sábado, 31 de março de 2012

Nº. 140 - O Espírito de Comunidade, V

1. Sopraram, aqui do meu lado, numa óptica dualista, existirem minorias execráveis e outras minimamente cordatas.

2. De facto, até Stuart Mill estava convencido que os melhores elementos de uma comunidade poderiam encaminhar esta para objectivos importantes para o bem comum, sem emperramentos por contestações avulsas.

3. Numa outra perspectiva, Proudhom sugeria o empreendorismo concertado porquanto, através deste, o consenso particular seria, em regra, padrão universal, sendo este o leit motiv do cooperativismo aqui igualmente defendido.

4. O que motiva o homem é a satisfação de objectivos pessoais e imediatos, pelo que será curial sopesar estas através da cultura do Espírito de Comunidade.

5. O manual em meu poder (edição de 1975) da lei fundamental da República Popular da China claramente defende o esquema piramidal de assembleias múltiplas que permite a delegação, com uma proximidade e conhecimento pessoal razoável. Porém, o eleito, se quizer manter o estatuto de proximidade ao poder, terá que funcionar como correia de transmissão do superior hierárquico.

6. Claro que as disputas sectoriais terão lugar apenas no topo da pirâmide a partir da qual as contestações noutros níveis não são aconselháveis. A partidocracia também enferma deste mal, com custos mais elevados porquanto será forçada a fazer promessas dificilmente realizáveis, em campanhas eleitorais.

7. Não nos iludemos: apenas o aumento em número de cidadãos criteriosos poderá motivar a reforma (para melhor) do Espírito de Comunidade, logicamente mais funcional e realista.

Nau

sexta-feira, 30 de março de 2012

Nº. 139 - O Espírito de Comunidade, IV

1. Volta não volta, o tema democracia vem à baila e este é pano para mangas, porquanto todo o mundo virou democrático.

2. A democracia inglesa tem por referência a Magna Carta (1215) exigida por uma minoria (a nobreza), esta reforçada pela minoria dos representantes dos burgueses, a partir de 1295.

3. A democracia estadunidense ganhou consistência através do contributo militar e económico das então colónias à Grã-Bretanha, nos confrontos desta com a França e a Espanha (Guerra dos Sete Anos, 1756-63), tendo a luta independentista sequente (1775-83) sido conduzida por uma minoria de fazendeiros e comerciantes ricos.

4. A democracia francesa teve início com a abertura atribulada dos Estados Gerais (5-5-1789) e foi consolidada através de uma hegemonia política, económica e social conduzida por uma minoria burguesa, então integrada no Terceiro Estado.

5. A democracia portuguesa teve início em 1817, inspirada por uma minoria conduzida por Gomes Ferreira de Andrade, esta vitoriosa em 1820 com a primeira constituição político-jurídica lusa, substituida pela Carta Constitucional de 1826 que vigorou, com estimáveis revisões, até 1910.

6. A democracia de que tanto se fala sempre foi conduzida por minorias desde os tempos da Grécia Antiga - demos, patrícios, nobres, burgueses, possidentes, etc. - passando pela ditadura do proletáriado que a enfatiza com o pleonástico popular.

7. Todo o mundo virou democrata, mas a implementação da real Democracia só é possível através da consolidação do Espírito de Comunidade que o movimento cooperativo exorta com propriedade.

Nau

quinta-feira, 29 de março de 2012

Nº. 138 - Tema Antiga

1. A perversão afecta esquemas sociais e os fundamentos das coisas. Por muito bons que sejam os princípios, a implementação dos mesmos poderá ser tendencialmente desvirtuada ou apresentar resultados diferentes das expectativas.

2. Certa paróquia do interior, tendo sido contemplada com um jovem e dinâmico sacerdote, foi sacudida por uma vaga de reformas que muito surpreenderam os paroquianos, sobretudo os mais velhos, que logo se mostraram renitentes às novas ideias, embora o sacerdote apenas pretendesse dedicar-se plenamente ao serviço social e à salvação das almas, mais actuante junto do tecido popular do que dos brocados e paramentos da sua igreja, procurando que as funções burocráticas fossem executadas por auxiliares.

3. O empenhamento de todos à partilha das funções foi igualmente solicitado ao sacristão que, embora um jovem como o pároco, estava incapacitado de tomar o fardo dos serviços administrativos por não saber ler, nem escrever, recusando-se a estudar as primeiras letras em curso nocturno, como fora requerido pelo pastor das almas, e assim sentiu-se forçado a abandonar as funções na paróquia da sua aldeia natal, procurando, em biscates vários - limpeza de poços, arranjos de telhados, construção de pequenos muros, etc. - ganhar o pão de cada dia, com tão grande êxito que cedo se tornou no mestre de obras mais solicitado naquelas cercanias.

4. Industriado por um bancário a confiar o produto do seu trabalho às instituições vocacionadas para o efeito, dentro em breve o seu pecúlio atingiu números tão elevados que o gerente da conta o aconselhou a subscrever um produto de alto rendimento que, além de garantir o capital acumulado, lhe proporcionava o aumento do mesmo, através de juros que lhe seriam, periodicamente creditados.

5. Quando da assinatura do contrato, o incauto gerente bancário apercebeu-se que o seu cliente mal sabia rabiscar o nome próprio; de imediato teceu largos elogios à capacidade de trabalho deste, extrapolando os encómios para a possibilidade do jovem empresário, quiçá com menor dificuldade pelo ecercício das letras e dos números, poder atingir suprema relevância no sector da construção civil ou em quaisquer outras áreas onde investisse o seu espírito arrojado e sóbrio, com determinação e segurança, a que o festejado cliente retorquiu com inegável realidade: "se soubesse ler e escrever, seria ainda sacristão".

6. Aqui não se faz a apologia do iletrismo; apenas damos relevo à determinação de alguém, menos habilitado academicamente, que se impôs, em campo desconhecido, mediante muita aplicação e denodo, não cruzando os braços em presença de novos desafios, ao contrário daqueles que, tendo-lhes sido disponibilizado meios estimáveis para a sua promoção técnica e intelectual, malbaratando oportunidades, tornam-se impermeáveis a qualquer tipo de saber ou cultura; limitando-se à função presencial, sem qualquer capacidade de assimilação do ensino que lhes é ministrado.

7. O cooperativismo procura estimular o entrecruzamento de várias competências a fim de que, no espírito de solidariedade e de entre-ajuda, se possa construir uma nova comunidade, mais justa e equitativa.

Nau

Nº. 137 Luta Popular

1. Sempre a emigração tem ajudado a equilibrar as contas públicas através de remessas financeiras, algumas delas mais sentimentais do que estratégicas.

