domingo, 30 de setembro de 2012
Nº. 328 - 'Deus, PÁTRIA, Rei', IV
1. Uma pobre camponesa de um lugar próximo da Batalha tinha uma filha que, nos anos 40 do século passado, fora para a capital trabalhar como empregada doméstica e, sempre que lhe perguntavam pela filha - talvez ainda deslumbrada pelas celebrações nacionalistas havidas no mosteiro vizinho - respondia que a sua Luisinha desde que saíra para Lisboa nunca mais voltara a Portugal.
2. De facto, num conceito restrito, a pátria é a terra onde viveram os nossos progenitores e viemos ao mundo obrigados a lutar por um espaço que nos fosse adequado, embora este, nos verdes anos, tenha tido uma construção amparada pelos instintos maternais e pela estrutura proporcionada pela comunidade em que fomos inseridos, reproduzindo os traços genéticos, bem como os tiques locais.
3. Por vezes o nascituro vem finalmente ao mundo em terras distantes do lar dos progenitores por estes terem mudado de residência - ou por outras razões circunstanciais - pelo que a pátria do rebento, embora adoptiva, será aquela em que cresce e se desenvolve, tanto física como intelectualmente, influenciado pelos hábitos paternos, pelo meio ambiente e, sobretudo, pela cultura prevalecente
4. Sem dúvida que o factor genético, os hábitos parentais, o meio ambiente e a cultura prevalecente são factores determinantes, pois o filho de pais europeus de formação anglicana que, mantendo um modus faciendi próprio num clima de África equatorial e cultura islâmica, produzirão um rebento multifacetado que, em termos de humanidade, é faceta enriquecedora.
5. Nunca a pátria foi algo parado no tempo, Estado em que cada indivíduo nasceu e ao qual pertence ou onde adquiriu a cidadania, mas um conjunto de várias comunidades que se interligam, mantendo uma linha de interesses comuns, mesmo quando dispersa por vários continentes e subsista - mais na memória do que nos actos - como um todo aparente.
6. Logo, a pátria não é forçosamente o país ou região onde se nasceu e/ou a consciência de si desabrochou como ser humano, nem tão pouco ambiente, clima e lugar onde se pratica uma actividade ou mera função existencial. A pátria será o sentimento imaterial que temos das coisas, que somos supostos de usufruir, partilhando harmoniosamente.
7. Não existe uma correspondência pontual à triologia da Revolução Francesa porquanto 'Deus, Pátria, Rei' aponta para valores caseiros do passado e 'Liberdade, Equidade, Solidariedade' são o lema, pelo menos, do cooperativismo monárquico.
Nau
sábado, 29 de setembro de 2012
Nº. 327 - 'DEUS, Pátria, Rei' III
1. Deus, por razões culturais, é o alfa e o omega pois, na veia da racionalização, esconde o medo daquilo que não se conhece.
2. O desconhecido inibe; o conhecimento responde à natureza da realidade. Assim, perante uma incógnita ou perigo súbito, o bicho-homem fica desorientado, na expectativa do milagre; a percepção que se tem de si próprio estimula a curiosidade.
3. Recentemente, uma sonda interplanetária transmitiu a imagem do que será a formação de um novo astro: múltiplos asteróides parecem aglomerar-se na expectativa de um meteoro ignífero que o impulsione para uma órbitra regular.
4. Caso as previsíveis condições que eventualmente darão vida a um novo astro obedeçam aos desígnios de um criador desconhecido, qual será a origem de tal criador? Porque razão lhe são atribuíveis leis de humana conveniência?.
5. As conjecturas filosóficas já não satisfazem a curiosidade do bicho-homem que, nas leis por si estabelecidas, se contentam procurando na ciência - sobretudo na física quântica - a resposta para os problemas do presente, talvez até para a fome, a doença, a pobreza e, sobretudo, a miséria intelectual.
6. A transição da inocência e da ignorância para o conhecimento, bem como deste para a personalidade de corpo inteiro, será uma longa jornada, mas não justifica o fanatismo de zelo exagerado por qualquer religião ou seita religiosa existente.
7. Segundo António Damásio "a consciência é a função biológica crítica que nos permite conhecer a tristeza ou a alegria, sentir a dor ou o prazer, sentir vergonha ou o orgulho, chorar a morte ou o amor que se perdeu".
Nau
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Nº. 326 - Coisas do Diabo
1. Segundo os observadores de serviço, os apontamentos mais visitados neste espaço são os relativos a Aline Gallasch-Hall e ao tema "Deus, Pátria, Rei".
2. Quanto a Aline Gallasch-Hall, compreendo o interesse dos detractores em esmiuçarem o dito apontamento na esperança de encontrar algo que sirva como arma de arremesso.
3. Porém, desenganem-se, Aline Gallasch-Hall prima pelo ar sádio, determinado e convincente naquilo que diz, basta lhe ser dada a oportunidade para voos mais alargados.
4. Quanto à triologia em questão, não terei outro remédio do que debruçar-me sobre a mesma, apenas para apelar ao bom-senso das pessoas, convidando-as a participar numa jornada de esclarecimento e ponderação.
5. No entanto, agora é tempo de contestações sociais, porquanto alguns não querem abdicar das oportunidades oferecidas; outros sentem-se indignados com as dificuldades que lhes são apresentadas.
6. Uma das vantagens da Democracia é assegurar o direito ao cidadão comum de se manifestar contra ou a favor das medidas públicas implementadas, dado que tal direito alivia, em princípio, as tensões sociais.
7. Numa óptica mais radical, as greves poderão conduzir uma escalada na conquista do poder, porém, a quem confiar os destinos da comunidade?
Nau
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Nº. 325 - Coisas do diabo
1. As políticas públicas de uma determinada comunidade são, cada vez mais, condicionadas pelas políticas internacionais.
2. Não tenhamos dúvidas, são os plutocratas - não propriamente o Diabo - que decidem os negócios públicos dos diferentes Estados.
