1. A República nasceu por equívocos; sobreviveu por equívocos e persiste por andar por aí muita gente equivocada. Assim terminava o meu apontamento Nº. 74.
2. O colapso financeiro que se verificou em Portugal no início dos anos 90 do século XIX provocou uma crise económica, esta motivada pela estagnação do crescimento da riqueza. A depressão seguinte - o disparar da inflação, a crise da lavoura, o sofrear da emigração para o Brasil e outras coisas mais - demonstra à saciedade que imprevisíveis ciclos económicos encerram previsíveis semelhanças.
3. Certo foram os problemas sociais que se agudizaram com expectativas de crescimento goradas; carestia dos bens essenciais; instabilidade política, esta aproveitada por videirinhos e organizações secretas - em berra naqueles tempos - que largamente contribuiram para o aumento do mal-estar geral.
4. A classe média portuguesa de então seria demasiado provinciana na cidade e pretensiosamente urbana no meio rural, apegada a praxes religiosas e fetichismos irracionais; por um lado, deslumbrada por um mundo irreal parisiense que aceitava como o requinte da civilização europeia, por outro lado, rotineira e sonolenta.
5. Os ecos da jovem República Brasileira, aqui romanticamente entendida como o despertar dos humildes e desprotegidos, que não a fome de poder e meio de ganhar protagonismo idêntico ao dos caudilheiros havidos nos movimentos independentistas vizinhos, foram uma inspiração para os revolucionários lusos.
6. Em Portugal, o pequeno Partido Republicano, empurrado pelas principais lojas maçónicas de então, aproveitou a instabilidade financeira e o ultimatum colonialista britânico para lançar audaciosas e venenosas atoardas, ao ponto de procederem à eliminação física do Rei e do Príncipe Real, pois os fins justificavam os meios.
7. Hoje, numa Europa sem lideranças naturais, Portugal navega à bolina, numa mascarada Democracia, alimentando a República de velhos preconceitos que dura por interesses particulares e parca cidadania.
Nau
Nenhum comentário:
Postar um comentário