terça-feira, 31 de julho de 2012
Nº. 267 - Errare humanum est
1. A disponibilidade de tempo para garatujar estas notas é muito reduzida - apenas curtas viagens.
2. Segue-se o complicado processo de transmissão do que foi escrito - telefone, fax, correio electrónico - o que estiver à mão.
3. A transmissão do texto final depende de quem tiver vagar para o fazer - vai desde o jovem imaturo (mas esforçado) ao senior a abarcar múltiplas tarefas.
4. Claro que instrumentos de recurso - dicionários, enciclopédias, prontuários, etc. - jazem nas prateleiras, mas exigem tempo...
5. Por vezes o excesso de confiança em si e/ou nos outros, dispensa uma revisão mais cuidada.
6. Assim, letras omitidas, palavras deslocadas, parágrafos esquecidos - tudo pode acontecer em horas aziagas.
7. A equipa do CECIM apela à boa compreensão dos eventuais leitores e pede desculpas pelos surpreendentes puzzles (de hoje e de sempre) apresentados.
Nau
P.S.: aos assentadores de serviço, também os pedidos de desculpa pelo meu mau feitio e, sobretudo, muito obrigado pelo empenho e dedicação nas funções cometidas.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Nº. 267 - "Valores republicanos", II
1. O último apontamento sublinhava a estratégia dos apaniguados republicanos em associar o regimen político República à coisa comum, i.e., res publica.
2. Sem dúvida que o cordão umbilical dos apaniguados republicanos portugueses continua ligado à Revolução Francesa, confirmando a menoridade dos nossos doutrinadores que fazem opções políticas de acordo com a moda de Paris, de França.
3. De facto, em França, há muito que os apaniguados republicanos conseguiram associar a instituição política da sua opção às liberdades, à democracia, à coisa pública (res publica), pela homofonia compreensível só pelos mais atentos.
4. Os cooperativistas monárquicos aqui defendem abertamente o comunalismo, sinónimo de res publica, na linha da tradição lusa, sem preocupações de originalidades e/ou macaqueação do que se faz lá fora - apenas a precisão de conceitos.
5. Todo o mundo tem presente que Nobreza não é sinónimo de Aristocracia até porque as funções administrativas ligadas à organização castreja há muito que desapareceram, restando apenas uma classse possidentária que, pelos cabedais acumulados, dá lustro às suas tamanquinhas.
6. No rodar dos séculos, não há família portuguesa que não tenha fidalgos e plebeus na sua ascendência e, embora os mais radicais neguem - por geitão habitual ou despeito - todos nós herdamos o nome dos nossos progenitores e tradições comuns.
7. O que distingue Monarquia da República é apenas a chefia do Estado - hereditária e vitalícia na primeira instituição política; sectária e a prazo na segunda - qualquer delas, fatalmente, recaindo em filhos de algo, apartidário na versão monárquica; sectário no mero sucedâneo republicano.
Nau
domingo, 29 de julho de 2012
Nº. 266 - "Valores republicanos", I
1. Segundo Jorge Lacão, deputado pelo PS e antigo secretário de Estado do governo de José Sócrates, é bom fazer a evocação dos "valores republicanos" nas escolas.
2. O dito secretário de Estado de então sublinhava ser urgente "imbuir as gerações futuras do quadro ético que sustenta as liberdades públicas", palavras caras mas desprovidas de qualquer sentido para o comum dos mortais.
3. Porém, para tornar a coisa mais clara, o angélico membro do governo socrático acrestava: "educar para a cidadania implica pôr em evidência os melhores exemplos do passado", limitando este ao após 5 de Outubro de 1910.
4. Tornando a coisa mais explícita para os mais distraídos, o imparcial secretário de Estado insistia em "a mobilização das populações mais jovens para o papel preponderante das instituições de ensino na evocação dos "valores republicanos".
5. Na mesma linha do lucubrado pensamento lacaniano, a junta de freguesia de Palmeira (concelho de Braga), quando das últimas eleições presidenciais, distribuiu um folheto pelas escolas básicas a fim de promover "valores, atitudes republicanas que tiveram a sua origem na revolução do 5 de Outubro de 1910.
6. Numa sessão conjunta da Câmara Municipal e do Rotary Club da Marinha Grande, o organizador do evento congratulou-se pela presença de um ex-grão-mestre da maçonaria nos seguintes termos laudatórios: "é um privilégio que nos concede, pela riqueza das suas palavras que, de certo, contribuirão para enriquecer os nossos conhecimentos sobre a relação da maçonaria e a implantação da República".
7. Para os mais distraídos, é bom lembrar que os quatro incontornáveis valores republicanos se resumem ao antimonarquismo.
Nau
sábado, 28 de julho de 2012
Nº. 265 - Luta Popular
1. Para formar uma opinião esclarecida acerca de alguma coisa, forçoso é auscultar conceitos vários ou opiniões divergentes das posições individuais.
2. "Romper o cerco do oportunismo" é o editorial do Luta Popular de 13 do corrente que merece uma reflexão com certa profundidade.
3. Não precisa de concordar com o conteudo do referido editorial, basta compará-lo com a informação descaracterizada da comunicação massiva, i.e., a multimédia.
