quarta-feira, 26 de março de 2014
Nº. 860 - Prelo Real: José Travaços Santos
1. Ao pôr em ordem os livros na estante veio à mão um opúsculo da autoria do poeta José Travaços Santos, publicado na década de 90, com o título "Enquanto viver".
2. Numa introdução comovente o autor declara fidelidade ao seu país - "raiz telúrica do [próprio] ser" - consubstanciada no torrão natal: a Batalha, a sua "Vila Heroica".
3. Sem dúvida que a insatisfação faz parte da natureza humana, mas aquela vulgarizada nos dias de hoje prende-se com desejos consumistas; com preeminências descabidas; com o amor excessivo ao bem próprio, sem consideração pelos interesses alheios.
4. O poeta presta uma justa homenagem aos centenários da Dinastia de Aviz, bem como à gesta dos descobrimentos lusos os quais honram o esforço colectivo, porém com laivos de amargura: "A vida agora é nua e baça, / despida do sonho e do desejo".
5. Deixar o país para se ir estabelecer alhures por incúria de sucessivos maus governantes é tristemente empobrecer, tanto os que partem, como os que ficam a acenar o adeus da separação ou antes da frustração.
6. Sempre voltámos as costas à Europa (por aventura ou más experiências havidas no Velho Continente) mas somos logicamente europeus, logo, "enquanto viver (...) fiel ao [seu] país".
7. Provavelmente, na Biblioteca Municipal da Batalha que carinhosamente guarda o nome do poeta encontrará o dito opúsculo (edição há muito esgotada) mas vale a pena tentar obter um exemplar por licitação na Internet.
Nau
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