3. Embora o centralismo administrativo, aparentemente, ponha em causa o espírito plutocrático (por natureza especulativo) são os plutocratas que decidem os ciclos económicos.
4. O confronto radical apenas beneficia os armamentistas. Logo, os plutocratas concertam uma entente cordial entre si para a produção de todo o tipo de bens de consumo.
5. A mão de obra barata de um território, aliada a uma produção específica destinada a ene mercados, pode decidir o encerramento de empresas gigantescas, do tipo da GM e quejandas.
6. Sem dúvida que o mercado automóvel da República Popular da China está em franca expansão, mas a sua capacidade produtiva naquele sector poderá ser encaminhada para mercados externos, em contrapartida aos investimentos nestes efectuados.
7. Um outro exemplo, será o dos titãs do calçado que, dentro em breve, decidirão quem produz ou fechará as portas da sua indústria.
Nau
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Nº. 324 - Monarquia Instaurada, VII
1. Erradicando progressivamente as tradições autóctones, a burguesia possidentária impôs no Novo Mundo o Presidente da República na capacidade de primeiro-ministro, funcionando a administração pública como mero executivo.
2. A França, macaqueando as instituições políticas estadunidenses, elege um primeiro-ministro sob a designação de Presidente da República, mantendo um executivo amestrado para arcar com os desaires que os eventuais desequilíbrios presidenciais originem.
3. Mais democráticas são as instituições políticas britânicas pois aí o primeiro-ministro é eleito pelo povo e o Rei, hereditário e vitalício, actua como provedor da grande comunidade, obstando que uma figura espúria (o Presidente da República) vicie o jogo democrático, apoiando ou contrariando a maioria apurada no parlamento.
4. Logo, para resolver definitivamente o assunto, foi instaurada a Monarquia em Portugal e chamado para primeiro-ministro Garcia Pereira (que um referendum popular rectificará como tal) com a missão de acabar com o regabofe orçamental e introduzir as reformas estruturais há nuito almejadas.
5. Estou convencido que Garcia Pereira, como primeiro-ministro, será a medida mais credível para a restruturação do Estado, o combate à corrupção impante, a disciplina e real fiscalização do sector bancário, bem como a dinamização do empreendorismo com preocupações sociais.
6. A Família Real (Rei, Rainha, Principe Real) terá um custo inferior à herdade Casa da Presidência da República (Eanes, Mario Soares, Sampaio, Cavaco...) e consolidará a instaurada Monarquia, caracterizada pelo comunalismo e pelo enrobustecimento do espírito cooperativista.
7. Claro que o tempo urge, pois as greves, as indignações e o avolumar da crise continuam. Resta aguardar um pouco de bom-senso e... realismo.
Nau
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Nº. 323 - Monarquia Instaurada, VI
1. Soluções políticas - à esquerda ou à direita - são tão falíveis como as medidas para resolver os problemas dos ciclos de expansão e contração económicos.
2. Aqui, na democracia estadunidense, o primeiro-ministro (sob o epíteto de Presidente da República) - eleito mediante o patrocínio de consórcios timocráticos ligados a empresas armamentistas, farmacêuticas, bancárias, etc. - rege grandes conflitos de interesses, impotente na resolução dos problemas da miséria, da violência e da exclusão social.
3. Embora favorecida por largos recursos naturais, a desigualdade social da população norte-americana é gritante, porém totalmente avessa à palavra socialista, esta conotada com o sistema político, económico e social de comunidade de bens, ainda que o governo da União esteja empenhado em socorrer os mais carenciados, numa via parente da europeia.
4. Os preconceitos, ainda que sem fundamento sério, também abundam do outro lado do Atlântico, denominadamente em Portugal, onde a ideia de República se encontra associada a certas normas de procedimento antimonárquico, inculcadas por uma campanha insidiosa orquestrada por lojas maçónicas, numa sublimação dos movimentos sociais utópicos, tais como o saint-simonismo e o fourierismo.
5. Logo, as soluções dos problemas estão nas medidas pragmáticas adoptadas que não nas receitas ideológicas, mesmo quando estas encarreiram por conceitos economicistas de mestres consagrados - Marx, Keines, Friedman, Lucas - em oposição a tudo que representa crenças ou tradições, pois o objectivo será maximizar a felicidade humana.
6. De um lado perfilam-se os interesse dos consórcios internacionalistas cultivados nos corredores de Bruxelas; do outro estão os legítimos anseios da população lusa em participar numa comunidade mais equilibrada e justa, possível no âmbito de uma CPLP mais esclarecida.
7. Quanto a Garcia Pereira, voltaremos no próximo apontamento.
Nau
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Nº. 322 - Monarquia Instaurada, V
1. Sejamos coerentes. Desperdiçar dinheiro com gentalha que nada quer fazer, é imoral.
2. No entanto, somos um pequeno país que, no parlamento, tem o dobro - direi mesmo, o triplo - de deputados que países com dimensões continentais jamais alimentaram.
3. Sejamos coerentes. Afirmamo-nos democratas - pretendendo ter uma palavra acerca dos assuntos comuns - e limitamo-nos a delegar os nossos interesses em alguém que totalmente desconhecemos é, no mínimo, ilusão cultivada.
4. No entanto, bom é estar atento aos ímpetos oligopólicos de uns (negócios de armas, de especulações obscuras, de branqueamento de capitais, de florescente comércio de drogas, etc.), bem como daqueles que, na artimanha de normas tortuosas, alimentam a burocracia que lhes é totalmente favorável.
5. Sejamos coerentes. Se a unidade de produção funciona, eficientemente, com 10 trabalhadores motivados, para quê envolver 100 quando eventualmente 90 poderão ser mantidos sem nada fazer; se os oligopolistas e burocratas pretendem controlar as comunidades, porque não organizar uma defesa comum em pequenas unidades cooperativas.
