sábado, 31 de dezembro de 2011

Nº. 49 - Cooperativismo

1. Nos últimos apontamentos, tenho-me debruçado acerca da razão do cooperativismo, salientando que este é o contra-poder de recurso.

2. O movimento cooperativista assume-se como uma das armas eficazes para obstar o tentaculado Poder Económico - liberal ou socialista - representado por uma minoria possidente, fomentadora de soluções oligárquicas.

3. Embora muitos economistas (Karl Marx inclusive) considerem a instância económica como o fundamento nas ciências sociais, o que motiva o homem é o poder e a notoriedade.

4. Todos os outros animais se contentam com a mera existência e a reprodução. Apenas o homem padece de fama imortal e esta motiva o entesouramento como via para esse fim.

5. "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça!". Desejar ardentemente o mando e o renome sobreleva todo o conforto material alcançado. Os trabalhos de Hércules são disso um bom exemplo.

6. Logo, o importante é dominar o arrebatamento subjugador através de uma plataforma onde o diálogo e o consenso possa conduzir à satisfação das necessidades de cada um, de modo cooperativo.

7. Na persecução da doutrina aqui exposta fácil é concluir que os problemas da Comunidade serão resolvidos, democraticamente, dentro das comunidades, dispensando chefes a prazo que apenas servem para apoiar ou contrariar as maiorias apuradas em cada legislatura.

Nau

NOTA: apontamento editado no 'realistas.org' em 11/X/2011.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Nº. 48 - Cooperativismo

1. Terminei o meu último apontamento afirmando que o cooperativismo é a via pragmática para a formação do contra-poder. Afinal o que é o contra-poder?

2. Segundo Bertrand Russel, "o conceito fundamental na ciência social é o Poder, no mesmo sentido em que a Energia é o conceito fundamental na Física". Logo, há enésimas formas de Poder: o poder real, o poder sacerdotal, o poder económico, o poder das massas ignaras, etc..

3. O poder coercivo do Estado, o poder do conquistador militar, o poder do criminoso sobre a vítima, etc., são da mesma natureza e mais ou menos violentos, segundo a óptica do perpretador/executor e do sujeito passível da acção em causa.

4. Nas questões de subsistência, o homem cedo teve que exercer um certo poder sobre a própria natureza, a fim de se apropriar dos frutos desta ou diligenciar para a produção dos mesmos, depois de ter ganho conhecimento das técnicas para esse efeito - o conhecimento é uma outra forma de Poder.

5. Ao fim e ao cabo, o Poder poderá ser uma necessidade, um capricho, mera urgência fisiológica ou pura satisfação pessoal, qualquer deles originados por factores circunstanciais.

6. Para encurtar razões, proponho que nos limitemos ao poder económico pois é este que afecta, em maior grau, o bem-estar da comunidade e que, por norma, se encontra nas mãos de reduzidíssimo número de pessoas, i.e., nas mãos dos Possidentes.

7. Sem dúvida que o Poder Económico é avassalador - abate vontades, alimenta práticas viciosas, decide o bem-estar ou a fome das comunidades, origina guerras, etc., logo, para dirimir os seus efeitos perniciosos, as comunidades cooperativas são o contra-poder adequado.

Nau

NOTA: apontamento editado no 'realistas.org' em 9/X/2011.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Nº. 47 - Cooperativismo

1. Para algumas pessoas, o cooperativismo é algo estranho, uma espécie de mahjong, jogo que vagamente se conhece mas com o qual não se está familiarizado.

2. O desconhecido provoca um sentimento de curiosidade ou de repulsa, embora a maioria assuma a indiferença para consumo externo, i. e., para salvar as aparências.

3. Segundo parece, o homem tem consciência que a sua integração na comunidade lhe é vantajosa. Porém, ao contrário de outros animais gregários, necessita que o governem.

4. Logo, o governo é uma forma do homem abdicar de uma boa parte do poder de decisão pessoal a favor de terceiros que estabelecem normas de conduta na comunidade.

5. Claro que o indívíduo se poderá eximir ao cumprimento das tais regras comunitárias ficando sujeito à condenação dos seus pares e/ou à força coerciva do Estado.

6. O governo estabelece, definitivamente, a fronteira entre dirigentes e dirigidos, havendo a possibilidade dos primeiros se tornarem opressivos, caso não exista uma cultura judiciosa de contra-poder.

7. O cooperativismo é a via pragmática para a formação do contra-poder.

Nau

NOTA: apontemento editado no 'realistas.org' em 8/X/2011.

Nº. 46 - O Diálogo I

1. Dialogar é coisa fácil, basta a existência de um interlocutor, tendo por objectivo a troca de informações, isto é, comunicar.

2. Logo, comunicar é tornar algo comum, quer por via oral, quer por sinais convencionais - representação gráfica (pictográfica, ideográfica, fonética e silábica) - ou mera linguagem gestual em que poderemos incluir o vagido da criança recem-nascida e a voz de outros animais parceiros do homem.

3. O diálogo pressupõe o confronto de ideias, de conceitos, de opiniões, sempre na linha do entendimentoe com vista à solução de problemas, de modo harmonioso como é apanágio do movimento cooperativo.

4. Dialogar, na óptica do cooperativista, jamais significará mera altercação, isto é, briga; polémicas com impugnação de argumentos; levantamento de dúvidas ou simples contestação da matéria acerca da qual se aguardam consensos.

5. Na comunicação doutrinária, os princípios que servem de base para o aliciamento de pessoas através da apresentação de factos e razões que não deixam qualquer espécie de dúvidas resumem-se em poucas palavras, pelo que a verbosidade apenas revela insegrança ou vulgarismo no mau sentido da palavra.

6. Argumentar, aduzindo razões que, através do raciocínio lógico, desembocarão em conclusões sustentáveis, é exercício de fraco recurso nestes espaços internáuticos, onde o insulto e os faits divers são o prato do dia.

7. Ninguém se mostra disponível para debater ideias, procurando apenas subscrever vulgaridades onde o seu nome apareça em letra bem redonda.

Nau

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Nº. 45 - As Crises

1. A crise da dívida soberana do Euro está para durar.

2. Pouco resta da supremacia europeia e a bengala estadunidense tem os dias, digo os anos, contados.

3. As potências emergentes - China, Índia, Brasil, África do Sul, etc. - contribuem para a progressiva instabilidade - política e económica.

