suas opções políticas, à semelhança do que temos vindo a fazer aqui no CECIM - sem vedetismos e sem toleimas.
7. Usar o emblema com a bandeira azul e branca é de bom gosto e gerador de comentários e/ou pedidos de esclarecimento. Tentem e depois digam quais foram as desculpas dos irmãos republicanos.
Nau
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Nº. 381 - A Crise e as Estratégias
1. Para fazer face à grave crise que a população lusa (nestes deploráveis dias) enfrenta, decidimos auscultar a opinião de várias pessoas e as sugestões por estas apresentadas - umas mais irrealistas do que outras - passamos a relatar.
2. Sendo as baixas temperaturas responsáveis pelo aumento dos resfriados e decréscimo da produtividade nas empresas, deveria ser estabelecido na Constituição da III República que o estado de frio inferior a 10 ou calor acima de 26 graus centígrados seriam proíbidos.
3. Assim, todas as vezes que a temperatura ambiente não respeitasse os parâmetros acima indicados tal poderia ser considerado como um caso de lesa Constituição tendo o cidadão comum o direito de apelar para o Tribunal Constitucional a fim de que este pudesse confirmar a inconstitucionalidade da situação.
4. Dado que em tempo chuvoso se verifica o frequente uso de guarda-chuvas, não resta qualquer dúvida que estes, à semelhança dos pára-raios, atraiem e são responsáveis pelo aumento da pluviosidade, pelo que a venda de tais artigos, em todo o território nacional, deveria ser proibida.
5. Na busca de soluções práticas para debelar a estafada crise que a todos afecta (?), decidimos escutar vários indivíduos e instituições idóneas - partidos políticos excluidos por estes fazerem parte da crise - tendo num grupo de jovens radicais o mais desportivo confessado querer ser jogador de futebol.
6. Quando instado a justificar tal opção este explicou ter o sonho de se tornar um verdadeiro ídolo daquele desporto para, numa jogada feliz, ultrapassar médios, avançados e, em frente da baliza adversária, já com o guarda-redes no chão, desviar a bola para fora desta a fim de ter o estádio de pé a gritar: vai levar no olho!
7. Tal opção profissional parece ser absurda - nada temos contra tal desporto - mas a hipótese do jogador levar (bolada ou murro) no olho de certo que poderá afectar (por exemplo) a condução de viaturas, pondo em risco a segurança de meros peões.
Nau
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Nº 380 - Luta Popular
1. "O FMI tenta fazer passar a ideia de que 'a crise portuguesa é devida ao legado da falência de políticas face à mudança rápida de ambiente', isto é, que os sucessivos governos PS e PSD, por vezes acolitados pelo CDS, não souberam aproveitar as oportunidades geradas pela 'união monetária e pela globalização', escamoteando [a realidade]."
2. "Antes pelo contrário, o que nos fez chegar à situação actul foi a miserável traição que esses sucessivos governos [o centrão] praticaram para com o povo português e para com a nossa soberania nacional que levaram à sistemática destruição do nossos tecido produtivo e à enorme dependência da nossa economia face ao exterior - importamos hoje mais de 80% daquilo que necessitamos para gerar economia, a que leva a ciclos cada vez maiores e mais profundos de endividamento".
3. "Foram muito importantes os temas abordados por Garcia Pereira no 'Em Foco' (canal ETV): o aumento da jornada de trabalho na função pública sem a retribuição correspondesnte e a inevitável e única onsequência do agravamento do desemprego e do objectivo último da privatização de serviços públicos essenciais; a denúncia violenta da tentativa do governo de, sob a capa da discussão da reforma do Estado, levar a cabo a entrega aos capitalistas privados de sectores como a saúde, a educação e a segurança social" - ver outras coisas mais no respectivo video do 'Luta Popular'.
4. "Poupar é um acto voluntário. Decorre, normalmente, do facto de um indivídu, casal ou pessoa colectiva, considerar que, existindo um sobrexcedente de rendimentos, deve acautelar o seu futuro e aforrar essa verba que não é vital para a sua sobrevivência e reprodução. Na presente conjuntura, em que todos os dias os trabalhadores são vilmente assaltados e despojados de uma grande fatia dos rendimentos que auferem do seu trabalho para serem sacrificados no altar de uma dívida que não contraíram e da qual não retiraram qualquer benefício, claro está que não há lugar para qualquer poupana".