6. No entanto, os consórcios entendem-se e impõem as suas regras às oligarquias que, democraticamente, foram eleitas; qualquer projecto requer, normalmente, meia dúzia de pareceres - um pequeno lar de idosos leva 7 anos para obter o respectivo licenciamento; um hotel mais de 10 anos.
7. Sejamos coerentes. A corrupção só poderá ser contida por uma cidadania activa; a cidadania só poderá ser melhorada por uma participação activa dos cidadãos; o real comunalismo só poderá ser activamente eficaz através de pequenas associações vocacionadas para responder às necessidades - económicas, sociais e culturais - dos cidadãos activamente criteriosos.
Nau
domingo, 23 de setembro de 2012
Nº. 321 - Monarquia Instaurada, IV
1. Sendo um político com uma óptima formação e muito calo nas lides partidárias, sou levado a presumir que Garcia Pereira, como primeiro-ministro, escolheria os melhores técnicos para as diferentes pastas, exortando a população em geral para que se associe na defesa dos seus interesses comuns.
2. Não é uma questão de maior ou menor simpatia pelo político em causa; apenas a intuição que tal primeiro-ministro actuaria, essencialmente, com bom-senso, não para a promoção de afilhados, mas segundo as linhas mestras da doutrina política que tem sempre defendido.
3. Olhando para a República Popular da China dos nossos dias verificamos que, para lá da luta política realizada nos bastidores, o rumo traçado tem sido o do progresso e do desenvolvimento tecnológico, numa linha mais pragmática (digamos maoista) do que marxista; pouco leninista embora nitidamente imperialista.
4. A China foi um sorvedouro de tecnologias e um mercado de mão de obra barata que a Europa (e não só) utilizou para ter acesso a produtos de qualidade razoável e preços moderados, o que permitiu que impostos sobre o consumo fossem suficientes para suportar o regabofe que se tem vivido.
5. O despertar da China obriga a que os seus dirigentes procurem angariar matérias-primas e combustíveis por tudo que é sítio, a fim de alimentar a sua linha de produção que já dá sinais de nervosismo no ensaio de pequenos conflitos que irão endurecendo de tom e agressividade nos próximos capítulos.
6. Claro que o problema português é outro. Sempre nos escudámos com o poder britânico - embora a vassalagem intelectual fosse constante para os lados da gália - mas hoje a britânia, apoiada na antiga colónia norte-americana e estendendo os braços para o que resta do império, vai sobrevivendo.
7. Entretanto, aguardemos o próximo apontamento.
Nau
sábado, 22 de setembro de 2012
Nº. 320 - Monarquia Instaurada, III
1. Há muito comunista ou anti-comunista cujas opções políticas lhes são completamente inextricáveis. Os termos marxismo, leninismo e maoismo são frequentemente utilizados, mas poucos curam saber o que, de facto, significam.
2. Sem dúvida que o comunismo é um sistema político, económico e social baseado na comunidade de bens e na abolição da propriedade privada.
3. Embora alguns socialistas mostrem certo apego às tradições da democracia parlamentar, não há dúvida que, doutrinariamente, defendem a propriedade colectiva dos meios de produção; a supressão das classes sociais; uma distribuição mais igualitária das riquezas.
4. Por outro lado, o marxismo, fazendo uma interpretação económica da história, sublinha que as relações de produção e das forças produtivas são a plataforma sobre a qual se erguem as superestruturas políticas, jurídicas e ideológicas.
5. O centralismo democrático (latente em todas as comunidades dos nossos dias), a organização da vanguarda operária e a potenciação de uma consciência internacionalista, foram as linhas mestras da actuação de Vladimir Ilitich Ulianov, universalmente conhecido pelo pseudónimo de Lenine.
6. Resta agora acrescentar que a contribuição de Mao Tsétung foi basicamente pragmática, anti-megapolista e anti-burocratizante, tendências predominantes quer no capitalismo de Estado (mercados burocratizados), quer no capitalismo dito liberal (mercados oligopólicos).
7. Sendo o PCPT/MRPP um movimento assumidamente marxista-leninista-maoista, qual seria a orientação de Garcia Pereira à frente do governo?. Favor aguardar o próximo apontamento.
Nau
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Nº. 319 - Monarquia Instaurada, II
1. Claro que Bruxelas poderia impor a suspensão de Portugal como membro da União Europeia alegando que o país deixara de ser uma democracia.
2. Mas porque carga de água um governo liderado por Garcia Pereira deixaria de ser democrático? Em tempos, Manuela Ferreira Leite sugeriu a suspensão da democracia e, segundo parece, não caiu o Carmo e a Trindade.
3. Por outro lado, seria natural que Garcia Pereira formasse, com os líderes dos partidos com assento parlamentar e outros parceiros sociais, um conselho de Estado que zelaria pela manutenção dos fundamentos democráticos, nomeadamente, a liberdade de expressão.
4. Sem acesso ao crédito externo, nada poderia ser importado, sendo as exportações eventualmente possíveis através da apresentação de preços competitivos, e o mercado interno condicionado ao uso da prata da casa.
5. A banca não precisaria de ser nacionalizada pois os erros por esta cometidos seriam pagos do seu bolso sendo, de certo, a fiscalização pelo Banco de Portugal muito diferente daquela efectuada nos tempos do impagável Vitor Constâncio.
6. Possivelmente a moeda corrente voltaria a ser o 'Escudo' pelo que o pagamento de ordenados aos funcionalismo público não seria grave problema.
7. Gritaria (e grande!) seria daqueles que, habituados a meter a mão no tacho (PPP's, fundações, compadrio, etc.) veriam as suas venturosas incursões goradas. Mas aguardemos o próximo apontamento.
Nau
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Nº. 318 - Monarquia Instaurada, I
1. A meados so ano de 2013, após várias experiências falhadas - todas de iniciatia dos vários quadrantes políticos - um grupo de monárquicos tomou de surpresa a sede do poder.
