1. Acabei de ler a entrevista que Aline Gallasch-Hall deu ao semanário 'O Diabo'. Confesso que a expectativa era grande e, talvez por isso, aquela intervenção afigurou-se demasiado branda.
2. A oportunidade do manifesto "Instaurar a Democracia, Restaurar a Monarquia" de que a autarca lisboeta é subscritora não se questiona; que o objectivo daquele documento seja motivar a luta pela recuperação da soberania portuguesa parece-me desajustado visto que, em qualquer acordo, existirão cedências dos diferentes parceiros e apenas os mais fracos se sentirão diminuidos e/ou ameaçados.
3. Que sejam necessários debates abrangentes e mais informação acerca do fundamento da Monarquia, não há qualquer dúvida; mas falar de Valores monárquicos sem os especificar torna a dita informação palavrosa e, sobretudo, inócua. O rei será, em toda as funções, o campeador da Democracia porquanto evita disputas partidárias no topo da Comunidade.
4. Sempre que falham argumentos avança-se com a receita dos Valores - Morais!, Éticos!, etc. - que, sendo meros critérios tidos como importantes para o bem-estar comunitário - logo, património cultural luso - serão comuns a monárquicos e republicanos.
5. Afirmar que o rei está acima dos interesses partidários é um facto relevante, mas quanto à eventual inquinação de decisões por via de amizades... todos nós somos influenciáveis por aqueles que nos são mais chegados, logo, esse ponto, é algo de somenos importância.
6. Que "o rei está para servir [não para se servir!] e, como tal, controla as más acções do governo" parece mais um jogo de palavras do que uma reflexão bem ponderada - claro, trata-se de uma entrevista que não uma proposição doutrinária!.
7. No entanto, a juventude da entrevistada (bem visível na excelente fotografia exibida) será promessa bastante para outras intervenções, quiçá mais fracturantes.
Nau
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