5. "Os primeiros números de adesão à greve geral [14 de Novembro] apontam para uma forte participação da classe operária e dos trabalhadores nesta jornada de luta, já superior à última greve geral"
6. "Cavaco não demite o governo de traição [Coelho, com Seguro entre Portas], apesar essa ser uma exigência clara do movimento democrático e patriótico uma vez mais expressa durante a greve geral de 14 de Novembro, uma das maiores greves que há memória na história da luta sindical depois do 25 de Abril de 1974. Cavaco Silva: um presidente fora de prazo!".
7. Se não está de acordo com estes excertos, avance e exponha a sua opinião no 'Luta Popular On-line'.
Nau
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Nº. 379 - GREVE
1. Hoje é dia de GREVE, isto é, cessação do trabalho enquanto não são atendidas as reclamações apresentadas neste espaço internautico.
2. Será, no entanto, a greve de um dia só e sem o contributo dos mais, pelo que esta não poderá ganhar foros de greve geral.
3. Em todo o caso, será uma manifestação de protesto, de desagrado, sem o suporte de qualquer organização sindical.
4. No século XIX, numa antiga praia fluvial arenosa do Sena - Place de Grève - os trabalhadores das vizinhas unidades industriais faziam as suas reivindicações, tomando estas o nome da citada praça.
5. Como é sabido, a greve geral tem por objetivo paralizar as actividades públicas e privadas, por vários dias consecutivos provocando a queda do governo.
6. Reivindico mais debates, mais lucubrações doutrinárias, mais esclarecimentos acerca das opções políticas assumidas!
7. Quero a queda do governo, da assembleia dos deputados, do presidente da república - JÁ!.
Nau
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Nº. 379 - A Propriedade Privada, II
1. O ser humano possui uma característica muito peculiar, isto é, um forte sentimento de apropriação.
2. A posse - não como mera fruição de qualquer coisa, mas de retenção ou de conservação de algo em seu poder - mantem o perfil de estalão civilizacional.
3. O chefe dos tempos imemoriais tinha o consenso da maioria justamente por garantir incólume a propriedade dos bem-aventurados, espelhando-se no Estado de direito dos nossos dias.
4. Aliás, a razão da existência do celebrado Estado de direito é o facto deste certificar a propriedade ao dono dos bens materiais e, por extensão, de valores intangíveis.
5. Já sem o brilho de antanho, a propriedade vai ganhando novos contornos nos vulgarizados condomínios habitacionais, bem como na limitação temporal de posse, renegociável em prazos fixos.
6. Assim, a posse consensual da via cooperativista permanece como a hipótese mais harmoniosa para a comunidade de todos os tempos, em detrimento quer da propriedade tradicional, quer da propriedade socialista.
7. Bom é não esquecer que o socialismo pugna em defesa da colectividade dos meios de produção, bem como da propriedade em geral.
Nau
domingo, 18 de novembro de 2012
Nº. 378 - A Cooperativa
1. Em recente apontamento, tive a oportunidade de mencionar algums empreendimentos cooperativos em curso.
2. Uma das características das unidades cooperativas é estas funcionarem como plataformas para o lançamento de ideias e projectos em que os cooperadores poderão participar (ou não) para atender as suas necessidades económicas, sociais e culturais.
3. Já o nosso correlegionário António Sérgio definia o cooperativismo como "um movimento de reforma moral e social, feito pelo povo por acção libérrima, sem a mínima dependência dos maiorais do Estado".
4. Como objectivos, o referido doutrinador definia o cooperador como aquele que "pretende abolir o antagonismo de interesses, tornar possíveis as relações amigáveis em todas as circunstâncias do nosso viver comum".
5. Ainda dentro dos propósitos dos associados, António Sérgio sublinhava que a preocupação do cooperante esclarecido seria "assentar a sociedade sobre o auxílio mútuo, [bem como] suprimir as barreiras profissionais e de classe".
6. Segundo o Código Cooperativo vigente, "o capital social da cooperativa é variável, podendo os respectivos estatutos determinar o seu montante inicial", porém, em caso de dissolução, liquidados todos os compromissos fiscais e os assumidos pela cooperativa, o remanescente não será distribuido pelos associados.
7. Paradoxalmente, a cooperativa não é propriedade de ninguém, pelo que tripúdios entre os cooperantes na dissolução da unidade cooperativa jamais terão lugar.
Nau
sábado, 17 de novembro de 2012
Nº. 377 - Lamento, mas...
