quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Nº. 360 - A Fome de Imortalidade, II
1. Volta e meia, sugiro a simples mortais que se questionem acerca da razão de ser monárquico.
2. Muitas das opções políticas assumidas foram construidas no ambiente familiar, no círculo de amigos, na formação pessoal, isto é, na maneira por que se constitui uma mentalidade ou um carácter.
3. Porém, o aprofundamento da opção manifestada pode variar no decorrer da vida de cada um, segundo o processo de aquisição da felicidade, bem como da fome de ser imortal.
4. Parafraseando Unamuno com deliberada inversão dos termos direi que não é preciso sentir o destino, basta apenas pensar no dito como um todo, guardando os aspectos particulares para os tempos de controlada distensão.
5. As religiões tentam dar resposta para a questão do sentido da vida que projecta a eternidade, embora a morte seja algo certo, evidente na linha do nascer, crescer, morrer que racionalmente entendemos.
6. Na conquista da felicidade - porquanto esta apenas se atinge com merecida luta - é forçoso definir os caminhos que temos intenção de seguir, estabelecendo rotas e metas.
7. Ser monárquico não basta. Urgente é definir o caminho para atingir o objectivo em causa e a chave será o cooperativismo - sistema associativo fundamentado no princípio cooperativo para afrontar quer o capitalismo liberal especulador, quer o capitalismo estatal burocratizante.
Nau
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Nº. 359 - A Fome de Imortalidade
1. Ao rítmo dos nossos dias, dentro em breve haverá mais blogs monárquicos do que adeptos daquela instituição política.
2. Segundo a prática corrente, cria-se um espaço e/ou envia-se uma mensagem para um web log e, de imediato, todo o mundo fica a conhecer as suas opiniões, emoções e comichões.
3. A rapaziada de esquerda, igualmente viciada na blogomania, nunca se esquece de subscrever as suas intervenções com nomes bombásticos - Ilyich Lenin, Che Guevara, Trotsky e outros que tais.
4. Nas assinaturas, certos monárquicos são, por natureza, modestos usando nomes sonantes como Brúcio de Brebúcio Iça de Porra Rastaparta e Chiça com que julgam impressionar os papalvos.
5. A preocupação de se identificar com personagens fabulosas e linhagens ilustres é compreensível, principalmente quando o valimento pessoal é fraco e o desejo de merecer a admiração dos outros é muito forte.
6. Estimular o senso crítico - pessoal ou de outrem - é meritório, mas as intervenções monocórdias e descabeladas são um desperdício de tempo e, sobretudo, indesculpáveis.
7. Aos monárquicos menos distraídos atrevo-me a sugerir a receita habitual, questionem-se afincadamente: porque sou monárquico?.
Nau
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Nº. 358 - Mov. Democracia Directa - DD
1. Acabei de ler alguns apontamentos do "Movimento para a Democracia Directa - DD" que reputo de bastante interesse.
2. Fiquei, no entanto, apreensivo quanto ao facto do dito "Movimento" se afirmar apartidário por tal me parecer um contra-senso.
3. Define-se partido como grupo de pessoas unidas em princípios e actividades comuns para a consecução de determinados objectivos políticos.
4. Logo, o "Movimento para a Democracia Directa - DD" actua como uma facção partidária, embora não esteja fidelizado a qualquer corrente política.
5. De um modo simplista, as correntes políticas dividem-se em três grandes famílias: a liberal, a socialista e a cooperativistas.
6. A liberal é representada pela maior parte dos partidos burgueses; a socialista compreende os sociais-democratas, os socialistas democráticos e os comunistas; o cooperativismo apresenta várias tendências.
7. Como todo o mundo sabe, o cooperativismo aqui defendido é de inspiração monárquica.
Nau
domingo, 28 de outubro de 2012
Nº. 357 - O Megapolismo
1. Em 2011, cerca de metade dos cidadãos portugueses viviam em regiões urbanas.
2. O afluxo aos grandes centros populacionais, nos próximos anos, aumentará exponencialmente.
3. Assim, nas grandes urbes cá do sítio habitam 5,1 milhões de pessoas (49%), nas regiões intermédias 1,6 milhões (15%) e nas zonas rurais 3,8 milhões (36%).
4. Na União Europeia, as percentagens serão, respectivamente, de 41%, 35% e 23%.
5. Dados comparados, facilmente se cocnclui que as cidades intermédias portuguesas têm menor capacidade para fixar a população..
6. O mundo rural português, embora com uma média superior à da UE, tem uma produção menor pelo que necessita de importar grande parte dos produtos agrícolas.
7. Moral da história: tanto o liberalismo, como o socialismo têm tido políticas sociais tecnicamente erradas.
Nau
sábado, 27 de outubro de 2012
Nº. 356 - Henrique Sousa
1. Com muita coragem, alguns simpatizantes monárquicos e/ou meros cooperativistas têm dado relevantes notícias acerca do CECIM.
2. Embora, pomposamente, se apresente como um "centro de estudos cooperativos de inspiração monárquica", este não passa de um grupo de carolas que, graças às novas tecnologias, comunicam entre si, mantendo um escrivão de serviço para o relato dos factos e dos fastos.
3. O técnico de serviço - sempre ocupado com a sua função profissional - pouco tempo tem para resolver os vários problemas que defrontamos no CECIM, limitando-se a combater os ataques hackerianos, pelo que o amadorismo da maioria impera, na via do desenrascanso à portuguesa.
4. O observador de serviço não tem mãos para toda a obra, umas vezes assinalando parciosamente apontamentos com muito interesse, outras vezes inundando as caixas do correio electrónico com vasta informação o que torna difícil apreciar e comentar todos os casos em tempo útil.
5. Fica assim justificada a razão do atrazo em nos debruçarmos perante o fenómenos Henrique Sousa que, além de plumitivo de mérito reconhecido (já estamos a lançar a escada para o futuro "Prelo Real - livreiros, editores") tem obra no estudo e divulgação das novas tecnologias - http/inerte.horabsurda.org).