4. O poder tornar-se-à, cada vez mais, precário e os consensos entre as nações mais difíceis e/ou desequilibrados.

5. Em vez de duas superpotências antagónicas, assistiremos aos continuados rodriguinhos regionais.

6. Coreias do Norte, tráfico de armas, intolerâncias religiosas, escravatura sexual e negócios da droga continuarão a gerar riqueza para um número retrito de pessoas.

7. Bruxelas adverte Portugal para ser dada prioridade a projectos que incidam sobre o crescimento e o emprego, como a reconversão de trabalhadores, a criação de clusters de empresas ou investimentos nas infra-estruturas de transportes, estas, obviamente, com tecnolgia germanica.

Nau

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Nº. 44 - Cooperativismo

1. Em 2002 algo parece correr mal no sistema económico e financeiro do planeta Terra.

2. Em 2008 a crise do subprime estadunidense dá sinais de se estender pelo resto do mundo.

3. Em 2010 as dívidas soberanas na Europa implodem e o grito é de salve-se quem puder!

4. Como uma desgraça nunca vem só, a catástrofe climática agudiza-se, mas cada um cura apenas do seu umbigo.

5. O conceito de desenvolvimento sustentável é nova bandeira, mas a articulação entre economia e ecologia não é pera doce.

6. Os excessos do socialismo burocratizado e tecnocrático terão que ser, urgentemente, corrigidos e o decrescimento vira a sinónimo de desenvolvimento sustentável.

7. A mobilização dos cidadãos para a denegação do consumismo tarda - o movimento cooperativo perfila-se no horizonte como a alternativa possível

Nau

Nº. 43 - A Dída Soberana

1. Ler o 'Luta Popular' poderá ser uma heresia para alguns, breviário para outros mas, sem dúvida, um refrigério para os descomprometidos.

2. O "Balanço do 2º dia da Convenção para uma Auditoria Cidadã da Dívida", editado no dia 18 deste mês com base na sessão realizada na 6ª-feira anterior, é boa matéria para reflexão obrigatória.

3. A badalada dívida pública resultou de abstrusos incentivos à desordenada utilização de créditos ao consumo, tendo por base taxas de juro muito baixas que, em termos bancários, apenas se tornavam vantajosos em progressão constante.

4. Claro que a utilização imoderada de tais créditos animaram a construção civil, bem como actividades ligadas ao lazer, criando postos de trabalho para técnicos, operários, artistas, etc., além de empresas ligadas ao sector imobiliário, turístico e, sobretudo, especulativo.

5. Ao fim e ao cabo, parte da dívida pública poderá ser considerada ilegítima, por ter sido realizada com intuitos pouco transparentes, quiçá dolosos, pela motivação da transferência de activos públicos para as mãos de privados.

6. Legítimo será questionar a existência de tantos bônzios na política e, acima de tudo, nas ciências económicas deste país, sem qualquer deles ter alertado os cidadãos para os riscos em causa, limitando-se a maioria a comentar o que já é óbvio.

7. Talvez o cooperativismo...

Nau

domingo, 25 de dezembro de 2011

Nº. 42 - Conto de Natal

a João Pestana Teixiera

1. É tempo de se presenteaer as criancinhas, contribuindo eu com uma historieta do tempo em que os outros animais falavam.

2. A seca era grande lá na selva e a água escasseava a olhos vistos pelo que os outros animais pediram ao Rei-Leão para convocar uma assembleia magna, a fim de serem estudadas as causas, bem como as eventuais soluções, para fazer face a tão viciosa crise.

3. Apareceram animais de todo mundo, num arremedo de Cimeira da Nato, não faltando os burros de Portugal pois, nestas coisas de botar discurso, ninguém os cala e até pagam para o efeito.

4. A impaciência da pequenada já é grande pelo que abreviarei o relato das intervenções citando apenas as passagens das propostas mais relevantes.

5. A macacada do costume, há muito habituada a sítios privilegiados, sugeriu a proibição do acesso ao aquífero local a todos os outros animais; o mocho alertou, sabiamente, para o facto de pouca água passar pelos bicos das aves, embora estas sejam as mais numerosas em população, pelo que os animais de boca grande deveriam ser eliminados; imediatamente os elefantes, e à laia de compensação, declararam abdicar dos banhos de lama tidos para o tratamento das suas delicadas peles.

6. Após muitas discussões, optou-se pelo que parecia ser mais óbvio, todos os animais de boca grande seriam eliminados, o que deu origem ao comentário de um avantajado hipopótamo que, afunilando a bocarra em geito de beicinho plangoroso, gemeu sofridamente: "coitadinhos dos crocodilozinhos que vão morrer", tudo isto dito com as profusas lágrimas de... crocodilo.

7. Moral da história: há sempre esquemas selectivos para os animais privilegiados se safarem! Porém, se ainda os outros animais falassem como os mais, o que faríamos com os oradores da Assembleia da República?

Nau

NOTA: apontamento editado no 'realistas.org', em 17/XII/2011.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Nº. 41 - Democracia

1. Terminei a deambulação pelos mestres clássicos que versaram o tema Democracia, com chave de ouro - Proudhon.

2. Procurei as raízes daquilo que ficou na memória sem curar o aprofundamento da matéria que - assim o espero - cabe ao eventual visitante deste espaço.

3. O meu objectivo é motivar uma reflexão acerca de um tema que será óbvio para todo o mundo, mas de leituras variadas.

4. Estando na moda o egocentrismo exarcebado na Internet, mais por necessidades narcisitas do que por preocupações intelectuais, o silêncio continua sepulcral.

5. Fácil é subscrever tudo que é anódino e/ou reflexo de meras paixões - sentimentos excessivos de amor/ódio - tal como se verifica nas disputas verbais futebolísticas em que os protagonistas nada protagonizam.

6. Embora remando contra a maré, tentarei relembrar os mestres dos nossos dias, particularmente aqueles que mais têm contribuido para a nossa maturação no tema versado.

7. Quem não tenha preconceitos e queira botar palavra que avance.

Nau

NOTA: apontamento editado no 'realistas org' em 30/9/2011.

