quarta-feira, 29 de julho de 2015
Nº. 1350 - Prelo Real
1. Referências depreciativas a Saramago são crime e os defensores de donzelas ofendidas, pressurosamente, vieram lembrar ser aquele autor o primeiro e único Prémio Nobel atribuído à literatura portuguesa.
2. Porém, o dito galardão era suposto ser conferido àqueles que tivessem prestado largo contributo à humanidade, tanto pelas suas obras literárias, bem como pelas actividades políticas, estas mormente conotadas com aqueles que se pavoneiam pela esquerda intelectofóbica.
3. Ora a notoriedade de Saramago, tal como o próprio nome indica e alguém já tivera tido a oportunidade de chamar a atenção para esse facto, advém da família das crucíferas, planta rasteira de folhas ásperas e tendência em infestar os campos cultivados.
4. Homem esforçado e muito religioso, de fé inabalável no credo comunista dos sovietes, Saramago afirmava-se ateu, lançando atoardas contra a Igreja de Roma, aliás, Vaticano, pela eventual concorrência política.
5. Comparar a escrita trabalhada de Saramago - feita de sangue, suor e rancores, digo, lágrimas - ao estilo fluente e urbano de Miguel Sousa Tavares - seguro e culto - é de uma insensibilidade patológica ou mera cegueira clubista.
6. Por outro lado, Miguel Esteves Cardoso, num só livro ultrapassa, de longe, em ironia e segurança, a obra toda do incensado Saramago, sem apadrinhamentos políticos e/ou receitas meramente oportunistas.
7. Sendo a escrita de Diogo Amaral mais solta, isto é, menos trabalhada do que a de Saramago, a criatividade e a modernidade deste sobreleva o receituário politicão saramarengo.
Nau
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