4. Os incêndios na Serra do Caldeirão têm provocado o pânico e grandes estragos no Algarve, onde densas nuvens de fumo chegam a cobrir o sol, de Silves a Cacela.
5. As recentes alterações ao código do trabalho têm merecido acutilantes comentários de Luis Júdice e de Garcia Pereira, estando alguns apontamentos relativos a essa matéria disponíveis no Luta Popular.
6. A intervenção de Arnaldo de Matos no debate havido na Galeria Geraldes da Sila, em 16 do mês findo, também já está disponível no video do Luta Popular, sob o título "Estamos a pagar o quê?".
7. Entretanto, aproveitando o fim de semana, leia a participação de Garcia Pereira na conferência realizada pela Federação Académica do Porto sob o tema "Formação e Discussão para a Promoção do Emprego", claro, no Luta Popular.
Nau
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Nº. 264 - Valores Monárquicos
1. Na terra dos Reis, quem não tem um olho é cego - tanto na dos Reis, como na minha aldeia!
2. Invisuais são determinados monárquicos que, obcessivamente, têm uma visão muito reduzida da sua opção política.
3. Recentemente aflorámos os quatro incontornáveis valores republicanos que, ao fim e ao cabo, se resumem ao antimonarquismo.
4. Hoje evocamos os cinco incontornáveis valores monárquicos, a saber: convicção, fideísmo, desportivismo, presença de espírito e ausência de corpo.
5. A convicção encontra-se limitada ao reconhecimento da própria culpa de ser monárquico, apoiada na fé que suplanta a razão nos próprios domínios desta última.
6. Desportivismo de lealdade exotérica que se satisfaz com uns "Vivas à Monarquia e ao Rei!" adjuvado pela maledicência habitual.
7. Presença de espírito evidenciando-se sempre que é conveniente ou possível, ao mesmo tempo que foge com o rabo à seringa. Em suma: muita ausência de corpo e pouca apetência para o trabalho.
Nau
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Nº. 263 - Democracia, Aristocracia e ...
1. Sendo os três regimenes políticos clássicos - Democracia, Aristocracia e Monarquia - assaz conhecidos, bom é, de quando em vez, debruçarmo-nos acerca dos mesmos.
2. Todo o mundo tem presente que Democracia significa governo do povo, associando este ao instrumento do sufrágio vulgarizado pelo slogan um homem, um voto.
3. Partindo de um princípio muito simples, a ideia democrática complica-se na realização directa e/ou indirecta; no jogo partidocrático; na pleonástica forma popular; no enunciado de boas intenções sem consequências.
4. A Aristocracia - que nada tem a ver com a classe medieval castreja - será o governo dos melhores da comunidade, mormente assumido por tecnocratas ou meros oligarcas em todos os tempos.
5. Teoricamente, Monarquia seria o governo de um só, mas desde os finais do século XIX há o consenso de que este reina mas não governa: a soberania nas decisões da comunidade é do povo, na instituição política é do Rei.
6. A Felicidade - que todos almejam e poucos atingem ocasionalmente - é um sentimento universal, condensável em seis emoções das quais quatro são desagradáveis - o medo, a zanga, a tristeza, a aversão, a surpresa e a felicidade.
7. Próspero, eficaz, resoluto são adejectivos afins que aplicados ao cidadão criterioso são meio caminho para a conquista da felicidade, isto é, a harmonia no colectivo.
Nau
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Nº. 262 - Pedra Angular, V
1. Como é óbvio, valor é tudo que é útil para atingir certo objectivo. Logo, os valores que os apaniguados de uma determinada corrente política, em termos sublimes, evocam poderão ser valimento ou não para a comunidade.
2. Porém, os quatro incontornáveis valores republicanos subentendidos na propaganda do bacalhau a pataco resumem-se a três - o voto e o antimonarquismo - mas como o voto é o instrumento comum a qualquer sistema político, resta o antimonarquismo de sistemático recurso.
3. A sola gratia, sola fides de fundamento individualista imposto no Novo Mundo através do neocolonialismo estadunidense, não só multiplicou as repúblicas hispano-americanas - o Brasil sucumbiu por contágio - bem como foi padrão em outras partes do mundo, sem o cariz antimonárquico.
4. Sem dúvida que a antimonia é o processo corrente para a divulgação de uma proposta social, pelo que o prefixo anti tem servido para combater ideologias contrárias a uma religião (expl.: anticristo), oposição partidária (expl.: anticomunismo) ou mero preconeito político (expl.: antimonarquismo).
5. Logo, a ideia monárquica afirma-se pela positiva visto que ela é, de facto, o sistema político que melhor corresponde aos anseios das modernas comunidades que, para fazer face às correntes especulativas e/ou burocratizantes, na via comunalista-cooperativista tem a alternativa possível, com a garantia democrática proporcionada pela figura do Rei.
6. Nos finais do século XIX a Europa era maioritariamente monárquica e, apesar da França se assumir como a campeadora do regimen republicano, era pouco provável que tal doutrina vingasse em Portugal, país então basicamente ruralista e, sobretudo, de expressão fideísta.
