sábado, 11 de abril de 2015
Nº. 1241 - Psyche
1. Tendo a minha mulher - que se deslocara de longe até ao centro da cidade como pendura - necessidade urgente de regressar a casa, veio ao meu encontro solicitar as chaves do carro prometendo, solenemente, não me deixar apeado.
2. Prevendo uma hora incerta para o término da jornada pelo cômputo das reuniões agendadas para esse dia, bem como um trânsito automóvel caótico por ser fim de semana, optei por concertar improvisada boleia com um colega que tem casa lá para as minhas bandas.
3. Antecipadamente dei conhecimento à minha mulher da alteração do plano de recurso para o meu regresso a penates, supondo-me livre do provável esgotamento físico devido a uma condução cheia de atritos e maus humores.
4. Claro que a presença da mulher do meu improvisado motorista, sendo esta nossa colega na mesma instituição, estava prevista no rumo a casa, cada um dos três ansiando por um fim de semana tranquilo, após uma jornada que, carregada de problemas, poucas saudades deixava.
5. Grande foi a minha surpresa ao ser confrontado pela atitude de alguém que, profissionalmente, tem demonstrado comedimento e segurança naquilo que faz, ao massacrar a sua cara metade com intempestivos avisos à condução: "olha aí esse carro!"; "porque vais tão devagar?"; "não faças ultrapassagens desnecessárias!" ...
6. Numa troca de impressões com o meu improvisado motorista da semana anterior este confirmou ser corrente a mulher enzinar-lhe os ouvidos com recomendações inoportunas mas ele, já habituado a tal prática, não prestava qualquer atenção a tais invectivas.
7. Aos trinta anos começamos a ter dificuldades com o desempenho do nosso cérebro, particularmente com a memória, mas aquilo que exigiria uma cuidada observação profissional, torna-se irrelevante no contacto familiar.
Nau
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