2. Embora ninguém tivesse dado por isso, devido às habituais disputas políticas, o grupo em questão botou-se ao trabalho estudando, com afinco, as várias soluções possíveis.
3. Chamar um militar de carreira para presidir ao governo foi uma hipótese muito ventilada, mas a dúvida que este fosse políticamente imparcial bastou para excluir todos os eventuais candidatos.
4. Em presença das ineficientes provas dadas pelos membros dos partidos com assento parlamentar nenhum destes poude ser indigitado para assumir a presidência do governo.
5. Foi então que alguém aventou a hipótese de Garcia Pereira, do PCTP/MRPP, tomar as rédeas do poder dado que, para grandes, bastam os grandes remédios.
6. Cruzes canhoto! Vamos ficar sem acesso ao crédito externo! A banca renacionalizada! Não haverá dinheiro, nem para pagar ao funcionalismo público! É o caos!.
7. E el-Rei D. Duarte II, o que fazer?. Vejamos o próximo apontamento.
Nau
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Nº. 317 - Eppure si muove
1. As modernas comunidades têm um denominador comum - o excesso de regulamentação.
2. Como não podia deixar de ser, o excesso de normas dá azo a uma crescente burocracia e respectivos mentores.
3. Embora o Estado assuma, na prática, uma actuação mais persuasiva do que punitiva, certo é o prevaricador ter de enfrentar labirínticas recomendações.
4. O triunfo do Estado centralizador, apesar dos ímpetos neo-liberais dos anos 70 do século passado, continua a exigir novas respostas da sociedade civil que se tarda a concertar.
5. Claro que a moderna comunidade, por mais castiça que o seja, medra em função de outras comunidades do âmbito internacional.
6. De facto, a deliquência, a pobreza, o desemprego, a exclusão social, o periclitante ambiente e outras coisas mais carecem de uma resposta pontual e acertada.
7. O cooperativismo e o conceito que, face à agressiva competividade entre pessoas, opõe a cooperação e o apoio mútuo.
Nau
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Nº. 316 - O Disparate Islâmico
1. O futebol é um espectáculo de massas e uma fonte de rendimento para muito chico esperto.
2. Sem dúvida que o cultivado clubismo alivia tensões pessoais; alivia, incrivelmente, a bolsa de muitos adeptos de fracos recursos económicos; alivia a fraca mente da fraca gente.
3. A religião também é um espectáculo com as mesmas características do futebol, dado que clubismo e fanatismo têm a mesma raiz, isto é, são ambos irracionais.
4. Claro que a política tem o seu quê de futebol e religião, bem visível no facciosismo imoderado, embora toda opção política tenha subjacente uma hipótese de resolução dos problemas da comunidade.
5. Impor o futebol como anestesiante, em super dosagem, na comunicação social ou impor a religião como norma para a conduta dos cidadãos é um absurdo e sinónimo de menoridade civilizacional.
6. Por todo o mundo islâmico assistimos ao exarcebar do fanatismo, com a secundarização do papel da mulher na sociedade obrigada a ocultar o corpo e o rosto sob espessos véus; a subalternizar-se irracionalmente em relação ao seu parceiro social.7.
7. Neste recrudescimento fanático islâmico há muito de interesses obscuros: o controlo das reservas energéticas naturais; a apetência imperialista de alguns; o negócio de armas e outras coisas mais.
Nau
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Nº. 315 - Greves
1. O derrube do governo é solicitado abertamente em tudo que é sítio.
2. A alternativa de governo por iniciativa parlamentar não é credível.
3. Ultrapassadas por manifestações expontâneas, algumas unidades sindicais contradizem-se despudoradamente.
4. Os partidos da esquerda "para lamentar" procuram colar-se às legítimas manifestações em curso.
5. Por outro lado, o sindicalismo comprometido com esquemas partidários aguardam instruções e gesticulam para dar nas vistas.
6. Coerentemente, Garcia Pereira insise na regeição da dívida nos termos impostos pela troika e apela à formação de um governo de salvação nacional.
7. A quem confiar: Passos Coelho?, Paulo Portas?, Seguro?, Jerónimo de Sousa?, Louçã?.
Nau
domingo, 16 de setembro de 2012
Nº. 314 - Indignidade
1. Acabei de ler um apontamento de Filipe Manuel Dias Neto, no "Movimento de Unidade Monárquica", que exprime a indignação do momento.
2. Se bem me lembro, já tivera a oportunidade de ler alguns textos do mesmo autor acerca dos quais manifestei o meu desagrado pela leviandade dos argumentos, bem como dos esquemas apresentados.
3. Face a uma diferença qualitativa tão grande, sou levado a concluir que uma maior experiência de vida lhe permitiu emendar a mão ou antes lhe abriu a alma para os problemas que afligem a comunidade portuguesa.
4. Porém, não basta indignar-se perante o desvario que se verifica na condução dos negócios públicos e a falta de credibilidade dos políticos que - tanto no governo, como no parlamento - são de uma infantilidade confrangedora.
5. Tudo de mau é possível quando uma sociedade civil, inerme e pouco actuante, toma a albarda de burro e a respectiva carga sem um zurro- embora teimosa e resingona - pronta a arcar com as asneiras de uma administração ineficaz e pantagruélica.
6. Numa democracia, os partidos políticos são indispensáveis, mas quando os seus dirigentes apenas se preocupam em trepar para as cadeiras do mando e satisfazer as suas clientelas o resultado está à vista.
7. Caro Filipe Manuel Dias Neto, dê mais um passo em frente, não para redimir políticos ou iniciar cruzadas irrisórias, mas para criar unidades dialogantes e empreendedoras - o comunalismo pela via cooperativista é uma boa hipótese.
Nau
sábado, 15 de setembro de 2012
Nº. 313 - Luta Popular
1. No dia 7 do corrente, o PCTP/MRPP dirigiu uma mensagem aos trabalhadores portugueses condenando as medidas anunciadas pelo governo, gravosas para os mesmos de sempre.
