1. Os meus apelos ao diálogo, ao debate de ideias, ao confronto de opiniões têm como objectivo: estimar as probabilidades de sobreviver à crise social que se avoluma; verificar as perspectivas de subsistência face às reais necessidades a curto e longo prazo; estimular o aumento da capacidade de produção.
2. Sempre que as provisões escasseiam em géneros, valores ou inventiva, o açambarcamento por uns e o simples ânimo especulativo de outros, poderão dar lugar a sérios conflitos sociais, como aqueles verificados na Europa no Século XX, tendo estes sidos atenuados, imediatamente após a 2ª grande guerra, graças às tutelas norte-americana, a ocidente, e soviética, a leste.
3. A reconstrução europeia com mão de obra excedentária (logo, baixos salários) agilizou-se na conversão de uma máquina civil - orientada para o esforço da guerra - em múltiplas unidades de serviços e produção industrial adequadas às necessidades locais, progressivamente criando ramificações dentro e fora das suas fronteiras políticas.
4. Claro está que a agitação violenta e desordenada de massas do após guerra não atingiu proporções críticas lamentáveis devido à cultivada rivalidade de duas super-potências, norte-americana e soviética, afirmando-se a primeira como uma democracia, embora de cariz timocrático, e a segunda como uma forma democrática pleonástica, i.e., popular mas, segundo a teoria marxista-leninista, designada por ditadura do proletariado.
5. Na linha da teoria económica liberal, ao aumento do desemprego corresponde uma baixa de salários que, agilizando os custos de produção, abrirá novo ciclo económico expansionista. Tal receita parece ser mero jogo de dados e a probabilidade de um novo falhanço originar uma crise social de dimensões inimagináveis é muito grande, pondo em risco a própria democracia.
6. O Estado Social, na via socialista, consiste na burocratização do aparelho administrativo e parece resultar nas democracias do Norte europeu. Porém, no resto do mundo, tal como em Portugal, a burocracia peca pela falta de racionalidade nas constantes mudanças de decisões, bem como pelo compadrio e centralização desmesurada da autoridade.
7. Com o aumento da perspectiva de vida, baixa natalidade, exaustão do fundo de pensões e perdulária distribuição de subsídios não é o Estado Social que vacila, mas o fim da própria democracia, tal como a conhecemos na Europa Ocidental.
Nau
Nenhum comentário:
Postar um comentário