segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Nº. 79 - África Minha, II

1. Dentre aqueles de ascendência europeia que nasceram ou passaram por África e por esta ficaram rendidos, a figura do velho major é inesquecível.

2. Mestre da arte venatória por entretenimento, o reformado guerreiro, alto, bem-parecido, embora um pouco míope, mantinha uma postura de oficial superior no comando das operações, perdendo-se, por vezes, num discurso encantador de agrado do sexo oposto.

3. Pontificando nas reuniões sociais falando das suas conquistas amorosas junto dos cavalheiros, e das suas fantasiosas caçadas quando rodeado pelas suas indefectíveis admiradoras.

4. Namoriscar por namoriscar seria uma perda de tempo. O que o major mais apreciava era a luta. A mulher teria que ser como uma leoa que dominaria a seu bel-prazer.

5. Numa tarde, entre amigos, quando confidenciava as suas aventuras galantes, foi o major sequestrado por gentis damas, insistindo estas para que ele contasse a luta, corpo a corpo, que travara com um leão numa selva africana.

6. "Uma leoa, uma leoa!" corrigia o major e, pela enésima vez, contava a sua aventura, com algumas variantes e cenas de "suspense", por vezes cortadas pela necessidade súbita de tomar nota de algo muito importante, queimando tempo na busca da sua agenda pessoal, da sua caneta, dos seus óculos que, por sinal, tinham uma haste partida.

7. Ansiosas, as damas aguardavam que o major retomasse o fio à meada e mal este tirava os óculos, perguntavam algumas: "E a leoa? e as garras da leoa", enquanto 'do outro lado' alguém lembrava: "O major tinha a boca cheia de pêlos da fera, não tinha?". Nesta excitação toda, o major olhando para a haste partida rematou: "Então a leoa, exausta, fechou as pernas e partiu-me os óculos".

Nau

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