6. O CECIM perfaz um ano de actividade como independente, dentro em breve, pelo que se encontra em preparação uma nova via para a divulgação da doutrina monárquica, bem como das realidades cooperativas, com entradas selectivas e pontuais durante a semana.
7. Regularmente introduziremos neste espaço apontamentos acerca do 'Portal da Cidadonia', ´Doutrina Monárquica', ´Real Actividade Cooperativa', 'Prelo Real', 'Luta Popular', 'Fim de Semana' e 'Psyché', além de muitas mais informações de presumível interesse geral.
Nau
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Nº. 335 - A Palavra do Rei
1. Tenho seguido, com a regularidade possível, os comentários acerca do discurso do principe herdeiro da Coroa Portuguesa, pronunciado no Palácio da Independência, no dia 5 de Outubro, data do Tratado de Zamora que confirmou, no recuado ano de 1143, a soberania do Reino de Portugal.
2. Sem dúvida que, por lapsus linguae, Vitor André Ferreira Monteiro, no Movimento de Unidade Monárquica, refere-se ao autor do discurso em questão como o "pretendente ao trono" esquecendo que o mesmo nada pretende, apenas se afigura como o Chefe da Casa Real, disponível para assumir as inerentes responsabilidades, logo que a maioria dos portugueses assim o entendam.
3. Salienta o referido comentador que D.Duarte não se limita a observar como mero espectador os problemas que afligem os portugueses, mas debruça-se acerca das possíveis soluções o que, de facto, o distancia da verborreia oficial, bem como dos estultos e panegíricos discursos dos apaniguados do regimen vigente.
4. O acesso à igualdade de oportunidades sem descurar o esforço laboral de cada um que deverá ser dignamente compensado; a importância do trabalho e esforço dos funcionários públicos agora na mesa de estiramento por erros de compadrio e desvarios políticos; os apelos dos demagogos do costume que oportunisticamente exigem a baixa de impostos - tudo ocorre à memória como um mau filme que apenas aterroriza.
5. A crise europeia, pensando na fraca estrutura da economia doméstica, apenas tem a solidariedade como saída de emergência. No entanto, é forçoso repensar a comunidade que somos à vários séculos e, para uma justiça social efectiva, aproximar os políticos dos cidadãos e estes para o que é importente na política.
6. De facto a Coroa poderá ser a casa de abrigo para todos nós, ao contrário do barrete frígio que nos continuam a enfiar, simultaneamente cultivando a reaproximação às comunidades da mesma expressão linguística, numa segunda frente comum.
7. Porque não reler e debater o discurso do Chefe da Casa Real portuguesa?
Nau
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Nº. 354 - A Propriedade Privada, I
1. A propriedade privada é algo cuja posse pertence de direito a alguém.
2. O adjectivo privado (por oposição a comum) sublinha a característica do que não é público, isto é, da natureza particular da coisa por esta se encontrar na posse de qualquer pessoa.
3. Logo, a posse só poderá ser garantida por norma jurídica geral e obrigatória, ditada pelo poder legislativo, órgão ao qual compete elaborar leis por consenso da comunidade.
4. Todo o mundo está de acordo que a existência de normas de conduta - mesmo quando estas não vão, pontualmente, ao encontro dos nossos interesses - é fundamental para uma boa harmonia no seio da comunidade.
5. Claro que o direito de propriedade garante o usufruto, bem como certas obrigações ao proprietário uma vez que a coisa possuida é parte integrante da comunidade e, por conseguinte, exerce uma função social própria.
6. Os prós e os contras dos direitos de propriedade é algo a discutir a seu tempo - com cuidado e ponderação - pois é um desafio à inteligência humana que mais tarde, ou mais cedo, todos nós seremos confrontados.
7. Esta longa introdução foi motivada pela falta de respeito que a maioria dos cidadãos - certamente distraídos pela realidade comezinha do dia a dia - tem pela propriedade comum, isto é, aquilo que a todos pertence na comunidade.
Nau
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Nº. 353 - Todo o mundo sabe que
1. As recessões económicas são devidas à quebra na produção de bens e serviços por falta de procura.
2. Sempre as economias oscilaram entre periodos de larga produção de bens e expansão de serviços, seguidos de imprevisível contracção dos mesmos, tornando os choques económicos constantes, mas não regulares.
3. Quando o choque económico é negativo (contracção) provocando baixo consumo para os artigos e serviços disponibilizados, os gestores procuram cortar os salários e/ou despedir os trabalhadores, isto é, a mão de obra excedentária.
4. Os políticos, por seu lado, face a uma recessão negativa, procuram aumentar as despesas públicas com maior ritmo de obras de fachada, o que os obriga a pedir mais dinheiro emprestado nos mercados financeiros, internos e externos.
5. Entretanto, os bancos centrais baixam as taxas de juro para o aumento de eventuais investimentos, bem como do consumo, o que seria benéfico para Portugal se os critérios fossem mais orientados para o empreendorismo do que para a distribuição de benesses.
6. Logo, para lá da recessão verificada nos mercados internacionais, a recessão portuguesa é devida à introdução de más políticas dos governantes que passaram pelas cadeiras do poder.
7. Segundo parece, não há culpados. Os políticos que nos governam não tomaram as devidas precauções, mas quem paga as favas são os mesmos do costume - os especuladores financeiros agradecem.
Nau
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Nº. 352 - Filipe Cardeal e o Sardoniquismo
1. Neste último fim de semana, a ronda pelos sítios monárquicos da Internet foi muito interessante.
2. Como meio para estabelecer contactos, o Facebook, o Twitter, o You Tube, etc., são sistemas sociais com alguma potencialidade, mas de rápido descabimento.
3. Tudo depende da infantibilidade ou falta de criatividade da maioria dos utentes que primam pela leviandade, falha de sensatez ou mera brutalidade congénita.
4. Estimular o senso crítico seria uma boa hipótese mas as intervenções avolumam-se em faits divers e aquiescência de bancada, com o mínimo de esforço intelectual possível.