7. Claro que a crise económica por má gestão política e as maquinações dos coriféus maçónicos (de que o luso-brasileiro Sebastião de Magalhães Lima foi grão-mestre) despoletaram o vanguardismo republicano luso da primeira década do século XX, daqui se inferindo que República não é modernismo, apenas oportunismo político.
Nau
terça-feira, 24 de julho de 2012
Nº. 261 - Pedra Angular, IV
1. Séculos de tradição monoteísta condicionam o pensamento europeu e a última grande religião de cariz universal foi, sem dúvida, o comunismo.
2. Por outro lado, quer o nacionalismo sionista, quer os arremedos islamistas são apenas estertores daquilo que no anterior apontamento foi designado por sedimento, elemento aglutinador - ordem e segurança.
3. Naturalmente, crises recidivas e/ou revivalistas irromperão pelo pensamento europeu vindas do oriente mítico - a Índia e a China - mas jamais cortinas de ferro e/ou de seda serão admitidas.
4. A fome de Felicidade varreu os deuses do Olimpo e o princípio hedonístico que identifica o bem com o prazer viciosamente se concentra no ego, justificando o apego republicano, gerador de caudilhos salvivistas.
5. Do Novo Mundo de raiz protestante continuarão a chover homens-aranha, homens-morcego, super-heróis que, por si só, sublimam o espírito de iniciativa meramente individualista.
6. Sem dúvida que a República, i.e., a instituição política republicana - individualista, egocênctrica - responde às fronteiras de recurso, desenhadas por interesses particulares, cilindrando as tradições autóctones, tal como se tem verificado em África.
7. A autoridade do Rei, aliada à crescente força de espírito comunalista, moderará as correntes especulativas e/ou burocratizantes, confirmando-o como pedra angular do sistema democrático, i.e., a Monarquia.
Nau
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Nº. 260 - Pedra Angular, III
1. Para o agregado populacional primitivo Deus era o sedimento, aliás, o elemento aglutinador, a ordem, a segurança.
2. Originalmente, o culto seria prestado a vários deuses, estes personificando forças da natureza que o homem de então temia.
3. Do amuleto rústico à figura esculpida, desenhada ou pintada foi um pequeno passo; do politeísmo ao monoteísmo decorrem milénios de avanços e recuos.
4. Na doutrina criacionista o mundo nasceu do nada por acto divino, mas o culto religioso apenas foi imposto a um insecto dectióptero - o louva-deus.
5. Curiosas são as interpretações de certos povos que justificam as diferentes classes sociais pelo comportamento - bom ou mau - tido em anteriores vidas, resultando o ingresso em classes superiore ou inferiores nas seguintes existências.
6. A crença religiosa e/ou política esbate-se perante a urgência da felicidade - a fome da Felicidade - que consiste em usufruir aquilo que mais nos agrada.
7. Do passado e num mundo hedonístico resta a autoridade do Rei, pedra angular da Democracia.
Nau
domingo, 22 de julho de 2012
Nº. 259 - A Pedra Angular, II
1. Comecemos por tentar definir o conceito de república no sentido etimológico de bem comum (res publica) e do regimen político que tem por soberano um chefe a prazo.
2. No sentido de res publica, significa forma de governo em que o povo exerce a soberania, directamente ou por intermédio de delegados por si eleitos, sendo tal prática vulgarmente designada por democracia.
3. Como regimen político, a República apresenta-se como a alternativa possível à Monarquia por, aos contrário desta, não considerar o princípio hereditário e vitalício como uma mais valia.
4. O apaniguado coerente da República é individualista - uma pessoa, um voto - sem ter em conta a capacidade ou a qualidade de cada um, sempre na propensão de actuar como independente e não de acordo com a colectividade.
5. A aptidão de cada um - natural ou adquirida - assim como a maneira de ser dos mais são de múltiplas e variadas facetas, bem como diferentes recursos, pelo que a igualdade perante a lei é um artifício e absurdo incontrovero.
6. O voto, sobrevalorizado pelos doutrinadores republicanos, é instrumento tanto para o cidadão criterioso, como para o comum dos mortais. Manipulável por natureza de interesses obscuros, vence pela expressão numérica, arredando-se angelicamente de qualquer consenso.
7. O Presidente da República poderá ser imposto pela força das circunstâncias ou eleito a prazo, sempre numa dinâmica corruptora ao pretender ser juiz em causa própria.
Nau
sábado, 21 de julho de 2012
Nº. 258 - Pedra Angular, I
1. O argumento de recurso do apaniguado republicano é a evocação da soberania popular.
2. Sem dúvida que a referida soberania é exercida, directamente ou por intermédio de delegados eleitos, por tempo limitado.
3. Na Democracia toda autoridade emana do povo. Logo, a chefia do Estado não pode andar arredada de tal conceito.
4. Visto que a figura do Rei não é sufragada, silogisticamente o sistema político com tal chefe de Estado não é democrático.
5. Porém, o que prevalece na Democracia é o consenso e não o voto, expressando este apenas a posição individual - quanto maior o universo sufragante, mais diluida a vontade democrática.
6. O resultado do sufrágio numa assembleia de pessoas inteligentes, na melhor das expectativas, não é o mais inteligente, nem tão pouco melhora com a participação de insensatos, obtusos e outros que tais.