2. Muitos dos emigrantes já fixados nos países de acolhimento, com raízes de proles estimávis, continuam a programar férias regulares no solo pátrio, a fim de matar saudades e reforçar os laços familiares que, com o rodar dos anos, cada vez se tornam mais ténues.

3. Por vezes, o que resta dessa ligação umbilical é a língua pátria, transmitida a filhos e netos a par de uma versão mítica da terra natal há muito distante, que os jovens peregrinos experimentam na óptica do turista, procurando no lazer o justo descanso para as árduas tarefas que o aguardam no regresso ao posto de trabalho.

4. O cultivo da língua pátria só é possível através do ensino, por professores qualificados, em escolas asseguradas pelo Instituto Camões, este virado para a divulgação e promoção da língua portuguesa. Porém, numa óptica economicista, as verbas disponibilizadas para o efeito vão minguando escandalosamente.

5. Na Suiça, no cantão de Neuchatêl (Neuchatêl e La Chaud-de-Fond) estima-se a existência de cerca de quarenta mil emigrantes portugueses e, mesmo assim, a política é de corte e costura, esta tão mal alinhavada que não é difícil prever um futuro culturalmente empobrecido e cinzentão.

6. Na mesma via economicista, encerram-se consulados à pazada, ao mesmo tempo que é sugerida a emigração da gente lusa para atenuar o flagelo do desemprego cujos índices não param de crescer, com o encerramento de empresas e o afluxo de jovens ao mercado de trabalho.

7. Estas denúncias têm sido feitas no local do costume, isto é, no 'Luta Popular On-Line'; mesmo aqueles que sofrem da patalogia sinistra horribilis, deverão ler e divulgar.

Nau

quarta-feira, 28 de março de 2012

Nº. 136 - Liberdade

1. Um familiar meu, na sua primeira deslocação à Europa, elegeu Madrid como porta de entrada, pelo encanto que sempre tivera pela cultura e língua castelhanas, tendo incluido no seu itinerário as Puertas del Sol, acerca das quais tão bem ouvira falar.

2. Dado os primeiros passos fora do hotel onde se acomodara, mandou parar um taxi e pediu ao motorista que o levasse às Puertas del Sol, ficando deveras surpreendido quando este lhe disse que tal não seria necessário por ambos se encontrarem nas famosas Puertas del Sol.

3. O facto de nos encontrarmos no local que procuramos sem o saber; sermos surpreendidos pela realidade que ultrapassa o ideal difuso, subliminarmente construido; acharmo-nos em circunstância transitória de tomar uma decisão, de agir, de formular uma vontade, sem rei nem roque, é a humana condição ontológica.

4. Logo, a Liberdade não será uma mera opção, mas o livre arbítrio: faculdade de agir ou não agir, de um ou outro modo. A existência precede a essência pelo que a conduta será a forma possível de assumir a responsabilidade.

5. Recentemente, Paulo Especial, no seu Facebook, fala da Liberdade, mas no sentido das liberdades pessoais, consistindo estas na faculdade de dizer ou fazer o que não se oponha às leis ou aos bons costumes, isto é, a linha consagrada no Estado de Direito.

6. No mesmo sentido, Beladona Leonor, num breve comentário, sublinha as recidivas contravenções ao referido Estado de Direito que, na prática, é o sistema que protege os possidentes e seus serventuários, porquanto apenas estes estão materialmente habilitados a contornar os aspectos da lei que não lhes são favoráveis.

7. Assim, o desencontro com a Liberdade poderá ocorrer surpreendendo todo o mundo a qualquer momento, dado que a liberdade de expressão, de reunião, de associação, etc., é mera válvula de segurança para aligeirar uma excessiva pressão social.

Nau

segunda-feira, 26 de março de 2012

Nº. 135 - O Espírito de Comunidade, III

1. A ética republicana, os valores republicanos, a virtude republicana, etc., são predicados encomiásticos que deliberadamente baralham o conceito de forma democrática de governo com o princípio da eleição de Chefe de Estado a prazo.

2. Muitos monárquicos caiem no mesmo erro, laudatoriamente apresentando a Monarquia como a panaceia para todos os males da comunidade e a figura do Rei como o supra-sumo do político apartidário. Monarquia é apenas o regimen político que tem por Chefe de Estado uma personagem hereditária.

3. Logo, quando se define um regimen político como forma democrática de governo em que o povo exerce a soberania por intermédio de delegados eleitos por tempo limitado, esta definição tanto serve para a República como para a Monarquia, embora careça de alguns esclarecimentos complementares.

4. Sem dúvida que democracia significa sistema político em que a autoridade emana do povo e se realiza na participação deste no governo da comunidade, quer através de delegados (democracia representativa), quer por via directa (democracia referendária), ambas com méritos e defeitos, esperançosamente perfectíveis.

5. Curioso é o entendimento que algumas pessoas têm da República como coisa democrática por excelência, repetindo triologias do século XVIII vindos da Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade, Fraternidade) cuja acepção nunca questionaram; abjurando a moderna alternativa monárquica por considerarem esta ultrapassada.

6. Outros baseiam a sua argumentação na superioridade numérica de Repúblicas sem atender às razões de tal fenómeno: chegada do ouro americano à Europa (Hamilton); apariação do espírito capitalista nas minorias dominantes de um país (Max Weber); maximização do lucro por meio de cálculos sobre ganhos e custos; empreendorismo monopolista, etc..

7. À longa lista da qual apresento uma pequena resenha é importante salientar o redimensionamento de fronteiras a partir de actos coloniais, sem atender às tradições autóctones, baseado em critérios economicistas e/ou de interesses dos novos colonizadores.

Nau

domingo, 25 de março de 2012

Nº. 134 - O Espírito de Comunidade, II

1. A decadência da República romana deveu-se ao confronto entre o patriciado e o povo.

2. Bom é recordar que o patriciado consistia no governo pelos privilegiados da Roma antiga que favoreciam a República por esta permitir a partilha do poder entre a dita minoria.

3. Aliás, a democracia republicana apenas serve para o aliciamento da multidão por minorias que assim procuram manter o seu estatuto de prerrogativas particulares.

4. O bom povo é o folclore habitual e imprescindível nas democracias populares governadas por aqueles que fazem carreira política no partido (expl.: China, Coreia do Norte, antiga União Soviética, etc.) susceptíveis de servir como caixa de ressonância dos seus patronos.

5. A boa República estadunidense, com todo o seu panache eleitoral, não passa de uma timocracia, esportulando algumas benesses pela multidão pois é esta que, pelo consumo dos bens essenciais controlados pelos oligarcas de serviço e a adequada subserviência da maioria, assegura o seu estatuto e poder.

6. Alguns republicanos poderão alegar que no regimen monárquico a situação será pouco diferente (direi até idêntica) à sombra do mesmo Estado de Direito que é meramente funcional e célere para os possidentes.

