sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Nº. 833 - Luta Popular


1. Embora se afirmem repetidamente de esquerda, a propriedade colectiva dos meios de produção, a supressão das classes sociais e a distribuição mais igualitária das riquezas, através de reformas levadas a cabo por gente 'esclarecida', são projectos tradiconalmente socialistas.

2. Logo, o socialismo engloba os utópicos que vão do conde Saint-Simon a Robert Owen; mais tarde abraça os teóricos da estirpe da Babeuf, Sismondi, Marx e Engels; no início do século passado assume o vanguardismo partidário de Lenine, apelidado de centralismo democrático, tendo por base a ditadura em nome das classes trabalhadoras.

3. Abro aqui um parêntesis a fim de salientar a pecha dos sociólogos que, à semelhança de Herbert Spencer, consideram o processo social como uma luta pela existência que leva à sobrevivência dos mais aptos, nesta linha justificando a arrogância das minorias na condução do destino dos mais.

4. Longe de mim a presunção de que a sociedade seja um organismo idílico onde floresce o amor terno e ingénuo, sem interesses perversos até no aspecto sexual, pois tenho presente que a vida se desenvolve aleatoriamente desde a infância à morte - "rien ne se perd, rien ne se crée, tout se transforme".

5. Só por descabido optimismo se poderá atribuir o canto de cisne à pujança do acometimento capitalista dos nossos dias, este baseado na propriedade privada dos meios de produção e do altar, digo, mercado onde se compram e vendem mercadorias, sobretudo a força laboral.

6. A hegemonia bicéfala de potências dominantes está a esboroar-se com a emergênvia de novos sátrapas que, procurando adquirir maior protagonismo, jogam em todos os tabuleiros, mormente sob a capa de um novo socialismo, procurando tirar aos pobres para dar aos ricos, numa versão aggiornata de Robin Hood.

7. Bom é ter presente que a luta popular só terá significado através de uma real prática cooperativa, tal como tem sido neste espaço defendido.

Nau

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