sábado, 30 de junho de 2012
Nº. 230 - Portal da Cidadonia
1. Falar de Lisboa sem falar das pessoas é muito complicado.
2. Sem dúvida que o bairrismo nortenho é, de longe, mais forte do que o de Lisboa, sendo o Porto uma boa referência.
3. No entanto, o grande Porto - que se põe nas tamanquinhas na defesa das coisas da sua região - partilha tal sentimento com minhotos, transmontanos e outros mais.
4. Ora Lisboa, sendo a capital do reino, composta por muitas e desvairadas gentes, cultiva o bairrismo de recurso, designadamente nas freguesias populuchas.
5. Porém, supor que nos bairros de gente laboriosa - onde se fala e canta muito a tradição - é o reduto das famílias nucleares é erro crasso.
6. O agrupamento social com laços de parentesco fortes (pais e filhos) encontra-se em desagregação, não só nas classes economicamente menos favorecidas.
7. Logo, o futuro não é a família nuclear, mas uma nova forma de organização política, social e económica.
Nau
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Nº. 229 - Portal da Cidadonia
1. Numa recente visita guiada a Lisboa, deparámo-nos com situações deploráveis e quadros arquitectónicos aberrantes.
2. A fim de reduzir o déficit das empresas públicas, os títulos dos transporte urbanos foram espiraladamente aumentados, reduzindo a mobilidade dos idosos de fracos recursos económicos, afectando a qualidade de vida destes e agravando os encargos com a saúde pública num futuro próximo.
3. Nas carreira de autocarros Algés/Oriente, Damaia/C.M.Pátria e Pontinha/Algés assistimos à frequente entrada de passageiros que não se encontravam munidos com os respectivos títulos de transporte, não se dando ao trabalho sequer, a maior parte destes utentes, em disfarçar tal situação irregular.
4. Segundo parece, os fiscais ao serviço da empresa transportadora, embora actuando em grupos de três ou quatro elementos, mal conseguem fazer face à agressividade dos utentes faltosos dos quais, por vezes, nem identificação ou endereço conseguem obter.
5. Por outro lado, os paineis indicativos dos tempos de espera distribuidos por algumas paragens raramente funcionam como elementos informativos pela disparidade dos números apresentados. Os abrigos para aqueles que aguardam o transporte são decorativos, mas pouco funcionais.
6. Os mamarrachos municipais, elaborados por técnicos sem qualquer perspectiva de utilização pessoal, abundam graças a critérios herméticos, tal como a estrutura metálica do terminal do Colégio Militar que, supostamente destinado a proteger passageiros, apenas dão guarida a pombos que do equipamento fazem dormitório e latrina.
7. O estacionamento de viaturas em Lisboa é caótico e as escolas de condução meras agências burocráticas. Sintomático é o estacionamento das viaturas de uma dessas escolas na esquina da Avenida do Brasil (Campo Grande) obstruindo uma movimentada paragem de autocarros.
Nau
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Nº. 228 - Luta Popular
1. Repugna debruçar-me acerca da "crise grega". Nas últimas eleições, o PASOP quase sai da cena política e a direita assume uma vitória pirrónica. Claro que a esquerda radical Syriza não atinge a percentagem de votos ambicionada porquanto nunca explicou claramente o que faria caso se sentasse nas cadeiras do poder.
2. "O tribunal constitucional [português] funciona como uma extensão dos partidos políticos que detêm a maioria no parlamento". Logo, mesmo as medidas claramente inconstitucionais são processadas de acordo com os supremos interesses dos seus progenitores.
3. Com "a oposição violenta... mas construtiva do PS" o programa da Troica prossegue e novos agravamentos são, de modo desportivo, anunciados, sem qualquer explicação acerca das razões pela qual a famosa dívida pública foi contraída; sem alguém ser formalmente acusado pelos desmandos havidos.
4. Logo, o continuado aumento do desemprego não tem fim e as recentes alterações ao código do trabalho promulgado pelo Presidente da República são apenas mais uma cedência à chantagem da Troica, tal como tem sido corajosamente denunciado pelo PCPT/MRPP, tema retomado por Garcia Pereira na sua intervenção no programa televisivo "Em Foco" no canal ETV.
5. O consenso social em torno das medidas de austeridade está circunscrito ao actual parlamento, porquanto até o PCP, por razões de imagem, sugere que os sacrifícios sejam melhor repartidos, implicitamente aceitando que a dívida pública foi constituida para o benefício de todos que não para os afilhados do costume.
6. Arnaldo de Matos, numa feliz intervenção no debate realizado na Galeria Geraldes da Silva, no Porto, a 16 do corrente, levantou a questão da mais lídima acuidade - "Estamos a pagar o quê?" - defendendo a hipótese do não pagamento da dívida; da saída de Portugal da zona do euro, além de outras medidas que poucos se dispõem discutir.
7. Quem se propõe entrar neste debate?. Vá ao "Luta Popular On-Line" e participe.
Nau
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Nº. 227 - Nova Monarquia
1. Num apontamento do "Combustões", do dia 24 do corrente, lemos: "O Rei deve reinar respeitando o governo, emanação da escolha dos cidadãos representados em parlamento". Completamente de acordo.
2. "Mas cabe [ao Rei] ser o garante e observador atento de más políticas, abusos e até mentiras, assim como apossamento indevido, enriquecimento e favorecimento de alguns indivíduos ou grupos em benefício próprio e contra o interesse colectivo". Em suma: pretende-se um Rei campeador e justiceiro.
3. Um pouco mais adiante lê-se: "caberia [ao Rei] confirmar a nomeação dos quadros superiores dirigentes do Estado, depois de proceder à certificação da lisura dos concursos e provas públicas, impedidndo a utilização do Estado pelas camarilhas trabalhando para os partidos políticos". Talvez a figura adjectivada do "Justiceiro Implacável" aqui seja mais conveniente.
4. Todo este arrazoado de boas intenções é para nós um refrigério. Porém, de bons intentos está a Assembleia da República cheia, e os conselheiros do Rei, facilmente (ou fatalmente), se transformariam em meros cortesãos interesseiros, isto é, comprometidos, mantendo-se a habitual canalhada de mãos estendida para os benesses ocasionais.
5. Sam dúvida que numa Nova Monarquia a figura do Rei é meramente ponto de referência porquanto este reina, mas não governa. No entanto, em vez de novas instituições políticas, o que se pretende é a reforma das mentalidades a fim de proporcionar o aumento em número de cidadãos criteriosos.
6. Comecemos por singelas unidades cooperativas; tentemos inculcar o espírito associativo, primeiro passo para a formação de um robusto movimento comunalista, pois ser comunalista não significa delegar, mas sim agir consensualmente.