7. Sendo uma das funções do Rei o de gerador de consensos - árbitro que decide diferendos partidários com o assentimento das partes envolvidas - este consolida-se como pedra angular da Democracia.
Nau
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Nº. 257 - Ao Neófito Monárquico
1. Sim, Caro correlegionário, república (res publica) significa algo comum que pelos comuns deverá ser orientado ou decidido.
2. Qualquer tarefa, empreendimento ou actividade lúdica deverá ser aplanada por meros consensos entre as pessoas envolvidas, dispensando eleições presidenciais, bem como a desfaçatez anti-monárquica.
3. Assim, o pensamento tradicional luso - do passado e do presente - sempre se agradou da génese republicana, abjurando da extensão desta à nomeação do Chefe de Estado por tal prática viciar o princípio res publico.
4. A Revolução Liberal de 1820 foi comedida na formulação republicana, corroborada pela inteligente defesa que Alexandre Herculano fez do município, com base na tradição comunalista.
5. Sem dúvida que república é a forma democrática de governo em que o povo exerce a soberania na defesa dos interesses comuns, directa ou delegatariamente, sem necessidade do recurso a chefes a prazo.
6. Por outro lado, República é o sistema de constituição e organização política que, partido do fundamento res publico, introduz a figura presidencial apenas para apoiar ou contrariar a maioria apurada na Casa da Democracia.
7. Ao neófito correlegionário lembrarei: o comunalismo aqui defendido não trata de mera regressão, mas da defesa da res publica tradicional através de um associativismo esclarecido, i.e., o corporativismo monárquico.
Nau
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Nº. 256 - Ser Monárquico, VII
1. Fácil será falar de manhãs radiosas há muito sugeridas por socialistas utópicos.
2. Fácil será falar de democracia na versão timocrática estadunidesnse, oligárquica da Nova Rússia, teocrática iraniana; dinástica norte-coreana e outras que tais.
3. Fácil será falar do centralismo democrático, dos tecnocratas do costume, que pretende transformar o cidadão comum em pensionista do Estado.
4. Fácil será falar em Deus e no Diabo na linha de prémio e castigo para o aprazimento das boas almas.
5. Fácil será falar aos mais do progresso imparável que proporcionará mais lazer, dispensando compromissos e decisões individuais.
6. Fácil será falar em aliciantes megalópoles onde o homem é reduzido à expressão numérica mais simples.
7. Fácil será falar para os monárquicos e estes continuarem nos monólogos intermináveis do facebookianos.
Nau
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Nº. 255 - Ser Monárquico, VI
1. Porque razão a doutrina republicana de bacalhau a pataco persiste e a mensagem de pura doutrina monárquica emperra sistematicamente.
2. A resposta está nos objectivos que se pretende alcançar. A República avança com promessas de benefícios que vão directamente ao bolso do cidadão - bacalhau a pataco.
3. Por outro lado, os doutrinadores republicanos esforçam-se por definir a sua dama como forma democrática de governo em que o povo exerce a soberania por intermédio de delegados eleitos por tempo limitado.
4. Claro que a diferença entre os dois sistemas políticos está na República propor um Chefe de Estado a prazo, de génese partidária, enquanto que a Monarquia propõe uma figura apartidária, hereditária e vitalícia.
5. Sem dúvida que Democracia significa governo e administração do povo, ensaiada em terras lusas desde a Revolução Liberal de 1820, tendo os republicanos ardilosamente trabalhado para a extenção do sufrágio à chefia do Estado por tal sistema permitir o apoio ou oposiçao sectária do mesmo à maioria apurada no parlamento.
6. Entretanto os doutrinadores monárquicos falam em Deus (embora a maioria cada vez mais se sinta agnóstica ou céptica); na Pátria (apenas válida para jogos de futebol internacional); no Rei que, há muito tempo ausente, poucos monárquicos sabem o que realmente significa.
7. No confronto entre oligarquias especulativas e oligarquias burocratizantes, os monárquicos propõem o comunalismo tradicional, i.e., a via associativa através de um cooperativismo de inspiração monárquica.
Nau
terça-feira, 17 de julho de 2012
Nº. 254 - Ser Monárquico, V
1. A maioria da população lusa não se interessa pela política, apenas reagindo contra os profissionais desta quando se sente prejudicada pelos excessos cometidos pelos governantes.
2. Uma minoria da referida população supõe ser monárquica: por razões sentimentais; por vontade de mudança; por opção deliberada. Outro tanto se afirma republicana ora por apego anti-monárquico, ora por mero preconceito.
3. No entanto, quando o cidadão comum é confrontado pelo dilema Monarquia/República, naturalmente, opta pela segunda hipótese, embora confessando uma certa simpatia pela primeira e desconhecimento das diferenças entre aqueles dois sistemas políticos.
4. De facto, Monarquia pressupõe espectáculo - aclamação e entronização do Rei; abertura das Cortes; casamentos e baptizados de Príncepes, etc. - que a República pretende imitar com paradas militares; o pavoneamento de fardas vistosas, bem como a atribuição de medalhas honoríficas e a imposição de Ordens Militares, etc..
5. Talvez a profusão de instituições republicanas por esse mundo fora seja a razão principal da opção assumida pela maioria amorfa da população lusa que ainda não se apercebeu que República não é sinónimo de Democracia, mas de oligarquias manipuladoras de interesses particulares.
