sexta-feira, 1 de junho de 2012

Nº. 201 - O Pensamento Único, III


1. O  pensamento único exerce uma influência irresistível às pessoas simples, acomodatícias, e/ou a espíritos perturbados, receosos de sofrer novas experiências desagradáveis, temendo o confronto com situações desconhecidas.

2. O pensamento único é tirânico, isto é, ilegítimo, mas debitado como vantagem àquele que está - política e economicamente - subordinado a outrem, mediante estratégias ardilosas com o fim de alcançar objectivos inconfessáveis.

3. O pensamento único é ruidoso e impante, dissuasor de qualquer reflexão mais cuidada; feroz contra qualquer hipótese de crítica - por mais construtiva que esta seja - porquanto a verdade é única e o eventual herege deverá ser apartado do convívio dos mais.

4. O pensamento único defende a opinião incontestável (ortodoxia pura!) rígida nas doutrinas morais, literárias ou artísticas, ordenada pela nomenclatura oficial, exigidas pela lei e a ordem pública.

5. O pensamento único é, naturalmente, hegemónico, prepotente, rancoroso; propalado por chefes ubiquitários e produzidos em linhas duplicantes: fardados por dentro e por fora; rigorosamente iguais, como tropas em formatura ou em parada, idistinguíveis uns dos outros - meramente estupidificantes.

6. O pensamento único não admite tresmalhos; leituras profanas; ideias ou conhecimentos fora do código e do ajuizamento estabelecido - a maioria não lê, não comenta, volta a cara para o lado para não se comprometer.

7. O pensamento único, sob roupagens progressistas, é consumismo puramente burguês.

Nau

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