domingo, 8 de maio de 2016

Nº. 1633 - Psyche


1. O oficial, ao receber a saudação regulamentar do praça à entrada da sua unidade militar reparou na falta de aprumo deste e, ao chamar a atenção para esse facto, deu azo a um complicado processo disciplinar.

2. Para alguns oficiais, o assunto não deveria ter passado de uma eventual chamada de atenção; para outros a divulgação do caso envolvia situações escabrosas que, na devida contenção ou simples admoestação ganhou volume tal que os quadros superiores prefeririam desconhecer.

3. Certo é que os atidos à disciplina militar; as equipas de mal-dizer e a maioria inopinável, vogavam todos à mercê do "diz-se, diz-se" por falta de assunto ou mero prazer em alimentar questões para passar o tempo, desopilando o fígado com hipotéticos mexericos de caserna.

4. A questão residia no facto do oficial ter dado nota da excitação sexual do praça quando este, no exercício das suas funções castrenses, não acatando as ordens superiores para tomar a postura adequada; para outros insinuava-se existir um relacionamento pouco claro entre os dois homens.

5. Os grandes males (ou pelo menos os mais delicados) socorrem-se de um conjunto de processos para obter um certo resultado, aventando-se a hipótese do praça em causa estar sob o efeito de terapêuticas sexualmente excitantes, ideia que os quadros superiores se apressaram a corroborar, encerrando de imediato o caso.

6. Porém, a má-língua não desarmou prosseguindo nas insinuações de amantes desavindos; na tese dos indivíduos que experimentam declínios cíclicos de desejo sexual ganharem azedumes em relação àqueles que não enfrentavam tais inibições; no ataque soez que dói mais ao questionar a masculinidade de alguém

7. Poucos se esqueceram que Alcibíades, famoso cabo-de-guerra ateniense, foi amante de Sócrates. Também Alexandre, o Grande, teve as suas inclinações não muito convencionais.

Nau

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