terça-feira, 28 de outubro de 2014

Nº. 1076 - RAC: A Questão Dinástica, III


1. Sendo óbvio que a figura do soberano se deve ao concerto entre os patrícios (classe privilegiada de fartos cabedais) tal figura vitalícia poderá ser eleita e/ou aclamada por norma hereditária.

2. Embora a existência da classe patrícia resida na capacidade desta se apropriar de meios que lhe garantem uma subsistência autonómica, bem como o desfrutar do trabalho alheio, tal privilégio carece da protecção do soberano e/ou de adequadas regras.

3. O compromisso entre a classe privilegiada e o soberano depende dos humores de ambas as partes, aumentando as vantagens da primeira através do Estado de Direito conducente ao estatuto republicano; subsistindo o poder do rei através da aliança com a maioria, isto é, com o povo, pelo cultivo da liberdade popular.

4. Logo, as questões dinásticas - ruptura da sucessão directa de pais para filhos - ocorrem apenas pela conveniência dos patrícios, porquanto a sucessão ao trono consiste no reconhecimento do presuntivo herdeiro (designado de antemão pelo parentesco) que não no ensaio de hipóteses sob a capa de leis que servem meras jogadas pessoais.

5. Afirmar que uma meia centena de acólitos (embora mor parte destes quadros dirigentes das organizações que representavam o soberano defunto) tenham procedido à aclamação do presuntivo herdeiro - sem qualquer contestação - "é pouco democrático" apenas evidencia o desconhecimento da razão monárquica.

6. Importa ter presente, como aliás foi sublinhado em parágrafos anteriores, que a figura do rei serve para obviar disputas partidárias no topo da comunidade, dado que o soberano a prazo (o Presidente da República) de génese sectária, apenas serve para apoiar ou contrariar a maioria apurada nos órgãos democráticos.

7. Fala-se demasiado em Democracia e poucos se mostram disponíveis para trabalhar para a consolidação desta, tal como tem sido preconizado pelo movimento cooperativo em que todos trabalham para o mesmo fim - tanto republicanos, como monárquicos - sem a tutela de directórios revolucionários, comités sociais-fascistas e outros da mesma espécie.

Nau

Nenhum comentário:

Postar um comentário