2. Garcia Pereira, no 'Em Foco' da mesma data (Canal ETV), considerara drástrica a tentativa de Gaspar meter adoçantes nas medidas impostas aos trabalhadores - sem dúvida, rebuçados de cianeto potássio.
3. Como ultimo ratio populum, vão os trabalhadores para as greves do desespero as quais já se perfilam no horizonte, mas os credores (de uma dívida viciante) e os 'solidários' dirigentes europeus aplicam a receita da união - cada qual que se amanhe.
4. Desde 1820, a instrução pública é obrigatória para o escalão básico e recomendada como uma mais valia por todos os partidos. Entretanto atira-se para o desemprego milhares de professores, esbanjando o capital acumulado.
5. O derrube do governo está na ordem do dia; resta aos portuueses clamar por um executivo de salvação nacional, mas com parceiros não comprometidos com as lojas maçónicas e os grupos de pressão económicos habituais.
6. Talvez seja oportuno recordar o júbilo da 'esquerda parlamentar' pelo veto do Tribunal Constitucional quanto ao roubo do subsídio de férias e da quadra natalícia, embora tal solução fosse pior do que a emenda.
7. Afinal a alçapremada 'esquerda parlamentar' que soluções apresenta? - Lê, divulga e discute: www.lutapopularonline.org.
Nau
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Nº. 312 - Prioridades, III
1. A maioria dos monárquicos está convencida de que a simples mudança da instituição política em Portugal resolverá os endémicos problemas que afligem a população, embora nada faça para comprovar tal hipótese.
2. Outros correlegionários da mesma opção política cuidam que, com fé e água benta, convencerão os adversários políticos, os cépticos, os agnósticos e os fideístas de outras seitas religiosas a comungar das suas ideias, prosseguindo no tradicional esquema de missas sufragadas e pouco mais.
3. A juventude realista faz jus à sua índole pouco convencional, dando 'Vivas ao Rei' e, "neutra como um rapaz" - como dizia Miguel Torga - "fuma, come e bebe, não sabendo o que faz".
4. Mudar é imperioso - nomeadamente de atitude - porquanto a instituição política vigente é o espelho do desvario reinante: todo o mundo quer felicidade, isto é, prazer, liberdade, boa saúde, bens materiais, etc. e ninguém aceita pagar para tal.
5. Sem dúvida que a fé suplanta a razão - particularmente quando desta se faz pouco uso - mas com os exemplos que vêm do mundo islâmico será mais curial a paz e a felicidade na Terra real do que no hipotético Alem.
6. Resta um apelo à audaciosa juventude: sejam felizes, mas trabalhem, concertadamente, para esse fim tendo por objectivo - não os republicanos preconceituosos - apenas o bem-estar da comunidade, a preocupação de consensos alargados, o cumprimento dos deveres e o respeito, isto é, ser justo para com o próximo.
7. Não há dúvida: um forte movimento cívico, aliado a uma boa experiência cooperativista/comunalista, acabará por possibilitar o definitivo regresso do Rei.
Nau
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Nº. 311 - Prioridades, II
1. Cheio de lugares comuns, o último apontamento tinha como objectivo o dilema: República ou Monarquia, porquê?
2. O que vigora em Portugal é a partidocracia e, embora as facções políticas sejam indispensáveis num regimen democrático, estas apenas existem como a quinta do chefe de ocasião.
3. Assim, o candidato melhor posicionado em cada partido assume a chefia ocasional no tentame da conquista das cadeiras do poder, decidindo quem fica ou quem sai do seu lado, segundo a subserviência demonstrada.
4. Nas modernas democracias da Europa ocidental o esquema é o mesmo, mas o papel da sociedade civil (mais enrobustecido) atenua os exageros partidocráticos que, por seu lado, se vão perigosamente submetendo aos interesses corporativos e/ou monopolistas.
5. Logo, o importante é cultivar o espírito associativo, mas em pequenas unidades que se articulam para a defesa e satisfação das necessidades e aspirações dos seus associados - económicas, sociais e culturais - fomentando a emergência de cidadãos mais criteriosos.
6. O centralismo oligárquico de tendência tecnocrática, isto é, despersonalizado e embrutecido, já não tem cor política - é apenas republicano e individualista, acintosamente divorciado das tradições e do colectivo.
7. Esta é a razão pela qual o comunalismo deverá ser acarinhado, sendo a unidade cooperativa uma boa ferramenta para o efeito desejado e a via mais racional para tornar óbvio o regresso do Rei.
Nau
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Nº. 310 - Prioridades, I
1. Sem dúvida que o problema das finanças públicas em Portugal é devido à fraca qualidade da democracia existente.
2. Preocupados em manter as rédeas governativas, os dirigentes políticos tudo prometem nas vésperas dos actos eleitorais, reforçando a distribuição de sinecuras por parentes e afilhados.
3. A engenharia financeira,isto é, a redução artificial do défice e da dívida pública através de receitas extraordinárias obriga, a certa altura, ao aumento de impostos e/ou à redução das despesas administrativas.
4. Sendo aquelas duas hipóteses logicamente impopulares, os governantes vão-se socorrendo do endividamento externo, embora os credores aumentem as taxas de juro pelo alegado risco de não pagamento.
5. Claro está, quando as grandes economias mundiais têm uma ligeira dores de cabeça, Portugal arde já em febre, delirando a maioria dos dirigentes políticos, bem como os seus apaniguados.
6. O papel da sociedade civil dos nossos dias é irrelevante, actuando a comunicação social como caixas de ressonância dos dirigentes dos partidos, bem como dos interesses privados.
7. Logo, como é possível falar da mudança de regimen político, isto é, mudar a Chefia de Estado a prazo para vitalício, sem pôr cobro aos vícios existentes?.
