Que Amor Sigo?
Que enlevo é este vão da fantasia?
Que tive, que perdi? Quem me queria?
Quem me faz guerra? Contra quem pelejo?
Foi por encantamento o meu desejo,
e por sombra passou a minha alegria:
mostrou-me amor, dormindo, o que não via,
e eu ceguei do que vi; pois já não vejo.
Fez à sua medida o pensamento
aquela estranha a nova formosura
e aquele parecer quase divino.
Ou imaginação, somida o figura,
é certo o verdadeiro meu tormento:
Eu morro do que vi, do que imagino.
Francisco Rodrigues Lobo
in "Antologia Poética"
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