1. Sem aviso prévio, irromperam pela sala de aula o inspector do ensino, o director do estabelecimento e o administrador local. Apesar dos afáveis cumprimentos e os sorrisos estampados nas caras de tais personagens, estes aparentavam ser oficiais de execuções sumaríssimas.
2. O professor, notoriamente desafecto ao regimen político e conotado com actividades subersivas, era acusado de pouca qualidade no ensino que ministrava e consumo imoderado de alcool o que, nesta última hipótese, correspondia à realidade, embora fora das salas de aula.
3. Cumpridas as formalidades, o professor, dirigindo-se aos alunos visivelmente preocupados pela tensão que se advinhava, pediu que todos colaborassem na solução das questões que iria apresentar.
4. Assim, no quadro preto, o professor foi escrevendo várias orações gramaticais cujas particularidades e analogias ia exemplificando, apagando umas, reescrevendo outras.
5. Numa das frases, certamente por lapso, o professor escrevera a palavra 'baptizado' sem o respectivo 'p' o que levou os membros da comissão executória a sorrir, tendo o director, discretamente, sublinhado o facto ao professor que prosseguiu como se nada fosse.
6. Em cada exposição, o professor, dirigindo-se aos alunos, aplicava a expressão habitual: "Não há qualquer dúvida? Tomaram boa nota do assunto?" Já tocava s campainha para o fim da sessão e a comprometedora palavra mantinha-se.
7. Foi então que, dando por terminada a aula, o professor disse aos alunos: "Uma vez mais vocês não estão com a atenção devida aos exemplos dados. Então não falta um 'p' na palavra baptizado?". O director sorriu e pensou para consigo "grande sacana!".
Nau
NOTA: apontamento editado no 'realistas.org' em 20/8/2011.
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