segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Nº. 1795 - Portal Comunalista
1. Sendo a figura do rei a natural referência da comunidade esta celebrava o aniversário do respectivo soberano com pompa e circunstância.
2. Uma vez que a celebração de festas serve para reforçar o espírito comunitário e aumentar a coesão entre as diferentes comunidades da grande comunidade, a multiplicação de tais cerimónias é um facto transversal na história dos povos.
3. Por outro lado, bom é ter presente que a religião sempre foi o culto do irracional, aliando a prática eficiente do passado com a incerteza do futuro, explorada pelos sacerdotes do templo local onde se sacrificava o ciclo da reprodução, crescimento e morte.
4. Quando a comunidade, para lá da sua dimensão espacial e populacional, adquiria uma autonomia eficaz, esta era reforçada pela contenção de habituais conflitos com os povos vizinhos, sendo as diferenças entre os vários templos esbatida pelo culto politeísta, tal como se verificava na Grécia Antiga.
5. O domínio da burguesia consagrada pela revolução liberal esbateu a impetuosidade religiosa, bem como a consensualidade da figura do rei, sublimando a pátria como mercado em competição com outros mercados, apoiando-se em soberanos a prazo susceptíveis de um melhor conluio com as cores da sua preferência - entenda-se, dirigentes da sua conveniência.
6. Logo, o aniversário do soberano hereditário e vitalício, sinónimo da renovação e continuidade, foi progressivamente substituído pelo culto da pátria ao qual se procura associar figuras míticas, tanto de heróis como de santos, estes últimos para agradar aos fideístas compulsivos.
7. Sem dúvida que o 5 de Outubro de 1910 consagra o predomínio da burguesia capitalista e apaniguados, enquanto o 5 de Outubro de 1149 é a data da fundação do Reino de Portugal.
Nau
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