sábado, 22 de março de 2014

Nº. 856 - Psyche


1. A Res Publica Romana, nos seus primeiros passos, consistiu na eliminação do rei e na partilha do poder pelos patrícios, grandes proprietários naqueles tempos.

2. Com a anexação dos territórios vizinhos, Roma expandia as suas fronteiras sob forte contestação dos tribunos eleitos pelas classes baixas que exigiam a partilha do poder.

3. Embora a cedência dos patrícios fosse significativa, certo é que o acesso dos plebeus às funções próximas das cadeiras do poder lhes carreou benefícios materiais, passando alguns dos contemplados a emparceirar com a antiga classe possidentária.

4. De entre tantos galos numa capoeira há sempre alguns que arriscam a supremacia, expondo-se os contestatários ora à humilhação, ora à partilha com as numerosas galinhas das vitualhas esportuladas pelo vencedor que, exercendo o poder supremo, assumia o título de imperador.

5. Nesta resenha despretenciosa acerca da Res Publica Romana indicia-se um ciclo de renovação social que assenta, totalmente, na apropriação, isto é, no apossar-se de alguma coisa - por consenso geral ou logro - como própria, através de recursos oportunísticos, mediante esquemas habilidosos e/ou simplesmente venturosos.

6. Logo, é a propriedade de bens, de meios pecuniários, de meras provisões e outras coisas mais que permitem o domínio do possidente sobre os desprovidos, dando origem a tensões sociais que se procura atenuar, quer através da fragilização do título de proprietário, quer pela redestribuição dos benefícios dele resultantes.

7. Fundamenta-se o cooperativismo na partilha da propriedade logicamente comum, e esta, através da concorrência de auxílio, de força, de meios liberta os associados cooperadores dos encargos respeitantes a lucros de intermediários, combatendo eficazmente a apropriação desmedida.

Nau

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