Nº. 40 - Democracia

1. Dos reformadores sociais, de Marx a Lenine, incluido o próprio Saint-Simon, Proudhon é o único que se poderá afirmar como proveniente da classe operária.

2. O federalismo autogestionário sugerido por Proudhon assenta em três premissas: o trabalho pragmático; a solidariedade ideo-realista; o federalismo propriamente dito.

3. O trabalho - actividade física ou intelectual orientado à produção - é o gerador da economia e o sedimento da comunidade. A racionalização deste contra a manipulação oportunista e o entesouramento dos possidentes endémicos é o leitmotiv da revolução permanente.

4. "Toute idée naît de l'action e doit retourner à l'action, sous peine de déchéance pour l'agent". Logo, a capacidade dialogante motiva a transmissão de experiências e concerta a acção produtiva em si.

5. A conjugação da democracia económica mutualista e da democracia política federalista é o fundamento destas, possível a partir das associações autónomas de agricultores, consumidores, industriais, etc., em unidades cooperativas.

6. Sem dúvida que democracia significa governo do povo e tal não se limita à mera delegação em grupos oligárquicos e/ou à ingerência de tecnocratas ao serviço de demagogos.

7. "La souveraineté de la volonté cède devant la souveraineté de la raison, et finira par s'anéantir dans un socialisme scientifique" que, ao fim e ao cabo, é a revolução permanente.

Nau

NOTA: apontamento editado no 'realistas.org', em 29/9/2011.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Nº. 39 - Democracia VI

1. A democracia parlamentar era o sistema político do agrado de Stuart Mill, a par de um socialismo utópico possível (segundo ele) quando um escol de homens superiores finalmente superasse a brutalidade e ignorância das massas.

2. O equilíbrio entre a liberdade desejável e a opressão do poder sobre o indivíduo, tendo por catalisador a intervenção popular, dimiria as paixões desta. Logo, a solução governativa seria a de uma democracia autenticamente representativa, não só das forças maioritárias, mas também de outras correntes de interesses

3. As correntes de interesses, forçosamente minoritárias, impor-se-iam através de amplas discussões e propostas inteligentes, tornando viável a almejada igualdade e imparcialidade, isto é, um governo de todos para todos que justificaria o epíteto democrático, com base no paradoxo de que o povo que exerce o poder não ser o mesmo povo que o governa.

4. O socialismo utópico de Stuart Mill por herança paterna caracteriza-se pela necessidade de restrições serem impostas à propriedade privada, pois a única razão que autoriza os homens, individualmente ou colectivamente, a perturbarem a liberdade de acção de outrém é a protecção efectiva dos mesmos na base utilitária.

5. A liberdade económica e política justificam-se em estreita parçaria, sendo ambas factores de desenvolvimento e progresso, tanto da comunidade, como do indivíduo, e única via para atenuar a tendência da população em exaurir, irresponsavelmente e sem visão futura, os recursos materiais disponíveis.

6. Será igualmente importante fazer uma distinção entre as leis da produção e os da repartição, porquanto as primeiras existem por razões óbvias e necessárias por curar da sustentabilidade comunitária, enquanto que as segundas apenas se justificam pelo seu caracter legislativo, ambas possibilitando um equilíbrio periclitante, superável através de uma educação cívica progressiva.

7. As simpatias liberais e intervencionistas, bem como as tendências individualistas e socializantes de Stuart Mill justificam-se por este recusar a possibilidade de uma explicação mecânica para a comunidade, quando esta apenas carece do bem-estar.

Nau

NOTA: texto editado em 'realistas.org', 11/9/2011.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Nº. 38 - Democracia V

1. Para Spinoza, não é a cronologia do mundo que, em termos filosóficos, se deverá ponderar; o homem é um ser unitário e consciente - pensa, quer, deseja.

2. A liberdade não será a contenção do desejo mas a sua transmutação reflexionante - a inconsciência sobreleva o apetite ao desejo - libertando o homem da morte e de angústias metafísicas.

3. Pensar, querer, desejar - vizinhas da perfeição - são factores de alegria, de bem-estar, que se opõem às correntes trágicas que vão de Heráclito a Heidegger.

4. Sendo o poder, a realidade e a perfeição coisas idênticas, apenas esta última poderá conduzir ao sublime e, consequentemente, à excelência, i.e., à liberdade.

5. A liberdade está na natureza propriamente dita e no homem que decidirá o caminho a percorrer, superando a frustração do amanhã contingencial através da realização do necessário possível.

6. Só o conhecimento poderá conduzir o desejo à dignidade real e à sublime perfeição, pois apenas este definirá a utilidade comunitária - acquiescientia in se ipso.

7. Democracia poderá vir a ser o governo consciente do povo.

Nau

NOTA: Texto editado no 'realistas.org' em 8/9/2011.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Nº. 37 - Democracia IV

1. Para Aristóteles, a política era uma ciência sublime e o homem um animal comunitário graças à capacidade de dialogar.

2. A entreajuda reforça os laços comunitários e estes procuram satisfazer as necessidades individuais, isto é, melhor segurança, conforto e felicidade comunal l.

3. O direito que, por mais elementar que seja, não passa de um conjunto de regras moralmente justas e imparciais, peca pela mera despersonalização.

4. Logo, segundo Aristóteles, o melhor governo seria aquele proporcionado pelo rei o qual, com base nas regras estabelecidas, usaria a prudência na aplicação das mesmas.

5. Porém, a autoridade do monarca poderia tornar-se arbitrária - por simpatias ou desafectos pessoais - provocando uma eventual degradação da capacidade governativa, que nem rei, nem lei evitariam.

6. A democracia é a forma de governo menos boa e, simultaneamente, menos má como o próprio Platão já tinha reconhecido e Aristóteles subscrevera, embora ambos se preocupassem com o facto da maioria ser inferior em qualidade à minoria competente.

7. Talvez um equilíbrio fosse possível através da educação sistemática, abjurando o estado polícia, por natureza corruptível.

Nau

NOTA: texto apresentado no 'realistas.org' em 29/8/2011.

Nº. 36 - Democracia III

1. Ortega y Gasset afirmava, na introdução ao seu livro "La Rebelion de las Masas", que os homens, quando não sabem o que dizer, falam da humanidade.

