segunda-feira, 23 de março de 2015

Nº. 1222 - Doutrina Cooperativista


1. A cooperação anda na boca de todo o mundo: a cooperação europeia; a cooperação dos países do Mediterrâneo; a cooperação intercontinental Europa/Estados Unidos; a cooperação com a América Latina; a cooperação com a África trigueira; a cooperação com as Índias; a cooperação com o Extremo-Oriente.

2. Porém, o que se verifica em todos os referidos projectos de cooperação são meras tácticas de confronto, porquanto o negócio das armas (não esquecendo as drogas) e o controlo das reservas energéticas naturais são muito importantes para alimentar as linhas de produção, os circuitos comerciais, os cofres dos usurários e os apetites consumistas.

3. O neocolonialismo consiste na exploração dos recursos naturais e/ou da mão de obra barata de um determinado país ao qual é facultado tecnologia datada e sujeita ao pagamento de uma compensação pelo uso da dita tecnologia, bem como o direito de comercializar o produto final em mercados específicos, mormente os menos rentáveis.

4. Claro que o neocolonialismo não se limita ao sector da produção, sendo este reforçado por esquemas financeiros  a longo prazo e alto rendimento para os usurários, não excluindo o recurso a intervenções musculadas, tal como se verificou no Afeganistão no século passado pela União Soviética e, mais recentemente, no Iraque pela administração estadunidense.

5. À semelhança do que aconteceu com o Japão e deu azo à participação deste no segundo grande conflito do Séc. XX, o aumento da capacidade industrial obriga à angariação de recursos energéticos fora das suas fronteiras, tal como se está a verificar na China dos nossos dias.

6. Por outro lado, a emergência de novas grandes potências industriais (Brasil, Índia, África do Sul) vai potenciar novos confrontos (não só regionais, como planetários) através de alianças periclitantes, à semelhança do que se verificou no Velho Continente no início do Séc. XX.

7. A cooperação é sempre possível pela boa vontade dos homens, desde que o poder seja partilhado tal como é bandeira da doutrina aqui defendida.

Nau

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