5. A propaganda política não pode limitar-se aos 'Vivas ao Rei!' ou à maledicência. É preciso argumentar, apresentar ideias, enunciar projectos.
6. Filipe Cardeal, no respectivo Facebook, está a ensaiar uma via com futuro - o sardoniquismo - tendo presente que, como as coisas estão, umas boas gargalhadas botam o regimen político no charco.
7. Rindo, Filipe Cardeal vai dizendo algumas verdades. Aquela da visita do presidente da república ao hospital psiquiátrico é antiga, mas bastante mordaz.
Nau
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Nº. 351 - Chega de Incompetentes!
1. Gostei de ler o apontamento "Chega de incompetentes!" de Sérgio Vieira de Carvalho no 'Movimento de Unidade Monárquica'.
2. O primeiro toque foi dado a Passos Coelho, o que é natural uma vez que ele desempenha o papel de ... primeiro-ministro.
3. Seguiu-se o toque a Durão Barroso, lembrando a natureza maoista do político embora, na realidade, ele seja apenas rameira política.
4. O terceiro toque foi a rebate, mas este há muito tempo que soara no deserto luso - D. Duarte tinha razão.
5. Não se trata apenas de incompetência daqueles que estão na ribalta dos destinos portugueses, mas pantagruelismo puro e simples.
6. Até os monárquicos se esquecem que não é a mudança da chefia do Estado que resolverá os problemas domésticos.
7. É urgente estimular o espírito associativo. A luta contra o liberalismo especulador e o socialismo burocratizante resume-se na palavra - cooperação.
Nau
domingo, 21 de outubro de 2012
Nº. 350 - Luta Popular
1. O PCTP/MRPP apoia a greve geral convocada por organizações sindicais para o próximo dia 14 de Novembro.
2. A greve é a cessação do trabalho enquanto não são atendidas as reclamações ou não se chega a acordo com os trabalhadores.
3. Logo, a greve pressupõe um caderno reivindicativo dos trabalhadores, numa determinada unidade fabril ou empresa - privada ou estatal.
4. Nesta conformidade, uma greve geral consistirá nos termos acima indicados, mas extensivos a muitas unidades fabris e empresas a nível nacional.
5. Porém, qual é o caderno reivindicativo da greve geral anunciada para o próximo dia 14 de Novembro?
6. Sem dúvida que é a paralização total do país e a queda do governo, dado que o parlamento se mostra incapaz de apresentar hipóteses plausíveis, em alternativa.
7. A propósito, qual é a real alternativa?
Nau
sábado, 20 de outubro de 2012
Nº. 349 - E o Cooperativismo?, VII
1. Embora defenda uma actuação minimalista da instituição estatal, o liberalismo assegura o livre mercado e a propriedade privada a partir do Estado; reconhece, em nome da liberdade individual, a fatalidade das classes sociais, sempre na linha da liberdade económica, política e individual.
2. O parlamentarismo serve como uma luva à doutrina liberal porquanto os sufragados representantes (democracia indirecta) pouca afinidade têm com os seus eleitores, porquanto os eleitos foram designados graças ao conluio entre o poder sectário (político) e o poder dos fartos cabedais (económico).
3. Por seu lado, o socialismo defende a propriedade colectiva dos meios de produção e a supressão das classes sociais por duas vias: a parlamentar (democracia indirecta) e a orgânica (democracia directa) identificando-se nesta o poder público de um grupo de cidadãos com os interesses da comunidade.
4. O socialismo parlamentar defende uma progressiva distribuição mais igualitária das riquezas da comunidade, mantendo as estruturas executivas, legislativas e judiciais independentes; a democracia directa é realizada de forma piramidal: as decisões da base obtidas em assembleias múltiplas são transmitidas para outras mais restritas em cadeia ascendente.
5. Sem dúvida que o liberalismo estimula a competividade, permitindo que a classe intermédia seja catapultada para uma superior, por mérito próprio, ou degradada para uma classe inferior, ao nível da pobreza, em que a falta do necessário à vida a obriga a uma submissão total.
6. Porém, a estrutura política resultante da democracia directa socialista mantém uma liberdade e indenpencia individual condicionada aos interesses da comunidade, obrigando o sistema piramidal a que as necessidades se harmonizem com os esquemas do topo, caso contrário os reticentes cidadãos serão burocrática e convenientemente neutralizados.
7. O cooperatiismo, à competividade entre as pessoas, opõe a cooperação e o apoio mútuo; à burocratização socialista tendente à transformação do cidadão comum em pensionista do Estado, estimula o espírito associativo, libertando os cooperantes dos encargos relativos a lucros de intermediários e a vícios burocratizantes e corruptores.
Nau
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Nº. 348 - E o Cooperativismo?, VI
1. A participação administrativa estatal do povo na gestão da comunidade poderá ser directa, i.e., sem intermediários, ou indirecta, por mera delegação.
2. Nesta conformidade, a democracia directa teve paladinos ilustres como Rousseau e Proudhon que, com um século de intervalo entre si, galhardamente defenderam os princípios da auto-organização e auto-gestão popular.
3. Retomada pelo pensamento liberal do século XIX, a democracia representativa teve como teorizador o inglês Locke que, tomando a experiência como a única fonte de conhecimento, a modelou a partir das vetustas instituições políticas do seu país.
4. Entretanto, as sementes lançadas pelos supracitados filósofos gauleses deram origem ao socialismo utópico e sequente aggiornamento que teve o seu auge na primeira metade do século XX
5. O processo da socialização do Leste europeu a partir de 1945 através da intervenção do Estado, em nome da ditadura do proletariado, resultou uma burocratização insustentável que, embora condenada no Ocidente, este parece seguir no seu encalço.
6. Embora a China em 1949 tenha incorporado no seu sistema político a ditadura do proletariado, prevalece na sua estrutura sociopolítica razoável pragmatismo que lhe tem permitido o ensaio de várias correntes desenvolvimentistas.