7. Entretanto, precisamos de homens na actividade política mais esclarecidos, dinâmicos e honestos. Porque não votar Garcia Pereira do PCTP/MRPP no próximo acto eleitoral?.
Nau
terça-feira, 26 de junho de 2012
Nº. 226 - Somos Monárquicos
1. Somos monárquicos. Não somos nacionalistas - não aspiramos ser um povo que pretenda constituir-se num Estado autónomo.
2. Somos monárquicos. Não somos nacionalistas pois o território que ocupamos e o povo que somos não ambiciona regredir para uma nação orgânica.
3. Somos monárquicos. Não somos meros patriotas porquanto pátria (mátria) designa liricamente a terra dos pais e nós defendemos a comunidade, isto é, a totalidade dos cidadãos que vive e labuta em comum, submetendo-se às mesmas leis e normas de vida.
4. Somos monárquicos. Não precisamos de ser patriotas pois as fronteiras da nossa pátria são as do planeta Terra, tal como foram dos pais dos nossos pais que cedo compreenderam os limites dos cinco continentes.
5. Somos monárquicos. Não somos pró-oligarcas republicanos, pois a coisa pública - sublinhando que o bem comum está acima do particular - é o espírito que consolidamos através do trabalho imprescindível para a subsistência harmoniosa do todo.
6. Somos monárquicos - logo, comunalistas - pois a descentralização implícita se opõe à tendência republicanóide de apostar no controlo político de toda a comunidade através de um poder decisório centralizado.
7. Somos monárquicos. A referência que temos é a do nosso Rei, em qualquer parte do planeta que nos encontremos a lutar por uma subsistência digna, independentemente de credos religiosos, opções políticas ou cor da pele.
Nau
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Nº. 225 - O Marchismo, II
1. "O Capital", manuscrito em que Marx trabalhava por altura da sua morte, terminava com a seguinte questão - o que constitui uma classe?
2. Tem havido muitas discussões acerca deste assunto e, relativamente a tal matéria, o mesmo foi ventilado aqui no cooperativismo monárquico.
3. Segundo parece, para Marx uma classe seria um grupo de pessoas com uma posição comum face aos meios de produção.
4. Como meios de produção entende-se aqueles donde provém o sustento para tal grupo, além dos instrumentos rudimentares e/ou sofisticados, consoante a época contemplada.
5.Nas comunidades industrializadas, as classes principais são a dos possidentes e daqueles que ganham a vida vendendo a sua força de trabalho.
6. Porém, o espírito corporativo existente nas comunidades pre-industriais encontra-se muito esbatido, nos dias de hoje, e a distinção está nos recursos utilizados.
7. No entanto, as desigualdades permanecem por razões económicas objectivamente estruturadas.
Nau
domingo, 24 de junho de 2012
Nº. 224 - O Marchismo
1. Talvez por nos encontrarmos na quadra das marchas populares, ocorreu-me a ideia do marchismo, tanto na óptica de prática de marcha, caminhada, bem como na corruptela deliberada de marxismo.
2. Na acepção marxista, isto é, na linha do pensamento político de Karl Marx, esta é tida como a interpretação económica da história, partindo do princípio que as forças produtivas constituem a base das estruturas políticas, jurídicas e ideológicas.
3. Sempre que as ditas forças produtivas entram em contradição com os esquemas existentes na comunidade, verificar-se-á um periodo favorável a conflitos sociais, pelo menos numa interpretação marxista orientada para uma mudança radical.
4. Adoptando o método dialéctico proposto por Hegel e repudiando o idealismo dos filósofos anteriores mais preocupados em entenderem o passado do que da sua real transformação, Marx, secundado por Engels, dedicou-se à actividade política prática e à organização do movimento operário.
5. Embora mantendo uma epistemologia científica de base empírica, de praxis constante e axiologia humanista, a doutrina política de Karl Marx assenta numa linha monoteísta, fruto da tradição cultural mediterrânica.
6. Os contributos de Lenine e Mao, associados à prática Estalinista, deram azo a uma doutrina de Estado musculado, bem como a outras hipóteses mais coadenáveis com as tradições da democracia parlamentar, porém tão burocráticas e centralizadoras como as dos referidos mestres.
7. Estar a par destas correntes filosóficas - estudando-as e comentando-as - é obrigação de todos monárquicos. Consulte a "Biblioteca Vermelha", 'Arquivo Digital On-Line' do PCTP/MRPP.
Nau
sábado, 23 de junho de 2012
Nº. 223 - República não é Democracia
1. Embora os políticos franceses tenham imposto República como sinónimo de Democracia, tal estratagema sai gorado logo às primeiras confrontações.
2. Repúblicas, na antiguidade, eram as cidades-estados gregas, bem como a Roma imperial, não passando estas de meras oligarquias.
3. Repúblicas foram, na Idade Contemporânea, o nazismo germânico e o bloco soviético, ambas caracterizadas pelo controlo de ditadores implacáveis.
4. Repúblicas são, no variado leque dos nossos dias, a teocrática do Irão e a dinástica da Coreia do Norte.
5. República designa comunidade política bem organizada - em que o bem comum está acima do particular - não é palavra sinón.
6. República, no sentido mencionado no parágrafo anterior, foi usado pelo padre António Vieira na defesa da dinastia de Bragança.
7. O comunalismo é uma excelente escola democrática: tem por fundamento o consenso que não o voto, culminando com o regresso consensual do Rei.
Nau
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Nº. 222 - Súbdito de S. M. Fidelíssima
1. Voltamos ao adjectivo súbdito, significando aquele que está sujeito à autoridade de um soberano.
2. Embora todo o mundo associe o adjectivo soberano à figura que tem autoridade como Rei, certo é que soberano designa o primeiro da jerarquia política.
3. Os amigos republicanos, preconceituosos comme d'habitude, não se atrevem a utilizar tal procedimento em relação ao chefe a prazo, isto é, ao Presidente da República.
4. Talvez o melindre dos nossos amigos republicanos se justifique atendendo ao facto da transitoridade e partidarismo do Presidente da República.
5. A figura do Rei está revestida de autoridade suprema e vitalícia, porquanto representa a unidade consensual possível, sendo ele igualmente súbdito do compromisso assumido.
6. De qualquer modo, repito, todos nós somos súbditos, isto é, estamos sujeitos à autoridade do Estado, como comunidade politicamente organizada.
7. Sem quaisquer pruridos pela inferioridade na jerarquia política, declaro-me súbdito de D. Duarte Pio, embora sujeito às normas jurídicas em vigor, como todos os outros membros da comunidade, sem excepção.
