segunda-feira, 18 de junho de 2012
Nº. 218 - Carta Aberta ao Homónimo Brasileiro, VI
1. Monarquia não é a panaceia para a remissão dos erros políticos cometidos nos últimos 100 anos (ou mais), bem como amuleto para sustar as frustrações existentes na maneira de ser e alma portuguesas/brasileiras.
2. Dizer que a Monarquia porá fim à corrupção; que fará Portugal/Brasil voltar ao brilho de antanho; que acabará com a incompetência dos políticos; que remoçará credos fideístas; que providenciará magicamente, sem esforço da comunidade, a justiça e a prosperidade para todos, etc. - é pura fantasia.
3. A Monarquia apenas obviará as disputas partidárias no topo da comunidade concentrando estas em forum próprio, isto é, na Casa da Democracia, acabando com o recurso à figura anti-monárquica do Presidente da República de génese sectária.
4. É triste que homens inteligentes como o Fernando Rosas venha a público reconhecer a existência de Monarquias em que as tradições e as práticas democráticas são uma realidade (tal como se verificava na evolução política da Revolução Liberal de 1820), porém a figura do Rei - por este, à semelhança das autoridades ou dos próceres de referência, não ter sido eleito mas aclamado - seja, na sua opinião "apartidária", de democraticidade controversa.
5. Aqui é defendida a Monarquia Social, não pelo facto do adjectivo estar na berra, mas por este abjurar o individualismo essencialmente republicano, proporcionando o antídoto tradicional, i.e., o predomínio da comunidade sobre o Estado controlador dos bens de produção e consumo, assim como inopinadamente centralizador ou viciosamente tecnocrático.
6. A Monarquia Social, de acordo com a tradição, é comunalista/municipalista, devolvendo o poder às gentes que decidirão se querem viver como homens livres e responsáveis ou serem súbditos do capital colonizador, bem como dos especuladores financeiros.
7. Não é a abolição teórica do capital e da propriedade privada, bem como a redistribuição da riqueza que trará a felicidade aos povos. Bastará o fim da persecução doentia do lucro e do exacerbar do espírito de concorrência, racionalizando a função da propriedade partilhada, aliada à consolidação do património comum.
Nau
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