sábado, 17 de março de 2012

Nº. 125 - Porque sou republicano, D.A. - V

1. "Sou republicano porque recuso o carácter divino e hereditário do poder". Assim começa a oratória de Carlos Esperança na celebração do 5 de Outubro de 2010.

2. Antes de mais, será curial apresentar o perfil de Carlos Esperança: Presidente da Direcção da Associação Ateísta Portuguesa; sócio fundador da Associação República e Laicidade; colaborador do "Jornal do Fundão", do "Praça Alta", de Almeida e de "O Despertar", de Coimbra; sócio nº 1177 da Associação Portuguesa de Escritores, etc..

3. Suponho nada de relevante do que foi declarado pelo insígne plumitivo ter sido escamoteado nesta resenha, embora suspeite que, por pudicícia, o combativo republicano tenha deixado em branco a sua passagem pelas lojas maçónicas, porquanto tal desbragado acto seria incompatível com a de membro da Associação 25 de Abril, de obediência exclusiva a um certo partido político.

4. Claro que a definição daquilo que entendemos por República será a de uma forma de governo na qual o Chefe de Estado é eleito pelos cidadãos - ou os seus directos representantes - por tempo limitado, não se vislumbrando qualquer intervenção do divino, tal como acontece noutros sistemas políticos, talvez com a as excepções da República do Irão e da República da Coreia do Norte.

5. Uma vez mais, suponho que esta recusa do carácter divino venha da posição assumida de Presidente da Associação Ateísta, da declarada herança do Iluminismo e da Revolução Francesa, embora recuse a hereditariedade como fonte de poder, sendo este transmitido de pais aos filhos pela via da geração, i.e., herdamos o poder comum a todos os cidadãos por direito transmitido pela sucessão.

6. Outro obstáculo se apresenta na asserção do poder - aqui já comentado ao longo de vários apontamentos - o qual, mesmo para um ateu, não displicente, razão pela qual (volto a sublinhar) o herdeiro do Iluminismo e da Revolução Francesa se afirma republicano.

7. Em suma: republicano é ser partidário da República, sistema político que advoga a eleição de um chefe a prazo para viciação do fundamento democrático.

Nau

Nenhum comentário:

Postar um comentário