Nau
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Nº. 221 - Cooperativismo Monarquico
1. Sendo o cooperativismo um sistema "associativo autónomo de pessoas que se unem voluntariamente para atender as suas necessidades e aspirações comuns - económicas, sociais e culturais - por meio de empreendimento de propriedade comum e gestão democrática", todas as opções políticas dos seus membros são válidas.
2. Perante esta realidade, será curial questionar a ênfase dada neste espaço à opção monárquica, apresentada como a melhor via para se atingir quer os objectivos associativos enunciados no parágrafo anterior, quer a almejada restauração da Monarquia, após mais de um século de experiências republicanas.
3. Aqui os meus contestatários apressam-se a chamar a atençõ para o facto das várias Repúblicas - já vamos na terceira, com outros tantos arremedos, tais como a do "movimento das espadas" de Pimenta de Castro; a do sidonismo presidencialista; a do "28 de Maio" do Gomes da Costa, etc. - virem na mesma linha das várias Monarquias ocorridas durante a vigência do dito regimen.
4. Claro que o evoluir não é um defeito, pelo que não lançamos à cara de ninguém as penosas experiências então havidas; apenas condenamos o estafado argumento da alegada inadequação do regimen monárquico aos dias de hoje, badaladas pelos nossos amigos republicanos, "por esta ser coisa do passado".
5. Mas voltemos á questão principal - o porquê do cooperativismo monárquico. Como é sabido, a República tem por fundamento a eleição do chefe de Estado a prazo, fatalmente de génese partidária, procurando os seus apaniguados associar o sistema político da sua feição à democracia para disfarçar a matriz desta que é deliberadamente oligárquica.
6. Conforme salientado no parágrafo anterior, a República é medularmente individualista - "um homem, um voto", como tudo se reduzisse a tal! - por considerar a pessoa como o objectivo de todas as relações morais e políticas, agravado pela propensão de actuar com independência e não de acordo com a colectividade.
7. Dado que a Monarquia é tradicionalmente comunalista, o robustecimento dessa cultura de Liberdade e Responsabilidade poderá ser harmoniosamente conseguida através do movimento cooperativo que CECIM apoia e procura divulgar.
Nau
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Nº. 220 - Monarquia e Comunalismo
1. Quem, por ventura, tenha lido alguns dos apontamentos do monólogo que recentemente mantive com o meu homónimo brasileiro, de certo gostaria de levantar algumas questões, porém, nestas coisas de capelinhas, cada qual fala com o seu pároco e nada mais.
2. Por manifesta falta de tempo, tentarei explicar o mais sucintamente possível algumas das ideias que me ocorreram durante o referido monólogo, pela mesma ordem em que foram levantadas pela prata da casa.
3. Sempre que se fala em Monarquia logo acode à memória a figura do Rei, tido como símbolo máximo de um povo, guardião das tradições e da liberdade, porquanto é ele que obvia que as normais disputas partidárias extravasem da Casa da Democracia.
4. A talho de foice vem o esclarecimento da figura do Imperador que, com as mesmíssimas funções do Rei, é o soberano de vários povos com características culturais e nacionais sensíveis, mas existindo como Estado uno politicamente organizado.
5. Avancemos para o plat de résistance, isto é, o comunalismo do qual, entretanto, já sublinhara a ideia de descentralização administrativa, contrária à tendência republicanóide de apostar no controlo político de toda a comunidade através de um poder decisório centralizado.
6. Para ser dado um passo de gigante em direcção ao comunalismo, importa fomentar o espírito associativo, através de pequenas unidades cooperativas destinadas a satisfazer as necessidades e aspirações comuns, estas do âmbito económico, social e cultural.
7. Europeus pela configuração geográfica, Portugal deverá aproximar-se dos países de expressão portuguesa para, na prática comunalista, fazer face à opressão estadunidense - colonialista e especulativa - bem como à invasão dos novos Gengis-Khan.
Nau
terça-feira, 19 de junho de 2012
Nº. 219 - Carta Aberta ao Homónimo Brasileiro, VII
1. Em que consiste o comunalismo/municipalismo referido no último apontamento? Para já, numa real descentralização administrativa, na linha das povoações que, nos tempos medievais, se emancipavam da organização feudal e consolidavam uma administração autónoma.
2. A grande caminhada começa pelo primeiro passo, isto é, pela organização de um grupo de amigos que, de preferência em número ímpar - superior a três e inferior a sete - compreendendo, se possível, 1 jurista, 1 psicólogo, 1 economista, 1 escriba e 1 boxeur pois nada há que um bom murro não resolva - murro na mesa, entenda-se!
3. Como é óbvio, tal grupo destina-se ao ensaio de uma cooperativa irregular - irregular porquanto ainda não tem estatutos, nem objectivos definidos - passando o grupo, de imediato, a discutir a actividade mais adequada para dar satisfação às necessidades e aspirações comuns - económicas, sociais e culturais.
4. Um bom começo será a elaboração de um rol de compras de produtos alimentícios a efectuar para os respectivos agregados familiares, contemplando uma semana, uma quinzena ou um mês, evitando as frequentes peregrinações individuais aos hipermercados, bem como a aquisição de artigos supérfluos.
5. Chegou a altura de recapitular os temas aqui aflorados: República ou Monarquia?. Vou por esta última. As classes sociais estão em vias de extinção?. Hum!. O espírito colonizador já passou à história?. Hem!. Sendo a Revolução Francesa anti-monárquica, o Estado de direito poderá prescindir da figura do Rei?. Ih!.
6. Claro que o futuro está na Monarquia Social, assente no comunalismo de antanho, logicamente estruturado em cooperativas - associações de produtores e/ou consumidores decididos a libertar os seus associados dos encargos respeitantes a lucros de intermediários e/ou capitalistas.
7.Será esta receita adequada à emergente potência brasileira?. Na minha ideia, o Império Brasileiro será a conjugação de todos os mercados da mesma expressão linguística (arremedo da experiência anglo-saxónica) que nos cinco continentes poderá ensaiar a grande aventura do futuro - a Monarquia Social.
Nau
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Nº. 218 - Carta Aberta ao Homónimo Brasileiro, VI
1. Monarquia não é a panaceia para a remissão dos erros políticos cometidos nos últimos 100 anos (ou mais), bem como amuleto para sustar as frustrações existentes na maneira de ser e alma portuguesas/brasileiras.
2. Dizer que a Monarquia porá fim à corrupção; que fará Portugal/Brasil voltar ao brilho de antanho; que acabará com a incompetência dos políticos; que remoçará credos fideístas; que providenciará magicamente, sem esforço da comunidade, a justiça e a prosperidade para todos, etc. - é pura fantasia.