7. Aqui é feita a defesa do espírito de comunidade que consolidará o movimento cooperativo sob o pendão real; este obviará a viciação do jogo democrático, fatal pela interferência de Chefes de Estado a prazo.

Nau

sábado, 24 de março de 2012

Nº. 133 - Fim de Semana

1. Quebro os compromissos e faço a ronda directamente pelos vários blogs monárquicos.

2. Gostei do apontamento de Filipe Cardeal: "Protesto, quero o meu tacho!!!".

3. A entrevista de Miguel Esteves Cardoso a Pedro Mexia, aventada pelo 'Blogue Real Associação de Lisboa', soube-me a pouco.

4. Mas, de facto, "a República [de 5 de Outubro de 1910] é uma coisa terrivelmente francesa, mal contada, imposta...".

5. "A virtude é a matriz última da ética republicana". Assim se masturba Fernando Catroga.

6. Sem dúvida, a profissão de fé republicana é idêntica à de certos monárquicos - está isenta de qualquer racionalidade.

7. O '31 da Armada' tem interesse, mas é demasiado CDS/PP; a 'Esquerda Monárquica', demasiado socialista; 'O Monárquico' deliberadamente elefântico: só emprenha de 2 em 2 anos... Não há pachorra!.

Nau

sexta-feira, 23 de março de 2012

Nº. 132 - O Espírito de Comunidade, I

1. O grupo social mais ou menos primitivo que se distinguiu da horda e da família será a tribo (do latim, tribu) que originalmente significava a terça parte do povo romano.

2. A aglomeração de família ou povos que viviam na mesma região proveniente de um tronco comum terá sido o embrião do espírito de comunidade, proporcionador de consensos entre as partes.

3. Na Grécia antiga, a cidade-estado (polis) era governada por uma minoria de homens adultos, com a exclusão das mulheres, escravos e estrangeiros, apresentando o regimen tribal líbio dos nossos dias traços desses tempos.

4. Sempre que um chefe impositivo servia de árbitro, por regra, nos conflitos tribais e transmitia esse estatuto ao seu primogénito, dava azo a uma dinastia, i.e., uma série de soberanos pertencentes ao mesmo tronco.

5. O aumento da população na comunidade, normalmente, consolidava o poder do soberano; porém, quando este enfraquecia, forças minoritárias assumiam o controlo dos negócios públicos - res publica, em termos latinos.

6. Logo, o sistema dito republicano que pôs fim à Regnum Romanum não era democrática no verdadeiro sentido da palavra, mas sim oligárquico, tal como se verificava nas antigas cidades-estado gregas.

7. Ronhosamente muitos sociológicos contemporâneos pretendem associar o fim das monarquias com a assunção das repúblicas devido ao espírito democrático destas, quando apenas se verifica a marionetação do poder governativo por forças oligárquicas.

Nau

quinta-feira, 22 de março de 2012

Nº. 131 - O Estado de Direito

1. A tecnocracia, pressupondo a articulação de vários especialistas em diversas matérias, assume-se como uma alternativa à partidocracia.

2. O traço comum entre o tecnocrata e o corifeu partidário é, simplesmente, o poder que a ambos motiva para alcançar o mesmo fim, isto é, a submissão dos mais.

3. Claro está que a anuência voluntária à vontade de outrém é realizada através de técnicas muito sofisticadas, inspiradas por minorias que apenas acautelam os seus interesses pessoais.

4. O tirano e/ou o ditador estão há muito tempo desacreditados, pelo que a demagogia para uns ou a democracia para outros são uma combinação de processos destinados a produzir o objectivo desejado.

5. O Estado de Direito - aparentemente uma ciência das normas obrigatórias que disciplinam as relações dos homens na comunidade - é a capa providencial que motiva os resultados almejados por tecnocratas e/ou corifeus partidários.

6. Não nos iludemos. A República não é uma forma democrática de governo, mas um sistema político em que o Chefe de Estado a prazo é eleito em contravenção à maioria democraticamente apurada.

7. Por outro lado, em democracia toda a autoridade, teoricamente, emana do povo, mas os delegados são cândidas marionetas dos possidentes, por falta de cidadãos criteriosos.

Nau

quarta-feira, 21 de março de 2012

Nº. 130 - Causa Monárquica

A/C Filipe Cardeal

1. Na caixa do correio electrónico dos "cooperativistas monárquicos", várias chamadas de atenção têm sido feitas para intervenções suas ou de correligionários nossos, acerca de temas com muito interesse.

2. Por regra, não saio deste espaço pois a responsabilidade de "escriba oficial" desmotiva a dispersão por caminhos alheios, susceptíveis de serem negligenciados pela equipa que me assiste e corrige a pontaria.

3. Pessoalmente, lamento o tempo perdido em discussões de lana caprina ou em declarações patrioteiras que pouca correlação têm com a doutrina monárquica ou aquilo que se defende neste espaço.

4. Tentar vender a ideia que o regresso do Rei, magicamente, resolverá os problemas da comunidade lusa é um tremendo erro (para não dizer, um disparate) equivalente à promessa republicana do bacalhau a pataco.

5. Importante é denunciar a fraca democracia existente, controlada por minorias com vastos cabedais, estas orientadas na persecução do lucro e da concorrência entre si.

6. O cooperativismo opõe a cooperação e o apoio mútuo à competividade entre pessoas, política eficaz para dirimir os excessos tecnocráticos e/ou burocráticos das aventuras ditas socialistas.

7. A Monarquia distingue-se da República por não promover a figura do Chefe de Estado a prazo (o Presidente da República) que apenas serve para apoiar ou contrariar as maiorias sufragadas.

Nau

Nº. 129 - Tempo de mudança

1. Cooperar para o bem comum não será apenas considerar os problemas do dia a dia, mas também acautelar a subsistência das gerações vindouras.

2. A legitimidade democrática dos últimos 30 anos não é questionável, porquanto o formalismo desta é idêntico ao do resto da Europa, apenas a prática neste rectângulo de terra à beira-mar plantado deixa muito a desejar.

3. Sem dúvida que a arte da governação é muito complicada para o cidadão comum. Os raros que ascendem às altas esferas onde tais práticas são exercidas ganham o incontestável estatuto de manipuladores políticos.

4. Excedentes governamentais, isto é, contas públicas consolidadas, são luxos pouco prováveis nas democracias latinas pois os políticos envolvidos estão mais empenhados em angariar votos para a próxima legislatura - pouco mais fazem do que pão e circo.

5. Obviamente que todos nós somos responsáveis pela quase bancarrota portuguesa, porquanto sufragamos os governantes que nos desgovernam. Em compensação ganhamos obras de fachada; angariamos emprego a muitos padrinhos e afilhados; contribuimos com o desequilíbrio do orçamento familiar; dizemos não à poupança.