2. Talvez isso fosse possível no início do século passado, mas hoje o género humano democratizou-se e todo o mundo só pensa na democracia, em ser democrata, em democratizar o planeta.

3. A humanidade, significando um ser colectivo ou sentimento de benevolência, está tão arredada do espírito dos homens em geral que apenas há lugar para os interesses particulares.

4. Entende-se democracia como delegação de decisões o que agrada à maioria da população, contentando-se, uma pequena parte desta, a meter o voto na urna - último acto de esperança e/ou de revolta, dado que os governantes são meros camalões.

5. A cor muda, apenas a motivação do oligarca varia de acordo com o interesse dos possidentes, dos oportunistas, dos músculos do bravata...

6. Nos dias de hoje onde há petróleo a revolução é um facto; noutros termos apenas a rebelião é possível caso esta sirva os interesses de minorias locais e/ou internacionais, num jogo de xadrez pouco convencional.

7. Como a Victor Hugo ocorre-me: "Ah, l'Humanité, l'Humanité!", quero dizer: Ai, a Democracia, a Democracia! - Mas afinal o que é a Democracia?

Nau

NOTA: texto publicado no 'realistas.org' em 28/8/2011.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Nº. 36 - Democracia II

1. Excepto nos casos de malformações congénitas, os homens vêem, ouvem, saboreiam e cheiram de modo idêntico, logo são todos iguais.

2. Abro aqui um parêntesis para salientar que a diferença entre o homem e a mulher não é de espécie, mas de sexo, entrando este para a função reprodutiva e não só.

3. Porém, a igualdade - abstraindo-nos dos elementos hereditários, ambientais e educacionais - é suposta verificar-se apenas perante a lei que, na realidade, é contingencial.

4. A democracia abarca tudo e todos por ser mais simpática do que a caluniada tirania, não esquecendo que esta, na Grécia Antiga, era o recurso a prazo para a ineficiência democrática que, na altura, apenas motivava (entenda-se, a democracia que não a ineficiência) 20% da população, não dispensando a democracia da força do trabalho escravo.

5. Os oligarcas adoram, literalmente, a democracia porquanto é esta que lhes assegura o acesso às cadeiras do poder, embora o respaldo nas almejadas cadeiras dependa da aquiescência dos possidentes.

6. Segundo Leopardi, a raça humana está dividida em duas partes desiguais: a minoria utiliza o poder opressivo; a maioria submete-se aos efeitos desse poder, i.e., uns procuram dominar por todos os meios, enquanto outros se deixam conduzir à laia de carneirada.

7. No entanto, uns e outros não prescindem do epíteto democrático por este ser apenas uma referência lisongeira, aliás, uma moda, entrando-se no desaforo pleonástico de democracia popular.

Nau

NOTA: texto apresentado no 'realistas.org' em 27/8/2011.

Nº.34 - Democracia I

MONITA PUBLICA: por erro dos escribas de serviço,
foi omitido um parágrafo no último
apontamento de Nau ao qual, publicamente,
apresentamos as nossas desculpas,
transcrevendo na íntegra o referido
apontamento.

AA/MM

1. Ao contrário do futebol, a governação propriamente dita apenas interessa a uma minoria mas, à semelhança do futebol, todos têm opiniões e remoques acerca do governo.

2. Sem dúvida que a maioria das pessoas está somente preocupada com aquilo que afecta as suas vidas quotidianas, não mostrando grande interesse (compreensão?)pela política nacional e/ou internacional.

3. Para a maioria da população a feitura das leis pouco importa; a percentagem de votantes em cada acto eleitoral atinge percentagens tão insignificantes que apenas passam despercebidas pela engenharia do escrutínio.

4. Votar é uma chatice. Porém, quando o governo afecta opressivamente os interesses do indivíduo, aumenta impostos, corta benefícios, arruina o padrão de bem-estar (fictício ou real) a que o cidadão comum está habituado, o rastilho precisa apenas de uma hipótese de pólvora.

5. A democracia não significa melhor qualidade de vida, sendo até possível
que uma oligarquia bem organizada atenda mais eficiente e rapidamente as necessidades da população. O defeito do poder oligárquico reside na infantilização popular.

6. De facto, a democracia torna-se ineficaz: quando permite o acesso ao poder de políticos pouco qualificados que, geralmente, fomentam a corrupção; quando vacilam na tomada de decisões; quando se fragmentam em questões de técnicas meramente parlamentares.

7. A corrupção na democracia é pior que nos regimenes tendencialmente oligárquicos, porquanto nestes o espólio é compartilhado por uma minoria, particularmente quando essa minoria tem à cabeça um demagogo encartado.

Nau

NoTA: texto apresentado no 'realistas.org' em 26/8/2011.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Nº. 34 - Democracia I

1. Ao contrário do futebol, a governação propriamente dita apenas interessa a uma minoria mas, à semelhança do futebol, todos têm opiniões e remoques acerca do governo.

2. Sem dúvida que a maioria das pessoas está somente preocupada com aquilo que afecta as suas vidas quotidianas, não mostrando grande interesse (compreensão?) pela política nacional e/ou internacional.

3. Para a maioria da população a feitura das leis pouco importa; a percentagem de votantes em cada acto eleitoral atinge percentagens tão insignificantes que apenas passam despercebidas pela engenharia do escrutínio.

4. Votar é uma chatice. Porém, quando o governo afecta opressivamente os interesses do indivíduo, aumenta impostos, corta benefícios, arruina o padrão de bem-estar (fictício ou real) a que o cidadão comum está habituado, o rastilho precisa apenas de uma hipótese de pólvora.

5. A democracia não significa melhor qualidade de vida, sendo até possível que uma oligarquia bem organizada atenda mais eficiente e rapidamente as necessidades da população. O defeito do poder oligárquico reside na infantilização popular.

6. A corrupção na democracia é pior do que nos regimenes tendencialmente oligárquicos, porquanto nestes o espólio é compartilhado por uma minoria, particularmente quando essa minoria tem à cabeça um demagogo encartado.

Nau

Nota: texto apresentado no 'realistas.org' em 26/8/2011.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Nº. 33 - Democracia e Cooperativismo

1. Democracia significa governo do povo, mas a maioria não sabe governar (sobretudo a vida privada) e grande parte governa-se - mormente os governamentais...