3. A Monarquia apenas obviará as disputas partidárias no topo da comunidade concentrando estas em forum próprio, isto é, na Casa da Democracia, acabando com o recurso à figura anti-monárquica do Presidente da República de génese sectária.
4. É triste que homens inteligentes como o Fernando Rosas venha a público reconhecer a existência de Monarquias em que as tradições e as práticas democráticas são uma realidade (tal como se verificava na evolução política da Revolução Liberal de 1820), porém a figura do Rei - por este, à semelhança das autoridades ou dos próceres de referência, não ter sido eleito mas aclamado - seja, na sua opinião "apartidária", de democraticidade controversa.
5. Aqui é defendida a Monarquia Social, não pelo facto do adjectivo estar na berra, mas por este abjurar o individualismo essencialmente republicano, proporcionando o antídoto tradicional, i.e., o predomínio da comunidade sobre o Estado controlador dos bens de produção e consumo, assim como inopinadamente centralizador ou viciosamente tecnocrático.
6. A Monarquia Social, de acordo com a tradição, é comunalista/municipalista, devolvendo o poder às gentes que decidirão se querem viver como homens livres e responsáveis ou serem súbditos do capital colonizador, bem como dos especuladores financeiros.
7. Não é a abolição teórica do capital e da propriedade privada, bem como a redistribuição da riqueza que trará a felicidade aos povos. Bastará o fim da persecução doentia do lucro e do exacerbar do espírito de concorrência, racionalizando a função da propriedade partilhada, aliada à consolidação do património comum.
Nau
domingo, 17 de junho de 2012
Nº. 217 - Carata Aberta ao Homónimo Brasileiro, V
1. Sendo o Estado a dimensão institucionalizada do poder que vigora na comunidade, este tem o monopólio da violência e do direito, tal como ironizava Max Weber.
2. Bom é ter presente que o direito tem por substrato a lei, sendo na interpretação desta que a autoridade exerce a função coactiva/protectora sobre os membros da comunidade, sobretudo na salvaguarda dos cabedais acumulados dos possidentes.
3. A lei é a prescrição do poder legislativo e este é suposto expressar a vontade da maioria. Porém, cansada de esperar pela satisfação das suas necessidades mínimas ou certa de que a sua opinião de nada vale, a maioria vai-se recusando em participar na cena dos sufrágios universais.
4. O alheamento da maioria é combatido ora através de sanções, ora mediante o recurso à democracia directa, esta fautora de compromissos entre dirigentes e dirigidos, forçosamente negando a estabilidade ou a eventual promoção àqueles que não se encontrem em consonância com o tope.
5. Claro que entre a livre especulação financeira e o controlo político ideológico de feição oligárquica, a burguesia possidentária tendencialmente opta por uma democracia parlamentar ou por sistemas imperativos, isto é, musculados, alegando que a concorrência é sinónimo de progresso e bem-estar num Estado e direito.
6. A república, sinónimo da palavra grega politeia, contempla as três soluções políticas clássicas - Monarquia, Aristocracia (mera oligarquia), Democracia - modernamente assumindo a designação de constituição política em que o chefe do Estado é electivo e a prazo, adequada a comunidades com fronteiras caprichosamente estabelecidas por interesses particulares.
7. Nacionalista por carência monárquica, as constituições republicanas polulam associadas ao conceito de democracia, muito embora a maioria esteja conotada com soluções imperativas de carácter totalitário, tendo por referência o Estado de direito.
Nau
sábado, 16 de junho de 2012
Nº. 216 - Contra os poltrões, marchar, marchar!
1. Todo o mundo precisa estar bem informado, particularmente acerca dos assuntos que mais preocupam cada um de nós.
2. A comunicação social portuguesa acompanha o movimento de desinformação em curso na maior parte do globo, servindo à discreção o prato forte do futebol, alimentando sonhos juvenis e os bolsos de apoderados.
3. O Facebook e sistemas afins poderiam servir para o escarrapachar de negócios escuros - tanto os do sector privado como os do Estado - mas quem a tal se atreve arrisca-se a ser demandado em juizo e de antemão condenado a sustentar processos do direito até à adequada prescrição.
4. Logo, a sinecura política, o apadrinhamento descarado, a locupletação de fundos públicos, a ocultação e destruição de provas, a fomentação de irmandades maçónicas, etc., passa incólume à luz do dia - sem um protesto, uma indignação, um queixume.
5. Páginas e páginas da Internet alimentam vaidades pessoais, bem como o anedotário da imbecilidade nacional, aparentemente servindo de válvula de escape para as tensões sociais, porquanto estas encontram-se anestesiadas pela comunicação generalista.
6. Lobbies, isto é, grupos de pressão política, bem alimentados por interesses sectários, vão cumprindo a missão de explicar o inexplicável - insinuando, invectivando, manipulando atoardas sem explicitamente indicar causas e/ou culpados.
7. Lê, divulga e participa no Luta Popular On-Line - tem um rasgo de coerência!.
Nau
4.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Nº. 215 - Carta Aberta ao Homónimo Brasileiro, IV
1. Todo o mundo fala da Revolução Francesa, tendo esta por símbolo a tomada da Bastilha (14/6/1789) e o barrete vermelho usado por heróis e por escravos libertos da Frígia.
2. A Bastilha, antiga fortaleza de Paris utilizada como prisão política desde o governo de Richelieu, apenas tinha, à data da revolução, nas suas tenebrosas masmorras um homicida, quatro falsários e dois loucos.
3. O massacre da guarnição militar da Bastilha pela febre revolucionária; a destruição da fortaleza e a libertação dos prisioneiros acima mencionados foram o prognóstico do que viria a ser a Revolução Francesa, deliberadamente caracterizada por una faceta anti-monárquica e anarquista.
4. Embora a Revolução Americana tenha precedido a Revolução Francesa, a primeira assentava em pressupostos nacionalistas, isto é, na necessidade de consolidar o conceito de nação, enquanto que a segunda resultava da conquista do poder político pela burguesia possidente.
5. Logo, os critérios originais daquelas duas revoluções são distintos: uma constroi a partir da oligarquia possidentária existente; a outra destroi com objectivos idênticos - mas procurando a consolidação da oligarquia republicana.
6. Sem dúvida que a República foi o regimen de recurso para a Revolução Americana. Porém, na realidade francesa, tal questão não era importante, sendo até secundária para homens como Robespierre.
7. Não obstante todos abjurassem o absolutismo, uns pretendiam a democracia directa com mandatos imperativos (tirânicos, na tradição helénica?); outros, uma soberania popular. A burguesia possidentária optou pela republicanização do espírito revolucionário.