6. Responsáveis somos todos nós pois mesmo quando não nos revemos no governo em exercício, elegemos delegados de outros partidos para controlarem a acção governativa e estes nada acautelam - opção errada? má fortuna?.

7. Não é saudável atribuir a culpa dos nossos desaires aos outros. Por mais indignados que nos encontremos perante realidades desagradáveis, o importante é ponderar uma atitude alternativa - porque não o cooperativismo?

Nau

terça-feira, 20 de março de 2012

Nº. 128 - Luta Popular

1. Segundo parece, Assunção Cristas prepara nova Reforma Agrária. Não há pachorra!

2. Transtejo e Soflusa suprimem carreiras de transporte de passageiros no rio Tejo para "emagrecimento de gorduras". Sem dúvida que a natação entre as duas margens daquele rio será um bom exercício.

3. Nos primeiros dias do mês corrente, os maquinistas da CP decidiram dizer não às horas extraordinárias. Ensaio para a Greve Geral anunciada para o dia 22?

4. "Um procurador da República Portuguesa, tal como a mulher de César, não bastará ser sério: tem também de parecê-lo", comenta o Luta Popular On-line. Não perca os saborosos prmenores.

5. Por incrível que pareça, a economia europeia está em queda - cinco países da zona Euro encontram-se em recessão mas, nos Estados Unidos, há sinais de pálido crescimento. Ainda bem!

6. O estafado assunto da vaia preparada para Cavaco na António Arroio deixa no ar a seguinte questão: então o homem faltou à escola!.

7. Não esquecer a Greve Geral de 22 de Março! Entretanto, leiam o Luta Popular On-Line.

Nau

Nº. 128 - Luta Popular

1. Segundo parece, Assunção Cristas prepara nova Reforma Agrária. Não há pachorra.

2. Transtejo e Soflusa suprimem carreiras de transporte de passageiros no rio Tejo para "emagrecimento de gorduras". Sem dúvida que a natação entre as duas margens daquele rio será um bom exercício.

3. Nos primeiros dias do mês corrente, os maquinistas da CP decidiram dizer não às horas extraordinárias. Ensaio para a Greve Geral do dia 22?

4. "Um procurador da República Portuguesa, tal como a mulher de César não bastará ser sério - tem também que parecê-lo", comenta o Luta Popular On-Line. Não perca os saborosos comentários.

5. Por incrível que pareça, a economia europeia está em queda! Cinco países da zona Euro encontram-se em recessão, mas nos Estados Unidos há sinais de pálido crescimento. Ainda bem!

6. O estafado assunto da vaia preparada para Cavaco na António Arroio deixa no ar a seguinte questão - então o homem não queria ir à escola?

7. Não esquecer a Greve Geral do dia 22 de Março! Entretanto, leiam o Luta Popular On-Line.

Nau

segunda-feira, 19 de março de 2012

Nº. 127 - Porque sou republicano, D.A. VII

1. Sim, meus Caros Amigos, urgente é todo o mundo - monárquico ou republicano - dar cara às verdades comezinhas, sem quaisquer preconceitos.

2. Na instituição política monárquica o Chefe de Estado é hereditário e vitalício, enquanto na republicana este é eleito e a prazo, em contravenção ao princípio de legislatura democrática.

3. Quanto ao governo, o poder será exercido por forma oligárquica, plutocrática ou democrática, segundo o mesmo se encontre controlado por minorias determinadas (oligarquias e plutocracias) ou por maiorias esperançosamente democráticas.

4. Bom é ter presente que as minorias poderão ser mono-partidárias - ditadura do proletariado e social fascismo - ou pluripartidárias mas marionetadas pelas vias partidocráticas e tecnocráticas.

5. Logo, as maiorias de cultura partidária para-democráticas apenas serão realizadas pelo aumento em número de cidadãos criteriosos, logicamente monárquicos.

6. Claro que os plutocratas poderão ser úteis à comunidade enquanto produtores de riqueza e súbditos da ordem democrática, porquanto sem produção assegurada da riqueza, a subsistência da comunidade será problemática.

7. Porém, o equilíbrio entre plutocracia (aqueles que detêm os meios de produção, circulação e distribuição de riquezas) e a democracia só é possível graças ao aumento em número dos cidadãos criteriosos, normalmente motivados pela prática cooperativa.

Nau

domingo, 18 de março de 2012

Nº. 126 - Porque sou republicano, D.D. VI

1. Ateísmo poderá ser um interessante exercício mental, porém a simultaneidade republicana apenas denota uma alienação substantiva de capacidades.

2. Basta ler o chorrilho de argumentos requentados por Carlos Esperança para, de imediato, compreender que o trauma deste é estar, há muito tempo, fora de prazo, atido a Iluminismos e a preceitos da Revolução Francesa.

3. "Sou cidadão e não vassalo"; "abomino o contubérnio entre o trono e o altar"; "sou avesso à vénia e ao beija-mão" e outras coisas mais, mas de um formalismo bacoco, com uma tendência para condenar os aspectos de valor somenos esquecendo a razão que os fundamenta.

4. "Ser republicano é recusar o poder a quem não se submete ao sufrágio universal e secreto". De facto, o agente de autoridade tem o poder de comandar e impor a observação de certas regras aos cidadãos, embora não tenha sido submetido a qualquer "sufrágio universal e secreto".

5. "A República é o berço da Democracia". Ora democracia significa governo do povo, normalmente exercido através de delegados eleitos, sendo esta definição válida tanto para o sistema republicano, como para o monárquico; logo, o tropo apresentado apenas reflecte o lirismo do argumentador republicano e ateísta.

6. "Ser republicano é, hoje e sempre, um acto de cidadania que tem a ética como baliza e a Liberdade, Igualdade e Fraternidade como divisa, projecto e ambição". A esta jactância opto pela moderação do movimento cooperativo a que pertenço, tendo por fundamento a Liberdade, Equidade e Solidariedade.

7. Em recente apontamento chamei a atenção para o facto do sistema político republicano advogar a eleição de um chefe a prazo (o Presidente da República) que apenas serve para apoiar ou contrariar a maioria democraticamente eleita.

Nau

sábado, 17 de março de 2012

Nº. 125 - Porque sou republicano, D.A. - V

1. "Sou republicano porque recuso o carácter divino e hereditário do poder". Assim começa a oratória de Carlos Esperança na celebração do 5 de Outubro de 2010.

2. Antes de mais, será curial apresentar o perfil de Carlos Esperança: Presidente da Direcção da Associação Ateísta Portuguesa; sócio fundador da Associação República e Laicidade; colaborador do "Jornal do Fundão", do "Praça Alta", de Almeida e de "O Despertar", de Coimbra; sócio nº 1177 da Associação Portuguesa de Escritores, etc..

