quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Nº. 1014 - Prelo Real


1. Com muita tristeza e alguma frustração, tomei conhecimento da estatística relativa aos visitantes deste espaço, e o elevado interesse manifestado pelo tema"nobreza" deixa-me perplexo.

2. Nos dias de hoje, em que a hereditariedade se encontra praticamente limitada à transmissão dos caracteres normais e patológicos dos organismos através das gerações, como é possível persistir tanta curiosidade acerca de uma classe castreja há muito tempo já extinta.

3. Claro que as origens e tradições de vetustas famílias, o entrecruzar de apelidos, sinais heráldicos e respectivos brasões são a paixão de alguns curiosos, idêntica à dos coleccionadores de selos de correio e/ou de quaisquer outros objectos da mesma espécie reunidos por mania, capricho ou amor à arte.

4. O povo português, formado há longos séculos por muitas e desvairadas gentes, de certo que compreende a existência - mesmo nas famílias mais tradicionais - do heroi e do poltrão; do santo e do criminoso; do erudito e do néscio, dos quais apenas celebra, por conveniência, os de maior valor.

5. A aristocracia é formada por gente notável no exercício das funções governativas (ou próximo destas) pelo que, nos dias de hoje apontamos o dedo aos Castros de Cuba, aos Kim Il Sung da Coreia do Norte, bem como aos Estalines, Mussolines, Hitlers, etc. de um passado que convém não esquecer.

6. Por outro lado, ter progenitores ilustres em nada garante a qualidade da descendência pelo que, até nas sucessões dinásticas, o presuntico herdeiro terá que ser reconhecido por aclamação, mas completamente alheio aos rodriguinhos, ambições oportunísticas e mesquinhices de cripto-republicanos ronhosos.

7. Bom é chamar uma vez mais a atenção para o facto da ilustre figur do Rei, por si só, obviar disputas sectárias no topo da comunidade, pelo que o importante é a reforma das mentalidades

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