7. Curiosamente, a República Popular da China financia a administração estadunidense para esta comprar produtos chineses o que aumenta a capacidade industrial da primeira e vai endividando a segunda.
Nau
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Nº. 347 - E o Cooperativismo?, V
1. A maioria dos membros de certas comunidades raramente mostra interesse pelas questões públicas que, de imediato, não lhe diga respeito, emocionalmente reagindo a situações casuais.
2. O sufrágio universal pouco jus faz ao seu propósito dado que, sistematicamente, elimina os menores de 18 anos, os militares, os magistrados judiciais e outros da mesma estirpe.
3. Porém, o voto de irresponsáveis, de burlões, de mentecaptos, etc., são recenseáveis, a menos que exista qualquer certificado que os iniba de participar em tal acto.
4. A actuação da multitude, uma vez em movimento, caracteriza-se pela irracionalidade e alienação total, sendo facilmente conduzida por demagogos encartados e de instintos pouco nobres.
5. O bem público raramente corresponde à totalidade dos interesses particulares, porquanto aqueles que dispõem de confortável património dispensam cautelas adicionais.
6. Também o conceito de cidadania é malbaratado por quem se acha no direito de brandir contra regras que não lhe sejam gratas, destruindo bens públicos, conspurcando com palavras e obras o património comum.
7. Logo, democracia, tal como a conhecemos, não será a expressão da pluralidade social, mas a legitimação dos oligarcas habituais.
Nau
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Nº. 346 - E o Cooperativismo?, IV
1. Candidamente, todo o mundo fala em Democracia tomando à letra o significado da palavra, sem curar da praticabilidade da mesma.
2. Embora se enuncie como sistema político em que a autoridade emana do povo, até na Antiga Grécia, onde tudo foi ensaiado, tal ideia nunca correspondeu à expectativa.
3. Atenas, como berço da Democracia, tinha esta circunscrita aos 'politikos' que governavam e aos 'demagogos' que "vendiam" as medidas à maralha.
4. Transposto o conceito democrático para a Idade Moderna, as restrições foram mantidas, com estimáveis variantes.
5. Primeiro apenas votam os abastados cidadãos, i.e., os proprietários; mais tarde o direito de voto é alargado aos chefes de família - menores, militares e mulheres excluidos.
6. Contudo, o sufrágio universal continua a ser o estratagema para assegurar a eleição daqueles que a maioria desconhece mas o partido impõe.
7. Logo, o voto não é a contraparte da democracia - apenas o estratagema para ligitimar o domínio de minorias encapotadas.
Nau
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Nº. 345 - E o Cooperativismo?, III
1. Os erros políticos dos nossos dias parecem cópia do passado, nomeadamente dos últimos anos do regime monárquico.
2. Esta é a tese de Abel Guedes Ferreira no "Movimento de Unidade Monárquica" que vale a pena ler e reler.
3. Sem dúvida que foi (em parte) o descontrolo das contas públicas que fragilizou a credibilidade dos políticos de então.
4. Aliás, a fraca cidadania torna os regimes parlamentares tendencialmente perdulários (pão/circo) a fim de compensar a apatia generalizada.
5. No entanto, apesar das aparentes analogias, há uma diferença radical entre a maçonaria daquele tempo e a que hoje medra em Portugal.
6. No início do século XVIII, as lojas maçónicas eram frequentadas pela pequena burguesia conspiradora; um século depois seria neocolonialista.
7. Porém, no final do século XIX, em Portugal, além de utópica, a maçonaria tornou-se basicamente anti-monárquica; hoje é mero criptopartidarismo.
Nau
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Nº. 344 - E o Cooperativismo?, II
1. Os Estados Unidos da América do Norte, a Alemanha, o Reino Unido, a França, etc., têm uma dívida pública externa superior ao PIB (quantidade total de bens e serviços produzidos na comunidade), mas prosseguem nas suas políticas desenvolvimentistas sem qualquer hesitação.
2. A dívida pública externa significa que um Estado soberano contraíu empréstimos com outros Estados, na mesma linha em que empresários dinâmicos vão buscar recursos financeiros à banca para o desenvolvimento das suas actividades.
3. Caso alguém das nossas relações nos solicite algum capital e, posteriormente, dê sinais de largo esbanjamentos, a prudência obriga a que se puxe os cordões à bolsa e, à cautela, se vá impondo algumas garantias - de terceiros ou outras.
4. Nos ciclos e contra-ciclos económicos funciona a lei da oferta e da procura; se a primeira excede as necessidades, a produção é naturalmente reduzida; se a segunda aumenta, o sector produtivo ganha nova dinâmica.
5. Logo, é a escassez e o excesso que alimentam os circuitos comerciais, embora estes possam ser motivados por técnicas subtis que criam necessidades psicológicas a consumidores subliminarmente compelidos.
6. Por outro lado, a globalização e, sobretudo, o excedente populacional vão acentuando os problemas das necessidades básicas que, de coisas de que se não pode prescindir, passam a compreender pequenos utensílios (telefones portáteis, aparelhos de TV, máquinas de lavar roupa, etc.) porquanto, se os outros têm ...
7. Não é a constituição política dos Estados que cria emprego; fomenta a construção civil; transforma a agricultura de subsistência em algo comunitariamente rentável - é o esforço físico e o génio humano.
Nau
domingo, 14 de outubro de 2012
Nº. 343 - E o Cooperativismo?, I
1. O mal-estar na Europa é grande e manifestações populares ocorrem por todo lado.
2. Gastando à tripa forra, os partidos políticos lá se iam esforçando para ganhar eleições, prometendo obras, pão e circo à maralha, distribuindo as benesses habituais pelos amigos.
3. A dívida pública aumentava imprudentemente (mas, sempre foi assim!) e os encargos com a mesma projectavam-se por filhos, netos e bisnetos, estes tidos como os maiores beneficiários de tais empreendimentos.
