domingo, 19 de outubro de 2014
Nº. 1067 - Portal Comunalista
1. Pressurosamente aventaram aqui do lado que pátria (patris) exprime o enraizamento à terra dos pais, bastando compulsar os poemas homéricos para não restar qualquer dúvida quanto à vetustez de tal conceito.
2. No entanto, a identificação de pátria como herança comum foi recurso do Novo Mundo, devido à inexistência de um soberano de raiz que satisfizesse a unificação da comunidade resultante de um nacionalismo circunstancial.
3. O conjunto de pessoas do mesmo sangue e associação íntima poderá ser identificado como uma família, e o entrecruzamento de várias famílias num determinado território (por vezes com laços de parentesco muito fortes e hábitos comuns) inegavelmente dará origem ao sentimento pátrio.
4. No Velho Continente, o sentimento pátrio era de índole regionalista e a unidade das regiões assegurada pela figura do rei - soberano normalmente vitalício e hereditário - esta apenas contestável pela insatisfação patricial.
5. Bom é ter presente que a classe dos patrícios, fundamentada no equilíbrio do poder entrepares e largo património, foi a origem da República, esta consolidada pela emergente burguesia que promiscuiu o poder económico (produção) com o poder político (coerção).
6. A boa administração dos bens públicos é o objecto da política - ciência da arte de governar - assentando esta na capacidade de persuasão dos dirigentes, bem como na compreensão e participação dos dirigidos, ambos cientes que a coisa pública (res publica) está para além de qualquer interesse particular nas constituições clássicas: Monarquia, Aristocracia e Democracia.
7. Logo, República como sinónimo de Democracia, mesmo na versão corrente, é bundo castiço, tal como as "liberdades republicanas", em vez de liberdades democráticas, tão em voga na Gália dos nossos dias, herança de um radicalismo torpe.
Nau
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