sexta-feira, 15 de março de 2013

Nº. 483 - Fim de Semana


1. Reino é a comunidade de indivíduos súbditos do rei, sendo este o soberano por ocupar o primeiro lugar na jerarquia política.

2. Lembro uma vez mais que a figura do rei obvia disputas no topo da comunidade, permitindo que estas tenham lugar em forum próprio, isto é, na Casa da Democracia.

3. À laia de um segundo parêntesis acrescentarei que, para mim e segundo a tradição portuguesa, a Casa da Democracia é a continuação das antigas Cortes, mas sem nobres e sem prelados - apenas a grei.

4. Num fim de semana normal vêm à baila estes conceitos pela tendência de, sub-repticiamente, se pretender substituir reino - o reino dos portugueses - por nação definindo esta como o conjunto de indivíduos com a mesma origem étnica, dirigidos pelo mesmo governo.

5. Ora a nação será o território onde se nasceu, aspirando os nacionalistas um governo comum, próximo da ideia comunalista, diferindo desta pela primeira fazer a exaltação do que é próprio da nação a que se pertence - na linha da legitimação dos Estados e dos povos em vias de unificação - e a segunda por se integrar no conjunto de comunas que enformam o reino.

6. A imparável globalização de que tanto se fala jamais poderá ser contida pelo conjunto de indivíduos com a mesma origem étnica - por vezes o mesmo idioma ou vivência comum - porquanto a comunidade moderna engloba todos os cidadãos, sem distinção de étnias, credos religiosos e opções políticas.

7. A  diferença entre o conceito do chamado reino e a contra-partida anti-monárquica da nação reside no facto de qualquer republicano poder ambicionar o lugar de soberano a prazo, isto é, presidente da república, enquanto que o realista apenas cura do que é essencial - os consensos na Casa da Democracia.

Nau

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