1. Agora não basta estar inscrito no Facebook - o cadastro é exigido para ter acesso aos diferentes espaços e textos inseridos no mesmo.
2. Embora apenas me deva debruçar acerca daquilo que me é submetido como tema e/ou comentário, algumas escapadelas tenho feito a outros sítios aqui na Internet.
3. A curiosidade é grande e, por vezes, uma folga inesperada permite devaneios por estes vastos espaços, agora coarctados pela imposição de cadastro prévio.
4. Resta solicitar aos observadores para verificarem o interesse (ou não interesse) dos apontamentos editados e, frequentemente se perde a oportunidade de uma eventual participação.
5. Quando, por qualquer bambúrrio de sorte, a admissão nos espaços de acesso limitado é facultada, as desilusões são grandes, pela pobreza dos textos editados.
6. Calma, amigos cooperadores. As escapadelas acima referidas são ocasionais e apenas quando o tempo mo permite. Logo, embora seja uma quebra na disciplina do CECIM, a coisa não é grave.
7. Para comentar casos particulares ou assuntos de lana caprina, não contem comigo.
Nau
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Nº. 376 - O Aniversário
1. O aniversário do "CECIM - Centro de Estudos Cooperativos de Inspiração Monárquica" teve lugar na passada quarta-feira, dia 14, conforme foi largamente anunciado, com pompa e cerimónia adequada.
2. Amavelmente, as organizações sindicais dos trabalhadores - as da UE, lusa incluida - marcaram uma greve geral para essa data e, como é compreensível, não incluiram os parabéns ao aniversariante, para não destoar das palavras de ira que, prodigamente, iam vociferando.
3. Ficámos muito sensibilizados com as manifestações de apreço que, segundo relato do operador de serviço, incluem visitas que vão da Índia ao Novo Mundo, denominadamente os Estados-Unidos, Canadá e Brasil. sendo larga a presença europeia, do Atlântico aos Urais.
4. Quanto aos cépticos declarados acerca do cooperativismo apenas conheço um, o veterano do espaço internautico Paulo Especial, mas este encarna o intrépido espírito de D. Fuas Roupinho, o Lidador do sec. XII, que também lá para os lados dos Algarves andou a fazer das suas, tendo tido o encontro com a morte num combate naval, perto de Gibraltar.
5. Porém, em fresca data, tomei conhecimento de um grupo de professoras terem estabelecido uma cooperativa de ensino para estudantes com dificuldades de aprendizagem, num espaço cedido pela Junta de Freguesia ou Igreja local, actualmente compreendendo como técnico auxiliar um psicólogo, mas outras participações e contributos estão já na liça.
6. Cooperativas de trabalhadores de várias áreas têm sido ensaiadas no Brasil, oferecendo oportunidades de trabalho a arquitectos, engenheiros, bem como a mão de obra não qualificada que, como uma empresa cooperativa, respondem às necessidades de eventuais clientes.
7. Como recurso para férias pessoais ou de clientes fortuitos, alguns amigos adquiriram um terreno agrícola com casa em ruinas, onde, numa base cooperativa, estão a dinamizar uma espécie de turismo rural, sendo os trabalhos de recuperação (pedreiros, electricistas, pintores, etc.) realizados pelos próprios cooperadores.
Nau
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Nº. 375 - A Greve Geral
1. Sem dúvida que a concertação das várias greves nacionais ao nível da UE obteve, parcialmente, os objectivos traçados.
2. A greve geral é suposta parar toda a actividade pública e privada, obrigando o governo em exercício a apresentar o pedido de demissão.
3. Raramente tal acontece mas, sempre que as greves são acompanhadas de actos de violência (Comuna de Paris, 1871), estas dão azo a que os governos adoptem medidas de repressão excepcionais.
4. Fica-se sempre na dúvida se os actos de violência foram ocasionais - estrategicamente implementados pelas autoridades para justificarem a sua permanência no poder - ou por desordeiros profissionais.
5. O caso português deixa muita gente céptica, embora esta tenha aproveitado a greve para distender a sua ira, porquanto a credibilidade das soluções 'extremistas' apresentadas como alternativa são questionáveis.
6. Não cumprir os compromissos significará ficar sem créditos nos mercados externos; renegociar, simultaneamente, o montante em dívida e as taxas dos respectios juros, uma missão duplamente arriscada.
