quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Nº. 1176 - LP Burguesia II
1. "Somos todos burgueses", como ironicamente dizia Alexandre O'Neill, e procuramos satisfazer as nossas necessidades tomando como padrão aqueles que estão bem instalados na vida, os tais que disfrutam do trabalho alheio.
2. Somos todos burgueses protegidos pelo Estado de Direito (fórmula política que consagra os possidentes e vota ao deus dará o simples mortal que luta pela subsistência) predispostos para adoptar como próprias as opiniões e comportamentos da classe dominante à qual pretendemos agradar.
3. Somos todos burgueses, logo iguais perante a lei embora esta tenha várias interpretações, consoante os interesses particulares e o estado emocional de cada um, desculpando-se os deslizes daqueles que nos estão próximos e verberando contra presumíveis inimigos dado que ninguém dispensa a elementar dicotomia do bem e do mal.
4. Somos todos burgueses: os bons são aqueles que têm avultados capitais - normalmente os outros - e nós, que nos vamos safando periclitantemente. No grupo dos maus incluímos os que têm avultados capitais, mas dos quais não temos hipótese de usufruir qualquer benefício.
5. Somos todos burgueses e no grupo dos maus não resistimos em incluir todos os que não nos agradam e nos permitem conjecturar que ainda há alguém em pior circunstâncias do que a nossa pessoa e, embora tal não nos traga qualquer benefício, pelo menos satisfaz o nosso ego - não somos masoquistas.
6. Somos todos burgueses e presumimos que pela simples razão de ter nascido temos o direito de ser servidos, desprezando o que é comum por não ser nosso; negligenciando o que pertence a outrem por... não ser nosso.
7. Somos todos burgueses e dificilmente entramos em projectos cooperativistas porquanto somos obrigados a ter ideias práticas, a emitir e discutir opiniões; em suma, em arrostar penosamente com responsabilidades.
Nau
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