Nau
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Nº. 309 - A Plataforma da Treta
1. As proposições elitistas apenas evidenciam a ambição de espíritos medianos em congregar incautos da mesma jaez para satisfação do seu ego.
2. Nas modernas comunidades a miscigenação é corrente e, com a fraca natalidade verificada neste rectângulo à beira mar plantado, tanto a procriação de indivíduos de raça mista, como a vinda de imigrantes é algo bem salutar.
3. Por outro lado, o encurtamento das distâncias (intercontinentais, inclusive) devido à maior eficiência dos meios de transporte, e a aproximação física das pessoas graças à variedade dos meios de comunicação, tornam factos, ideias ou teorias herméticas um livro aberto.
4. A religião foi, nas populações primitivas, o elo de coesão do gentio, hoje ultrapassada pelo sentimento de comunidade que permite que variegadas etnias, diferentes credos e múltiplos interesses coabitem em paz, contribuindo para o equilíbrio e bem-estar individual.
5. Fanatismos injustificados e extemporâneos perturbam a paz e a ordem devido à insegurança de uns e à frustração de outros que, no explodir de emoções e no exacerbar de antagonismos, justificam a sua existência, à semelhança de qualquer outro animal irracional.
6. O sistema republicano subsiste em Portugal devido à apatia da maior parte da população; à falta de credibilidade daqueles que se entretêm com cruzadas, plataformas da treta e outras coisas mais, sem stamina para pegar 'os bois pelos cornos'.
7. Aqui, ergue-se a bandeira do cooperativismo exortando as pessoas a trabalhar conscientemente para o bem comum, só possível através de associações que defendam, realmente, os interesses e necessidades pessoais, contra especuladores e elitistas da treta, digo, da trampa.
Nau
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Nº. 308 - Plataforma pela Regeneração...
1. Os monarquicos são, como todo o ser humano, maioritariamente racionais e diligentes, mas quando falam de doutrina política parecem tornar-se desnecessariamente estúpidos.
2. Há palavras que têm um sentido tão lato que permitem várias interpretações; fugindo da acepção primordial dão azo a embaraços - deliberados e/ou acidentais.
3. Ora a totalidade dos cidadãos de um delimitado território onde o Estado exerce o direito de soberania será uma definição possível de comunidade.
4. Logo, a arte ou ciência de governar uma comunidade será aqui tida como política, isto é, ramo social consagrado à organização do Estado.
5. Assim, a constituição política do Estado será monárquica - quando o soberano é hereditário e vitalício - ou republicana - quando o soberano é eleito e a prazo.
6. A "Plataforma pela Regeneração Nacional" apresentada no 'Monárquicos Portugueses Unidos' é uma proposta elitista, absurda e racista que só poderá merecer o repúdio dos monárquicos.
7. Perante o capitalismo especulativo e o centralismo oligárquico, a opção mais curial dos realistas será a via cooperativa, porquanto sem apoio popular não há Monarquia.
Nau
domingo, 9 de setembro de 2012
Nº. 307 - Centenário da Vergonha
1. Acabei de ler um apontamento de Rui Barandas e comentários de Francisco Luiz, no "Monarquicos Portugueses Unidos", acerca do centenário da República.
2. Salienta Rui Barandas: "António José de Almeida perguntava se 300 mil republicanos chegavam para meter na ordem 5 milhões de portugueses. Era uma boa e optimista pergunta, até porque, na melhor das hipóteses, os republicanos não passavam dos 100 mil".
3. Um pouco mais à frente, o autor do referido apontamento chama a atenção para uma outra faceta do fundador do Partido Democrático, o extremista Afonso Costa, que "não reconhecia direitos a ninguém que não pertencesse à facção radical do republicanismo".
4. Bom não esquecer a actuação da tenebrosa polícia política republicana (Formiga Branca) que teve o seu ponto alto a 19 de Outubro de 1921 com o assassínio de António Granjo, José da Maia, Machado Santos e muitos outros, na chamada 'Noite Sangrenta'.
5. Acerca de Machado Santos - que assentara arraiais no topo da Avenida da Liberdade passando atestados de comportamento revolucionário a quem lhos solicitasse - Ramalho Ortigão deu meritório relevo em memória dos 2000 sobreviventes dos 200 que estiveram com "O herói da Rotunda".
6. Francisco Luiz corrobora tal facto lembrando que "Machado Santos, único oficial (da Marinha) no terreno que, em conjunto com uma meia dúzia de sargentos e alguns praças (enfrentaram as forças da ordem) foi cruelmente assassinado a mando dos poltrões republicanos".
7. Sempre que os movimentos cívicos se esbatem (expl.: o cooperativismo) permitindo que demagogos os liderem, medram os oportunistas e a maioria sofre com a insassatez partidária.
Nau
sábado, 8 de setembro de 2012
Nº. 306 - Coisas do Diabo, I
1. Deus e o Diabo são multiformes; porém, este último - produto de uma concepção dualista que ilibou o primeiro de quaisquer responsabilidades na feitura do mal - é sinónimo de livre-arbítrio por depender só da vontade do praticador.
2. Sempre que algo corre mal e não é conveniente (aliás, prudente) apontar o dedo ao responsável por eventuais desaires, logo se remata o episódio com a frase sacramental de serem coisas do Diabo, isto é, atira-se o livre-arbítrio às malvas e elege-se um pecador.
3. Claro que o pecado é uma transgressão ou falta contra quaisquer regras, preceitos ou normas e, sempre que estas são contestadas por um eventual prevaricador, toda a comunidade ergue as mãos aos céus pelo sacrilégio cometido, facto atenuado pela rápida punição do infractor.
4. Em verdade vos digo que, nos dias de hoje, o pecado mais frequente é o venial - não traz grandes trabalhos a quem o pratica - sendo apenas digno de punição temporária visto que a pena capital está fora de questão e a prisão perpétua sai muito dispendiosa.