3. Suponho nada de relevante do que foi declarado pelo insígne plumitivo ter sido escamoteado nesta resenha, embora suspeite que, por pudicícia, o combativo republicano tenha deixado em branco a sua passagem pelas lojas maçónicas, porquanto tal desbragado acto seria incompatível com a de membro da Associação 25 de Abril, de obediência exclusiva a um certo partido político.

4. Claro que a definição daquilo que entendemos por República será a de uma forma de governo na qual o Chefe de Estado é eleito pelos cidadãos - ou os seus directos representantes - por tempo limitado, não se vislumbrando qualquer intervenção do divino, tal como acontece noutros sistemas políticos, talvez com a as excepções da República do Irão e da República da Coreia do Norte.

5. Uma vez mais, suponho que esta recusa do carácter divino venha da posição assumida de Presidente da Associação Ateísta, da declarada herança do Iluminismo e da Revolução Francesa, embora recuse a hereditariedade como fonte de poder, sendo este transmitido de pais aos filhos pela via da geração, i.e., herdamos o poder comum a todos os cidadãos por direito transmitido pela sucessão.

6. Outro obstáculo se apresenta na asserção do poder - aqui já comentado ao longo de vários apontamentos - o qual, mesmo para um ateu, não displicente, razão pela qual (volto a sublinhar) o herdeiro do Iluminismo e da Revolução Francesa se afirma republicano.

7. Em suma: republicano é ser partidário da República, sistema político que advoga a eleição de um chefe a prazo para viciação do fundamento democrático.

Nau

sexta-feira, 16 de março de 2012

Nº. - 124 - Porque sou republicano, D.A. IV

1. A declaração de fé da Vulgata Latina, digo, do Diário Ateísta, vai no sentido de republicano significar partidário da República, esta como instituição política.

2. Ora a república (res publica) define-se como a preocupação do cidadão comum sobrepor os interesses gerais sobre os particulares, sendo tal objectivo transversal a qualquer comunidade de cariz democrático.

3. Para nós, cooperativistas, a res publica não basta, porquanto nos sentimos motivados a agir de modo concertado, em parçaria com pessoas determinadas a satisfazer as suas necessidades económicas, sociais e culturais através de um empreendorismo saudável de propriedade e responsabilidade compartilhadas.

4. Delegar, isto é, incumbir alguém de zelar pelos nossos interesses no património comum, não significa abdicar ou desistir de algo conscientemente, mas a maioria renuncia, com facilidade, aos seus direitos de cidadão por um prato de lentilhas, devido ao horror de assumir responsailidades, ou inépcia em tomar decisões acerca de si próprio.

5. Embora o homem seja um animal gregário por natureza, formando grupos heterogéneos, procura nestes adoptar ideias alheias, particularmente sonhos, quimeras, fantasias que massajam o ego e conduzem a paraísos onde todos os prazeres desejáveis se realizam.

6. O poder será quimérico, mas o acesso a este garante o desfrutar de sensações paradisíacas o que motiva minorias a construir esquemas para o conquistar, tiranizando os demais.

7. O poder será de carácter oligárquico (exercido por uma minoria que controla os bens de produção); plutocrático (o poder pertence aos possidentes) e democrático (do povo soberano) que, invariavelmente, descamba nas duas outras hipóteses, devido à escassez de cidadãos criteriosos.

Nau

quinta-feira, 15 de março de 2012

Nº. 123 - Porque sou republicano

1. Fala-se tanto de Democracia que poucos se apercebem do sentido da palavra, tal como do substantivo electricidade que todo o mundo conhece e aceita como uma forma de energia, mas raros são os que entendem a natureza desta.

2. Sem dúvida que em Portugal - à semelhança do que aconteceu após a Revolução de 1820 e a Carta Constitucional de 1826 - vigora a democracia, mas esta carece de ser aperfeiçoada a fim de motivar, cada vez mais, a cumplicidade da população em geral.

3. Declarar-se republicano por ser democrata é como afirmar que o homem tem um cérebro privilegiado embora se reconheça que em alguns indivíduos o dito órgão funciona e tem qualidade, enquanto noutros está, aparentemente, entorpecido. Sem dúvida que Democracia significa governo do povo que não República.

4. Como já tive oportunidade de salientar num outro apontamento, a democracia ateniense tinha por base uma classe minoritária de pessoas (oligarcas) que usava o poder no seu interesse próprio exclusivo, sendo este o padrão democrático que prevalece na civilização europeia.

5. Logo, o importante é dinamizar o movimento associativo em Portugal, a fim de que a maioria da população se dedique ao concerto de ideias e a um empreendorismo saudável, orientado para a satisfação das suas necessidades económicas, sociais e culturais.

6. Até na velha Europa, a multiplicação das repúblicas é impressionante, porquanto estas correspondem ao interesse de oligarquias que, no Estado de Direito e no crescente alheamento da população inerme, entesouram recursos materiais que lhes garantem a dependência de serventuários e/ou apaniguados.

7. A Democracia prescinde de Chefes de Estado a prazo, pois estes apenas existem para apoiar ou contrariar as maiorias apuradas em cada legislatura, ao contrário da figura do Rei que obvia disputas partidárias no topo da comunidade, como símbolo por excelência.

Nau

NOTA: editado no 'realistas.org', em 7/8/201.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Nº. 122 - Porque sou republicano, II

1. Ainda com o 'Diário Ateísta' presente, terminei a última reflexão questionando: será legitimidade democrática o voto de apenas 20% do povo soberano?

2. Muitos dirão que a maioria dos votos apurados num sufrágio é que conta; aos que se deixaram ficar em casa, resta submeterem-se ao escrutínio cotejado. Mas que raio de democracia é esta?!.

3. Volto ao exemplo antigo. Um grupo de malfeitores decide, por maioria, assaltar uma dependência bancária e sequestrar os eventuais clientes daquele banco. Será tal acto democrático?.

4. Se a eleição do Chefe de Estado não for efectuada por um sufrágio universal (como, por exemplo, na Alemanha e na Itália) a instituição deixará de ser republicana?.

5. Tendo presente que democracia significa governo do povo soberano, exercido por delegados eleitos por sufrágio universal, a eleição do Chefe de Estado a prazo não será uma contravenção à referida soberania que é mister observar em cada legislatura?.

6. D. Carlos comentou que em Portugal sobrevivia uma instituição monárquica sem monárquicos. Hoje ainda perduram republicanos ateístas que nem ideias claras manifestam quanto à instituição política das suas crendices.