6. Sem dúvida que a Monarquia - para além de obviar disputas partidárias no topo da comunidade - também poderá cair nas malhas de uma burguesia possidente, pelo que a vinda do Rei deverá ser precedida por uma reforma de atitudes e, sobretudo, de mentalidades.
7. Contra o liberalismo especulativo e o socialismo burocratizante ergue-se o comunalismo tradicional luso, pela via excelente do associativismo, i.e., o cooperativismo de inspiração monárquica.
Nau
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Nº. 253 - Ser Monárquico, IV
1. Ser monárquico não significa estar parado num tempo idílico, regredir, identificar-se com figuras do passado mítico ou refugiar-se em torres de marfim.
2. O bom selvagem era aquele que conseguia sobreviver em ambientes agrestes - às catástrofes naturais, à voracidade das feras, bem como a dos outros bichos homens. Selvagens somos todos nós, mas de bondade relativa.
3. Por vezes o desconhecido, a falta de experiência, o sentido desfigurado das coisas provoca a ânsia de regredir, voltar à idade das fantasias em que os mortos em nada contam - apenas as milagrosas batalhas se evocam com muitos heróis e santos à mistura.
4. Fugindo à crueza do dia a dia, assume-se o carácter de outrém, de preferência campeador façanhudo, herói esforçado, visionário bem sucedido - porquanto a maioria emigrava ou dava com os costados nos tribunais da Santa Inquisição.
5. Sempre que há grandes expectativas e estas vão sendo goradas por falta de mérito ou sucessos negativos, o recurso são as torres de marfim onde certo tipo de monárquicos se aparta deliberadamente, erguendo o dedo acusador aos mais pela falta de iniciativa destes.
6. Longe de toda a realidade política, por mais comezinha que esta seja, angélicos monárquicos estão convencidos que a simples mudança das instituições acabará com a corrupção, tornando os políticos que temos mais esclarecidos e competentes.
7. Volto a repetir: tanto o liberalismo especulativo, como o socialismo burocrático apenas poderão ser contidos por um forte movimento associativo - cooperativismo monárquico, porque não?.
Nau
domingo, 15 de julho de 2012
Nº. 252 - Ser Monárquico, III
1. Sem dúvida que a Monarquia é uma instituição política bicéfala - tem dois soberanos.
2. A figura do Rei é soberana por esta se encontrar no topo da jerarquia da comunidade.
3. O povo é soberano porquanto as decisões políticas a este pertencem, embora através de delegados por si eleitos.
4. A função do Rei - para além de gerador de consensos entre as várias correntes políticas - é ser o rosto de Portugal, até na diáspora.
5. De proveniência apartidária, a figura do Rei - num só reinado abrangendo três ou mais gerações - pertence a toda comunidade portuguesa, a par da bandeira e do hino.
6. Cabe à maioria dos portugueses certerficar-se que o comunalismo tradicional luso, por via cooperativa, será a couraça suficiente para fazer face quer ao liberalismo especulativo, quer ao centralismo burocrático.
7. Cabe aos monárquicos trabalhar com afinco para o regresso do Rei.
Nau
sábado, 14 de julho de 2012
Nº. 251 - Ser Monárquico, II
1. Fui confrontado por um republicano que questionava a razão do Chefe de Estado ser hereditário no regimen monárquico.
2. Retorqui que não seria uma questão de racionalidade mas de critério funcional porquanto a figura do Rei obvia disputas sectárias no topo da comunidade.
3. Insistiu o meu opositor que não era democrático alguém assumir-se como o soberano dos mais, sem ter sido meramente sufragado para o efeito.
4. Lembrei ao meu interlocutor que democracia significa governo e administração do povo, cabendo ao Rei a responsabilidade de assegurar consensos entre as diferentes correntes partidárias, estas essenciais num regimen democrático.
5. Acrescentei que um Chefe de Estado de génese partidária apenas serviria para apoiar ou contrariar a maioria verificada no forum democrático, sendo esta uma das razões que fundamenta a Monarquia.
6. Por outro lado, a inflamação aguda do apêndice ileocecal é, normalmente, resolvida pela intervenção de um cirúrgião que, não sendo muito agradável para o paciente, desempenha as funções pretendidas.
7. A alternativa seria o sorteio das funções de Chefe de Estado que, um pouco melhor do que a solução republicana, não evitaria recair num opositor ou apoiante da maioria apurada no parlamento.
Nau
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Nº. 250 - Ser Monárquico, I
1. Ser monárquico, aliás, afirmar-se monárquico seria um acto de lucidez, de coragem e de assunção de responsabilidade.
2. Lucidez, porquanto ao ponderar o dilema Monarquia vs República com bom senso, tal qual deve ser, a conclusão lógica é a opção monárquica.
3. Coragem, visto que, ao tornar pública a decisão assumida será confrontado por uma corrente céptica ou, pior ainda, anti-monárquica, reflexo das campanhas insidiosas feitas pelos doutrinadores do bacalhau a pataco.
4. Responsabilidade, pois toma sobre si o compromisso de pugnar pelo bem-estar comum, per dire il vero, ciente dos direitos e deveres do bom cidadão.