7. Em Portugal, um governo de esquerda sem o PS é praticamente impossível; um governo nacional de iniciativa do Cacaco, tanto ideia como a dita personagem, estão fora de prazo. Assim vamos sobrevivendo. Oxalá o Futebol Clube Cascalheira ganhe o próximo Campeonato Nacional!.
Nau
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Nº. 374 - Um Triste Cenário
1. Vale a pena ler os textos de Filipe Manuel Dias Neto, publicados no "Movimento de Unidade Monárquica", nos dias 7 e 9 do corrente.
2. Se não fosse muito o incómodo, gostaria que as organizações que pomposamente se designam por Causa Real viessem a terreiro justificar a sua existência, e os jovens que se dizem monárquicos explicassem a opção política assumida.
3. Condenável, não é apenas a falta de coordenação política, mas a inexistência de doutrina monárquica de referência, possível se houvessem debates e tomadas de posições públicas racionais, para lá do vedetismo narcisista que muitos aparentam.
4. À direita - umas vezes democrata-cristã, outras vezes popular - refugia-se a rapaziada (já madura) do '31 da Armada' da qual (se não me engano) partiu a iniciativa de hastear a bandeira 'azul e branca' em edifícios públicos.
5. Na extrema direita, permanecem os senectos e ultrapassados 'nacionalistas' que defendem uma pátria mítica - fidalguias que nada valem - satisfazendo-se com missas e declarações monárquicas em privado, com veladas 'Vivas ao Rei !'.
6. À esquerda há os que se afirmam socialistas, mas tais vozes são abafadas pela falta de substância (ou coragem) nas posições públicas assumidas porquanto é mister aduzir razões e avançar com propostas válidas, manifestando sempre a diferença que os separa dos socialistas utópicos e dos burocratizantes.
7. Como somos coerentes - nem das direitas, nem das esquerdas - empunhamos convictamente o escudo do cooperativismo - essencialmente comunalistas, defensores da gestão e da propriedade partilhada - aplanando o caminho para o regresso do Rei.
Nau
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Nº. 373 - A Decadência Europeia
1. A Europa continua muito ufana do seu Estado Social esquecendo que este foi possível devido à emulação com a colapsada União Soviética, bem como à sofisticada tecnologia que, com relevante mérito, desenvolveu.
2. Tentativamente, a Europa granjeou o emprego e salário razoável a largo número de pessoas, possibilitando a estas um bem estar confortável, bem como uma actividade regular disciplinadora, equivalente à Pax Romana.
3. O consumo disparou e o lazer entrou nos hábitos da população, passando esta a desfrutar de um melhor serviço de assistência e saúde, como não há memória na comunidade europeia.
4. Numa dinâmica de crescimento, os salários foram acompanhando a curva ascendente, comprometendo os custos de produção e tornando os respectivos produtos pouco competitivos nos mercados externos.
5. A exportação da tecnologia de ponta e a produção em países com a mão de obra mais barata possibilitou a entrada no mercado europeu de artigos a preços baixos, com margens de lucro confortáveis, que foram permitindo o equilíbrio das contas públicas.
6. A contravapor foi ensaiada a produção industrial com mão de obra altamente sofisticada, dispensando a maioria da força laboral não qualificada que passou a depender de eventuais subsídios e/ou de tarefas ocasionais, de fraco contributo para o PIB.
7. Hoje, tanto o empreendorismo como os projectos inovadores têm uma saída comum - a dinâmica cooperativista.
Nau
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Nº. 372 - O Império Amarelo
1. Na China dos nossos dias está a decorrer uma experiência social muito interessante.
2. Os actuais dirigintes políticos chineses têm presente que o sistema económico liberal permite um crescimento do produto interno bruto mais rápido do que o centralismo largamente adoptado como doutrina oficial.
3. Dado que o objectivo do Partido Comunista é lutar para o bem estar da população chinesa, este não tem qualquer dúvida em criar zonas experimentais, pondo em prática os ditos critérios pouco ortodoxos.
4. O empreendorismo de feição capitalista europeu tem dado azo ao florescimento de grande número de novos ricos aos quais é permitido o alarde do sucesso pessoal dado que, repito, este contribui para o bem estar de toda a comunidade.
5. Não sendo possível pôr em prática, num curto prazo, a dinâmica japonesa das centrais comerciais de exportação (trading companies) para a colocação dos seus produtos, a administração chinesa atempadamente promoveu a emigração de comerciantes individuais que, nas diferentes partes do mundo, têm colocado os seus excedentes comerciais.