Nau
c
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Nº. 214 - Carta Aberta ao Homónimo Brasileiro, III
1. As paixões - sentimentos profundos como o amor, o ódio, etc. - motivam os homens, tanto para o bem como para o mal, embora esta dualidade seja perversa quando o soldado invasor morre ao serviço da pátria e o soldado defensor salva a pele ao eliminar o ocasional inimigo.
2. Embora os primeiros colonos do Novo Mundo tenham sido os espanhois, apenas em 1565 é que estes fundaram a cidade de Santo Agostinho, na Florida (Tierra Florida), seguidos dos ingleses - Jamestown em 1607; Plymouth em 1620; Maryland em 1636, etc. - bem como de muitos franceses, holandeses e suecos.
3. Porém, no século XVIII, a Inglaterra era a potência mais dominante naqueles territórios graças ao florescente negócio de importação/exportação de mercadorias, proporcionador de entesouramentos rápidos e das habituais intrigas dos menos bafejados.
4. Certo é que ao estalar do verniz pelos exagerados impostos cobrados pela Coroa Inglesa, os franceses deram uma mãozinha e tudo acabou à estalada, sendo a independência da colónia finalmente reconhecida em 1783.
5. Por mero acaso a língua oficial da jovem república foi o inglês e não o idioma falado na Holanda, porquanto a animosidade contra o antigo colonizador era grande, agravada pela dissenção entre aqueles que defendiam o corte radical com o passado e os que pretendiam continuar súbditos deste, deslocando-se os lealistas para os territórios mais ao Norte - o futuro Canadá.
6. Cedo os pais da jovem república estadunidense se aperceberam da importância em criar uma simbologia que confirmasse não só a viabilidade da sua independência, bem como obstasse qualquer veleidade de intervenção de Estados colonizaores no Novo Mundo - assim se consolidou a política Monroe.
7. O êxito do nacionalismo estadunidense foi devido à política de aliciamento e/ou anexação de vastos territórios, bem como da destruição de culturas autóctones, padrão que agenciou para todo o Novo Mundo com inegável sucesso.
Nau
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Nº. 213 - Carta Aberta ao Homónimo Brasileiro, II
1. Caso tenha tido a pachorra de ler os meus últimos apontamentos acerca das classes sociais, terá presente que, no meu entender, estas são grupos de pessoas com atitudes afins.
2. Logo, em tal contexto, difícil será irradicar o espírito de classe - pelo menos o de dirigentes e dirigidos - sendo este inevitável tal como é patente na ousada atitude política do grupo onomástico dos Arnaldos.
3. Na Europa dos tempos idos - a consolidação do poder do rei aliado à emergente classe dos mercadores; o desemprego do espírito castrejo virado cortesão; a estabilização de fronteiras geográficas e a circulação fiduciária - a expansão comercial era um facto.
4. Por outro lado, tanto a agricultura de subsistência, bem como a adequada produção artesanal, foram obrigados a contemporizar com a febre da conquista de novos mercados, embarcando no desafio colonizador que impunha técnicas e conhecimentos revolucionários.
5. Os termos revolucionários e colonizador são aqui empregados no sentido próprio, respectivamente, de ousado e do estabelecimento de colonos além-mar, sendo estes um misto de desbravador de novos solos, bem como de de gestor de entrepostos comerciais.
6. Forçoso é sublinhar que o espírito de trazer à civilização populações primitivas era o estratagema para o estabelecimento de reservas territoriais, com a ocupação física das mesmas e a destruição das civilizações autóctones, para um controlo mais efectivo.
7. Na Idade Contemporânea, a colonização é mais sofisticada, sendo dispensável a ocupação física do território através da imposição de autoridades exógenas, tal como tem sido prática corrente da política de Monroe.
Nau
terça-feira, 12 de junho de 2012
Nº. 212 - Carta Aberta ao Homónimo Brasileiro, I
1. Segundo parece, os Arnaldos são uma classe tão numerosa que a formação de uma associação onomástica teria mais pessoas do que certas agremiações políticas.
2. Como projecto cívico, os Arnaldos 'unidos jamais serão vencidos' e facilmente conquistariam as cadeiras do poder - com a amarga fatalidade de serem forçados ao aumento dos impostos, a fim de ocorrer às legítimas necessidades próprias, bem como as dos seus apaniguados.
3. Antes de nos espraiarmos por esse aliciante projecto, é crucial levantar a seguinte questão: que instituição política deverão os Arnaldos, ponderada e deliberadamente, adoptar: República ou Monarquia?
4. Claro que o meu Caro Homónimo se declararia inclinado para a primeira das hipóteses visto que, sendo o Brasil uma República Federal modelada pelos gringos norte-americanos, poucas dúvidas teria acerca desse assunto.
5. Porém, como já tive a oportunidade de expor em outros apontamentos, a República é a instituição política do agrado da burguesia possidentária por razões óbvias - proporcionar a existência da figura anti-democrática do Presidente da República.
6. Sendo os Arnaldos, por natureza, afáveis, circunspectos e persistentes, sugiro que se disponha a discutir este tema (e outros que também ache conveniente) no CECIM, e porque não do outro lado do Atlântico integrar no seu Facebook o "Centro de Estudos Cooperativos de Inspiração Monárquica"?.
7. Nos próximos apontamentos tentarei desenvolver um pouco mais este projecto. Entretanto permita-me a ousadia de um abraço atlântico.
Nau
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Nº. 211 - Luta Popular Online
1. Numa recente intervenção no programa "Em Foco" da ETV, Garcia Pereira comentou: "se há um ano estávamos à beira do precipício com este governo demos um passo em frente".
2. Segundo parece, o governo está determinado em dinamizar (ou dinamitar?) o mercado do arrendamento a fim de poder arrecadar mais impostos...
3. A greve dos maquinistas e trabalhadores ferroviários do passado dia 7 teve uma adesão de 100%. Outras greves já estão anunciadas, sendo daquela via a mais próxima no dia 16 de Junho.
4. Mais uma firma (Ensulmeci do Monte da Caparica e de Alfena) concentraram-se no Ministério da Economia para exigir medidas que trave o despedimento de mais de 500 trabalhadores, porém o governo também está na calha de ser despedido...
5. Por outro lado, os trabalhadores da Transtejo e Soflusa vão entrar em greve nos próximos dias 14 e 18 de Junho sem se preocuparem com as dores de cabeça que tal provoca no governo!.
6. Entretanto os gestores públicos, numa compreensível preocupação de não pererem os seus empregos, vão tomando medidas gravosas para os outros trabalhadores - este mundo cão!.