2. Governar por delegação é outra loiça, porquanto os delegados são, teoricamente, imputáveis, mas beneficiando sempre, à semelhança dos possidentes, da lei de conveniência, i.e., aquela que lhe é mais favorável.

3. A delegação poderá verificar-se por sufrágio universal ou por votação seccionada e em pirâmide, tendo por base agrupamentos profissionais, trabalhadores de unidades fabris, cidadãos vinculados a actividades económicas, etc..

4. O sistema de votação por assembleias múltiplas, pleonasticamente denominado por democracia popular, consiste na eleição de delegados para amplas assembleias das quais sairão outros delegados, apurados entre si, para assembleias cada vez mais restritas, até ao cume, onde têm lugar os tecnocratas do costume.

5. Provavelmente, o futuro disponibilizará esquemas para o controlo democrático mais eficiente do que a mera delegação como, por exemplo, o voto por sistemas unipessoais electrónicos, para uma intervenção pontual eleitor/governantes.

6. Claro que tal hipótese não obviará a viciação sectária - quer por excesso de informação, quer por outros tipos de pressão manipulatória, i.e., pão e circo - receita infalível vinda lá dos tempos da Antiga Roma.

7. O cooperativismo procura atenuar os efeitos partidorites promovendo comunidades mais solidárias e de gestão democrática dentro da grande comunidade a que pertencemos.

Nau

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Nº. 32 - Cooperativismo

1. Segundo parece, a ordem destes apontamentos foi, acidentalmente, alterada, tendo o Nº. 30 sido editado antes do Nº. 29.

2. Embora tal engano não faça perder o fio ao assunto, recomendo que seja respeitada a sequência numérica natural e, se possível, um comentário acerca dos problemas em questão.

3. O cooperativismo, à semelhança de qualquer outra doutrina, tem os seus quês, mas o mais importante é salientar o espírito associativo empenhado na satisfação das necessidades económicas, sociais e culturais dos seus cooperadores.

4. A conversar é que a gente se entende e esta verdade tão comezinha foi a razão do sucesso civilizacional do género humano.

5. Para lá de quaisquer actividades que se desempenhe - académicas, profissionais, desportivas, etc. - bom será tentar a criação de grupos destinados à implementação de projectos de interesse comum.

6. Aqui foi sugerida a criação de cooperativas de consumo - além de editoras, postos de radiodifusão, empresas de serviços, etc. - não só para satisfazer as necessidades pessoais/familiares, bem como a racionalização das mesmas.

7. Oportunamente (monarquicos.com) indicámos os passos necessários para a fundação de uma cooperativa e, embora as regras portuguesas sejam alteradas de hora a hora, servirão como referência para o efeito, basta haver determinação da vossa parte.

Nau

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Nº. 31 - Cooperativismo

1. Algumas pessoas não participam neste espaço dedicado ao movimento cooperativo por considerarem o mesmo obviamente partidarizado.

2. Uma vez mais sou forçado a esclarecer que este espaço não está comprometido com qualquer facção política do especto partidário existente.

3. Sem dúvida que é um espaço duplamente realista por se prender, de maneira prática e objectiva, com o que é real, verdadeiro, pragmático, e por se considerar súbdito da Coroa Portuguesa.

4. De facto, o movimento cooperativo proclama de raíz a sua total independência a qualquer orientação partidária, embora manifeste tendências nesse sentido, até nas denominações: Cooperativa 25 de Abril, etc..

5. Por outro lado, bom é ter presente que o espírito burguês (sobretudo o espírito burguês possidente) está vinculado às instituições republicanas por estas lhe permitirem a nomeação do Chefe de Estado quando o controlo parlamentar não lhe é possível.

6. Talvez não seja displiscente sublinhar que o apego da dita burguesia ao Estado de Direito - ao qual frequentemente se exime através da força timocrática - reside no facto deste garantir o seu património, apenas o debicando por força da opinião pública.

7. Assim, tal como ontem, lembrarei que o espirito cooperativo aumentará o número de cidadãos criteriosos, estes logicamente monárquicos.

Nau

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Nº. 29 - Cooperativismo

1. O exemplo ontem apresentado levanta várias questões.

2. Embora todos os associados possam usufruir dos baixos preços apurados em relação aos praticados no mercado, a diferente contribuição de cada um dos cooperadores é significativa.

3. Logo, no compromisso por todos inicialmente assumido poderão ser avançados vários esquemas, alguns dos quais passo aqui e agora a exemplificar.

4. O método mais simples será a fixação de preço/cópia único, sendo os valores finais (realizado/custos deduzidos) proporcionalmente distribuidos pelo cooperadores em benefícios.

5. Da proporcionalidade atrás mencionada se infere que - tanto o cooperador B (que facultou o espaço), como o cooperador C (que dispensou o equipamento ou os fundos para aquisição do mesmo) - serão ressarcidos das contribuições prestadas.

6. Claro que o valor atribuível ao espaço facultado por B perdurará, enquanto o projecto se mativer no local facultado, ao contrário da contribuição realizada por C; mas como quantificar a ideia de A? Não estará o dito valor na mesma linha dos que contribuem para a funcionalidade do projecto (colocar papel na máquina, substituir tinteiros, manutenção do equipanmento, etc.)?.

7. O importante é, cada um dos associados, ter presente os benefícios alcançados e a prática cooperativa.

Nau

domingo, 11 de dezembro de 2011

Nº. 30 - Cooperativismo

1. Na leitura dos últimos apontamentos, aqueles que se deram ao incómodo de os ler poderão questionar - porquê a distribuição de eventuais resultados líquidos?

2. Tal prática (a distribuição de dividendos) não será um tanto ou quanto capitalista ao estabelecer a quantia que recebe cada sócio da empresa, da sociedade anónima, da sociedade colectiva, etc., na divisão de lucros?

3. De facto, na prática cooperativa a satisfação das necessidades dos cooperadores é o fundamento da sua existência, abjurando da persecução do lucro apenas justificado na realização de negócios.

4. Porém, na gerência de qualquer actividade económica é curial manter fundos de reserva (até porque alguns destes estão previstos no Código Cooperativo) e há sempre a possibilidade de se verificarem imprevisíveis excedentes.