6. A China não se encontra imune ao flagelo da corrupção, porém os seus dirigentes preocupam-se em dar o exemplo aos mais, castigando, com mão férrea, os prevaricadores e refrescando o aparelho do partido com novos elementos, estes também determinados no desenvolvimento do Império Amarelo.
7. Claro que, para obviar os problemas do capitalismo especulador e do centralismo burocrático, nós, os cooperativistas, sugerimos a experiência da gestão e propriedade compartilhada que poderá ser um bom lenimento para muitos dos erros atrás referidos.
Nau
domingo, 11 de novembro de 2012
Nº. 371 - Transportes públicos, II
1. Frequentemente entram no autocarro, pela porta de saída, casais com o respectivo filho transportado em carrinhos de rodas sem que os progenitores possuam qualquer título de transporte.
2. Alunos de uma escola básica na Estrada de Benfica, deslocam-se de autocarro ao Centro Comercial Colombo - apenas a duas paragens de distância - a fim de queimarem algum dinheiro na área de lazer, tendo um grupo de rapazes afirmado viverem nas proximidades (Damaia?) mas não terem pilim para a compra do respectivo passe (bilhete de trânsito).
3. Indivíduos de etnia cigana, transportando a pertinente trouxa de artigos para venda na "Feira do Relógio", deslocam-se da Pontinha ao lugar onde mercadejam os seus produtos, sem títulos de transporte e sem licenças camarárias para a sua actividade porquanto, segundo o testemunho de um deles, não ganhariam para sustentar a mulher e a respectiva prole se tivessem que fazer face a tais encargos.
4. Numa carreira de autocarros que liga o bairro da Madre Deus ao Alto de Ajuda, frequentemente se transportam clientes para e do supermercado da droga (Meia-Laranja, freguesia de Santo Condestável), por vezes em condições físicas e/ou de higiéne deploráveis, que chegam a intimidar o próprio motorista, com provocações e/ou ameaças, se este tentar vedar a passagem a tais indivíduos.
5. Um funcionário da transportadora urbana confidenciou que, altas horas da noite, um irrascível cliente, ao ser negada a entrada no veículo por não possuir qualquer título de transporte, muniu-se de uma pedra da calçada e partiu todos os vidros da estrutura da paragem, no meio de estultícios gritos de aplauso dos seus acompanhantes.
6. Claro que tais episódios apenas denotam um grave problema social que não cabe à transportadora resolver, fruto da impunidade que grassa em relação aos prevaricadores, bem como à falta de resposta do decadente aparelho do Estado que protege apaniguados e não o cidadão comum.
7. Logo, não é somente reformas estruturais que urge serem realizadas a curto prazo, mas o reforço do espírito de comunidade.
Nau
P.S.: Ponto de encontro, no Largo do Calvário, segunda-feira, dia 12, pelas 12h15, junto à Videoteca.
sábado, 10 de novembro de 2012
Nº. 370 - Transportes públicos, I
1. Nos transportes colectivos de Lisboa largo número de passageiros não se encontra munido do respectivo de transporte.
2. Decidimos fazer prova de tal asserção numa linha de longo curso, fora das horas de ponta, entrando no início do percurso e escolhendo três lugares estratégicos para melhor observação.
3. Sentado junto da entrada da viatura, um elemento do nosso grupo visiona os dois dispositivos automáticos de controlo dos títulos de transporte.
4. Um segundo elemento posiciona-se na proximidade da saída, enquanto o terceiro observador vigia a saída extrema , procurando dialogar com alguns passageiros.
5. O ritmo de entrada na viatura é, normalmente, apressado mas o título de transporte de alguns só é procurado nos bolsos ou carteiras - pessoas idosas ou viciadas no uso do telefone portátil - junto do posto de controlo, provocando embaraço e passagem forçada dos outros utentes.
6. Passageiros irregulares chegam a forçar as portas de saída quando se apercebem da presença dos fiscais; os energúmenos provocam distúrbios ou posteriormente inutilizam os paineis no exterior, deixando aqueles que aguardam o transporte sem qualquer informação quanto aos tempos de espera.
7. A mobilidade das pessoas idosas está a ser progressivamente reduzida devido à perca de benefícios no custo dos títulos de transporte, enquanto gente válida se exime ao pagamento do mesmo.
