A Torpe Sociedade onde Nasci
Ao ver um garotito esfarrapado
Brincando numa rua da cidade,
Senti a nostalgia do passado
Pensando que já fui daquela idade.
Que feliz eu era então e que alegria...
Que loucura a brincar, santo delírio!...
Embora fosse mártir, não sabia
Que o mundo me criava p'ra o martírio.
-
Já quando homenzinho é que senti
O dilema terrível que me impôs
A torpe sociedade onde nasci:
- De ser vítima ou ser algoz...
E agora é o acaso que me guia.
Sem esperança, sem um fim, sem uma fé,
Sou tudo: mas não sou o que seria
Se o mundo fosse bom - como mão é!.
Tuberculoso!... Mas que triste sorte!
podia suicidar-me, mas não quero
Que o mundo diga que me desespero
E que me mato por ter medo à morte.
António Aleixo
(1899 - 1949)
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