quinta-feira, 9 de abril de 2015

Nº. 1239 - Luta Popular


1. O povo - nome colectivo dos indivíduos que constituem a parte mais numerosa e menos rica da população da comunidade à qual pertence, por estratégia política, a burguesia plutocrática e seus serventuários, no conjunto considerado como público - é o tema favorito das encomiásticas perlengas dos demagogos.

2. Até os sociais-fascistas - no seu assalto às cadeiras do poder após o colapso da salazarquia - não se cansavam de proclamar que o povo é quem mais ordena embora, por mera jactância palavrosa, apenas confirmassem a actividade rural mais humilde verificada numa economia de subsistência em que a ordenha (acto de espremer os úberes das reses fêmeas para a extracção do leite) é prática corrente.

3. Logo, popular designa a multidão; os partidários do povo; que é do povo como origem ou pertença; que é próprio do povo; que é do agrado do povo, sobretudo das simpatias do povo do qual - a parte mais numerosa e menos rica da população acima sublinhado - resulta o maior número de votos nos sufrágios universais.

4. Os demagogos - tendo por função estimular as paixões populares e convencer o maralhal a delegar o seu poder de decisão aos chefes das facções políticas, tanto no sistema parlamentar, como no de ditadura paternal - pretendem agradar aos catapultados dirigentes que, por sua vez, dependem da boa vontade da classe dominante - os plutocratas.

5. A eleição serve a classe dominante, não se cansando esta de insinuar que os dirigentes eleitos têm óptimos predicados para a condução dos negócios públicos: adoram disfrutar de conforto requintado; vestem bem; não dependem materialmente das funções que exercem; têm a formação académica adequada; facilmente compreendem os interesses dos seus superiores hierárquicos.

6. Logo, a razão pela qual os nossos amados dirigentes são assacados de tudo que ocorre mal na condução dos negócios públicos é a válvula de escape para as inevitáveis frustrações pós-eleitorais, restando a hipótese de uma estratégica mudança na próxima consulta popular que apenas servirá para manter tudo como dantes, quartel-general em Abrantes.

7. Claro que o cooperativismo será uma boa escola para a formação de gestores mais sensatos, podendo, no entanto, os cidadãos mais impacientes apoiar o PCTP/MRPP porquanto este, na nossa opinião, tem quadros dirigentes meritosos.

Nau

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