4. As taxas bancárias não eram muito elevadas; as do desemprego também não. Viveu-se um periodo de paz relativa e ninguém se precaveu quanto ao futuro.
5. Entretanto os plutocratas faziam a sua sementeira, apostando mais no comércio do que no sector industrial e, num dado momento, houve dúvidas quanto ao pagamentos das dívidas soberanas - as taxas de juro dispararam.
6. Ninguém quer abdicar dos nívies de bem-estar relativo atingidos; as perspectivas destes se manterem são pouco prováveis. Porém, evocam-se direitos constitucionais que, como é natural, nada garantem.
7. Tanto a extrema esquerda, como a direita têm agora a sua grande oportunidade: se a radicalização dos protestos populares irromperem por toda a parte, as respectivas oligarquias têm a porta de entrada meia-aberta, embora ambas não sejam a solução ideal.
Nau
sábado, 13 de outubro de 2012
Nº. 342 - A Hodierna Maçonaria, I
1. Volta não volta, aparece no espaço internautico virtuosos pregadores que recomendam à rapaziada algum comedimento nas eventuais referências à maçonaria.
2. Está fora de questão apurar se tais cavalheiros, ao assumir uma atitude tão urbana e ponderada, são ingénuos mensageiros de algum grão-mestre mais sensitivo ou meros pustulantes à secreta, digo, circunspecta irmandade.
3. A maçonaria pretende ser uma associação iniciática (devotada ao ocultismo, isto é, pretende conhecer - numa mistura de magia e espiritismo - os segredos e mistérios da natureza sem a adequada aproximação científica), bem como um forum filosófico.
4. O objectivo declarado da maçonaria é a investigação da verdade e a prática das virtudes o que levanta a seguinte questão: sendo de uma pureza tão virginal as lojas maçónicas, porquê a exigência de guardar inviolável segredo das suas actividades?.
5. Outra cândida impostura destas lojas maçónicas é a origem - presumida na Idade Média quando, na realidade, apenas datam do início do século XVIII - mascaradas de associações filantrópicas a fim de escamotear actividades políticas.
6. Claro que foi através das lojas maçónicas que a política estadunidense (doutrina Monroe) teve sucesso no avanço do neocolonialismo - controlo económico de países formalmente independentes do ponto de vista político - que no Novo Mundo caracterizou-se pela fragmentação da hegemonia hispano-portuguesa.
7. Nos nossos dias e, particularmente em Porutgal, as lojas maçónicas - indiscutivelmente antimonárquicas - existem para a compadrice e negociatas englobando, à semelhança dos diferentes credos, as diferentes organizações sectárias.
Nau
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Nº. 341 - Será o princípio do fim?
1. O descontentamento popular está a atingir níveis explosivos e os políticos com assento parlamentar tripudiam acaloradamente.
2. Entretanto o governo navega à bolina, aguardando algo que ponha fim à sua desfaçatez e miséria de articulação.
3. Sair da crise é discurso estafado. Tanto os políticos, como o próprio presidente da república atingiram os mais baixos níveis de credibilidade.
4. Logo, um governo de iniciativa presidencial está fora de questão, e até o pomposo Conselho de Estado tresvaria publicamente.
5. Um eventual acordo parlamentar (PSD/PS/CDS) está esgotado mesmo antes de ser prometido.
6. Resta aguardar por um governo democrático e patriótico determinado em dar solução adequada ao problema da dívida soberana, ao desemprego e outras coisas mais.
7. É urgente procurar soluções de emergência. É urgente reforçar o espírito cooperativo.
Nau
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Nº. 320 - O que poderá redimir a humanidade
1. O liberal é suposto ser favorável à liberdade civil e política. Admitindo opiniões diferentes da sua, basicamente defende que o Estado deverá permanecer independente de todas as religiões, bem como reduzir a intervenção deste ao máximo na economia da comunidade.
2. Como carta de boas intenções, poucos estarão contra os princípios acima enunciados, embora a realidade do dia a dia dê azo a justificadas dúvidas quanto à fiabilidade das mesmas, tanto pela candura, como pela fraca assunção do conceito de cidadania.
3. De facto, os deveres e direitos dos cidadãos (particularmente os direitos) são apenas evocados por estes quando existem fortes dúvidas acerca da bondade dos mesmos, dado que os direitos do putativo beneficiário jamais deverão pôr em causa os interesses comuns que pautam toda legislação.
4. Sem dúvida que o amor excessivo ao bem próprio pouca consideração tem pelos interesses alheios, pelo que torna necessário adequada legislação a fim de colmatar essa tendência do bicho-homem, sempre pronto a cumprir os seus deveres quando outra alternativa não ocorre.
5. Protestar, demonstrando repulsa ou revolta contra alguma coisa é um direito democrático, útil por aliviar tensões sociais, embora a maioria das pessoas gastem, habitualmente, mais energias no protesto do que no concerto dos problemas que, por má fortuna, os afectam.
6. Inexoravelmente, o poder de decisão será cada vez mais oligárquico do que democrático por alegada vantagem para a maioria que se limita a delegar em outrem os seus destinos, sem procurar consertar com os mais chegados as suas necessidades e aspirações - económicas, sociais e culturais.
7. Tanto o liberalismo, como o socialismo são doutrinas politico-económicas orientadas para as massas. Contudo, por mais nobres que se apresentem, só conseguem alienar aqueles que confundem submissão, resignação e/ou apatia com cooperação.
Nau
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Nº. 339 - O 5 de Outubro, VII
1. Todo o mundo fala da globalização que é um fenómeno complexo de transformações na ordem política (esbatimento de fronteiras territoriais) e económica, com uma interligação de mercados comerciais e financeiros ao nível internacional.
2. Suprimem-se as linhas de separação entre Estados e o recrudescimento de nacionalismos (Catalunha, Kurdistão, Quebec, etc.), bem como de pretensões hegemónicas geoestratégicas - alimentadas por grupos de pressão de tendências plutocráticas - impõem novos esquemas, tanto territoriais como financeiros.