5. Abro aqui um parêntesis para sublinhar que venial é o adjectivo que atenua o pecado em si como falta ligeira - que não faz perder a graça - sendo, talvez, esta a razão pela qual se torna desculpável aos olhos de muita gente - é de graça.
6. Logo, todo o acto repreensível praticado contra a lei ou contra a moral é sempre atribuido a outrem, sendo mormente autodesculpável quando recai sobre o causador que alega inocência por candura inata, credulidade ou maldade alheia.
7. Todo o mundo foge às responsabilidades e acredita em direitos inalienáveis - o resto, são coisas do Diabo.
Nau
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Nº. 305 - Luta Popular
1. Com a sua frontalidade habitual, Garcia Pereira, no programa 'Em Foco' (Canal ETV), referindo-se à recente visita da desacreditada Troika a Portugal - desacreditada pelos pareceres emitidos e pelas soluções apresentadas - insistiu por um novo governo, mas de salvação nacional.
2. Quem não acompanhou a referida intervenção de Garcia Pereira no Canal ETV no dia 4 do corrente, sugiro uma consulta ao Luta Popular porquanto as críticas ao vivo daquele político poderão ser devidamente apreciadas através de um video lá disponível.
3. Num outro apontamento do Luta Popular lê-se: "... esta 5ª avaliação da tróica germano-imperialista ao cumprimento das regras ditadas pela potência colonial por parte do seu protectorado ou colónia portuguesa tem de positivo, é o facto de se tornar mais claro para os trabalhadores e para o povo português (que o objectivo) é fazer pagar uma dívida que não contraíram, nem dela beneficiaram...".
4. A eliminação da classe média portuguesa - resignada, anódina e invertebrada - não é muito grave. Grave é actuação dos lacaios e serventuários com assento parlamentar que, delegados apenas dos dirigentes dos partidos que os nomearam, defendem somente a estabilidade dos seus empregos.
5. "Ousar pensar diferente" é o desafio que nos é lançado pelo PCTP/MRPP, abrindo uma plataforma em que qualquer um - individual e livremente - poderá expor ideias; defender interesses; assumir posições paridárias que, logicamente, serão as da defesa da comunidade a que pertencemos, i.e., Portugal.
6. Sem arrumarmos a nossa casa não ganharemos credibilidade para falar com parceiros internacionais a fim de harmonizar a luta que é comum - contra o capitalismo especulativo, bem como contra todo centralismo que pretenda infantilizar o ser humano.
7. Baixar os braços, nunca!
Nau
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Nº. 304 - Maçonaria Camaleónica
1. O aumento dos impostos, ao insidirem sobre as famílias e as empresas, dão azo ao definhamento económico e ao avolumar do desemprego.
2. Sendo as despesas do Estado superiores às receitas, o peso da dívida pública há muito que se tornou insustentável, recorrendo os governantes, sistematicamente, à chamada engenharia financeira.
3. Claro que as contas públicas se encontram numa situação deplorável mas, com o recurso à desorçamentação, mascara-se a coisa, enganam-se as boas almas e permitem o continuar do forrobodó.
4. No 25A o património do Estado engordou com as nacionalizações permitindo, nos anos seguintes, a realização de fundos para o pagamento dos saldos negativos através de receitas extraordinárias.
5. Esta dinâmica que, com falta de propriedade, muitos denominam como modelo de gestão orçamental à portuguesa, não é muito diferente daquilo que os gregos (e por isso se vêem ainda mais gregos) por lá fizeram, mas da fama de maus em contas não nos livramos.
6. Nem tudo foram tristezas porquanto os grupos financeiros, voltados para os cimentos, fizeram obra - pouco produtiva e até desnecessária, mas muito espectacular - que tem empobrecido a economia do país e enchido os bolsos a muita gente.
7. Tudo isto para sublinhar que a actual maçonaria portuguesa não tem cor política, nem força revolucionária - persiste por compadrio.
Nau
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Nº. 303 - A Economia
1. A economia é a ciência dedicada à produção e distribuição de bens e serviços tendo por observatório a escassez e por objectivo a satisfação das necessidades humanas.
2. Em Portugal o problema económico não é de escassez, mas de abundância: abundância de palavras e medidas governamentais erradas; abundância de supérfluos intervenientes; abundância de especuladores insaciáveis e outros que tais.
3. A economia estuda o equilíbrio da oferta e da procura, sem descurar a concorrência; ensina os operadores a obter o máximo proveito de recursos limitados.
4. Em Portugal a concorrência limita-se a eliminar as pequenas empresas e a submeter-se aos ditames dos especuladores externos que tiram o máximo proveito do mínimo investimento, por vezes ainda em vias de realização.
5. A felicidade parece ser a motivação suficiente para o comum dos mortais, agindo estes de modo racional, capazes de assumir decisões equilibradas.
6. Em Portugal o desejo de ser feliz consiste em nada fazer com o mínimo de esforço e o máximo disfrutar de benefícios aleatórios, possível através do compadrio - pataca a mim, pataca a ti - tudo com o mínimo de compromisso e de senso criterioso.
7. O cooperativismo seria uma boa acha para obviar muitos dos problemas atrás mencionados, mas carece de muita determinação e raciocínio...
Nau
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Nº. 302 - Publicidade
1. A publicidade, isto é, o acto ou efeito de levar ao conhecimento geral ou público algo que deverá ser do domínio deste, comanda a vida.
2. Logo, a publicidade é uma arte-ciência baseada na sugestão e na psicologia aplicada, condicionadora do comportamento social - seja este de mero consumo, de opção política ou de domínio fideísta.
3. Propaga mensagens de orientação administrativa, quer referente às corporações locais, quer ao poder central; difunde imagens de dirigentes políticos que, pela acção repetitiva, se tornam familiares ao cidadão comum; sugerem perigos; alimentam mitos.