7. Não encolha os ombros! "Lê, discute e divulga" o Luta Popular - 'www.lutapopularonline.org'.
Nau
domingo, 10 de junho de 2012
Nº. 210 - As Classes Sociais, VII
1. Enquanto o cão sacia a gula do seu apetitoso osso, não é prudente qualquer tentativa para lhe sacar o mesmo.
2. Outro tanto se passa quando um grupo de leões devora a inerme presa, troféu de concertada e trabalhosa caçada, prevalecndo a cortesia dos mais fracos para com aqueles que mais força exercitam no ansiado repasto.
3. Na espécie humana a diferença é apenas de estilo, mantendo-se a agressividade de cada um, dentro e fora do mesmo agregado familiar, porquanto a posse garante sobrevivência, na prática ancestral.
4. Aparentemente impossível será irradicar o espírito de classe, porquanto este se mostra assaz renitente, mesmo com a imposição de esquemas doutrinários, secundados por regras legislativas e o esbatimento normal do segmento corporativo.
5. Embora o conceito de irmandade seja recorrente nos cultos fideístas e nos processos revolucionários, o espírito de classe persiste na realidade de dirigentes e dirigidos, com uma área cinzenta entre ambos, como é tradicional.
6. Sem dúvida que o espírito corporativo das gerações passadas está uma pálida imagem do que fora, não só pelo avanço tecnológico mas também pela mobilidade das pessoas - hoje manga de alpaca, amanhã operador de máquinas industriais ou vice-versa.
7. O movimento cooperativo procura fazer a aliança de todas as práticas correntes, com a real eliminação do espírito de classe através do empreendorismo partilhado e a gestão democrática das comunidades envolvidas.
Nau
sábado, 9 de junho de 2012
Nº. 209 - As Classes Soiais, VI
1. A ciência constitui um ponto de vista tido como coerente acerca de uma determinada - intensiva e extensiva - realidade, estes positivos ou negativos, segundo as concepções morais, políticas ou ideológicas do observador.
2. Os meios apropriados para atingir determinados objectivos; as convicções que justificam toda reacção, contumaz ou tresvariadora; a afectividade resultante de uma emoção ou paixão momentânea; a reacção mecânica na linha do uso e do costume é a tipologia corrente da actividade social.
3. A crença na pureza e lisura daqueles investidos nas cadeiras do poder; a convicção na bondade das regras impostas por via legislativa ou mera burocracia; a aceitação do carisma do chefe, na suposição dos seus talentos excepcionais, têm justificado o domínio constante sobre as massas.
4. Na senda dos princípios acima enumerados se verifica a estratificação social (castas, ordens, classes) que sustenta os partidos políticos e o Estado moderno, definido por Max Weber como o agrupamento que dispõe do monopólio da violência legítima.
5. O uso e o costume que pesam sobre as estruturas sociais (comunitárias e societárias), bem como sobre os normais agrupamentos (associações, empresas, instituições); a deliberada ignorância acerca dos outros grandes cultos religiosos (chineses, hinduísticos, budistas, etc.); a singularidade da dita civilização ocidental dominada pela racionalização sempre em marcha, são pano para muita manga.
6. Sem dúvida que o fenómeno social, com crescente predomínio da burocracia e da figura emblemática do chefe continuará no processo para-democrático, mudando os nomes das classes existentes, de acordo com as novas modas e o enraizado costume.
7. E tudo o mais renova; isto é já sem cura!.
Nau
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Nº. 208 - As Classes sociais, V
1. Na produção capitalista moderna, os recursos económicos carecem de uma particular atenção nas áreas dos investimentos, meios físicos de produção (instalações e localizações das unidades fabris) e força do trabalho.
2. Curiosamente, a força laboral pouco ou nada participa na supervisão das referidas áreas, porquanto as mesmas são nichos reservados aos profissionais de colarinhos brancos, embora estes não sejam capitalistas nem operários.
3. A posse de propriedade - esta como meio de produção - é o fundamento da estrutura de classes que poderá ser monopolizada por minorias com o objectivo de consolidar o poder sobre os mais, limitando o acesso de outrém a tais recursos.
4. Os colarinhos brancos, a meio do processo de estratificação, procuram identificar-se com o topo da hierarquia social distinguindo-se dos que estão mais abaixo por via de ostentações, estas insustentáveis caso percam o estatuto adquirido.
5. Por outro lado, a riqueza é constituida pelos bens possuidos pelos indivíduos ricos (prédios urbanos e/ou ruruais, bens convertíveis a metal sonante, etc.), enquanto que os rendimentos, como se verifica na maioria das pessoas, são fruto do trabalho, este tomando a designação de investimentos quando auferidos pela classe argentária.
6. Sem dúvida que a riqueza (abundância de bens materiais) está concentrada nas mãos de minorias sendo o respectivo valor apenas estimado; no caso dos pobres e da classe intermédia, isto é, os remediados, esses valores são públicos e dificilmente eximíveis do pagamento de impostos.
7. Em suma, a propriedade confere poder e este é controlado pelos donos do capital industrial e financeiro que influenciam o acesso às posições de liderança nas áreas da política, da educação e da cultura.
Nau
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Nº. 207 - As Classes Sociais
1. O partido define um grupo de indivíduos unidos em ideias e actividades, com objectivos e interesses comuns para a consecução de certos programas políticos, exequíveis a partir da eleição de delegados para os órgãos de soberania.
2. Nos sistemas democráticos, o partido político é a máquina que impulsiona os mais destacados dirigentes para as cadeiras do poder, independentemente da classe e/ou do estatuto social do bafejado dirigente, escolhido pelo carisma, isto é, dons e talentos para o desempenho de tais funções.
3. O objectivo último do partido é a conquista do poder, ora baseado em credos religiosos e/ou ideias nacionalistas (expl.: Democracia Cristã; Hamas na Palestina), ora esgrimindo doutrinas políticas, filosóficas, científicas e de classe, como se verifica na prática do materialismo dialéctico (expl.: Coreia do Norte).
4. Segundo Max Weber, o partido é um elemento muito importante do poder por influenciar a estratificação do tecido comunitário, independentemente do espírito de classe e do estatuto social do cidadão, divergindo explicitamente da teoria marxista do proletariado, porquanto o partido poderá expressar tanto preocupações religiosas, ecologistas, etc. como as de classe.
5. Ao fim e ao cabo, a maioria dos filiados e apoiantes dos partidos políticos encontram-se imbuídos de tendências clubísticas, colocando os ineresses do seu partido acima da doutrina oficial do mesmo e/ou das suas preocupações naturais, por vezes como única oportunidade para o acesso a benesses particulares e/ou promoção profissional.