3. O neocolonialismo consiste no controlo económico de países formalmente independentes do ponto de vista político, por outros com recursos naturais, tecnologia de ponta e capacidade de produção industrial significativa, além de sólidos recursos financeiros.
4. Assim, o estatuto de potência dominante permite a esta o escoamento de parte da sua capacidade de produção; praticar financiamentos com taxas de juros superiores àquelas que lhe foram disponibilizadas; estabelecer tratados de auxílio mútuo que permitam manter o estatuto adquirido.
5. No confronto eleitoral entre o Democrático e o Republicano é bem visível na timocracia estadunidense os lobbies que os suportam: de um lado perfila-se a indústria armamemtista, a política do confronto internacional, o empreendorismo de cariz pessoal (Mitt Romney); do outro estimula-se o sistema redistribuitivo tipo europeu, suportado por sindicatos e corporações industriais (Barack Obama).
6. O essencial, porém, é mantido: ambos pretendem o controlo dos recursos energéticos mundiais; a contenção dos esquemas imperialistas da República Popular da China; a liderança do planeta Terra.
7. Em Portugal as hipóteses não são brilhantes. À direita, o pagamento da dívida soberana a reboque de Hollande, com prolongados sacrifícios; à esquerda, um governo democrático e patriótico, mas com eventual saída do euro. A disponibilidade do Rei está confirmada. No nosso entender e segundo as palavras de Bertrand Russell "A única coisa que poderá redimir a humanidade é a cooperação".
Nau
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Nº. 338 - O 5 de Outubro, VI - A Palavra do Rei
1. Na oportuna mensagem do 5 de Outubro, o Chefe da Casa Real Portuguesa começa por referir às dificuldades económicas do presente, ao pouco razoável endividamento externo, ao défice das contas públicas e às medidas de austeridade que estão a ser implementadas.
2. Lembra que a perda da soberania resultante da dependência externa e o descrédito internacional do país é devida à insensatez de governantes lusos que apenas procuravam ganhar clientela através da centralização do poder, esta suportada por modelos de desenvolvimento pouco adequados às necessidades reais, com acentuada tendência para as soluções formalistas.
3. O agravamento das assimetrias regionais e a desertificação humana do interior do território [apostada na implementação de estruturas não produtivas] alargou o fosso entre os mais ricos e os mais pobres, pelo que o aumento de impostos sobre trabalhadores e empresas que dão o melhor das suas capacidades provavelmente não resultará quaisquer benefícios para a amortização da dívida soberana.
4. Sem dúvida que a classe média, fortemente penalizada pelo brutal aumento de impostos, é formada, em grande parte, por funcionários públicos (administrativos com larga experiência, técnicos altamente qualificados, professores com larga carreira, etc.) que se dedicam a servir com dignidade o país.
5. A crise a todos afecta e vai arruinando empresas, destruindo postos de trabalho, originando conflitos e injustiças sociais, em grande parte atenuada pelo espírito de solidariedade que ainda prevalece, num sinuoso caminhar - sem rei, nem roque - carente de um projecto realmente agregador.
6. Portugal tem de mudar de rumo - dobrar o Cabo das Tormentas, de novo crismando-o de Boa Esperança - precisa de uma Chefia de Estado isenta que motive a aproximação aos países lusófonos, bem como uma parçaria saudável com a Europa na capacidade de um país multissecular e independente, pronto para sacrifícios sempre que estes estejam centrados no bem comum dos portugueses.
7. Palavra do Rei: "Eu e a minha família - assim os portugueses o queiram - saberemos estar à altura do momento e prontos para cumprir, como sempre, o nosso dever, que é só um: servir Portugal".
Nau
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Nº. 337 - O 5 de Outubro, V - A Palavra do Rei
1. Por não ser habitual no 5 de Outubro, a mensagem de S.A.R. D. Duarte, Duque de Bragança, deveria provocar a curiosidade de uns, bem como o apoio da maioria dos monárquicos.
2. A comunicação social foi parca ao aflorar o assunto, tendo presente que, tudo que seja radical, merecerá da mesma desmesuradas manchettes e largos comentários, mais panegíricos do que conclusivos.
3. Na Internet, vasculhei os sítios habituais e apenas deparei com informação esparsa, transcrições (sumárias e/ou integrais), encomiásticos apontamentos, além das habituais patacoadas dos energúmenos do costume.
4. Como todos têm presente, o 1º de Dezembro era a data em que o Chefe da Casa Real Porutuguesa reconfirmava a sua disponibilidade, tal como fizeram os seus egrégios antepassados, para servir a comunidade portuguesa na capacidade de legítimo soberano desta.
5. Aliás, foi durante a II República que a referida data se tornou a única via para a Casa de Bragança se dirigir aos portugueses, devido à apertada vigilância - diria, com propriedade, sequestro - imposta pelos corifeus de então.
6. Num momento muito penoso para a maioria dos portugueses, em que se verifica um divórcio crescente do povo com os seus dirigentes políticos, tanto é possível uma solução estremista à esquerda, como à direita, ambas com custos e traumas catastróficas.
7. A palavra de S.A.R. D. Duarte no dia da Fundação de Portugal (Tratado de Zamora) e da aventura republicana é muito significativa. Cabe a todos nós ponderar acerca do significado da mesma.
Nau
domingo, 7 de outubro de 2012
Nº. 336 - O 5 de Outubro, IV
1. A implantação da República fez com que Portugal mudasse a sua bandeira azul e branca, significando nesta: o branco, todas as cores existentes no espectro político; o azul a cor do planeta Terra quando vista do espaço sideral.
2. O vermelho e verde da bandeira republicana eram as cores do movimento maçónico ibérico que António José de Almeida defendia declarando simbolizar a esperança (o verde) e o sangue derramado pela pátria (o vermelho).
3. Tanto Guerra Junqueiro, como Fernando Pessoa discordavam, afirmando este último que o encarnado seria o sangue que os republicanos fizeram o povo derramar e o verde a pastagem com que, por jeito ancestral, os republicanos se alimentavam.
