sexta-feira, 15 de junho de 2012

Nº. 215 - Carta Aberta ao Homónimo Brasileiro, IV



1. Todo o mundo fala da Revolução Francesa, tendo esta por símbolo a tomada da Bastilha (14/6/1789) e o barrete vermelho usado por heróis e por escravos libertos da Frígia.

2. A Bastilha, antiga fortaleza de Paris utilizada como prisão política desde o governo de Richelieu, apenas tinha, à data da revolução, nas suas tenebrosas masmorras um homicida, quatro falsários e dois loucos.

3. O massacre da guarnição militar da Bastilha pela febre revolucionária; a destruição da fortaleza e a libertação dos prisioneiros acima mencionados foram o prognóstico do que viria a ser a Revolução Francesa, deliberadamente caracterizada por una faceta anti-monárquica e anarquista.

4. Embora a Revolução Americana tenha precedido a Revolução Francesa, a primeira assentava em pressupostos nacionalistas, isto é, na necessidade de consolidar o conceito de nação, enquanto que a segunda resultava da conquista do poder político pela burguesia possidente.

5. Logo, os critérios originais daquelas duas revoluções são distintos: uma constroi a partir da oligarquia possidentária existente; a outra destroi com objectivos idênticos  - mas procurando a consolidação da oligarquia republicana.

6. Sem dúvida que a República foi o regimen de recurso para a Revolução Americana. Porém, na realidade francesa, tal questão não era importante, sendo até secundária para homens como Robespierre.

7. Não obstante todos abjurassem o absolutismo, uns pretendiam a democracia directa com mandatos imperativos (tirânicos, na tradição helénica?); outros, uma soberania popular. A burguesia possidentária optou pela republicanização do espírito revolucionário.

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