1. Afirmar que República é sinónimo de res publica poderá ser uma insuficiência cultural. Porém, insistir pela mesma via, é uma contumélica ronhice.
2. Na mesma linha se enfatiza a República como morada da virtude, do poder democrático e da dignidade, justificando as eventuais ditaduras como uma contrariedade para lidar com situações de crise.
3. A República, mesmo controlada por uma minoria pantagruélica (oligarcas), continua a alimentar o ódio da realeza por esta, na óptica dos verdadeiros republicanos, descambar fatalmente no arbítrio do poder pessoal, esquecendo que as repúblicas sofrem de idêntica moléstia.
4. Quando se define República como uma comunidade de interesses forçoso é reconhecer a ausência de uma característica particular (repito, característica particular) muito sintomática - comunidade de interesses particulares.
5. Res publica, de facto, salienta o espírito gregário do ser humano, fundamento quer da instituição monárquica, quer da republicana; porém, na primeira, a figura do Rei obvia a sistemática viciação do jogo democrático.
6. Embora a emergência estadunidense tenha precedido a multiplicação de Estados sem Coroa, o êxito da Revolução Americana foi devido ao padrão adoptado (Carta Magna inglesa, 1215) e à preocupação de assegurar a liberdade do indivíduo contra o arbítrio do poder político, sem qualquer estigma anti-monárquico.
7. Óbvio será ter presente que não é a hereditariedade ou a eleição do Chefe de Estado que fará consolidar o espírito democrático na comunidade, mas a prática sugerida pelo movimento cooperativo, na senda da formação de cidadãos criteriosos, logicamente monárquicos.
Nau
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