5. Afirmar-se monárquico a preceito, i.e., aduzindo razões que, através do raciocínio lógico, poderão levar à conclusão assumida, é indeclinável.
6. Grande parte daqueles que se apresentam como monárquicos são meros aristocretinos, marialvistas, ultramontanos e obscurantistas - estes são alguns dos adjectivos que os republicanos mais adoram.
7. Ao individualismo republicano, i.e., propensão para actuar como independente e não de acordo com a colectividade, opõe-se o comunalismo tradicional luso, expresso no cooperativismo monárquico.
Nau
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Nº. 249 - Comunalismo, II
1. Há várias versões de comuna, no rodar dos tempos.
2. Foi antigo bairro onde viviam pessoas da mesma etnia ou esfera social, mormente judeus ou mulçumanos.
3. Antiga corporação de burgueses (basicamente mercadores) a quem fora concedido o direito de governar o seu burgo.
4. Movimento expontâneo que assumiu os poderes políticos em Paris, no ano de 1871 - Comuna de Paris.
5. Subdivisão administrativa em França que perdura nos dias de hoje.
6. Organização política, social e económica da população agrícola estabelecida na República Popular da China, desde 1958.
7. Será mera aglomeração de famílias independente do Estado, via tradicional lusa.
Nau
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Nº. 248 - Comunalismo
1. As sociedades modernas pecam pelo excesso de regras.
2. Os referidos excessos, na tradição europeia, foram devidos ao processo súbito da industrialização.
3. A música ainda vai no adro mas a latente burocracia já a ultrapassou.
4. Loas acerca da racionalidade das decisões de cariz impessoal; do estímulo das funções rotineiras e da fatal centralização da autoridade, são constantes.
5. Esbatem-se fronteiras e as comunidades são tidas como folclore para turistas e romeiros mitigantes.
6. Grupos de interesses particulares condicionam a ação dos partidos que apenas almejam a conquista das cadeiras do poder.
7. Só um associativismo esclarecido, i.e., o comunalismo poderá fazer face ao movimento estatizante de índole oligárquica.
Nau
terça-feira, 10 de julho de 2012
Nº. 240 - Estou farto de missas, III
1. Em termos futebolísticos, que um adepto do F.C.Porto veja tudo azul, é natural.
2. Em termos fideístas, que um membro de uma seita religiosa tenha um conceito de vida de acordo com esse princípio, é compreensível.
3. Em termos de comunidade, que uma parte desta queira impor aos mais as suas crenças e/ou opções políticas, é um absurdo.
4. A riqueza dos povos não se limita aos bens materiais pois a diversidade de conceitos (susceptíveis de largos consensos) dão azo a soluções enriquecedoras.
5. Quer o futebol, quer o fideísmo são meros sentimentos irracionais, ambos dispensam acrimónias.
6. Por vezes a gorada expectativa gera impaciências, sendo o dinamismo de cada um o linimento de recurso.
7. Porque não tentar uma perninha no associativismo de cariz cooperativo?.
Nau
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Nº. 239 - Estou farto de missas!, II
1. Religião é o culto que se presta, como obrigação indeclinável, àquilo que não se conhece.
2. Originalmente o culto religiosos seria o compromisso de um agregado de pessoas observar determinadas regras que propiciavam a unidade e segurança do mesmo.
3. Logo, religião foi o elo comum nos povos primitivos, a par das usanças que, também não sendo explícitas, dão azo à estruturação do direito consuetudinário.
4. As normas que disciplinam as relações dos homens em comunidade tornam-se complexas com o evoluir desta, não garantindo a almejada paz de espírito de alguns.
5. Deste modo, a crença absurda coexiste a par da jurisprudência, ambas não satisfazendo as necessidades hodiernas visto que o homem pretende a felicidade imediata, sendo o desconhecido o reduto das minorias.
6. Porém, a civilização milenária - de acentuado cariz monoteísta - que hoje desfrutamos não dispensa o culto de algo, por vezes como doutrina política, sendo o marxismo uma boa asserção.
7. O revivalismo de certos monárquicos é pungente, lembrando o fanatismo talibanesco na via para um Estado teocrático, possivelmente idêntico ao do Irão.
Nau
domingo, 8 de julho de 2012
Nº. 238 - Estou farto de missas!
1. Finalmente, no espaço internautico, aparece alguém que, em letras redondas, diz estar farto de cerimónias religiosas tendo estas por objectivo a mera realização de encontros de carácter político.
2. A pessoa em questão ameaça inclusive bater com a porta visto que, sempre na expectativa de algo mais substancial, não se satisfaz com os arremedos televisivos do "Monárquicos Portugueses Unidos".
3. Claro que bastará carregar no botão verde do comando do MEO, inserir o código 157015, premir o 'OK' do referido comando e eis que tem o 'kanal.meo.pt', i.e., o MU.tv.
4. Verdade é que, há um par de anos, foi sugerido no 'monarquicos.com indice' a abertura de um posto de radiodifusão que morreu numa montanha de dificuldades enquanto que o'Rádio Amália On-Line' continua acessível em qualquer PC.
5. As tentativas para editar um jornal monárquico têm sido várias, acabando sempre em estouro de foguetes, com muitas acusações de sabotagem à mistura e ensaios falhados de se ganhar algum protagonismo.