6. Por outro lado, o alvo do partido, conforme acima sublinhado, é a conquista das cadeiras do poder, pelo que são irracionais os apelos para a constituição de um partido monárquico (émulo do aborto republicano) porquanto a doutrina realista pretende somente o regresso do Rei, dado que os problemas sociais serão pontualmente resolvidos por consensos na comunidade.
7. Logo, o movimento cooperativista monárquico defende a formação de múltiplas associações autónomas de pessoas para atender as necessidades e aspirações destas (económicas, sociais e culturais) de propriedade comum e gestão democrática, unidas no combate ao preconceito anti-monárquico.
Nau
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Nº. 206 - As Classes Sociais, III
1. Max Weber tinha o mesmo ponto de vista de Karl Marx acerca das classes sociais, fazendo depender estas de condições conómicas objectivas.
2. Porém, segundo Weber, a divisão de classes não depende somente dos meios de produção e/ou propriedade, mas também do conhecimento e da capacidade de trabalho das pessoas.
3. Sem dúvida que os graus académicos e as correspondentes áreas de saber a que Weber se reportava permitem aos titulares destes auferir salários mais vantajosos.
4. A posição social de cada indivíduo (dentro e fora do respectivo grupo) é variável e independente das divisões de classe, com aspectos positivos ou negativos, conforme exposto em anterior apontamento.
5. Assim, a consciência de fazer parte de alguma classe é objectiva e depende do estilo de vida adoptado pelos indivíduos em cada grupo social.
6. Como é óbvio, os privilégios concedidos a alguns - pelo credo, raça ou mero sectarismo político dos seus pares - será tão condenável como as práticas maçónicas.
7. O partido político funcionará como algo distinto do espírito de classe e/ou da posição social de cada um, pelo que será objecto do próximo apontamento.
Nau
terça-feira, 5 de junho de 2012
Nº. 205 - As Classes Sociais, II
1. As desigualdades sociais resultantes do sistema dito capitalista são enormes.
2. Posto que os senhores feudais, bem como os endinheirados burgueses da Renanscença, vivessem uma vida de luxo, aqueles que se sustentavam do arroteamento da terra eram relativamente pobres.
3. Embora o desenvolvimento da indústria e das novas tecnologias permitam o acumular e distribuição da riqueza a uma escala nunca antes vista, certo é que a força laboral pouca hipótese tem de disfrutar da riqueza gerada apenas pelo trabalho.
4. Por outro lado, o trabalho - mecanizado ou não - frequentemente se torna monótono e opressivo; ainda que fonte de riqueza ou mero sustento do operário, é fisicamente exaustivo e mentalmente enfadonho.
5. Marx, aliás, a teoria marxista tem por referência dois grupos de pessoas com atitudes distintas, baseados em condições económicas objectivas, nem sempre conotados com a ideia de propriedade. Assim, os trabalhadores de colarinho branco disfrutam de melhores condições de trabalho do que os desengravatados.
6. Os grupos privilegiados têm melhor acesso às regalias materiais cultivando um prestígio variável de uma comunidade para a outra - expl.: um professor universitário estadunidense jamais poderá atingir o nível social de um autodidata bem sucedido no mundo dos negócios.
7. Claro que as classes sociais dependem de factores económicos associados a rendimentos ou à força laboral. Porém, os estilos de vida adoptados poderão gerar simpatias para famílias de prestígio mas com poucos cabedais, enquanto que os "novos ricos" são desprezados por aqueles bem instalados na vida.
Nau
2. Posto que os senhores feudais, bem como os endinheirados burgueses da Renanscença, vivessem uma vida de luxo, aqueles que se sustentavam do arroteamento da terra eram relativamente pobres.
3. Embora o desenvolvimento da indústria e das novas tecnologias permitam o acumular e distribuição da riqueza a uma escala nunca antes vista, certo é que a força laboral pouca hipótese tem de disfrutar da riqueza gerada apenas pelo trabalho.
4. Por outro lado, o trabalho - mecanizado ou não - frequentemente se torna monótono e opressivo; ainda que fonte de riqueza ou mero sustento do operário, é fisicamente exaustivo e mentalmente enfadonho.
5. Marx, aliás, a teoria marxista tem por referência dois grupos de pessoas com atitudes distintas, baseados em condições económicas objectivas, nem sempre conotados com a ideia de propriedade. Assim, os trabalhadores de colarinho branco disfrutam de melhores condições de trabalho do que os desengravatados.
6. Os grupos privilegiados têm melhor acesso às regalias materiais cultivando um prestígio variável de uma comunidade para a outra - expl.: um professor universitário estadunidense jamais poderá atingir o nível social de um autodidata bem sucedido no mundo dos negócios.
7. Claro que as classes sociais dependem de factores económicos associados a rendimentos ou à força laboral. Porém, os estilos de vida adoptados poderão gerar simpatias para famílias de prestígio mas com poucos cabedais, enquanto que os "novos ricos" são desprezados por aqueles bem instalados na vida.
Nau
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Nº. 204 - As Classes Sociiais, I
1. O que constitui uma classe social? Sem dúvida que é um grupo de pessoas com uma atitude comum face aos meios de produção.
2. Porquê o relevo dado aos meios de produção? A resposta é muito simples: são estes que garantem o sustento da comunidade.
3. O que prevalecia nas comunidades pré-industriais? De certo que seriam os instrumentos adequados para o arroteamento das terras.
4. Quais seriam as primitivas classes sociais? Logicamente aquelas constituidas por pessoas que possuiam a terra (pioneiros, apropriadores, camponeses) e os que trabalhavam por conta destes (servos, escravos, camponeses sem terras).
5. Porque evoluem as classes sociais? Ao aumento de população e desenvolvimento de novas tecnologias os meios de produção dão origem a agentes mais qualificados..
6. Quais são as classes principais da era moderna? Obviamente os que possuem os novos meios de produção (industriais, capitalísticos, empresariais) e os que ganham o seu sustento vendendo a força do trabalho.
7. Porquê a omplexidade das classes sociais? Sempre houve conflitos no seio dos grupos de pessoas com interesses comuns: terra-tenetes vs camponeses; especuladores financeiros vs industriais; trabalhadores qualificados vs força laboral simples...
Nau
domingo, 3 de junho de 2012
Nº. 203 - Luta Popular Online
1. Segundo o SFRCI o primeiro dia de greve dos Operadores de Revisão e Vendas (ORV) bem como dos Operadores de Vendas e Controlo (OVC) da CP, nas linhas suburbanas da zona de Lisboa, teve uma adesão de 95% logo no primeiro dia (23/5/12).
