quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Nº.1078 - A Questão Doutrinária, V


1. O que se impõe será esclarecer o interesse que certas pessoas manifestam em alimentar uma falsa questão dinástica.

2. Sabido que a vantagem da instituição Monarquia reside no facto do rei obviar disputas partidárias no topo da comunidade dando lugar a que estas se realizem em sede própria, isto é, nos órgãos democráticos, torna-se evidente que o interesse de certos cavalheiros será de postergar o regresso do soberano vitalício e hereditário.

3. Todo o mundo tem presente a importância de um soberano apartidário, e até os movimentos revolucionários optam por eleger os chefes supremos colegial e vitaliciamente, tal como se verificou na União Soviética do passado e se mantém nos dias de hoje - mero recurso das Repúblicas ditas democráticas.

4. Vem a talho de foice chamar a atenção daqueles para quem a Monarquia é algo do passado, não se apercebendo que a actual República francesa copia a prática do Ancien Régime: o soberano a prazo de génese sectária demite o ministro caído em desgraça, e até o primeiro-ministro, sempre que a contestação popular sobe de tom.

5. Trazer à colação os argumentos usados pelos retardatários pretendentes à coroa (alguns deles de atitude bastante curiosa, para não dizer capciosa) é dar relevo a disputas do género - o Futebol Clube Cascalheira é o melhor do mundo ! - não havendo contestação possível para tais asserções.

6. Pugnar para o regresso do rei, bem como para a consolidação do ideal Monarquia justifica-se pela vontade de mudança, dado que todo o mundo está cansado das litanias dos partidos que, sem avançar com propostas fundamentais, se enredam nas soluções de recurso, até para a chefia do Estado.

Nunca é de mais repetir: Monarquia significa governo de um só, isto é, do Povo, pelo que é a este que compete tomar as decisões, assumindo as inerentes responsabilidades; desistindo de delegar em desconhecidos aquilo que é importante para a realização pessoal - a liberdade, a equidade e a solidariedade.

Nau

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