6. Como é óbvio, os monárquicos passam fome de rabear pois jejuam ao longo do ano, tomando apenas uma refeição no 1º de Dezembro, normalmente organizada por conjurados que, como a boa tradição manda, devem realizá-la pela calada da noite.
7. Por norma, ninguém assume responsabilidades (particularmente aquelas conotadas com falhanços) erguendo sempre o dedo acusador. Porém, faz bem mandar a provecta rapaziada à missa na expectativa da maioria se converter em monárquicos cooperativistas, embora os burros velhos...
Nau
sábado, 7 de julho de 2012
Nº. 237 - Luta Popular
1. A luta dos maquinistas da CP continua por todo o mês de Julho.
2. Contra a perseguição disciplinar dos trabalhadores.
3. Repúdio do desmantelamento da empresa ferroviária e da anulação de postos de trabalho.
4. Pelo cumprimento integral dos acordos em vigor, bem como contra as medidas que visam reduzir salários.
5. Por escalas de serviço harmoniosas.
6. Pela actualização do plano de rescisão de trabalho por mútuo acordo.
7. Mantenha-se informado; comente e/ou discuta estes temas, disponíveis no Luta Popular On-Line.
Nau
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Nº. 236 - Cooperativismo Monárquico, II
1. Tanto o liberalismo, como o socialismo propõem a liberdade do homem em todas as situações históricas, considerando o indivíduo como o fundamento e o objectivo das relações na comunidade.
2. Embora o adjectivo social leve a pressupor uma maior preocupação quanto aos problemas económicos e políticos comuns - evocado à exaustão quer por liberais, quer por socialistas - a atitude da maioria continua basicamente egocêntrica.
3. Assim, República é definida como sistema de constituição e organização política em que o governo é exercido por indivíuos eleitos pelo povo, por tempo limitado, método extensível à nomeação do Presidente da República.
4. Nesta definição procura-se identificar República com Democracia embora a República apenas sugira a hipótese de qualquer indivíduo pode ser eleito para as funções de Chefe de Estado a prazo que, em termos comezinhos, será como um euromilhões sem prémios de consolação.
5. Porquê o proliferar das instituições republicanas? Apenas pela desvirtualização do acto eleitoral, vicioso e anti-democrático na nomeação do Presidente da República, pois o acto de liberdade, a afirmação de pura cidadania nada diz ao comum dos mortais, sendo mera novidade pela primeira vez; uma maçada para o repetente.
6. O cilindrar de hábitos ou usanças transmitidas de geração em geração, tal como se verificou no Novo Mundo; o traçar de fronteiras sem atender a etnias, grupos linguísticos e práticas religiosas ainda há pouco verificadas em África; os interesses do neo-colonialismo das potências tecnicamente mais desenvolvidas - tudo isso tem o recurso continuado à República.
7. Os monárquicos são comunalistas - não individualistas - e estão determinados em alijar a ganga republicana através do robustecimento da prática cooperativa.
Nau
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Nº. 235 - Cooperativismo Monárquico, I
1. Em teoria, o liberalismo propõe a não intervenção do Estado na economia permitindo que, na livre concorrência, se estimule a produção de riqueza em benefício da comunidade.
2. Em teoria, o socialismo propõe a propriedade colectiva dos meios de produção e uma distribuição mais igualitária das riquezas em benefício da comunidade.
3. Ambas as correntes apresentam estimáveis variantes nas suas propostas doutrinárias mas não cabe enfatizá-las, aqui e agora, porquanto estas apenas correspondem a programas de arregimentação partidária.
4. Na prática, o liberalismo dá azo à concentração do poder económico em grupos de vocação corporativa que facilmente manipulam os aparelhos partidários.
5. Na prática, o socialismo dá azo à burocratização do Estado, aumentando a dependência dos cidadãos, tanto na versão monopartidária, como na pluripartidária.
6. Ambas as correntes apresentam uma raiz individualista de identificação republicana, embora o cariz social seja a matriz de uma das referidas correntes.
7. O cooperativismo assenta na tradição comunalista que ajudou a burguesia a desterrar a nobreza; disciplinará a arrogância dos possidentes, por via do inadiável regresso do Rei.
Nau
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Nº. 234 - Os Bons Monárquicos, II
1. Na falta de dialogantes afoitados, os observadores cooperativistas monárquicos cá do sítio chamaram a atenção para o facto do sentimento místico tradicional não ter sido aventado no último apontamento.
2. De facto, na argumentação republicana vem sempre à baila o misticismo sectário destes, embrulhado em valores sublimes dos interesses da comunidade dos cidadãos; da igualdade perante a lei; do sentimento da liberdade, este já conhecido em terras lusas mesmo antes da Revolução Liberal de 1820.
3. Enfatizar os supostos valores da opção assumida é prática comum de qualquer apaniguado, mas colar-se à divisa da Revolução Francesa - Liberté, Égalité, Fraternité - é de ujm revivalismo patético, redundante e tacanho pois, afora a Liberdade, as outras duas partes da triologia são vantajosamente banidos pela Equidade e Solidariedade dos cooperativistas.