4. O simples facto do feiticeiro do mais recôndito lugar do planeta se apresentar enfeitado com penas coloridas ou trajes fora do vulgar, torna o mesmo mais credível (ou temível) na mensagem de que há forças ocultas que devem ser respeitadas.
5. Segundo parece, Joseph Goebbels - ministro da propaganda e informação popular de Hitler - foi homem bem sucedido no campo publicitário, embora se tenha suicidado, juntamente com a mulher e os filhos, num acto de sanidade e coragem que os actuais membros das maçonarias em Portugal não abraçam.
6. Uma vez que os doutrinadores republicanos, na linha acima referida nos massacram a paciência com as liberdades republicanas, sugiro que sejam criadas mensagens curtas e explícitas acerca dos regimenes monárquico e republicano.
7. E porque não: as liberdades monárquicas são democráticas; as liberdades republicanas são safardanas.
Nau
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Nº. 301 - Portal de Cidadonia
1. Embora todo o mundo esteja pronto a evocar os seus direitos e prerrogativas inerentes ao sector profissional, poucos se inteiram dos seus deveres e/ou obrigações.
2. O tempo da escravatura já vai longe mas os traumas são bem visíveis naqueles que, de origem servil, pretendem, obsecadamente, ser servidos, chegando a ignorar os que executam tarefas simples, mas indispensáveis, tais como a limpeza de escadas e das grandes superfícies ou outras coisas da mesma natureza.
3. A fim de reduzir os custos de exploração, o serviço pessoa-a-pessoa em restaurantes e cafés tende a desaparecer, sendo o atendimento ao cliente realizado ao balcão, embora o consumo possa ser efectuado nas mesas que se encontrem disponíveis no local.
4. Grande parte da juventude de formação académica média e/ou superior já está habituada a este esquema, posto que, às vezes, se faça distraída por força de... complexos ancestrais.
5. Mas um número substancial de pessoas mantem o hábito de que o trabalho é bom para os outros abandonando os tabuleiros com os restos de comida, bem como os utensílios manuseados, no local do seu repasto, em vez de os colocar nos equipamentos designados para o efeito.
6. Deitar lixo para a via pública é um desporto nacional, também praticado nos transportes citadinos onde o instinto do homem das cavernas deixa as suas marcas obscenas nos bancos, estruturas e vidros.
7. Este comportamento anti-social não se limita às classes de baixa extracção: a burguesia de médios recursos também abandona os seus veículos por tudo que é sítio sem cuidar das dificuldades dos invisuais, bem como dos peões com dificuldades de locomoção.
Nau
domingo, 2 de setembro de 2012
Nº. 300 - Mudam-se os tempos, II
1. Fui veementemente censurado porque, no último apontamento, estabeleci um paralelismo entre a África do Sul do apartheid e a África do Sul dos nossos dias.
2. Sem dúvida que a recente decisão do tribunal sul-africano contempla apenas a actuação de alguns grevistas mineiros que, durante a sua campanha de protesto, se apresentaram munidos de catanas e paus, violando o espírito sindicalista.
3. Porém, é bom não esquecer que as armas tradicionais - catanas, paus, espigões, arcos e flechas - fazem parte das insígnias africanas, exibidas em todo o tipo de cerimónias - as fúnebres, inclusive - sendo até depositadas ao lado dos defuntos.
4. Claro está que a recente condenação do trbunal sul-africano tem por objectivo atenuar o veredicto que outro juri e/ou juiz tomará quanto à actuação das forças da ordem na contenção dos mineiros em greve, servindo de precedente para a função judicial.
5. A crise económica é global pelo que a necessidade de matérias-primas provavelmente diminuiu, obrigando os empresários mineiros a tentar cortes nas despesas, explorando o elo mais fraco da cadeia da produção, isto é, os mineiros.
6. Por outro lado, também é provável que especuladores pretendam armazenar matérias-primas a preço de saldo, mais vocacionados para a obtenção de lucros do que para problemas sociais e respectivas sequelas.
7. Logo, o paralelismo do último apontamento tem razão de ser evocado pois, em todas as circunstâncias, os interesses das minorias possidentes são aqueles que prevalecem sobre problemas éticos, legais e até de ordem pública.
Nau
sábado, 1 de setembro de 2012
Nº.299 - Mudam-se os tempos
1. A discriminação racial estabelecida na República da África do Sul em 1949 (Apartheid) foi um sistema político destinado a proteger a supremacia da minoritária raça ariana.
2. Tendo presente que as raízes ancestrais dos autóctones eram muito fortes, emperrando o rápido progresso do país, a oligarquia de então decidiu criar regiões autónomas denominadas reservas ou bantostões.
3. A total separação das raças em todos os aspectos da vida do país aparentemente davam iguais oportunidades àqueles que pretendiam desenvolver a comunidade, porém apenas garantiam uma reserva de mão de obra pouco qualificada para o benefício da referida oligarquia.
4. Claro que a Europa fechava os olhos a tal brutalidade porquanto - exausta de uma recente hecatombe - necessitava com urgência de matérias-primas para a reconstrução da sua indústria, a fim de sustar o desemprego que então grassava.
5. Entretanto, contra o apartheid os protestos cresciam de todos os sectores, chovendo mordentes anedotas como aquela em que um desvairado automobilista branco atropela três pedestres africanos - um enfiado pelo pára-brisas, o outro atirado para lá da berma da estrada, sucumbindo o terceiro no terrível embate.
6. Ouvida a condenação do magistrado judicial, este delibera que o primeiro seja punido por invasão e estragos em propriedade alheia; o segundo, por tentativa de fuga após o acidente, e o falecido por desrespeito e falta de comparência perante o tribunal.
7. Mudam-se os tempos, mas alguns grevistas mineiros sul-africanos foram, recentemente, condenados por terem, com catanas e paus, enfrentado contingentes anti-motim que, a tiros de metralhadora mataram dezenas de paredistas mineiros.
Nau
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