7. Sem dúvida que a comunidade não é a coutada do rei; mas este obvia disputas partidárias no topo da instituição política, salientando-se como o símbolo da Democracia, a par da Bandeira e do Hino.

Nau

NOTA: editado no 'realistas.org', em 6/11/2011.

terça-feira, 13 de março de 2012

Nº. 121 - Porque sou republicano, I

1. A religião é um sistema de crenças e de práticas assumidas por um grupo social.

2. Na mesma linha, a crença é algo em que se acredita, dispensando qualquer interpretação racional.

3. Por outro lado, a política é a ciência de governar uma comunidade, segundo preceitos racionais.

4. Logo, defender opções políticas evocando crenças religiosas e/ou preconceitos sem fundamento sério, é um absurdo.

5. "Ser republicano é recusar o poder a quem não se submete ao sufrágio universal e secreto". (Diário Atéista, Internet).

6. Pergunto: será curial recusar o poder aos membros do governo, magistrados, oficiais das forças armadas, etc., que não foram submetidos a tal prática?

7. "... é negar o respeito a quem aceita funções no Estado sem legitimidade democrática". (Diário Ateísta, Internet). Será legitimidade democrática o voto de apenas 20% do povo soberano?

Nau

Nota: editado no 'realistas.org', em 5/8/2011.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Nº. 120 - A Gesta CECIM, III

1. Qual será a instituição política mais democrática, a República ou a Monarquia?

2. Em primeiro lugar é mister expor, de modo sucinto, o que se entende por Democracia: sistema político em que a soberania pertence ao Povo e este, através do sufrágio, delega os seus direitos em representantes que, a partir da Casa da Democracia (Parlamento), fiscalizam, em cada legislatura, os actos do Executivo do qual órgão consensual são os progenitores.

3. Esta definição tanto é válida para republicanos como para monárquicos. Porém, a República distingue-se pela figura do Chefe de Estado ser a prazo enquanto na Monarquia é vitalícia.

4. A eleição do Presidente da República tem, na origem, o conúbio de várias facções diferentes (ou não) da maioria verificada no Parlamento, pelo que a figura eleita apenas serve para apoiar ou contrariar a facção maioritária em funções na Casa da Democracia.

5. O Chefe de Estado vitalício não resulta de sufágios espúrios e/ou de ingredientes cozinhados na Casa da Democracia para adulterar os resultados apurados nas urnas do escrutínio universal, mas sim de um consenso de séculos, renovado pelas Cortes, o que obvia a incongruência atrás referida -a hereditariedade é verificada pelos genealogistas; a confirmação da capacidade do Presuntivo Herdeiro pertence ao forum próprio.

6. Nestas circunstâncias, como democratas, estamos seguros que a Monarquia Social do século XXI será a instituição que, a par de cidadãos criteriosos, poderá robustecer os laços de solidariedade e equidade do Povo Soberano, em estrita observação das medidas exigidas pela pátrica do Bem-Comum e da insaciável fome de Liberdade.

7. Com base naqueles valores, afirmamos que o fundamento da Instituição Monárquica é a Democracia e o Rei é tido como o símbolo desta. O Cooperativismo procura, como atrás foi referido, motivar os cidadãos criteriosos, do presente e do futuro, para a construção de uma comunidade mais equitativa e solidária.

Nau

sábado, 10 de março de 2012

Nº. 119 - A Gesta CECIM, II

1. A razão deste espaço depreende-se do acrónimo que o titula, sendo o cooperativismo o fundamento e a doutrina monárquica a estrada real que se advinha.

2. Exauridos os milagres afiançados pela Direita confessional (fascismo) e os promissores paraízos da Esquerda preconceituosamente progressista (comunismo), a largos passos aproxima-se a oligarquia dos tecnocratas que igualmente procura transformar todos cidadãos em pensionistas do Estado e este em incontestável tutor

3. O movimento cooperativista assume-se como o remoçar da cidadonia e apela para o recrudescimento do espírito de iniciativa, dado que apenas este poderá garantir uma digna sobrevivência do espírito ingénito de comunidade.

4. Cooperar é um acto natural e pressupõe a acção concertada de várias pessoas; adjuvar é limitado à assistência (diria caridade) de alguns perante a inércia dos subservientes. O cooperativismo acentua-se nos actos de entreajuda, motivando a acção colectiva por consensos alargados.

5. Longe vai a tradição do associativismo português - Bolsa Marítima, Celeiros Comuns, Mútuas de Gado, etc. - embora a não persecução do lucro como um dos fundamentos apenas tenha sido adquirida no século XIX a partir da experiência havida no bairro de Rochdale, Reino Unido, que deu ênfase e cariz ao moderno cooperativismo.

6. O símbolo universal do movimento são dois pinheiros por estes sobreviverem às mais adversas condições (o par deve-se à consciência de que não estamos sós) contidos num círculo pelo mesmo não ter princípio, nem fim; o verde dos pinheiros representa a esperança; o amarelo simboliza o Sol, fonte de energia. Pelo CECIM foi adoptado o azul celeste e o branco por este último ser a síntese de todas as cores e o primeiro a cor do planeta Terra no espaço sideral.

7. Nenhum tema aqui será tabú; toda a participação será bem vinda, salvo a dos cripto-republicanos (imaturos politicamente) e dos aristocretinos (política e socialmente aberrantes) que se espera ser tão insignificante quanto à normal postura dos mesmos.

Nau

sexta-feira, 9 de março de 2012

Nº. 118 - A Gesta CECIM, I

1. CECIM veio ao mundo no dia 28 de Setembro, de 2007, no blog 'monarquicos.com indice', após várias tentativas frustradas para trazer à luz do dia esta criancinha.

2. Pela mão do Bom Amigo Diogo Ventura, deu alguns passos no 'realistas.org', sempre na expectativa de ganhar espaço e vida própria.

3. Na equipa original, formada por gente de boa vontade e sempre atarefada, não existia quem garantisse assistência e apoios regulares.

4. Após algumas negociações, fiquei eu (Nau) encarregado dos textos e os seniores (Luis e Arnaldo) com a supervisão dos serviços de comunicação e alertas.

5. Logo, em várias caixas de correio entram os textos a comentar, os contactos a estabelecer, bem como os pertinentes alertas.

6. Para outras caixas de correio seguem as minhas mensagens (verbais ou escritas) a fim de serem processadas por rapaziada com idades que variam dos 13 aos 70 anos.

7. Os próximos apontamentos serão transcrições de textos que, nos recuados anos de 2005, não chegaram vir a lume. Este vosso escriba voltará tão cedo quanto possível.

Nau

quinta-feira, 8 de março de 2012

Nº. 117 - O temora o mores

1. Ainda há pouco tempo, o tédio medrava na comunidade portuguesa.

2. O acesso ao bem-estar para alguns e a acumulação de conforto para outros abafava, por completo, a voz dos desfavorecidos.