4. Quem tenha o hábito de encher a boca com os "valores republicanos" na defesa da sua opção política, será bom ler o apontamento sagaz de Vasco Pulido Valente quando das celebrações do "5 de Outubro", disponível na Internet, dispensando a leitura dos pobres comentários que lhe foram dedicados.
5. Contestado o misticismo republicano pela macaqueação afrancesada inconsequente, levanta-se a dúvida quanto à existência e validade da mística monárquica que é curial salientar, justificando o sentido prático desta que prima especialmente pela clareza, facilidade e utilidade.
6. A essência da doutrina política monárquica fundamenta-se na figura do Rei, pedra angular do regimen porquanto, sendo ele de génese apartidária, consubstancia todas as correntes políticas da comunidade; a família nuclear; o espírito colectivo; a unidade da riqueza na diferença.
7. A figura do Rei prima pela singela clareza sendo para todos intelegível; pela facilidade de interpenetração e fusão de culturas (bem como de tradições) num tipo comum; pela utilidade transcendental.
Nau
terça-feira, 3 de julho de 2012
Nº. 233 - Os Bons Monárquicos
1. Bons monárquicos são difíceis de encontrar porquanto a maioria anda equivocada e, à semelhança dos republicanos, não sabe o que verdadeiramente quer.
2. Antes de mais, convém explicar o que se entende por um bom monárquico, visto que tal particularidade é distinta do carácter de cada um, nada tendo a ver com aspectos morais, de índole, génio, feitio ou inteligência da pessoa.
3. Monárquico será aquele que é partidário da Monarquia, tal como portista (falando estritamente de futebol) será o adepto do F.C.Porto, por razões afectivas - prazer, alegria, satisfação, etc. - inculcadas pelo ambiente familiar, grupos de amigos ou impressões agradáveis então havidas.
4. Porém, todos nós - independentemente dos graus de instrução, nível económico ou cultura propriamente dita - temos emoções, bem assim detectadas em seres tidos como irracionais. No entanto, certas emoções estão ligadas a princípios e juizos complexos, sendo nessa acepção que se distingue a emoção.
5. O bom monárquico será aquele que tem consciência da opção assumida - o tal sentimento elaborado - por ventura devido a maior sensibilidade aos problemas sociais, isto é, percepção da sua existência como indivíduo ciente dos deveres, direitos civis e políticos na comunidade - elemento do colectivo.
6. A doutrina monárquica não é credo religioso, nem tão pouco revivalismo de um passado mítico, pois assenta na realidade comezinha da figura do Rei obviar disputas sectárias no topo da comunidade, deixando estas para forum próprio, i.e., a Casa da Democracia.
7. Por outro lado, o nosso Rei - nosso por se identificar com Portugal à semelhança da bandeira e do hino - regressará ao topo da instituição política logo que os portugueses se apercebam que apenas o espírito associativo (cooperativista/comunalista) poderá enfrentar, quer o capitalismo liberal (mercados desregulados), quer o capitalismo estatal (mercados burocratizados).
Nau
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Nº. 232 - Revolução Latente
1. Ninguém se pode eximir aos erros do passado.
2. Tanto a direita como a esquerda - embora a memória dos mais seja curta - não terão um futuro brilhante.
3. O totalitarismo liberal denunciado por Danielle Mitterrand, em Praga, quando da celebração do 10º aniversário da Revolução de Veludo, continua.
4. Os movimentos socialistas radicais tornam-se mais democráticos na medida em que se apresentam menos socialistas.
5. A centralização do poder decisório - à esquerda e à direita - é mero estratagema burocrático, aplaudido por minorias diametralmente opostas.
6. Todos assumeme direitos e omitem obrigações, abjurando os actos eleitorais por mera inépcia, na expectativa de um novo El Dorado.
7. O futuro somos nós e aquilo que vamos construindo numa base singelamente comunalista.
Nau
domingo, 1 de julho de 2012
Nº. 231 - Portal da Cidadonia
1. Antes de prosseguir nos comentários acerca da última visita guiada a Lisboa, é bom pôr em ordem alguns aspectos doutrinários.
2. O fundamento da Monarquia assenta no conceito da autoridade do Rei, funcionando tal autoridade como o sedimento natural, tendencialmente agregador.
3. Por outro lado, a figura do Rei é muito complexa por integrar três pessoas distitntas - pai, mãe e herdeiro/a - que vindo das brumas do passado, continuam no presente rumo ao futuro.
4. Logo, falar do Rei é ter em mente a Família Real por esta corresponder à ideia peregrina de família nuclear, protótipo da comunidade que é curial perservar como razão da dinâmica acima sublinhada.
5. Todo agregado social subsiste pelo equilíbrio anárquico-autoritário, sendo a figura do Rei o ponto de referência, ao contrário do chefe a prazo que, como mero sucedâneo, os apaniguados nele procuram inculcar atributos monárquicos.
6. Dado que o Presidente da República é fatalmente de génese partidária o equilíbrio anárquico-autoritário é mais periclitante, extravasando para a rua sempre que se verifica o intumescimento do primeiro elemento do referido binário.
7. Dito isto, voltaremos nos próximos apontamentos ao assunto da desagregação da família nuclear e à emergência de uma nova forma de organização política, social e económica.
Nau
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