sábado, 3 de janeiro de 2015

Nº. 1143 - Psyche


1. O paciente em fase terminal gradualmente vai tomando consciência da sua debilidade física e poderá entrar, mentalmente, numa fase depressiva - reactiva ou preparatória.

2. A exteriorização de pesar de familiares e/ou dos profissionais que procuram minimizar a dor do paciente é susceptível de esvanecer os sentimentos negativos, dando azo a uma certa paz e aceitação do fim próximo.

3. Outros pacientes lutam até ao fim, preferindo que os deixem sós, agarrados a uma esperança mitigada pela fé religiosa numa tentativa de adiar o inadiável, almejando um pouco mais de tempo de vida a fim de regularizar assuntos pendentes.

4, A hipótese  de diálogo com um paciente em fase terminal é, por vezes, remota tornando-se difícil avaliar o grau de sofrimento deste, optando a equipa de saúde por formular vagos diagnósticos para consumo de pacientes emocionais e familiares depressíveis.

5. Assistir, por mero acaso, a um paciente na fase terminal, desprevenidos do historial do caso clínico deste, é deveras frustrante, porquanto o simples tocar no corpo que desfalece ou o acto de quem se persigna poderá transmitir mensagens inadequadas.

6. O profissional psicológico - por maior experiência que tenha em contacto com doentes na fase terminal - torna-se impotente perante as indagações ansiogénicas do ser humano, tanto do paciente, como de familiares em contactos circunstanciais.

7. O instinto de conservação é comum a todos os seres vivos.

Nau

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