3. Problema seria a inquietação dos satisfeitos perante a violência gratuita dos seus filhos que raiava o crime irracional.

4. Os governantes apostavam nas grandes obras públicas e fechavam os olhos à corrupção que os mantinha no poder.

5. Hoje o desencanto por um universo pretenciosamente racionalizado é manifesto, restando o Estado Burocrático, marioneta dos especuladores.

6. Desculpas fervem para todos os gostos. Os grandes responsáveis são os outros, apenas por existirem.

7. A comunidade portuguesa parece desvairada - apaticamente sobrevive.

Nau

quarta-feira, 7 de março de 2012

Nº. 116 - Sanha Monárquica, V

1. Terminei o último apontamento relativo ao tema em epígrafe chamando a atenção dos eventuais leitores para o estratagema dos adeptos republicanos de, angelicamente, confundir democracia com o regimen da sua preferência.

2. Corroborando tal ideia, citei os exemplos da Alenha Nazi e da própria Salazarquia, indubitavelmente republicanos e arredados das praxes democráticas. Logo os Catãos de serviço vieram lembrar que na Itália de Mussolini, compagnon de route do Adolf Hitler, vigorava o regimen monárquico.

3. Meus Caros Amigos, a minha pretensão nos dois exemplos apresentados era sublinhar que República não é sinónimo de Democracia, tendo deixado bem claro no referido apontamento o facto do aumento em número de cidadãos criteriosos - e volto a repetir, cidadãos criteriosos, aqueles que se interessam pelos problemas da comunidade - melhor articular e consolidar o sistema democrático.

4. Nas entrelinhas da definição de oligarquia ficou expresso que o poder minoritário anestesia, por norma, a comunidade sob roupagens democráticas - tolerando a livre expressão (aliás, difícil de controlar na Internet) por esta permitir a descompressão de tensões sociais - através de sistemas políticos mono ou pluripartidários.

5. Logo, quer o regimen monárquico, quer o regimen republicano são permeáveis a tal coqueluche, i.e., fatalidade oligárquica, pelo que toda a prioridade deverá ser dada à formação de cidadãos criteriosos que é a hipótese aqui defendida pelos cooperativistas.

6. Claro que todo mundo tem presente que a eleição do Chefe de Estado (o Presidente da República) vicia o jogo democrático por impor um árbitro catrapiscado numa das equipas envolvidas na disputa política a dirigir o confronto destas. Logo, a eleição do Chefe de Estado a prazo é mais perniciosa do que a aclamação do Chefe de Estado hereditário.

7. Insistimos: Monarquia rima com Democracia, desde que o número de cidadãos criteriosos se multiplique progressivamente - é esta a razão da ênfese dada pelo movimento cooperativo/monárquico.

Nau

terça-feira, 6 de março de 2012

Nº. 115 - Carta Aberta a Rui A. Paiva Monteiro

Caro Correligionário e Amigo,

1. Estou-lhe muito grato pelo relevo que tem proporcionado ao Cooperativismo Monárquico.

2. As chamadas de atenção para alguns dos temas editados no 'Monárquicos Portugueses Unidos' têm sido de grande utilidade.

3. Reconheço e louvo a importância do novo esquema administrativo do 'Monárquicos Portugueses Unidos'.

4. Sem dúvida que a indigitação de administradores com base nos votos obtidos durante a participação naquele espaço é original e bastante democrático.

5. Confesso que o referido esquema me pareceu um desafio tentador, mas a falta de interesse que a maioria manifesta pela matéria aqui defendida sustém qualquer aventura.

6. Por outro lado, o Facebook tem méritos indiscutíveis, mas proporciona mais os faits divers do que os debates monárquicos-cooperativistas.

7. Bem haja.

Nau

segunda-feira, 5 de março de 2012

Nº. 114 - Sanha monárquica, IV

1. Vamos falar claro. Há dois regimenes políticos alternativos: o monárquico e o republicano.

2. A Monarquia tem por Chefe de Estado um Rei, cidadão hereditário (estatuto transmitido dos pais aos filhos pela via da geração), vitalício (que mantém tal dignidade por toda a vida) e apartidário (que não pertence a qualquer facção política).

3. A República tem por Chefe de Estado um cidadão a prazo (o Presidente da República), eleito por sufrágio universal (expl.: França) ou por colégio de notáveis (expl.: Alemanha) logo, de génese partidária.

4. O governo e a administração da comunidade poderão ser realizados por duas vias: a oligárquica e a democrática.

5. Na oligárquica, segundo o próprio nome indica, a participação dos cidadãos é limitada pelo poder de minorias que controlam os bens de produção, através de sistemas mono ou pluripartidários.

6. Na democracia, quanto maior for o número de cidadãos criteriosos (aqueles que se interessam pelos pelos problemas da comunidade), melhor se articula e consolida o sistema democrático.

7. O estratagema dos adeptos do regimen republicano é confundir este com a democracia, embora tenham presente que a Alemanha Nazi era uma República, tal como a Salazarquia em Portugal.

Nau

domingo, 4 de março de 2012

Nº. 113 - Sanha Monárquica, III

1. Recentemente, no Facebook, Paulo Especial apresentou, sem mencionar o respectivo autor, as tiradas que passo a comentar, mantendo a redacção original que (suponho) tenha sido obtida através da transcrição de um improviso menos feliz.

2. "... a Monarquia não é o rei, é sim uma alternativa a este Sistema e porque quando, e se chegar a altura, será o Povo a dar legitimidade ao rei".

3. De facto, a Monarquia não é o rei, mas a hereditariedade da realeza por direito de nascimento, sendo a legítima confirmada por idónea entidade e aclamada pelo povo, i.e., reconhecida de viva voz em assembleia, sem recorrer a escrutínio.

4. "Qualquer monárquico compreenderá que o Rei existe para servir o povo, logo terá de ser aclamado por este, esta, aliás, é uma das grandes mais valias da monarquia, não é um pro-forma como a eleições presidenciais, que põem como representante um badameco em que ninguém votou".

5. Se tomarmos a palavra 'servir' como préstimo ou utilidade; estar ao serviço de; cumprir com todos os seus deveres cívicos, etc., todos nós existimos para servir a comunidade, logo, a figura do Rei está no âmbito de tal asserção. Porém, afirmar que de uma eleição presidencial resulta um badameco em que NINGUÉM votou, é um mistério da fé.

6. Paulo Especial sintetiza o seu pensamento afirmando, de modo tácito, não ser realista, i.e., não ser partidário da realeza ou de um rei em particular, almejando apenas um Portugal melhor, tão singelamente como qualquer cidadão português.