2. Garcia Pereira no "Em Foco" da semana passada foi o prato forte da ETV, uma vez mais condenando a especulação financeira; o falhanço da supervisão do Banco de Portugal liderado por Vitor Constâncio; o buraco do BPN de 5 mil milhões de euros. A talho de foice, Garcia Pereira igualmente zurziu nos "serviços de informação" do Estado que, como é habitual, sobrevive implume.
3. A adenda do Documento de Estratégia Orçamental foi objecto de um oportuno comentário no 'Luta Popular Online' no passado dia 25 - "O que serve para Seguro e o PS, não serve para os trabalhadores e o povo!". Entretanto a equipa dos 'inspectores do cacimbo' passam revista às tropas e avaliam os resultados apurados na colónia plantada na parte mais ocidental da Europa toda.
4. O ensino público continua em franco progresso na via dos piores tempos da salazarquia. Roberto Carneiro, Marçal Grilo, David Justino e a inefável Lurdes Rodrigues de entre outros, estão vingados - o amontoado de alunos em salas e edifícios sobrelotados volta à baila.
5. O povo grego, mal-agradecido pelas magníficas benesses providenciadas pelo ardiloso programa de saque do FMI & Cia., recebe severas adomoestações de Christine Lagarde de que a coisa vai piorar. Por cá, estamos descansados - o dia de hoje é pior do que ontem, mas sensívelmente melhor do que o de amanhã.
6. O caso das secretas - como o próprio nome indica - é secreto. Os superiores interesses partidários alegadamente envolvidos em operações viciosas não se confirmaram... Logo, e porque não uma outra comissão de inquérito para distrair a malta?
7. Leia, comente e discuta o 'Luta Popular Online'.
Nau
sábado, 2 de junho de 2012
Nº. 202 - O Pensamento Único, IV
1. Desde os tempos do "monarquicos.com" e do malogrado "realistas.org" tenho insistido para que as pessoas se questionem acerca do fundamento monárquico.
2. Raros são aqueles que se aventuram a pôr em causa o seu pensamento único, embrulhando-o em valores que, como é sabido, serão tudo aquilo que é útil para a comunidade - logo, tanto válido para monárquicos como para republicanos.
3. Alguns (talvez os mais... distraídos) chegam a pôr em causa o princípio da hereditariedade e vitaliciedade do soberano, optando pelo pensamento único salazárquico de vários pretendentes.
4. Na falta de algo mais que possa justificar o pensamento único republicano, os putativos defensores da Coroa buscam na lei aquilo que mais carecem, isto é, o conhecimento intrínseco desta existir de acordo com as necessidades reais da comunidade.
5. Logo, os ortodoxos do pensamento único continuam fieis à prática salazárquica que sufragava o pretendente do seu agrado dentro dos prazos convencionais, mantendo a formalidade republicana, na linha daqueles que preferem a designação de Chefe de Estado em vez de Rei ou Presidente da República.
6. Aparentemente progressistas, os viciados no pensamento único não curam dos interesses da comunidade, afirmando-se monárquicos por mera argumentação clubística; assumindo-se como meros camaleões quanto à forma de gestão da comunidade: anti-comunistas, anti-liberais, anti-socialistas, etc., na linha do pensamento único republicano de índole anti-monárquica.
7. Nós, os cooperativistas, pretendemos a multiplicação de comunidades na Comunidade, dispensando outro tipo de pretendentes pois o nosso Rei é, de jure e de facto, D. Duarte Pio.
Nau
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Nº. 201 - O Pensamento Único, III
1. O pensamento único exerce uma influência irresistível às pessoas simples, acomodatícias, e/ou a espíritos perturbados, receosos de sofrer novas experiências desagradáveis, temendo o confronto com situações desconhecidas.
2. O pensamento único é tirânico, isto é, ilegítimo, mas debitado como vantagem àquele que está - política e economicamente - subordinado a outrem, mediante estratégias ardilosas com o fim de alcançar objectivos inconfessáveis.
3. O pensamento único é ruidoso e impante, dissuasor de qualquer reflexão mais cuidada; feroz contra qualquer hipótese de crítica - por mais construtiva que esta seja - porquanto a verdade é única e o eventual herege deverá ser apartado do convívio dos mais.
4. O pensamento único defende a opinião incontestável (ortodoxia pura!) rígida nas doutrinas morais, literárias ou artísticas, ordenada pela nomenclatura oficial, exigidas pela lei e a ordem pública.
5. O pensamento único é, naturalmente, hegemónico, prepotente, rancoroso; propalado por chefes ubiquitários e produzidos em linhas duplicantes: fardados por dentro e por fora; rigorosamente iguais, como tropas em formatura ou em parada, idistinguíveis uns dos outros - meramente estupidificantes.
6. O pensamento único não admite tresmalhos; leituras profanas; ideias ou conhecimentos fora do código e do ajuizamento estabelecido - a maioria não lê, não comenta, volta a cara para o lado para não se comprometer.
7. O pensamento único, sob roupagens progressistas, é consumismo puramente burguês.
Nau
Nº. 200 - O Pensamento Único, II
1. O comunismo, como sistema político, já no século IV aC fora exposto por Diógenes, Antístenes e Platão, embora este um pouco mais tarde.
2. Também no renascimento Tomás Moro e Campanela se debruçaram, religiosamente, acerca deste assunto, talvez baseados na ideia de que, sendo todos filhos de Deus, não se justificavam tais parcialidades.
3. No fervilhar do século XVIII, François Babeuf procurou ligar a teoria comunista à prática revolucionária, considerando que a propriedade privada era a causa de opressão e injustiça, acabando na vala comum, com o corpo separado da cabeça.
4. Os socialistas utópicos - Étienne Cabet, Robert Owen e Charles Fourier - avançaram, no século XIX, com as ideias dos falanstérios, isto é, colónias modelares, isentas de conflitos, bem como livre de repressões sociais e sexuais, como já foi exposto em anterior apontamento.
5. Marx e Engels prescreveram o comunismo como uma ideologia materialista de luta entre classes, optando por uma ditadura do proletariado a qual edificará uma sociedade em que cada indivíduo contribuirá segundo as suas capacidades e receberá de acordo com as suas necessidades.
6. Embora, tantos os primários como os universitários, se oponham à ideia da ditadura do proletariado (que, sem dúvida, é uma ditadura cristalizável nas cadeiras do poder) certo é que todo o mundo anseia pela figura do chefe que manterá o progresso burguês livre de cuidados políticos.
7. Nós, os cooperativistas, contentamo-nos com empresas de propriedade e responsabilidade partilhada, sem a persecução do lucro, bastando como chefes a figura providencial do nosso Rei.
Nau
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