4. O real foi a unidade de moeda do Reino de Portugal, sendo um milhão de réis conhecido como conto de réis, substituido pelo escudo após a implantação da república, embora o termo "conto" continuasse a ser utilizado como sinónimo de 1000 escudos, até à adopção do euro.
5. Como hino, foi adoptada a 'Marcha Patriótica' do músico e pintor Alfredo Keil, originalmente dedicada ao Duque de Bragança - avô de S.A.R. D. Duarte Pio - com letra de Lopes de Mendonça, letra essa que foi convenientemente estropiada quando se tornou o hino oficial português pelo regime republicano.
6. Melifluamente esta rapaziada do "Texto Editores - Junior" vai passando a sua mensagem, tal como outros doutos pensadores republicanos, pretendendo fazer crer que a democratização do país foi realizada após a implantação da república quando afinal esta até especificou que o direito a votar apenas era permitido a chefes de família do sexo masculino.
7. Não há dúvida que a recomendação do antigo secretário de Estado da presidência do conselho de ministros de José Sócrates, Jorge Lacão, deverá ser seguida - é bom fazer a evocação dos "valores republicanos".
Nau
sábado, 6 de outubro de 2012
Nº. 335 - O 5 de Outubro, III
1. Das questões levantadas no "Texto Editores - Junior" não podemos deixar de referir a estas três, igualmente inocentes, acerca do rei: "E se tivesse ideias extravagantes que prejudicassem as pessoas?; E se decidisse mal coisas importantes para o país?; E se se deixasse influenciar demais por pessoas com más intenções?.
2. Embora no parágrafo seguinte o autor de referido texto afirme que tais "problemas podem acontecer com qualquer governante, fosse ele um rei ou outro...", escusando-se a pôr preto no branco que tais problemas poderiam acontecer com qualquer governante, fosse ele um rei ou um presidente da república.
3. Prosseguindo, avança de seguida com um parágrafo enigmático, procurando justificar a distorção de ideias verificadas: "No entanto, as vantagens de uma forma de governo diferente eram vistas como boas. Seria um sistema diferente - uma república". Mas por que cargas de águas um sistema político diferente seria uma vantagem?
4. Num arremedo justificante, o autor do ronhoso libelo afirma: "As repúblicas têm dirigentes eleitos por periodos de tempo mais curtos, e o controlo do poder parecia mais eficaz". De facto, ao fim de um ano o actual governo ainda não deu mostras de poder controlar a crise. Num periodo mais curto este governo seria mais eficaz?. Quanto ao controlo do poder - quer na república do presente, quer na monarquia de então - era realizado por via parlamentar.
5. "Por tudo isto, grupos de cidadãos portugueses, partidários de um sistema de governo republicano [o que o autor queria dizer era, lojas maçónicas, partidárias de um sistema de governo republicano], foram-se revoltando e acabaram por conseguir terminar com a monarquia e implantar a república, como vinha acontecendo noutros países da Europa" - o que é uma verdadeira calinada.
6. "A república foi proclamada dos Paços do Concelho (a Câmara Municipal) em Lisboa" onde, pela primeira vez, e no último acto eleitoral autárquico, os mações republicanos tinham obtido uma maioria relativa.
7. "O primeiro presidente foi Teófilo de Braga, mas foi apenas presidente do governo provisório" - pelos vistos não foi o primeiro presidente como afirma o autor, porquanto Manuel de Arriaga aparece como tal nos manuais da história - eleito por um colégio de republicanos, sem qualquer consulta popular.
Nau
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Nº. 334 - O 5 de Outubro, II
1. Etimologicamente, monarca significa o poder de um só e o regime político daí consequente será a monarquia.
2. Faço questão de chamar poder, em vez de governo de um só, porquanto o primeiro é usado na accepção de direito de se fazer obedecer, logo, poder consensual; o segundo será mera acção de gerir, o que pressupõe a existência de normas de conduta pré-estabelecidas.
3. Para que não subsista qualquer dúvida, direi que o monarca se rege por critérios pessoais, enquanto que a função governativa se pauta pela lei, isto é, pelas normas estabelecidas pela comunidade e segundo as quais esta deverá ser condizida.
4. Claro que o critério do monarca (faculdade deste apreciar e distinguir o conveniente ou inconveniente circunstancial) foi importante para a coesão da comunidade, embora tal critério tenha sido, naturalmente, determinado pela força física (ou argúcia) do primo candidato à função monarcal.
5. Não sendo possível a gestão de uma comunidade em crescimento por um só, o monarca passou a delegar algumas das suas funções a intermediários que, por serem tidos por coisas menores, passaram a ser designados por ministros - aqueles que fazem parte de um governo - posto que o poder continuasse a pertencer formalmente ao monarca.
6. Embora a disseminação do conceito de cidadania - conjunto dos deveres e direitos dos cidadãos - tenha aventado a hipótese de uma maior intervenção dos indivíduos no gozo dos direitos civis e políticos da comunidade, estes têm-se limitado a delegar tais direitos dando azo à formação de oligarquias partidarizadas.
7. Logo, na eleição do presidente da república - quer por sufrágio universal, quer por colégio restrito como, por exemplo, na Itália e na Alemanha - a dita figura é sempre de génese partidária, jamais podendo substituir o consensual monarca.
Nau
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
1. Segundo o "Texto Editores - Junior" disponibilizado na Internet, Portugal, desde a sua fundação, foi governado por reis, isto é, monarcas, por estes exercerem a autoridade soberana, sendo o regime político de então uma Monarquia.
2. "No entanto, nos finais do século XIX, havia muitas pessoas que achavam que a monarquia não era a melhor forma de governar um país: o rei reinava a vida toda".
3. Aqui parece que o autor do referido texto anda mal informado, porquanto o número de adeptos republicanos não era assim tão grande e a prova estava em que estes apenas conseguiam eleger reduzidíssimo numero de deputados, tanto no século XIX, como no século XX.
