domingo, 23 de fevereiro de 2014
Nº. 828 - Psyche
1. Do inefável Paul Valéry, catrapisquei um dos seus pensamentos que me impressionou bastante: "A política foi durante muito tempo a arte de impedir as pessoas de se ocuparem com que é de sua conta. Tornou-se agora a arte de interrogar o que desconhecem".
2. Talvez seja esta a razão do descalabrado ataque (injúria e/ou mero acometimento) às ideologias e credos que, pela rigidez das fórmulas emocionalmente apresentadas com paus e pedras na mão e a frase predilecta do "crê ou morres!", se descredabilizam apenas motivando os que, pela força bruta, evidenciam as suas frustrações.
3. O empobrecimento material daqueles que trabalham na perspectiva de uma velhice como pensionista do Estado, embora colaborando para uma produção racional da riqueza e sendo a aspiração do maralhal, é falácia perante o pantagruélico apetite de usurários e oligarcas que, apenas por essa via, maçajam o seu ego.
4. A miséria e a doença numa sociedade consumista tem, por recurso último, a fé e esta, levada ao extremo dogmático, apenas infantiliza as pessoas tornando-as ainda mais carentes e passivas ao domínio parasitário das minorias que controlam os bens de produção.
5. Sendo o homem um animal racional tem, por norma, actuado irracionalmente no seu habitat, destruindo quando constrói obras arquitectónicas sem préstimo material como as antigas catedrais; construindo esquemas sociais que, pela sua complicada estrutura, o torna manipulável e insignificante.
6. Por outro lado, as doutrinas económicas postas em prática pelos actuais governantes de muitos países têm por fundamento teorias conjecturadas há 60 ou mais anos, na perspectiva de um avanço tecnológico imparável, tendo no pormenor, como na globalidade, soluções pouco credíveis.
7. Certo é que o consumismo satisfaz o momento, mas instila despeito e inveja pelo conceito de competitividade que o fundamenta.
Nau
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