5. Logo, cabe aos membros da cooperativa decidir se o valor excedentário deverá ser incorporado no fundo de reserva para reforço deste, investido noutras actividades ou meramente distribuido.

6. Para além do objectivo de libertar os seus associados dos encargos respeitantes a lucros de intermediários, o cooperativismo igualmente se preocupa com a formação dos cooperadores, apostando na elevação do nível cultural dos mesmos.

7. Sem dúvida que a disseminação do espírito cooperativo aumentará o número dos cidadãos criteriosos, estes logicamente monárquicos.

Nau

sábado, 10 de dezembro de 2011

Nº. 28 - Cooperativismo

1. O princípio cooperativo de concertação de várias pessoas para trabalho de interesse comum nem sempre é bem compreendido.

2. Vejamos: o A tem uma ideia, o B disponibiliza o espaço para o desenvolvimento da mesma e o C o equipamento necessário para o fim em causa.

3. Claro que ao trio mencionado no parágrafo anterior poderemos acrescentar ene pessoas e o efeito será o mesmo: diálogo, consenso eventual, concerto do empreendimento.

4. Exemplifiquemos: a frequente necessidade de fotocópias, um local acessível e uma disponibilizada máquina resolverá, a preços moderados, as necessidades dos aliciados cooperadores.

5. Bom é ter presente que na cooperação de cinco pessoas há seis identidades: os cooperadores propriamente ditos e o projecto concertado entre eles. Logo, projecto extinto, nada há para distribuir pelos associados, porquanto os benefícios de/para cada um foram, a seu tempo, criteriosamente determinados.

6. O exemplo trazido à colação poderá parecer um tanto ou quanto rebuscado, pois o equipamento seria facilmente reduzido a patacos e o montante apurado distribuido pelos cooperadores... e a ideia avançada por A? e o espaço cedido por B? e a energia de alguns para que o projecto funcionasse? como calcular as mais valias?

7. Logo, extinta a sexta identidade, nada haverá para distribuir pelos cinco cooperadores, devendo o rescaldo ser religiosamente cedido a terceiros.

Nau

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Nº. 27 - Cooperativismo

1. Sempre que se faz uma surtida pelo princípio cooperativo, logo vem à baila a história dos pioneiros de Rochdale.

2. Aos neófitos entusiastas por estas minudências, recomendo uma peregrinação ao condado de Lancashire, Inglaterra, para um revivalismo extemporâneo.

3. Claro que o associativismo é um impulso natural na espécie humana - tem barbas! - e não foram as sequelas da Revolução Industrial que o condicionaram.

4. Em terras lusas, as vetustas bolsas marítmas do Porto e de Lisboa; o entendimento entre agricultores para regadio das suas courelas; até mesmo a Casa dos Vinte e Quatro são indícios de união de pessoas com fins e interesses comuns.

5. Porém, é essa mesma costela lusa - já denunciada por romanos devido ao descomedimento anárquico - que muito opina e pouco maquina.

6. Embora indisciplinado por natureza, facilmente vai em cantigas pela aversão em assumir compromissos ou meras responsabilidades.

7. O princípio cooperativo pressupõe o concerto de várias pessoas em determinado trabalho de interesse comum, sem predestinados mandantes ou atávicos executantes.

Nau

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Nº. 26 - Burguesia & Tal

1. Com o estertor da Idade Média e o esbatimento da respectiva classe castrense à qual, segundo as leis consuetudinárias ou escritas de então, se reconheciam certas prerrogativas transmissíveis por herança, a burguesia cresceu, em número e força política.

2. Este fenómeno burguês deveu-se ao alargamento das rotas de comércio; à maior segurança nas estradas e, sobretudo, ao espírito aventureiro e empreendedor de homens que, regularmente, carreavam os produtos do local da produção para os grandes centros de consumo.

3. Vezes sem conta tenho chamado a atenção para este quadro porquanto foi do mesmo que fermentou o espírito de usura de uns (os prestamistas) e o de entesouramento de outros (os burgueses) que cedo procuraram conquistar o poder político, já na Idade Média.

4. Os primeiros também eram conhecidos por usurários devido ao capital que disponibilizavam... com juro excessivo; os segundos eram tidos como possidentes, pelas garantias materiais que eram obrigados a sofrear para o acesso aos empréstimos adequados às suas actividades.

5. Os banqueiros (na linha dos usurários) e os burgueses - não confundir burgueses possidentes (aqueles que disfrutam de largos cabedais) com burgueses serventuários que apenas dependem dos ditos possidentes - formam o núcleo duro do capital e, para defesa dos seus interesses, manipulam os atrás mencionados serventuários.

6. A classe média - na expectativa da promoção ou despromoção - meramente serventuária, por vezes, ascende aos quadros administrativos (empresas e/ou função pública) e até aos governamentais, embora sofra os condicionamentos impostos pelo capital. Restam os desprovidos que, na luta pela sobrevivência, apenas sonham com pão e circo.

7. Durante largo tempo os possidentes foram tidos como a classe dinâmica e produtora de riqueza que esportulava parte dos seus bens em benefícios dos serventuários, bem como dos desprotegidos. Porém, a fome de poder é tanta que os grandes se comem uns aos outros e quem se lixa...

Nau

Nota: texto apresentado no 'realistas.org' em 15/X/2011.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Nº. 25 - Cooperativismo vs competitividade

1. A crise económica dos anos 20 do século passado - que foi tema do último apontamento - inscreve-se no ciclo de fluxo e refluxo da macroeconomia.

2. Porém, séculos de monoteísmo na Europa e a consciência de que a nova crença (comunismo) não é suficiente justificação racional para a governação de reformuladas minorias - tese constatada por intelectuais descomprometidos - deu azo a um sentimento de vazio.

3. Tal sentimento foi a mola para a emergência dos fascismos/nazismos que impunham a autoridade perdida com a decapitação de Luis XVI de França, inventando padrastos tenebrosos que varreram a Europa com fétidos ventos apocalípticos.

4. A emancipação do homem comum através da morte do rei apenas sortiu novas formas de escravatura, assentes na acumulação de riqueza por minorias e/ou a alienação total aos problemas sociais e políticos por mediação tecnocrática.