Nau
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Nº. 369 - Luta Popular
1. Como é sabido, a visita relâmpago de Angela Merckel a Lisboa terá lugar no próximo dia 12, segunda-feira.
2. Sem dúvida que num acto de cavalheirismo à portuguesa, o PCTP/MRPP convoca filiados e simpatizantes para, naquela data, se deslocarem a Belém a fim de cantar as boas à chanceler alemã.
3. O ponto de encontro (ironias à parte) será no Largo do Calvário, em Lisboa, pelas 13 horas e tem por promotor o movimento cívico "Que se lixe a Troica!", plebeísmo genuinamente português que evita o calão universitário - "que se faque a gaja!".
4. Quem quizer encontrar velhos amigos, companheiros do bom combate, familiares ou simpatizantes deverá procurá-los junto da Videoteca, no referido Largo, de preferência antes das 12h15 daquele dia.
5. O cortejo de boas à chanceler alemã terminará em Belém e durante a marcha cívica poderão ser ensaiadas algumas palavras da ordem: "Passos e Cavaco para a Rua!", "Fora com a Troica!".
6. A ida a Belém no dia 12 poderá ser um bom ensaio para a greve geral da quarta-feira seguinte, além de um bom exercício físico - de pernas e voz - que, sem dúvida, Merckel e Cavaco apreciarão bastante.
7. Entretanto, leia e comente o "Luta Popular Online".
Nau
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Nº. 368 - Rui Paiva Monteiro
1. Hesitei em inserir este apontamento como uma carta aberta a fim de agradecer a Rui Paiva Monteiro a singeleza com que enunciou publicamente o seu percurso de vida - infante, adolescente e homem.
2. O amor pela história pátria foi-lhe instilado com as primeiras letras, fazendo-o vibrar perante os símbolos que se presume serem o cunho, aliás, o espírito da comunidade - realidade imaterial de coesão voltada para o futuro de alvoradas risonhas.
3. O retrato do Rei (D. Manuel II) inadvertidamente apercebido, com expressa dedicatória a um familiar próximo, é a pedra de toque que serviu para apurar a natureza dos seus sentimentos de amor ao passado e a alguém que, com dignidade, o representou.
4. Ao tempo de crescer segue-se o tempo do confronto com a realidade comezinha, este fautor de independência e maior responsabilidade em relação àqueles de quem vimos e perante os mais que nos rodeiam na caminhada comum.
5. O primeiro passo foi de descoberta; o seguinte de meros questionamentos propicionadores do enrobustecimento da consciência social - o conjunto dos deveres e direitos do cidadão em que, deliberada ou inexoravelmente, nos tornamos.
6. Resta a Rui Paiva Monteiro dar o gigantesco passo em relação ao futuro: procurar o concurso de amigos ou meros conhecidos e formar, tentativamente, uma unidade cooperativa para a satisfação das necessidades básicas e/ou culturais do grupo formado para o efeito.
7. Apenas o aumento em número dos cidadãos - criteriosos e responsáveis - possibilitará o regresso do Rei.
Nau
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Nº. 367 - Os dias contados
1. Não há dúvida, o número de apontamentos não corresponde aos dias do calendário pelo simples facto de ter havido ocasionais duplicações na inserção dos mesmos,
2. Por outro lado, justificadas urgências de última hora e demasiadas ajudas na recepção e despacho dos ditos apontamentos faz com que a numeração dos mesmos seja, um tanto ou quanto, atabalhoada.
3. Logo, a data do aniversário do "CECIM - Cooperativismo Monárquico" será na próxima quarta-feira, dia 14, coincidindo com a greve geral que, como é óbvio, não será respeitada neste espaço, embora todos nós daremos uma forcinha para que a mesma tenha o efeito desejado.
4. Na Grécia, em Espanha, na França, etc., muitas manifestações de desagrado popular têm tido agenda própria, com vigor e determinação, porém a coordenação das mesmas não tem sido possível, pelo que os especuladores do costume não se mostram muito preocupados com manifestações a esmo, por mais grandiosas que estas se apresentem.
5. E sempre foi assim. Os interesses dos grandes e dos respectivos serventuários não coincidem com os da maralha; esta continua à espera que um deus ex-machina venha resolver os problemas que apenas à maralha cabe concertar.
6. Claro que o objectivo do cooperativismo monárquico é enfrentar as arremetidas, tanto do liberalismo especulador, como as do centralismo burocratizante, aplanando o caminho para o regresso do Rei.
