quarta-feira, 28 de março de 2012

Nº. 136 - Liberdade

1. Um familiar meu, na sua primeira deslocação à Europa, elegeu Madrid como porta de entrada, pelo encanto que sempre tivera pela cultura e língua castelhanas, tendo incluido no seu itinerário as Puertas del Sol, acerca das quais tão bem ouvira falar.

2. Dado os primeiros passos fora do hotel onde se acomodara, mandou parar um taxi e pediu ao motorista que o levasse às Puertas del Sol, ficando deveras surpreendido quando este lhe disse que tal não seria necessário por ambos se encontrarem nas famosas Puertas del Sol.

3. O facto de nos encontrarmos no local que procuramos sem o saber; sermos surpreendidos pela realidade que ultrapassa o ideal difuso, subliminarmente construido; acharmo-nos em circunstância transitória de tomar uma decisão, de agir, de formular uma vontade, sem rei nem roque, é a humana condição ontológica.

4. Logo, a Liberdade não será uma mera opção, mas o livre arbítrio: faculdade de agir ou não agir, de um ou outro modo. A existência precede a essência pelo que a conduta será a forma possível de assumir a responsabilidade.

5. Recentemente, Paulo Especial, no seu Facebook, fala da Liberdade, mas no sentido das liberdades pessoais, consistindo estas na faculdade de dizer ou fazer o que não se oponha às leis ou aos bons costumes, isto é, a linha consagrada no Estado de Direito.

6. No mesmo sentido, Beladona Leonor, num breve comentário, sublinha as recidivas contravenções ao referido Estado de Direito que, na prática, é o sistema que protege os possidentes e seus serventuários, porquanto apenas estes estão materialmente habilitados a contornar os aspectos da lei que não lhes são favoráveis.

7. Assim, o desencontro com a Liberdade poderá ocorrer surpreendendo todo o mundo a qualquer momento, dado que a liberdade de expressão, de reunião, de associação, etc., é mera válvula de segurança para aligeirar uma excessiva pressão social.

Nau

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