7. Resta-me voltar aos argumentos de Daniel Nunes Mateus.

Nau

Nº. 112 - Sanha Monárquica, II

1. A República nasceu por equívocos; sobreviveu por equívocos e persiste por andar por aí muita gente equivocada. Assim terminava o meu apontamento Nº. 74.

2. O colapso financeiro que se verificou em Portugal no início dos anos 90 do século XIX provocou uma crise económica, esta motivada pela estagnação do crescimento da riqueza. A depressão seguinte - o disparar da inflação, a crise da lavoura, o sofrear da emigração para o Brasil e outras coisas mais - demonstra à saciedade que imprevisíveis ciclos económicos encerram previsíveis semelhanças.

3. Certo foram os problemas sociais que se agudizaram com expectativas de crescimento goradas; carestia dos bens essenciais; instabilidade política, esta aproveitada por videirinhos e organizações secretas - em berra naqueles tempos - que largamente contribuiram para o aumento do mal-estar geral.

4. A classe média portuguesa de então seria demasiado provinciana na cidade e pretensiosamente urbana no meio rural, apegada a praxes religiosas e fetichismos irracionais; por um lado, deslumbrada por um mundo irreal parisiense que aceitava como o requinte da civilização europeia, por outro lado, rotineira e sonolenta.

5. Os ecos da jovem República Brasileira, aqui romanticamente entendida como o despertar dos humildes e desprotegidos, que não a fome de poder e meio de ganhar protagonismo idêntico ao dos caudilheiros havidos nos movimentos independentistas vizinhos, foram uma inspiração para os revolucionários lusos.

6. Em Portugal, o pequeno Partido Republicano, empurrado pelas principais lojas maçónicas de então, aproveitou a instabilidade financeira e o ultimatum colonialista britânico para lançar audaciosas e venenosas atoardas, ao ponto de procederem à eliminação física do Rei e do Príncipe Real, pois os fins justificavam os meios.

7. Hoje, numa Europa sem lideranças naturais, Portugal navega à bolina, numa mascarada Democracia, alimentando a República de velhos preconceitos que dura por interesses particulares e parca cidadania.

Nau

sábado, 3 de março de 2012

Nº. 112 - Luta Popular

1. Cor do burro quando foge é tema de abertura do Luta Popular On-Line na revisão da semana e, claro, o burro somos nós, mas pachorrentos.

2. Ao manifesto "Instaurar a Democracia, Restaurar a Monarquia" encabeçado por Gonçalo Ribeiro Telles, replicam os marretas, sob a capa soarista, chorando lágrimas de crocodilo pela Grécia. Não há pachorra!.

3. Pretende o governo grego reduzir em 325 milhões de euros o seu orçamento para gastos militares, mas o eixo Berlim-Paris veta tal medida porquanto esta prejudica a indústria armamentista da Alemanha e da França! Pachorrices!

4. As recentes eleições presidenciais na República do Iémene decorreram de forma tradicionalmente republicana: o candidato do poder vicia os dados e a oposição contesta resultados. Claro que, por detrás desta tragédia popular está em jogo o crude oil... Não há pachorra!.

5. No dia 28 de Fevereiro último, Gacia Pereira discutiu a actual situação do país no canal televisivo ETV, acessível apenas àqueles que têm mais do que os canais generalistas ou visitam, regularmente, os videos do Luta Popular On-Line. Vá lá, não custa nada, deixe-se de pachorrices.

6. A 3ª avaliação da tróica demonstra que a dívida soberana portuguesa é impagável: a taxa real do desemprego ronda os 22% (mais de um milhão e duzentos mil desempregados!), 35% dos quais são jovens... Irra, sejam pachorrentos!

7. Realizou-se, no Clube dos Pensadores, em Vila Nova de Gaia, no dia 27 do mês findo, o último debate da série organizada por aquela associação com vários dirigentes políticos. A mensagem de Garcia Pereira foi bem clara: "Só com o derrube do actual governo e a constituição de um governo democrático patriótico é possível vencer a crise".

Nau

sexta-feira, 2 de março de 2012

Nº. 111 - Sanha Monárquica, I

1. Novo texto de Daniel Nunes Mateus, editado no "Monárquicos Portugueses Unidos", chegou à minha mão, com nova catilinária.

2. Para já (que fique bem claro!) não existe qualquer animosidade da minha parte para com o referido autor embora, no espaço de um mês, este me obrigue a voltar a talho de foice pela sua apologia da instituição monárquica por via cordial.

3. De facto, poucos são aqueles que demonstram uma sanha tão demolidora, particularmente em relação à moçoila dos seios desnudados e barrete frígio, como o citado esgrimista que bem merece um louvor pelo acometimento, que não meras acrimónias.

4. Porém, os argumentos com que fomos brindados carecem de propriedade e no ar ficam mais dúvidas do que esclarecimentos, pois não basta a enunciada opção monárquica - "porque a monarquia é a solução para Portugal" - embelezada com a figura do rei por esta garantir a soberania nacional contra as "liberdades burguesas".

5. Sem dúvida que a convicta fé do polémico autor é mais realista do que republicana, mas insinuar que a doutrina institucional desta última é fomentadora de clientelismos pelo cariz partidocrático é cuspir para o alto, esquecendo que - tanto o clientelismo, como a corrupção - apenas evidenciam uma baixa cidadania.

6. Persistir nos mesmos erros será uma vocação pouco saudável, dado que a notória falta de atenção prestada aos assuntos com os quais, aparentemente, estamos familiarizados, é fruto de cultivado preconceito, ideia formada antecipadamente sem qualquer fundamento plausível.

7. Um rei sai mais barato; um rei presta contas ao povo por estar acima da partidocracia; um rei defende as liberdades cívicas; um rei condiciona a corrupção; um rei promove o desenvolvimento económico... Claro que eu acredito neste rol mirabolante, apenas porque Daniel Nunes Mateus o diz, caso contrário, dificilmente o subscreveria.

Nau

quinta-feira, 1 de março de 2012

Nº. 110 - Monárquicos

1. Segundo parece, a Internet está repleta de curiosidades monárquicas.

2. Dizem-se cobras e lagartos da instituição republicana, mas pouco se fala da alternativa.

3. Muitos se afirmam monárquicos e raros são os que conseguem explicar as razões de tal opção.

4. Fala-se da crise económica. Transcrevem-se algumas análises e interpretações mas... muita parra e pouca uva.

5. Há monárquicos tradicionalistas, monárquicos integralistas, monárquicos corporativistas, monárquicos sebatianistas, monárquicos marialvas, etc..

6. ... outros afirmam-se independentes (!); de quê?

7. O importante será apresentar teses válidas; propostas coerentes; argumentação racional. Tudo o resto são palhaçadas.

Nau