7. Aos cépticos apenas uma sugestão: tentem formar uma cooperativa que satisfaça as vossas necessidades - emprego, cultura, consumo, etc. - e relatem a vossa experiência.
Nau
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Nº. 366 - Os dias contados
1. Este é o tricentésimo sexagésimo sexto apontamento, embora o início da jornada "CECIM - Cooperativismo Monárquico" neste espaço tenha tido lugar no dia 14 de Novembro do ano transacto.
2. Sem dúvida que há um ano atrás o futuro para os portugueses era menos sombrio do que nos dias de hoje, posto que este seja melhor do que aquele que nos está reservado para amanhã.
3. Terminei o primeiro apontamento sublinhando que o espaço CECIM estava receptivo a largas cavaqueiras e o êxito foi tão grande que, aproximando-se o primeiro ano de actividade, continuo a falar só, perante tímidos visitantes que, entrando mudos e saindo calados, singelamente perfazem os quatro dígitos.
4. Há muito tempo sem Rei, os monárquicos já não sabem o que querem, entretendo-se a guerrear uns e outros sem coragem para questionarem as opções politicamente assumidas - tanto as institucionais, como as de sociabilidade.
5. Para alguns, "a Fé, a Lei e a Ordem" bastam para a sua felicidade, sendo-lhes completamente indiferente que no topo do campeonato esteja o velhinho Cascalheira Futebol Clube ou o párvulo Bloqueimense de Romarigães.
6. Tanto no sistema partidocrático, como no regimen do centralismo popular, o cidadão comum já pouco ou nada participa na gestão da coisa pública, limitando-se a passar ao largo das urnas de votos, adverso a qualquer intervenção pessoal.
7. Resta o cooperativismo para o reforço da prática democrática, pois este poderá ser o antídoto, quer para as oligarquias burguesas, quer para as ditaduras em que os interesses de um grupo de pessoas se identificam com os de toda a comunidade.
Nau
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Nº. 365 - José Fontana
1. Quando se fala de José Fontana, todo o mundo o associa ao Partido Socialista dos finais do séc. XIX do qual foi um dos fundadores.
2. Participou igualmente na organização das Conferências do Casino realizadas em Lisboa, na primavera de 1871, em que participaram Antero de Quental (grande entusiasta do evento), Batalha Reis, Oliveira Martins, Eça de Queiroz e outros intelectuais do mesmo quilate.
3. As Conferências do Casino tiveram um grande impacto no Portugal daquele tempo, dado que os promotores se dispunham estudar todas as ideias e todas as correntes políticas do século, pressupondo uma transformação social, moral e política assaz conveniente.
4. Suisso pelo nascimento, José Fontana radicou-se muito jovem em Portugal e, na linha de um Proudhon, tornou-se defensor das classes trabalhadoras, tendo colaborado na redação dos estatutos da 'Associação Fraternidade Operária', bem como do 'Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas'.
5. O impulso dado ao espírito associativo por José Fontana torna-o um dos corifeus do moderno movimento cooperativo em Portugal, não só pela actividade e empreendorismo desenvolvido - foi sócio-gerente da Livraria Bertrand, em Lisboa - bem como pela vasta colaboração em jornais operários que ajudava a fundar.
6. Detractores acusavam José Fontana de revolucionário utópico, fazendo correr por Lisboa versos aparentemente inocentes: 'Viva o Fontana!/ Morra o trabalho!/ Atirai para longe a bigorna mais o malho./Um bom soninho/ Perna estendida/ É meio caminho para se ganhar a vida".
7. José Fontana, atormentado pela tuberculose, suicidou-se aos 35 anos de idade, mas permanecerá na memória de todos nós como o remoçador do espírito da 'Casa dos Vinte e Quatro'.
Nau
domingo, 4 de novembro de 2012
Nº. 364 - Luta Popular
1. O Estado português poderia ter poupado 800 milhões de euros graças à redução da taxa de juro negociada com a Troika - leia 'lutapopular@pctpmrpp.org'.
2. Os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa continuam na sua luta que, sem dúvida, desembocará na greve geral do próximo dia 14 - leia 'lutapopular@pctpmrpp.org'.
3. Há quem jure de pés juntos que Cavaco nada tem a ver com a presente crise económica e a prova é que este evita falar nela. Leia 'lutapopular@pctpmrpp.org'.
4. Os estivadores portuários também estão em luta. Tenho lido e ouvido vários entendimentos quanto a este conflito, porém, sugiro que leiam 'lutapopular@pctpmrpp.org'.