4. "O rei reinava a vida toda" e "quando morria era o filho mais velho, o príncipe que tomava o seu lugar". De facto assim é nas monarquias europeias (com excepção da polaca) porém isso não é um defeito, mas uma mais valia.
5. Candidamente, o autor do referido texto levanta uma série de questões de uma hipocrisia estupidificante: "E se o rei governasse mal?. E se fosse cruel para com os súbditos (o povo)?. E se ficasse doente ou louco?" e assim continuam as aleivosias no dito texto esquecendo o autor que a monarquia então existente era do tipo parlamentar, desde a Revolução de 1820.
6. Como é óbvio, o regime parlamentar pressupõe um primeiro-ministro eleito pelo povo, tendo a originalidade da primeira república estabelecido que o presidente da república fosse escolhido por um colégio eleitoral restrito que não por sufrágio popular.
7. A tese monárquica continua válida e consistente: o monarca hereditário e vitalício é, por natureza, appartidário; o presidente da república, a prazo e de génese sectária, apenas serve para apoiar ou contrariar a maioria apurada no parlamento.
Nau
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Nº. 332 - A Espécie Monárquica, I
1. Monárquico, numa definição simplista, será o adepto da Monarquia. Porém, existem várias categorias de monárquicos das quais citaremos somente aquelas que, no momento, nos ocorrem.
2. Monárquico betinho: o que se comporta como pertencente a uma classe social elevada. Afectado no modo e na voz, capricha na defesa da paz e da ordem (por razões óbvias...), manifestando-se politicamente apenas em ambientes selectos.
3. Monárquico papa-hóstias: intransigente na relação privilegiada da instituição política com a Igreja Católica; define a família como base da unidade da Pátria. Resume a actividade política aos sufrágios em benefício de pessoas régias.
4. Monárquio parlamentar: (não confundir com monárquico para lamentar) defende o reforço do poder local, o proteccionismo económico e a bandeira azul e branca. Actua, politicamente, sempre em grupo.
5. Monárquico marialva: amante de touradas e de cavalos; bate o fado castiço; tipo machão. "A coisa vai à porrada!" - os republicanos que se cuidem.
6. Monárquico extrovertido: que se afasta do habitual; amante de festas - muito aniversariante - sempre pronto a, de modo democrático, ir aos anos uns dos outros. Pretende abertamente um rei másculo, imperativo - não confundir com hiper activo - avesso a debates políticos.
7. Monárquico intelectualóide: contra qualquer tendência liberal e/ou socializante; entende que, na unificação de tendências políticas e na supremacia do poder real como elemento de unificação, integração e continuidade, emerge a aristocracia, isto é, aoligarquia natural, de cariz democrático.
Nau
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Nº. 331 - Luta Popular
1. Segundo os despachos de Lisboa, a sessão de esclarecimento promovida pelo PCTP/MRPP nas instalações da "Voz do Operário", no dia 30 de Setembro, foi muito proveitosa.
2. Analisada a situação politico-económica do país e da dinâmica das manifestações populares havidas, inevitavelmente se chegou à conclusão que o governo de Passos Coelho perdeu toda a credibilidade democrática.
3.Porém, dos partidos com assento parlamentar poucas hipóteses há de serem encontradas soluções para a formação de um governo que possa corresponder aos anseios da população, bem como suficientemente forte para enfrentar os problemas do momento.
4. Qualquer governo de iniciativa presidencial - sobejamente conhecidas que são as tendências do promotor - pouco mais se poderá esperar do que a continuação das políticas falhadas do presente executivo, pelo que o adiar de iniciativas realistas será apenas agravar a deplorável situação em que nos encontramos.
5. Por outro lado, com a exaustão da política do cimento e o abandono das pescas, da agricultura, da construção naval, da estrutura siderúrgica, etc., pouco resta do operariado tradicional e deste, como organização de classe, nada existe.
6. Grande parte das unidades sindicais, na espectativa de um consenso de esquerda, deparam-se com o total desvario dos sociais-facistas, bem como do comprometido partido socialista que, enleados em politiquices irresponsáveis, nada acertado fazem.
7. Dado que os governos de salvação nacional estão, por natureza, esgotados, propõe o PCTP/MRPP a formação de um governo democrático e patriótico imediatamente, após uma escalonada greve geral, devidamente organizada.
Nau
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Nº. 329 - 'Deus, Pátria, REI', V
1. Deus e Pátria, na acepção política, fatalmente são coisas do passado, num mundo em que o pensamento científico se impõe e as fronteiras (de toda a natureza e feitio) se abatem.
2. O estertor do ser absoluto, infinitamente perfeito, necessário e eterno está patente no recrudescimento do fanatismo e daqueles que, julgando-se inspirados pela divindade, são de um extremismo atroz e irracional.
3. Aliás, toda a fé, como crença religiosa, é absurda, tendo por fundamento o medo, isto é, a perturbação angustiosa do ânimo por um risco ou mal indefinido que ameaça ou que, simplesmente, se imagina.
4. Por outro lado, a Pátria, como território em que o indivíduo nasceu e/ou ao qual pertence como cidadão, já não é como era pela facilidade de cada um se mover de um lado para o outro, tal como na jerarquia das posições sociais.
5. Sem dúvida que um mundo sem classes será o ideal, tal como o anarquismo, porém, a existência de dirigentes e dirigidos é inevitável, porquanto as incapacidades e/ou inimputabilidades no todo comunitário são constantes.
6. O desconhecido aterroriza, pelo que as referências a algo que partilhamos são indispensáveis: "Aqui ao leme sou mais do que eu - sou um povo que quer o mar que é teu - e mais que o mostrengo que me a alma teme e roda nas trevas do fim do mundo, manda a vontade que me ata ao leme, de El-Rei D. João II".
7. A figura do Rei, consubstanciada no espírito da comunidade, é a referência para todos e a ponte segura do passado rumo ao futuro.
Nau
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