5. Resistente ao abandono de uma fé que justificava a sua existência, Emmanuel Mounier - a quem o mundo hedonista burguês repugnava pelo esbulho da riqueza comum - fraco aprazimento sentia pelas tentações socialistas que, prometendo um paraíso terrestre, apenas condicionavam o cidadão a meras estatísticas e viciados esquemas alienatórios.

6. Na senda de uma Nova Renascença e esforçados a fazer uma revisão radical de valores e princípios, começam os 'novos renancentistas' inspirados por Mounier por compreender que opressão não é apenas um facto económico e/ou político, sendo curial buscar a essência reformista no coração.

7. A doutrina cooperativista opõe a cooperação e o apoio mútuo à competitividade entre as pessoas.

Nau

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Nº. 24 - Crise económica

1. A uma crise financeira dos anos 20 do século passado que provocou a falência de muitos bancos comerciais, seguiu-se o pânico entre accionistas de várias empresas que acorreram às bolsas de valores para a venda dos seus activos, tendo o excesso de oferta provocado a queda de preços, bem como a ruina de muitos deles.

2. O epicentro deste cataclismo teve lugar na Wall Street e as ondas sísmicas caíram, com fragor, no outro lado do Atlântico, mergulhando a Europa - ainda combalida da carnificina de 1914|18 - numa série de conflitos sociais propícios à consolidação do fascismo em Itália e à ascenção ao poder do nazismo na Alemanha.

3. As loucuras do charleston, do jazz e das divas do cinema mudo que esbatiam e distanciavam as lutas pelo poder na Santa Rússia - tidas a ocidente como novos episódios da Revolução Francesa 'à la mode des Urales' - afogadas em muito champanhe e num esbanjar de dinheiro que, aparentemente, anunciava uma nova era de prosperidade e de bem-estar.

4. Vários são os centros de decisão económica, formados por unidade complexas de produção e de distribuição de bens e serviços, estas articuladas para a satisfação das necessidades do homem, objecto de aturados estudos, i.e., meras interpretações das necessidades económicas, através da indução e o raciocínio dedutivo.

5. A ciência não passa de um conjunto de conhecimentos acerca de um determinado domínio de fenómenos susceptíveis de interpretação que, posteriormente, servirão para avisos à navegação, avisos esses que, no campo das ciências empíricas em que a economia está incluida, são, sistematicamente, ignorados.

6. Apesar da contenção de despesas que a presente crise económica impõe, as empresas financeiras continuam a estimular o consumo, dado que é este a razão da sua existência, aumentando as taxas do prémio a pagar pela cedência do capital aprazado, por risco de incumprimento da parte do tomador.

7. O cooperativismo, na via mutualista, procura dispensar este tipo de intermediários.

Nau

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Nº. 23 - Corrupção

1. Às tantas, na intervenção anterior, toquei no âmago do problema que se verifica em qualquer tipo de governo - a corrupção.

2. O sentimento instintivo de cada um leva-o a procurar o que é necessário, útil ou agradável para si, motivando-o, por vezes, a actuar de forma lesiva aos interesses de outrém.

3. Pequenos atropelos, favorecimentos de pouca monta, simples fechar de olhos criam uma reciprocidade de dependências que poderão ganhar proporções criminosas.

4. A corrupção no seio político é um facto, apenas escandaloso quando cai no domínio público, sendo então utilizado para favorecer os interesses dos contrários.

5. Nenhuma forma de governo se encontra imune a tais procedimentos, seja este conduzido por tiranos, demagogos ou meros tecnocratas aprazados.

6. Logo, quando mais transparente for a governação da comunidade, menores serão os casos de corrupção, normalmente cultivados nas burocracias e meios partidários.

7. O cooperativismo é uma via para atenuar, até mesmo dissuadir, práticas corruptíveis.

Nau

domingo, 4 de dezembro de 2011

Nº. 22 - Democracia

1. Na última resenha do 'Luta Popular' deparamo-nos com uma questão, 'Que Democracia?', deixando esta pressupor a existência de várias.

2. A 26 de Agosto último iniciei uma série de apontamentos no 'realista.org' acerca de tal matéria, os quais foram interrompidos pela caterva de hackers que tornaram impossível qualquer participação racional.

3. Nas considerações preliminares aos referidos apontamentos salientei que, embora se fale muito de democracia, i.e., governo do povo, este mostra grande despreendimento por tudo aquilo que não afecta as suas vidas diárias.

4. O próprio acto eleitoral é-lhe indiferente, votando apenas uma minoria de partidários, de meros simpatizantes ou de nefelibatas disponíveis que a engenharia do escrutínio ajuda harmonizar.

5. Por vezes os Estados têm à cabeça figuras meramente decorativas como, por exemplo, a Salazarquia (Presidente Carmona) em Portugal e o Franquismo (Caudilho Franco) em Espanha, ficando a corrupção limitada ao núcleo duro.

6. As democracias parlamentares, frequentemente, pecam pela falta de cariz dos políticos envolvidos, fortemente permeávis a pressões de interesses particulares, motivadores de subornos através dos quais alguns conseguem algo oposto à justiça, à moral ou ao dever.

7. Tentarei catrapiscar os anteriores apontamentos, mas seria ouro sobre azul se o diálogo se estabelecesse neste espaço.

Nau

sábado, 3 de dezembro de 2011

Nº. 21 - Luta Popular

1. Na despedida do mês de Novembro, o "Luta Popular" comenta o "Manifesto da Treta", pelo punho de Soares Lobo, o qual(a não perder!)termina com o oportuno provérbio açoreano: "se queres falar comigo, está calado".

2. O orçamento de Estado para 2012 aprovado na Assembleia da República na mesma data da publicação do "Manifesto da Treta" é o bombo da festa . Termina o comentário com a frase: "Lutar é a única alternativa", mas a maioria está tão entretida com os jogos de futebol...

3. Com o título d'"Os provocadores infiltrados", o "Luta Popular" apresenta fotografias onde, distintamente, se reconhecem os manifestantes exaltados durante a greve geral de 24 de Novembro, que - por incrível que pareça! - já envergam a farda da polícia quando efectuam as detenções.