5. Embora com bastante atrazo, não podemos deixar de referir à justa homenagem promovida pelo PCTP/MRPP a Ribeiro dos Santos, assassinado em 12 de Outubro de 1972 pela polícia fascista da república de então.
6. Igualmente assassinado, mas por uma quadrilha de malfeitores da UDP, Alexandrino de Sousa é mister das nossas homenagens, no trigésimo sétimo ano da sua morte, isto é, já na presente república.
7. Leia e discuta o 'Luta Popular Online'.
Nau
sábado, 3 de novembro de 2012
Nº. 363 - Luta Popular
1. A próxima greve geral está agendada para o dia 14 do corrente.
2. Segundo é prática comum, a greve realiza-se a partir de um acordo de trabalhadores para a cessação de toda a actividade laboral, enquanto não forem atendidas as suas reivindicações.
3. Logo, a próxima greve geral, com data e extensão prevista, distingue-se de uma mera greve sectorial por se verifivar em todos os ramos de actividade - comércio, indústria e serviços.
4. O objectivo desta greve geral é a queda do governo mediante a paralização do país, uma vez que ficará demonstrada a perda de confiança popular no mesmo.
5. Por toda a Europa, o descontentamento dos trabalhadores em relação à classe política dirigente é grande, pelo que esta será a oportunidade ímpar para um levantamento popular e assalto às cadeiras do poder.
6. No entanto, a esquerda moderada (Hollande) já está à frente dos destinos da França e, apesar do espalhafato verbal, pouco mais faz do que Merckel, a braços com uma latente estagnação da economia alemã.
7. Sem dúvida que nos encontramos numa encruzilhada e esta é a segunda oportunidade negada à extrema esquerda, ainda com os tiques do 25A português.
Nau
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Nº. 362 - A Fome de Imortalidade, IV
1. A fome de imortalidade ocorre ao mortal quando as garras da frustração o tomam como presa.
2. Sempre que as expectativas pessoais saiem goradas por infortúnios vários, o homem sente-se invadido por sentimentos negativos.
3. Alquebrado pelas adversidades e, por vezes, com uma existência pouco digna, a alma penada volta-se para o desconhecido, na esperança de alguma felicidade.
4. Porém, tal sentimento é algo fugaz que se atinge num êxtase e apenas serve para retemperar as forças, na via para a construção de um futuro melhor.
5. Logo, a fome de imortalidade não ultrapassa o curso da vida terrena, embora a condicione numa suposta alternativa de êxtase/existência real (não imaginária).
6. Resta ao homem aproveitar a imortalidade do momento - êxtase - e prosseguir na conquista da felicidade por esta se encontrar conotada com o bem estar e a satisfação social possível.
7. Muitos há que pensam que alguém zelará por nós: talvez os políticos!. Porém, enquanto estes fazem por si mesmo, melhor será enveredar pelo cooperativismo.
Nau
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Nº. A Fome de Imortalidade, III
1. A corrupção é a acção ou efeito de algo que corrompe, transforma ou destroi pelo mero facto de existir, devido a causas internas ou externas inerentes à própria existência.
2. Faz parte do ciclo 'nascer, crescer, morrer' - este corroborado pela experiência pessoal adquirida - gerador da fome do imortal e da persecução da felicidade que motiva a perm e costumes, mas cuja natureza não está patente ou é praticamente anência que não a renúncia.
3. Transposta para a política, a corrupção ganha foros de benesse, isto é, favor e/ou ajuda praticada a outrém que - sem esforço nem trabalho - obtém vantagens ou lucros a troco de algo ilícito.
4. A ilicitude abrange tudo o que não é permitido por lei, pela boa moral e costumes, mas cuja natureza não está patente ou é praticamente impossível de descortinar pelos esquemas tortuosos entre corruptor e o corruptível.
5. Todo o mundo suborna ou se deixa subornar protegendo afilhados ou solicitando favores para amigos e correligionários, pelo que a corrupção apenas se torna condenável em grandeza escalar ou quando chega ao domínio público.
6. Logo, todo o poder corrompe, seja este praticado no Novo Mundo ou na Nova China, por mais rigorosos que sejam os escrutínios, justificando-se a rotatividade nas cadeiras do poder, bem como o reforço da liberdade de expressão.
7. Todavia, perante a fome de imortalidade, o importante é parecer impoluto, sendo desnecessária qualquer referência em contrário.
Nau
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