terça-feira, 30 de setembro de 2014

Nº. 1048 - RAC


1. Densidade populacional fraca; sorvedouro de gentes nas epopeias de além-mar; entrecruzamento de pessoas do mesmo sangue ligadas por laços de parentesco, tudo leva a crer não existir em Portugal famílias que não tenham na sua procedência heróis, poltrões, santos, criminosos e prostitutas.

2. Claro que os fartos cabedais adquiridas nas Áfricas, Índias, Brasis ou no cu do mundo tudo purificam e a necessidade e/ou conveniência mascaram o mais assexuado varão como patriarca respeitado e de numerosa descendência.

3. Verdade se diga que até os santos nos altares calam obras e pensamentos que os reduziriam à dimensão mais ínfima se fossem revelados, mas a ética da civilização europeia obriga a que (pelo menos os actos) sejam classificados entre bons e maus, sendo os primeiros tidos como padrões essenciais.

4. Este dualismo também opõe monárquicos a republicanos baseados em valores que, sendo comuns, apenas ganham diferentes matizes de acordo com as opções dos contendores, servindo unicamente o interesse de forças ocultas que, no calor da disputa, impõem as suas vontades.

5. A maioria dos monárquicos presume ascendências ilustres (que os parágrafos anteriores claramente refutam) julgando por indução ou segundo probabilidades tidas como certas, que apenas uma minoria qualificada e de ilustre procedência deverá padronizar e superintender os interesses da comunidade.

6. Os republicanos não divergem muito deste pensamento - apenas alijando a tralha da imaculada ascendência ou salientando esta quando exclusivamente devida a radicalismos fracturantes - supondo que a natural selecção dos melhores por mor de sufrágios anódinos possibilitará governos mais sãos e justos.

7. Ambos (monárquicos e republicanos) estão enganados pois a cooperação - eficazmente opondo-se à apropriação excessiva - acabará com a nefasta influência burguesa que, como classe dominante, suscita estas disputas clubísticas. Logo, a figura do rei, obviando disputas partidárias no topo da comunidade não é do agrado da burguesia porquanto tira o poder desta manipular o soberano.

Nau

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