4. Num outro video, muito interessante, Garcia Pereira comenta a greve geral de 24 de Novembro, com a sua verve e lógica proverbial. Poderá não se estar de acordo com as propostas avançadas, mas vale a pena todo o mundo debruçar-se acerca das mesmas.

5. Cavaco Sila, depois da "campanha do mar" - assim começa o apontamento do "Luta Popular" de 30 de Novembro - volta à terra (digo eu) promulgando a lei que permite a cobrança de portagens nas SCUT... não há pachorra!

6. Sem dúvida que as susgestões do "Luta Popular" são muito oportunas, particularmente aquelas relativas ao Bloco de Esquerda que, pelas trapalhices de Louçã, deverá rever a designação para "Bloco Especial", na tentativa de que seja implementado "um capitalismo mais simpático e risonho".

7. Vale a pena ler e aprofundar o apontamento do "Luta Popular" do dia 28 de Novembro acerca da democracia sob o título 'Que Democracia?'. É um texto doutrinador e, como tal, deverá ser lido por apoiantes e não apoiantes do PCTP/MRPP, mas sobretudo analizado sem paixões e/ou facciosismos.

Nau

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Nº. 20 - Cooperativismo, Plutocracia e Estatismo

1. Quando a massa ignara, com um escasso nível de coesão, sobreleva o espírito comunitário, o Estado identifica-se com a sociedade e a política subordina-se à economia.

2. Abro aqui um parêntesis para salientar que a sociedade é um agrupamento de pessoas reunidas pela natureza e pelas leis, enquanto que na comunidade prevalece aquilo que é comum, que a todos pertence.

3. Logo, a lei na sociedade é a norma jurídica ditada pelo poder legislativo que protege os interesses da classe dominante, enquanto na comunidade a regra é pragmática por corresponder ao necessário para o bem comum.

4. Poderá parecer um jogo de palavras dado que lei e regra são do mesmo valimento. Porém, o importante é fazer a destrinça do objectivo que na sociedade será a minoria e na comunidade o todo.

5. Daqui se infere que a política do legislador na sociedade será a acumulação do capital em minorias, enquanto na comunidade aquele que faz as leis terá que atender ao crescente espírito cooperativo.

6. Como o sistema monopolista do Estado tende a um controlo integral dos sectores produtivo e distribuitivo já salientado no apontamento de ontem, lógico será os cooperadores manterem uma atitude de independência em relação a este.

7. Na prática, a doutrina cooperativa é a protecção possível no confronto com plutocratas e o predomínio do Estado (estatismo) em todos os campos.

Nau

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Nº. 19 - CECIM...

1. O mutualismo é um sistema de solidariedade social que permite aos seus associados efectuarem actividades produtivas e de consumo, sem o recurso a créditos de intermediários.

2. A mutualidade não se limita a dar ou tomar de empréstimo bens fungíveis, conforme salientado no parágrafo anterior; não tem accionistas - os seus membros agem, simultaneamente, como proprietários e gestores; não tem capital fixo pois este depende das operações efectuadas pelos seus associados.

3. Difere o espírito da actividade coperadora da capitalista por esta última procurar obter o máximo lucro através de cálculos sobre ganhos e custos; na transformação da força laboral em simples mercadoria; na acumulação do capital em minorias dominantes.

4. Estas minorias dominantes, a fim de evitarem concorrências desgastantes, bem como a apertada vigilância fiscal, procuram organizar-se em sociedades por acções, além de outras formas jurídicas que favorecem a acumulação de capital, coarctando a actividade de pequenos empresários.

5. Por outro lado, o próprio Estado também adopta o sistema económico monopolista quando, burocratizado por tecnocratas, assume o controlo integral do sector produtivo e distributivo da comunidade.

6. Proudhon foi o paladino do federalismo autogestionário por via de uma democracia económica mutualista que muito influenciou Marx e Engels, chegando este último a reconhecer o peso do doutrinador francês no seio do operariado no prefácio do "Manifesto do Partido Comunista" de 1890.

7. Em suma: CECIM, revolução. E porque não?

Nº. 18 - Revolução

1. Toda a revolução pressupõe uma mudança substantiva na constituição política ou na opinião pública de um Estado.

2. Essa transformação - geralmente rápida e significativa - poderá ocorrer com séria perturbação da ordem pública (indignação popular, golpe castrense, agitação de mercados, etc.) ou através de processos mais ou menos pacíficos devido à adopção de políticas, de esquemas ou de equipamentos adequados como, por exemplo, a introdução dos sistemas mecânicos, fautores da Revolução Industrial nos finais do século XVIII.

3. A Revolução Russa do século XX, na sequência da Guerra Mundial (1914-1918) foi assaz violenta e caracterizou-se pela liquidação do Antigo Regimen através de uma sanguinolenta guerra civil. Já a anterior revolução (1905) teve um caracter reformista-liberal e foi provocada pelo desaire havido no confronto de uma armada russa obsoleta com uma moderna esquadra japonesa.

4. No início do século passado, Gramsci argumentava: se o socialismo é uma visão integral da vida, é urgente uma acção educativa junto da classe operária, extensiva aos intelectuais que serão, simultaneamente, mestres e discípulos.

5. Sem dúvida que, empolgado pela Revolução Russa (1917) e pela verve dos seus frescos anos, Gramsci foi um espectador atento ao que se passava no Kremlin, sofrendo com as distorções e desaires havidos, estes atribuíveis à impreparação do povo em geral, bem como aos teóricos anarquistas, entre eles Kropotkin, embora este, apesar de muitos excessos, apresentasse algumas ideias promissoras, expl.: "Ajuda Mútua - Um Factor de Evolução" (1902).

6. Na senda da ajuda mútua, procura-se, neste espaço, disseminar a prática cooperativa, através de unidades de produção e/ou de consumo que satisfaçam as necessidades dos associados, unidades estabelecidas sob os princípios APC (amizade, proximidade, capacidade) que, como escola reformista da vida social, incentivarão a maioria a clamar pelo regresso do Rei.

7. O compromisso da Casa de Bragança para com o Povo é, tradicionalmente, renovado nesta data, 1 de Dezembro. Falta os cooperativistas, pragmaticamente, assumirem os seus compromissos.

Nau