sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Nº. 97 - Preconceito republicano

1. Confesso que, falar do Rei e da Família Real, me aborrece porquanto, sempre que o assunto vem à baila, logo se levantam os fundamentalistas - ora para cantar loas às figuras em questão, ora para as contestar por suposta afronta democrática.

2. Aquelas entidades são reverência para alguns como símbolo da grande Comunidade - a par da Bandeira e do Hino - embora bajulada por muitos num culto próximo da religiosidade, por amor ao passado comum ou mero encanto pelo fausto público inerente a tais funções.

3. Para os outros fundamentalistas, a figura do Rei, bem como da Família Real, ofendem o princípio democrático por tais membros não terem sido eleitos pelo povo, contentando-se com a teatralidade das fardas de gala e as vistosas condecorações, além das faixas das várias ordens do instituto civil ou militar, nas cerimónias oficiais.

4. Os exageros de uns e de outros confrangem-me, sendo difícil decidir o que será mais irritante: o exagerado culto reverencial ou a sornosa insinuação de que um idiota poderá ser entronizado Rei, omitindo que tal hipótese também se poderá verificar na figura do Presidente da República, dado que a idiotia ou oligofrenia poderá ocorrer por causas infecciosas e/ou traumáticas, existindo mecanismos para prevenir tal situação.

5. Por outro lado, é bom ter presente que a badalada igualdade dos cidadãos se verifica perante a lei - válida para Reis e Presidentes da República - dado que os homens apenas são iguais como espécie, logo diferentes em aspectos físicos, gostos, capacidades laborais, etc..

6. Curiosa é a obcessão republicana pelos actos eleitorais, dado que a maior parte dos cargos públicos não são sufragados - magistrados, agentes da autoriedade, funcionários administrativos, etc. - e são estes que mais interferência têm na vida do cidadão comum. Aliás, o Presidente da República eleito (por sufrágio universal ou colégio político) jamais terá a preferência de toda a comunidade, devido à génese partidária.

7. Esgotados os argumentos preconceituosos anti-monárquicos, avançam-se com os valores (tudo o que é útil à comunidade) válidos tanto para republicanos como para monárquicos, bem como com os critérios da meritocracia que tão arredados andam dos ciclos partidocráticos.

Nau

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